Urucum


Urucum urucu (Bixa orellana L.)   O uruceiro (Bixa orellana L.) é um arbusto tropical, que cresce espontaneamente e desde a Guiana até a Bahia. Seu fruto, o urucu ou urucum, tem sementes das quais e extrai o colorau  um dos poucos corantes para alimentos que não fazem mal à saúde. Extrai-se delas também a bixina, pigmento corante natural de ampla utilização nas indústrias de alimentos, cosméticos farmacêutica. 
Seu óleo é empregado na fabricação de margarinas. A exploração comercial começa a- partir do 3º ano de plantio e se prolonga, economicamente, por 30 anos.

Variedades 
   As melhores são a peruana pará, peruana paulista, piave vermelha e a cabeça-de-moleque. 

Clima e solo  
Vegeta em ampla faixa de temperatura, mas a ideal fica entre 20 25°C. Não suporta geadas nem altitudes superiores a 800 m. O solo deve ser profundo. fresco. em área não exposta ao vento sul nem sujeita a encharcamento. Mas existem lavouras nos mais variados tipos de solo, no litoral e no interior. 
É aconselhável utilizar curvas de nível ou terraços.

Plantio 
Plantação de urucum
   Semear em saquinhos de plástico sementes bem escolhidas, a 1 cm de profundidade; elas germinam em cerca de 20 dias. A semeadura deve ser planejada de maneira que, quando as plantas tive em 25 a 30 cm de altura (90 a 120 dias de idade) coincida com o início das chuvas. Aí as mudas devem ser levadas ao campo, para o plantio definitivo. As co vas devem ter 30 x 30 x 30 cm (ou mais, e for em terreno argiloso). Os espaçamentos mais utilizados são de 5 x 5 m em solos mais pobres e 6 x 6 em solos férteis. Usa-se também 7 x 3 m.

Tratos culturais 
   Roçagem e coroamento na época das chuvas; poda da haste principal quando a planta chegar a 1,50 m; limpeza dos galhos secos. Manter o terreno livre de invasoras durante a estação seca.

Pragas e doenças 
    As pragas que atacam o urucueiro são ácaros, tripés, pulgões, cochonilhas e formigas. A principal
doença é o oídio, controlado com fungicida. Outras doenças são ferrugem (não há cura), antracnose, mofo-branco e cercosporiose.

Plantio intercalar 
   Nos primeiros anos são feitas culturas intercalares de feijão, arroz, milho, amendoim, abacaxi, etc.

Colheita 
 uruceiro   De fevereiro a abril ocorre a safrinha, mas é entre setembro e novembro que se faz a colheita principal, assim que aparecem as cápsulas abertas, que são colocadas em sacos ou balaios. levadas para o terreiro e batidas para permitir que as sementes se soltem e sejam postas para secar ao sol.
   Durante a secagem, elas são revolvidas periodicamente.
   Para extrair as sementes, existe uma maquina especial chamada descachopadeira.
   A embalagem e o transporte são feitos em sacos de aniagem. Segundo os agrônomos Luís Antônio Campos Penteado, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e Victor Paulo de Oliveira, da Cati., uma planta adulta pode produzir 4 a 5 kg de sementes/ano, o que, dependendo do espaçamento, significa uma produção de 1 100 a 2 300 kg/ha. Segundo o IAC, a produção normal é de 2 a 4 t/ha/ano, a partir do quarto ano, embora a primeira colheita, menor, seja feita aos 18 meses.
Usos 
O Urucum moido é conhecido com Coloral
O Urucum moido é conhecido com Coloral.
   Em certas áreas do Nordeste, usa-se o colorau como corante para vários tipos de comidas, incluindo arroz e macarrão. Os índios brasileiros o usam pintura do corpo, com o que se defendem da picada de mosquitos, e também para colorir objetos e cerâmica. Indígenas das Guianas usavam a decocção de folhas para combater os vômitos da gravidez. A cor do queijo prato é obtida pela mistura de colorau.
   Atualmente está em alta pois a OMS - organização mundial da saúde vem proibindo o uso de corantes sintéticos na produção de alimentos. 
   Na industria alimentícia a sua utilização vai desde a produção de cervejas, temperos, margarinas ate a fabricação de comida de bebês, também é utilizado pelas industrias cosméticas e de medicamentos.

Produção e produtividade
 O Brasil é responsável por cerca de 57% da produção mundial de urucum, segundo o IAC foram produzidos aproximadamente 16 mil toneladas de urucum em 2015.
A cidade de Monte Castelo na região da alta paulista, interior de SP,  está na liderança nacional em área de cultivo, com cerca de 500 mil pés plantados ( Segundo a associação dos produtores no ano de 2012), a variedade que se destaca na região é a Piave que foi criada por um cruzamento feito pela Embrapa do Pará

Composição por 100 g 
   54 calorias, 7mg de cálcio, 10 mg de fósforo, 0,8 mg de ferro, 15 ráig de vitamina A. 0,55 mg de vitamina B2 e 2 mg de vitamina C.

Arroz


Arroz (Oryza sativa L.)O Arroz (Oryza sativa L.) é uma gramínea que fornece uma das principais fontes de alimento da população mundial. A planta é cultivada há mais de 5 mil anos.
   Em meados do século XVII foi introduzido em Iguape (SP) e no início do século XVIII no Maranhão. Hoje, o Brasil é o único país fora da Ásia onde o arroz é considerado uma cultura básica. Mas, mesmo assim, produzimos apenas 2% do total mundial, enquanto a Ásia é responsável por cerca de 90% da produção, destacando-se como principais produtores a China (35% do total mundial), seguida de Índia, Indonésia e Bangladesh. Em área de cultivo, o arroz é a segunda maior cultura do mundo, só superada pelo trigo.
   Há dois sistemas de plantio de arroz: irrigado e de sequeiro. Sendo uma planta hidrófila (que gosta de água), o irrigado é muito mais produtivo.

Tipos mais comum de arroz comercializados
Tipos mais comum de arroz comercializados
Variedades
   Existe um número incontável de variedades de arroz, e a cada ano são lançadas outras, baseadas em pesquisas especiais para cada região, para plantio irrigado ou de sequeiro, de ciclo precoce (cerca de 110 dias) ou tardio (até 155 dias). 

Clima
   O arroz é produzido desde a faixa de 40º de latitude norte (União Soviética) até 35º sul (Argentina), o que mostra ser adaptável a Várias condições climáticas. É exigente em calor e umidade, preferindo temperatura constante de 32°C e solo saturado de umidade.

Solo
   O arroz irrigado prefere solo sedimentar argilo-humífero ou argiloso, sobre camadas impermeáveis do subsolo próximas da superfície, e com topografia plana, com pequena declividade pára facilitar o escoamento da água. O pH preferido é 5,7 a 6,2. Mas, no Brasil, muitas vezes o plantio é feito em condições muito diferentes destas, com ou sem correção do solo. 
   Uma importante parcela do arroz é plantada em fronteiras agrícolas, como cultura de sequeiro às vezes, nessas regiões, é uma simples preparação do terreno, antes da implantação de pastagens. No principal Estado produtor, o Rio Grande do Sul, 65% da cultura de arroz é feita por arrendatários que, sem capital para investir na terra, tiram dela tudo o que podem até vencer o contrato, e depois vão para outros locais. Muitas vezes, os proprietários dessas terras acabam optando também por transformá-las em pastagens.

Época de plantio
   Varia para cada região, pois depende do aproveitamento das chuvas nos períodos críticos da cultura, e também das variações de temperatura e luminosidade. Em geral os produtores esperam a definição dos Valores Básicos de Custeio (VBCs) e dos preços mínimos para decidir se plantam arroz ou não.    Como a divulgação desses preços coincide com a melhor época para plantio e como os atrasos na divulgação são freqüentes, o produtor acaba perdendo a melhor época de semeadura. O pequeno detalhe torna-se um grande problema quando o arrozal está localizado numa região como o cerrado brasileiro, onde a distribuição de chuvas é bastante desigual. A estiagem vem sendo apontada como a principal causa da baixa produtividade nos Estados de Goiás e Mato Grosso, e o plantio tardio só pode reforçar os danos causados pela seca. 
   O rendimento médio do arroz de sequeiro no cerrado gira em torno de 1 100 kg/ha, quando poderia superar facilmente os I 500 kg/ha, se a cultura pudesse aproveitar o melhor período de chuvas. Também a incidência de pragas diminui se a estiagem atinge o arrozal quando este está mais desenvolvido. Uma das pragas mais importantes do arroz, a broca do colo (Elasmopalpus lignosellus), ocorre com maior freqüência quando a estiagem incide sobre a fase de desenvolvimento da planta. Do mesmo modo a brusone doença causada pelo fungo Pyrieularia oryzae  é especialmente favorecida pela seca.
Contornando a estiagem
   Além do  plantio na época correta, existem outras maneiras de minimizar os danos provocados pela seca. A substituição do tradicional sistema de plantio a lanço, por exemplo. Se o arroz é plantado em linhas (com 20 a 40 cm entre linhas e unia densidade de 300 000 plantas por hectare), os tratos culturais são facilitados. As plantas invasoras dos arrozais são muito competitivas no consumo de água e precisam ser retiradas em pelo menos duas capinas: uma aos 20-25 dias e outra aos 45 dias após a emergência do arroz. Quando o plantio é feito a lanço, essas capinas ficam difíceis e o arroz acaba sofrendo falta d'água. Com o plantio organizado em linhas, as capinas também podem ser mecânicas, por tração animal ou trator. Em testes realizados pela Embrapa no CNPAF. a diferença de produtividade entre arrozais com capina e sem capina foi gritante: 2 121 kg/ha na parcela capinada contra 512 kg/ha na parcela sem controle no primeiro ano e 2 993 kg/ha contra 1 508 kg/ha no segundo ano. A diferença foi bem maior no primeiro ano porque ocorreu um veranico, o que reforça a afirmação de que um arrozal limpo de invasoras resiste melhor à estiagem.

Pragas e doenças
Elasmopalpus  fêmea
Elasmopalpus  fêmea
   As principais pragas do arroz são: no solo, cupim, bicho bolo (também conhecido como bicho-gordo ou torresmo), bicheira-da-raiz, a broca-do-colo (elasmopalpus), percevejo castanho, lagarta rosca e coró-de-seco; na parte aérea, percevejo-do-arroz. a lagarta dos-capinzais, curuquerê-do-capinzal, broca da cana-de-açúcar e noiva-do-arroz. Os grãos armazenados podem ser atacados por gorgulhos e traças.

Invasoras
   Entre as invasoras mais freqüentes nos arrozais, existem duas espécies que inspiram maiores cuidados: o arroz-vermelho e o arroz preto, muito comuns nas áreas irrigadas e várzeas úmidas do Sul-Sudeste. Como o arroz comum, o vermelho e o preto são variedades de Oryza saliva L., e em alguns países são explorados comercialmente. No Sudeste do Brasil, entretanto. as variedades não se adaptaram bem e não servem para o beneficiamento porque se partem com muita facilidade. O baixo valor comercial não impediu, porém, que as duas variedades se espalhassem pelos arrozais, transformando-se em invasoras. Como as plantas são muito semelhantes ao arroz comercial, é bastante difícil seu controle. O uso de sementes melhoradas e selecionadas e o plantio de variedades de porte baixo podem ajudar o produtor neste controle. Assim que o arroz começa a emergir, as variedades vermelho e preto se distinguem pelo porte e são erradicadas manualmente. Mas o arroz-vermelho é bastante procurado por consumidores de arroz integral; nesse caso, o fato de não resistir ao beneficiamento deixa de ser problema. Vale lembrar que o produtor deve destruir os restos de plantas invasoras ou removê-las do arrozal sempre que fizer o controle, para evitar a disseminação de sementes e pragas. A melhor opção é incorporar os restos .no solo, não muito superficialmente, ou queimar, caso estejam na fase de amadurecimento.

Sementes
   Todo produtor sabe que as sementes melhoradas são a melhor defesa contra doenças fúngicas e que o potencial de germinação de uma semente pode determinar a boa produtividade do arrozal. Mas são raros os que usam as sementes melhoradas. Em Santa Catarina, 88% dos produtores utilizam sementes próprias ou de vizinhos. Estas sementes foram testadas pela Embrapa e 81,5% do total apresentou um índice de germinação inferior a 81%. Ou seja, a maioria dos produtores catarinenses está perdendo produtividade já na fase de germinação. E não só os catarinenses. Segundo o censo agropecuário de 1980, cerca de 85% dos produtores do Brasil (responsáveis por 83% da produção total de arroz) usam sementes próprias ou de vizinhos. É evidente que a opção por sementes comuns não é mera falta de conhecimento. A escassez de recursos por ocasião do plantio leva o produtor a preterir as sementes fiscalizadas, mais caras.
   Para contornar esse problema, o rizicultor pode reservar uma parcela do seu arrozal para a produção de suas próprias sementes. Alguns cuidados especiais serão necessários nesta parcela. As variedades de porte baixo são recomendadas, porque resistem ao acamamento  quando os talos da planta dobram sob o peso dos grãos. tocando o solo. A resistência ao acamamento evita que os grãos apodreçam ou sejam comidos por ratos. Antes da colheita normal, o produtor deve escolher as plantas mais vigorosas, sem vestígios de doenças ou ataque de pragas. Essas plantas fornecerão os grãos para a parcela de produção de sementes. Os grãos de cada planta são semeados, então, em sulcos distintos, de 1 m de comprimento. As plantas que apresentarem crescimento desigual devem ser eliminadas. O restante é colhido normalmente, e as sementes são armazenadas em local fresco e ventilado, com 13% de umidade. aproximadamente. Na ocorrência de veranico durante a fase de florescimento, a parcela destinada à produção de sementes deve ser irrigada, porque a falta d'água, nesta fase, provoca
a esterilidade dos grãos. 

Plantio de mudas
Mudas de arroz para serem transplantadas
Mudas de arroz para serem transplantadas
   Para garantir a máxima uniformidade (e produtividade) do arrozal, após a seleção de sementes o produtor deve adotar o sistema de transplante de mudas. Ideal para pequenos produtores, que não vão precisar de muito espaço para as sementeiras, o sistema de transplante deve ser utildado pelo menos nas parcelas destinadas à produção de novas sementes. Antes do plantio, os grãos devem passar por uma pré-germinação: são colocados na água por 24 a 36 horas, à temperatura ambiente (25ºC).
   Depois são semeados em caixas de 60 x 30 x 50 cm, na densidade de 300 g por caixa. Com duas a três semanas, as plantinhas devem estar com duas folhas e já podem ser transplantadas. Para grandes áreas, já existem transplantadeiras mecânicas. No arroz irrigado ou de várzea com drenagem, o transplante de mudas deve ser feito em quadros (ou tabuleiros) de 300 m2, com lâmina d'água de 1 cm. O espaçamento ideal é de 30 x 15 cm, com três a cinco mudas por touceira. O nivelamento do solo em cada tabuleiro é fundamental. Além de garantir a melhor distribuição de água, evita uma das pragas mais importantes do arroz irrigado, que é a bicheira da raiz (Orvzophagus oryzae). A bicheira
se propaga nas partes mais fundas do tabuleiro, quando não há uniformidade na lâmina d'água.

Alternativas de adubação
   Depois da uniformização da cultura, uma das questões mais delicadas no plantio de arroz é a adubação nitrogenada. Ao lado do sódio, do potássio e do zinco, o nitrogênio é um dos nutrientes a que o arroz melhor responde. Mas também é uma fonte de problemas. O excesso de adubação nitrogenada favorece a  proliferação de várias pragas e doenças importantes. O nitrogênio mineral, se colocado no mesmo sulco das sementes por ocasião do plantio, também queima os grãos e provoca baixa germinação. Pesquisadores da Embrapa vêm procurando alternativas de adubação. De acordo com uma pesquisa do agrônomo Itamar Pereira de Oliveira, do CNPAF, o uso de biofertilizantes em rotação com o plantio de feijão pode ser uma dessas alternativas. Biofertilizante é o efluente do biodigestor após a extração do gás ou o líquido resultante da fermentação em tanques de esterco animal. Segundo os testes realizados no CNPAF, o feijão é adubado com 12 a 24 t/ha de biofertilizante, colhido, e os restos da cultura são incorporados ao solo para suprir as necessidades de nitrogênio. Em seguida é plantado o arroz, adubado com 6 a 12 t/ha de biofertilizante. A produtividade média obtida foi de 2 150 kg/ha de arroz de sequeiro, enquanto a média regional, no cerrado, é de 1 100 kg/ha. A adubação verde. especialmente com mucuna, dá também excelentes resultados.

Azola   Para pequenos produtores de arroz irrigado ou para o plantio de várzeas. existe uma alternativa ainda mais eficiente: a azola (Azolla pinnata), uma planta aquática que vive em simbiose uma alga chamada Anabaena azollae azola tem grande capacidade de fix de nitrogênio e, quando incorporada solo, não apresenta nenhum dos pro mas do nutriente mineralizado. Tem da a vantagem de liberar o nitrogênio gradativamente, reduzindo assim, a perda lixiviação ou evaporação.    A azola é cultivada em viveiros durante todo o ano e colocada no solo em agosto, sobre uma lamina d'água de 3 cm, no máximo, 200 a 300 g/m2 são suficientes. Na época do plantio, em novembro, a azola já formou um tapete verde nos tabuleiros água pode ser drenada. Aí é feita a incorporação com enxada comum ou rotativa, em seguida se planta o arroz, por mudas.
   Assim que o arroz nasce e é inunda coloca-se nova dose de azola na lâmina d'água. Sem competir com o arroz planta vai formar um novo tapete ver que, após a colheita, servirá de adubo para o cultivo de inverno. O mais importante, para a azola, é a altura da lâmina d´água. Apesar de ser uma planta aquática  ela fixa suas raízes na terra, e uma lâmina muito alta pode matar a planta. Segundo testes realizados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a adubação com azola equivale aplicação de 45 a 75 kg/ha de nitrogênio.
   A produtividade média obtida em quatro testes foi de 7 300 kg/ha de arroz irrigado. Um recorde que justifica o templo edificado no Vietnã onde a azola é utilizada desde o século XVII  em homenagem a Khong Minh Khong, um gigantesco monge budista responsável pela propagação da planta nos arrozais do Rio Vermelho. Clique aqui para acessar nossa publicação sobre a Azola

Consórcio com leguminosa 
colopogônio   Uma terceira alternativa para suprir as necessidades de nitrogênio do arroz é o consórcio com uma leguminosa de ciclo longo, como o calopogônio (Calopogonium muconoides). E o sistema mais indicado para arroz de sequeiro, onde a azola não pode ser cultivada. O arroz é plantado ao mesmo tempo que o calopogônio, e a diferença de ciclos (90 a 120 dias para o arroz  180 a 220 dias para a leguminosa) contorna o problema da concorrência. Durante rápido crescimento do arroz, a leguminosa se desenvolve pouco, apenas o suficiente para abafar as plantas invasoras.
   Assim que o arroz é colhido e a luminosidade incide sobre o colopogônio, o desenvolvimento deste é acelerado. Sua produção chega a 41 t/ha de massa verde que podem ser incorporadas, ao solo durante a floração. Caso o produtor tenha gado, o calopogônio pode ser utilizado como pastagem durante a floração e só depois incorporado ao solo para o plantio de arroz da safra seguinte. Cerca de 3 kg de sementes de calopogônio devem ser misturados em cada saco de 40 kg de sementes de arroz precoce. É importante que a mistura seja bem-feita, para obter homogeneidade no plantio. O espaçamento e população do arroz são os mesmos do plantio de sequeiro, e a produtividade, a partir do segundo ano, eleva-se em média 42% em relação ao arroz solteiro. Clique aqui para acessar nossa publicação sobre a Calopogônio

Segunda colheita 
   Se o plantio do arroz irrigado for realizado na melhor época e os tratos forem adequados, após a primeira colheita haverá uma rebrota dos talos, com nova produção de grãos. E a com chamada soca do arroz, geralmente desprezada pelos produtores porque apresenta um rendimento muito baixo. Bem manejada, entretanto, a soca pode ser bastante produtiva. Sem muito trabalho, a soca é colhida dentro de 78 dias e chega a alcançar 73% da produtividade da primeira colheita. A escolha da variedade é o mais importante, porque alguns cultivares crescem de maneira desuniforme na rebrota. Para Rio de Janeiro, as melhores  variedades são IAC-899 e IR-841: Em Minas pode ser usada a MG-1 e em Goiás for- a IR-841 ou Cica-8. 
    Depois da escolha de e a variedades, a altura do corte na primeira colheita é o que determina o sucesso da soca. Os talos devem ser cortados a 15 ou 20 cm do solo, para que não sejam prejudicados pela lâmina d'água. Os produtores que têm possibilidade de controlar a, a irrigação por gravidade, sem gastos com de, bombas d'água, devem dar banhos periódicos na soca, em vez de manter a lâmina de água contínua. Assim que a soca é colhida, planta-se outras culturas como a, aveia forrageira, trigo ou feijão. Nas conina dições dições de clima e solo do Rio de Janeiro, o feijão é a melhor opção, especialmente  a palha do arroz colhido for utilizada como cobertura morta.

Colheita e secagem 
   Para conseguir o, melhor preço pelo seu arroz, o ideal é que o produtor faça a colheita em dias de sol, assim que cerca de 80% dos cachos estejam maduros. Em regiões de plantio de várzea, onde o início das chuvas coincide com a colheita, como Amazonas e Pará, os grãos podem passar por secadores solares, já testados na Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Estadual (UEPAE), de Manaus.
   Na colheita manual, os cachos são cortados com uma faca pequena, batidos e depois secam ao sol, em camadas de 5 a 6 cm, durante três a quatro dias, Quando a parcela de arroz colhido se destina à semeadura do ano seguinte, a temperatura dos e grãos deve ser controlada. Mesmo ao sol, a temperatura pode ultrapassar os 43°C, o que prejudica a germinação. 
   Assim, é melhor revolver o arroz constantemente, de modo a manter a temperatura o mais baixa. Os produtores que dispõem de maquinaria para o beneficiamento do arroz devem tratar os grãos, evitando quebras e gessamento (quando o arroz fica branco e opaco). O tratamento mais simples é a atapa usada originalmente a no sudoeste da Asia. Os grãos são encharcados à temperatura ambiente por 24 horas e depois secados ao sol. Em Santa a Catarina, o método mais utilizado é a maceração, um pouco mais sofisticado.
   Os grãos são imersos na água, à temperatura ambiente, em tanques de alvenaria, por 48 a 72 horas. Estando inchados a ponto de iniciar a germinação, os grãos são submetidos à secagem rápida, feita a temperaturas entre 120 e 150°C. Em seguida, o arroz é resfriado e beneficiado.
   Alguns engenhos fazem essa secagem rápida a temperaturas superiores a 300ºC, mas o índice de gessamento tem sido alto neste sistema. Segundo pesquisas da Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária (Empasc), é preferível usar água aquecida a 40 a 60°C para o encharcamento e fazer a secagem a 150ºC, no máximo.
Produção e produtividade 
    No Brasil, o consumo anual é de, em média, 25 quilos por habitante. O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz irrigado. Já a área plantada com arroz de sequeiro, em terras altas, fica concentrada na região Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás); Nordeste (Piauí e Maranhão) e Norte (Pará e Rondônia). As pesquisas atuais priorizam ações para consolidar a presença da cultura em sistemas de produção de grãos nas regiões no Cerrado e, especialmente, com adaptação ao sistema de plantio direto. Entre 1975 e 2005, o Brasil reduziu a área de plantio em torno de 26% e, mesmo assim, aumentou sua produção de arroz em 69%, graças ao aumento de 128% na produtividade média. O crescimento da produção permitiu ao país tornar-se autossuficiente em arroz na safra 2003/2004. Em 2005, o Brasil chegou a exportar 272 mil toneladas de arroz. Hoje apenas 5% da produção nacional é destinada à exportação. Fonte: Ministério da Agricultura

Composição por 100 g 
Arroz cozidoArroz cozido
167 calorias, 2,3 g de proteínas, 3 mg de cálcio, 54 mg de fósforo, 0,8 mg de ferro, 0,02 mg de vitamina B1, e 0,02 mg de vitamina B2. 
Farinha de arroz
366 calorias, 6,4 g de proteínas, 24 mg de cálcio, 135 mg de fósforo, 1,9 mg de ferro, 0,10 mg de vitamina B, e 0,05 mg de vitamina 13mg.
Arroz integral
357 calorias, 8,1 g de proteínas, 22 mg de cálcio, 250 mg de fósforo, 2,0 mg de ferro, 0,36 mg de vitamina B1 e 0,06 mg de vitamina B2.

Algodão


    Há pelo menos 39 espécies do gênero Gossypium L., denominadas algodoeiros. Entre elas, duas são bastante cultivadas nas Américas, uma anual (Gossypium hirsutum L.) e outra perene (Gossypium barbadense L. ). Há também espécies e variedades subperenes. A índia é tida como centro de origem do algodoeiro, mas há espécies originárias de diversos lugares (basta lembrar que tanto as múmias egípicias como as incas eram envolvidas em algodão). Quando os portugueses chegaram ao Brasil, o algodão arbóreo já era cultivado aqui. 
Algodão (Gossypium hirsutum)   O herbáceo foi introduzido na época da guerra de Secessão dos Estados Unidos (1860-65), que era o maior produtor mundial. A guerra prejudicou a produção e acabou levando outros países a cultivá-lo, inclusive o Brasil. Foi nessa época que o Estado de São Paulo começou a se destacar como grande produtor de algodão. Até hoje, o herbáceo (nome que se dá comumente ao algodão de ciclo anual, embora ele seja arbustivo) é mais cultivado no Centro-Sul e Sul do Brasil, enquanto o arbóreo (perene) é mais comum no Nordeste. Além da fibra, excelente para a fabricação de tecidos, a semente do algodão é matéria-prima para a produção de um excelente óleo, sendo aproveitado ainda seu farelo, muito valorizado como alimentação animal (no Nordeste os próprios restos de cultura são também utilizados com este fim). Segundo a Bolsa de Liverpool. Inglaterra, em 1986 o Brasil foi o produtor mundial de algodão em pluma, superado pelos Estados Unidos, China, União Soviética e
índia.

Clima 
O algodão herbáceo produz bem em região onde o índice médio de chuvas é de 1 000 a 1 500 romano. Em áreas afetadas pela seca é aconselhável o plantio do algodão arbóreo. A temperatura não deve ser inferior a 20ºC nem superior a 30ºC.

Solo 
Algodão   Para o plantio do algodão recomendam-se solos de textura média (entre 15 e 35% de argila). Devem-se evitar os muito arenosos, em razão da sua pequena capacidade de retenção de água e fertilizantes e suscetibilidade à erosão. O tipo de estrutura que mais convém é a granular, que permite melhor circulação de ar e de água. O algodoeiro exige que o solo tenha boa drenagem, sendo incompatível com solos encharcados. Sua raiz pivotante pode alcançar de 2 a 2,5 m de profundidade.    Daí a necessidade de solos profundos (de 1 a 2 m) e até os muito profundos (acima de 2 m). Quanto menos ácido, melhor; as mais altas produções obtêm-se em terras com pH 5,5 a 6,5. Quando o solo for ácido, é necessário fazer a calagem. O algodão é muito exigente em magnésio. Isso pode ser suprido com Os calcários magnesianos, dolomíticos, termofosfatos ou ainda sulfato de potássio e magnésio. O mais usado é o dolomítico, devido ao seu preço acessível.  Recentemente surgiu em São Paulo um calcário finamente moído, conhecido como filler, mas é preciso realizar mais pesquisas antes de recomendar sua aplicação.
   Para saber a quantidade de calcário a ser aplicada, é necessário fazer a análise do solo. Os terrenos argilosos exigem maior quantidade de calcário que os arenosos para a elevação do pH. Os solos ricos em matéria orgânica também são mais exigentes e influem nas dosagens de calcário recomendadas.

Preparo do solo 
   Um bom preparo do solo é importante para a germinação, para o desenvolvimento homogêneo da cultura e facilita os cultivos e a colheita, especialmente a mecânica. Se o terreno estiver sendo utilizado para o cultivo do algodão há alguns anos, a distribuição da soqueira deve ser feita em junho-julho. Neste caso deve-se fazer uma aração. recomendando-se duas se no terreno houver muitas invasoras. A segunda gradagem é feita às vésperas do plantio, para destruir as sementes das invasoras que começam a germinar. A umidade do solo determina uma boa aração, e a umidade ideal é entre 40 e 50%. Há um truque para saber se o solo apresenta boas condições para ser arado. Recolhem-se amostras de várias partes do terreno. Depois, junta-se fortemente na mão, formando uma bola. A seguir, deixa-se essa bola cair no solo de uma altura de aproximadamente 1,50 m. Caso ela desintegre, o solo está apto para ser arado. Arações em solos úmidos dificultam a operação seguinte de gradagem. prejudicando a semeadura. Já em solos secos, a profundidade da aração fica prejudicada e os discos se desgastam rapidamente. Aração e gradagem excessivas pulverizam o solo, o que é prejudicial, pois provocam a erosão da camada superficial, em terrenos inclinados. Em 1961, alguns pesquisadores observaram que em solo tipo arenito de Bauru, com 11% de declive, duas arações causaram a perda de 16.7 t/ha, e uma aração provocou a perda de 14,5 t/ha de terra. E a produção de algodão foi ligeiramente superior com apenas uma aração, tanto em arenito de Bauru como no tipo de massapé-salmorão. Nos solos arenosos não se recomenda a aração, a não ser que a área apresente grande quantidade de invasoras ou restos de cultura anterior, neste caso aconselha-se fazer apenas uma aração. Nos solos recém-desbravados, deve-se plantar pelo menos durante um ano, outra cultura. 
   Não é bom cultivar algodão em terrenos muito inclinados; o declive máximo não deve ultrapassar 12% para solos arenosos e 15% para argilosos. O algodão tem crescimento lento e é muito exigente em tratos culturais, devendo estar livre de invasoras. Em estudos realizados pela Estação Experimental de Sete Lagoas (MG), após seis anos, verificou-se que a cultura algodeira perdeu 4 titia de solo, enquanto a cultura do milho perdeu 670 kg/ha e a pastagem apenas 11 kg/ha. 
Variedades 
   Estudos da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo demonstraram que, para a safra 1985/1986, as variedades precoces eram as mais indicadas, por dois motivos: elas apresentam porte baixo e abertura uniforme das maçãs; as variedades IAC-17 e IAC-20, por formarem carga mais cedo e em período mais curto, expondo menos as estruturas reprodutivas ao ataque do "bicudo" e propiciando a destruição das soqueiras mais cedo. A IAC- 9 também foi indicada, por apresentar -boa produtividade e resistência aos nematóides, embora não tenha desenvolvimento precoce. Para o Nordeste, o Centro Nacional de Pesquisa do Algodão (CNPA). sediado em Campina Grande (PB), recomenda entre as variedades herbáceas (Gossvium hirsutum L., raça Latifolium Hutch) a BR-1 , que chegou a dar 5 000 kg/ha no sudeste baiano, em 1980; o CNPA-2H, CNPA 77-149, CNPA 76-6873 e SUO450-8909. Entre as variedades arbóreas(Gossypium hirsutum L., raça Marie galante Hutch), as mais produtivas são a veludo C-71, desenvolvida pela Secretaria da Agricultura da Paraíba (com ciclo econômico de 5 anos), a CNPA-2M, lançada em 1981, e a CNPA 78-3B. A variedade CNPA-2M é mais precoce, produz em sessenta a setenta dias e é 20% mais produtiva que as variedades tradicionais (dá 378,3 kg/ha/ano).

Plantio 
   No plantio mecanizado utilizam-se de 15 a 20 kg/ha de sementes. Na prática, somente emergem, em média, 65% das sementes plantadas. Para fazer uma boa semeadura, deve-se regular a plantadeira para a profundidade de 2,5 a 4 cm. Aconselha-se aumentar a quantidade das sementes quando o poder germinativo for baixo (perto de 60%). No plantio manual feito com matraca, deve-se manter o alinhamento para facilitar as capinas. A quantidade será de seis a oito sementes por cova. Em Minas Gerais, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). indica o mês de outubro como o mais propício para o plantio no Triângulo Mineiro da variedade IAC-13 em solos de alta fertilidade. No Nordeste, especialmente, é muito importante o plantio na época certa, para aproveitar melhor as chuvas escassas, de três a cinco meses ao ano. Recomenda-se plantar o algodão herbáceo logo após o início das chuvas ou mesmo "no seco", desde que o agricultor tenha condições de preparar o solo com baixo teor de umidade. O plantio costuma ser em outubro-novembro no sudoeste da Bahia; novembrodezembro no Maranhão. sul do Piauí e sul do Ceará (Cariri); janeiro a maio no sertão do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte; de abril a junho no nordeste da Bahia, no agreste dos Estados de Sergipe, Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, no litoral do Ceará e no norte do Piauí; e em maio-junho nas culturas irrigadas. O algodão arbóreo é plantado antes do período chuvoso. O espaçamento e o stand são muito importantes, informam os técnicos de São Paulo. Eles recomendam 10 plantas por metro linear e o espaçamento entre as linhas de aproximadamente dois terços da altura média esperada das plantas. Em Minas, para a região do Triângulo Mineiro, o melhor espaçamento para as terras de alta fertilidade é de 1 m entre as fileiras, e para as terras de cerrado de 0,60 a 0,80 m. No Nordeste, o espaçamento mais utilizado é de I m entre as fileiras e 5 a 7 plantas por metro linear, para o algodão herbáceo. Experiências, realizadas pelo CNPA concluíram que o melhor espaçamento para o algodão arbóreo é de 2 x 0.50 m, e em seguida 2 x 1 m quando não se tiver intenção de consorciar com outras culturas. 'Quanto à época de plantio, uma prática observada no Ceará é o plantio no "pó" o agricultor abre as covas e joga as sementes antes das chuvas elas não perdem o poder de germinação. 
   Quando as chuvas vêm, levam terra para a cova e cobrem as sementes. Voltando ao Sudeste, o desbaste, para a eliminação do excesso de plantas nas fileiras, deve ser executado entre 25 e 30 dias após a emergência, deixando 5 a 10 plantas por metro quantidade suficiente para suprir as falhas provocadas por sementes de baixo teor germinativo e pelo ataque de pragas e doenças que atingem as plantas novas. Segundo a Epamig, não houve diferenças significativas entre o plantio de 5 a 20 sementes por metro sem desbaste e o plantio de 30 sementes por metro com desbaste para 3 a 7 plantas por metro. No entanto, observou-se que as melhores produções foram conseguidas com o uso de 15 a 20 sementes por metro sem desbaste, nas duas principais regiões produtoras de Minas Gerais. Com estes resultados concluiu-se que a operação de desbaste pode ser eliminada para o algodoeiro herbáceo nestas regiões. 
   A desbrota eliminação manual do broto apical do algodoeiro parece não exercer influência no rendimento. Estudos da Epamig demonstraram que o rendimento, peso do capulho, peso de cem sementes, porcentagem e índice de fibra não foram influenciados por essa prática. Foi observada uma redução de 27% na altura das plantas quando a desbrota foi feita entre 50 e 55 dias após a emergência.

Adubação 
   O algodão é muito exigente com relação a adubação. A adubação orgânica e a adubação verde têm apresentado bons resultados. Um dos agricultores mais bem-sucedidos no recurso a essa prática é Tadashi Mine, de Ituverava (SP), que colhe 650 a 700 arrobas por alqueire. A adubação verde, porém, não substitui a mineral, embora contribua grandemente para a redução de gastos com adubos. Pesquisas da Epamig em alguns municípios mineiros mostraram que, em termos de massa verde, a mucuna e a crotalária. em Uberaba, o guandu e a mucuna, em Felixlândia, e a crotalária e o guandu, em Janaúba, foram os que apresentaram os melhores rendimentos. A produção de algodão, quando se incorporou a crotalária, elevou-se em 41 e 37%, respectivamente, em Uberaba e Janaúba, em 1977/1978. 
   A crotalária e o guandu se destacaram como sendo os que melhor influenciaram os rendimentos do algodão, com aumentos de 28 e 12%, respectivamente. Também foi observado que nem sempre os adubos verdes, que produziram maior volume de massa verde, foram os que resultaram em maior produção de algodão.

Rotação 
Algodão   A rotação e o consorciamento de cultura são práticas culturais bastante indicadas para os cotonicultores. Unia pesquisa realizada em solos de cerrado, com nematóides, em 1960/1961 e 1962/1963, pelo pesquisador Carlos Menezes Ferraz, do IAC, apresentou os seguintes resultados: o cultivo contínuo do  algodão deu 149 arrobas por alqueire (24 200 m2), e com a adubação verde
com mucuna-preta deu 336 arrobas por alqueire. Na consorciação com o amendoim a produção foi de 241 arrobas por alqueire, e, consorciado com a soja, a produção foi de 198 arrobas por alqueire. Nos Estados Unidos. União Soviética, Egito e África intertropical o algodão não é cultivado isoladamente. Ali, a rotação e a consorciação são "de lei". Na Estação Experimental de Sete Lagoas, após cinco anos de estudos de rotação com algodão, soja e milho, verificou-se um aumento de 611 kg/ha no algodão. Em São Paulo, a rotação algodão/mamona/mamona, durante cinco anos, ou seja, três anos de mamona e dois de algodão, resultou em um aumento de 558 kg/ha de algodão em relação à cultura contínua. 
   Em terrenos infestados com nematóides (Meloidogyne incognita), após três anos de estudo, verificou-se que o algodão, após mucuna-preta, apresentou um ameno de 1 159 kg/ha e de 570 kg/ha, após amendoim, em relação à cultura contínua. Em Goiás, após cinco anos de estudos com rotação, verificou-se que a produção de algodão, após crotalária e feijão, foi acrescida de 333 kg/ha em relação à cultura contínua, quando se" aplicou adubação nitrogenada, e 298 kg/ha, quando não se aplicou o nitrogênio.

Consorciação 
   Como a cultura do algodão é feita geralmente por meeiros ou terceiros, o algodão costuma ser consorciado com culturas alimentares e suas entrelinhas são utilizadas também pelo proprietá- rio para a alimentação do gado na época chuvosa até a floração. É necessário um espaçamento que permita a consorciação algodão/culturas alimentares/boi. Os espaçamentos recomendados, nestes casos, são 4 x 0,50 ou 4 x 1 m, que tornam possível o consórcio com culturas alimentares durante os cinco anos do ciclo e reduzem os danos causados pelos bois às plantas. A consorciação costuma ser com milho e feijão, principalmente, e os restos dessas culturas servem também de alimento para o gado. 
Outras culturas consorciadas são de fava, feijão-guandu, melancia, jerimum e até algodão herbáceo. O sorgo, que vem sendo apontado como substituto do milho, poderá entrar nessa consorciação, mas experiências do CNPA constataram que ele compete muito com o algodão arbóreo, reduzindo seu rendimento em 70% no primeiro ano. Mas, quando se planta o sorgo uns quinze dias depois do algodão, a redução é de 35% na produção deste. Os bois devem ser em número de 2 por hectare, que não reduzem a produção do algodão e até aumentaram em 13% nas experiências realizadas. No caso de algodão herbáceo, no Nordeste, tem-se feito consorciação com milho e feijão, plantando-se cada duas a sete filas de algodão. A consorciação, especialmente com leguminosas, é recomendável, porque também protege o solo. A cultura do algodão é uma das que mais favorecem a erosão. O cultivo do algodão arbóreo, consorciado com milho ou feijão. é um sistema muito utilizado pelos
produtores do Vale do Piancó, na Paraíba, por diminuir os riscos de perda e os gastos de implantação da cultura do algodão, segundo a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa).
   Vários resultados de pesquisa evidenciam, de acordo com a Emepa. que apesar de o' milho e o feijão provocarem diminuição no rendimento do algodoeiro, no primeiro ano. geralmente contribuem para um aumento na renda bruta por unidade de área. Além desse aspecto, observam que. no segundo ano. não ocorre grande diferença de produção entre o algodão isolado e o consorciado no primeiro ano.

Irrigação 
Irrigação de algodão   Havendo falta de chuvas, a irrigação assume uma importância igual ao uso de adubação verde e fertilizantes, tratos culturais ou controle de ervas invasoras ou pragas. Para uma irrigação correta há necessidade de se conhecer:
• A água disponível total que o solo pode armazenar.
• A lâmina de água a ser aplicada em cada irrigação.
• A distribuição das raízes do algodoeiro dentro do solo.
• A quantidade de água consumida pela planta entre duas irrigações, cujo intervalo
depende do tamanho das plantas e das condições climáticas. Existem vários métodos
para a irrigação do algodoeiro: sulcos, faixas, sub-irrigação, gotejamento e aspersão.

Pragas e doenças 
   O algodão é conhecido também pelo grande número de doenças e pragas que o atacam. O bicudo, porém, de ocorrência recente, é a praga mais ameaçadora. Ele ataca há tempos os algodoais norte americanos, colombianos e venezuelanos. Seus estragos são grandes, mas o que é pior é que a sua presença faz com que os cotonicultores. que já aplicam uma quantidade enorme de venenos nas lavouras, com a vinda do bicudo, passem a utilizar ainda mais intensamente esses produtos, onerando seus custos de produção e pondo em risco o equilíbrio do meio ambiente. O bicudo é originário do México. onde foi identificado em 1843, por C.H. Boheman. De lá ele invadiu o Texas, disseminando se até ocupar quase toda a região produtora de algodão dos EUA. Em 1983 foi encontrado em grande quantidade nos algodoais das regiões de Sorocaba e Campinas, principalmente ao redor do aeroporto de Viracopos, em São Paulo (há suspeitas de que ele tenha sido introduzido intencionalmente no Brasil). Depois disso, foi-se alastrando por São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Hoje ele já é um habitante bem conhecido dos cotonicultores brasileiros.
   As chuvas favorecem seu desenvolvimento uma vez que a umidade existente conserva os botões atacados fechados por um período maior, o que permite o crescimento das larvas no seu interior. A atividade do inseto adulto é bastante intensa. Todavia, quando tocado ou quando pressente o perigo, imobiliza-se. fingindo estar morto e caindo até mesmo ao solo.
    Entre os inimigos naturais do bicudo, além dos pássaros. encontram-se cerca de
42 espécies de artrópodes, entre parasitas e predadores. O parasita que se tem mostrado mais eficiente é uma vespinha, cujo nome científico é Bracon mellitor; cerca de 80% de todos os parasitas encontrados na larva do bicudo foram desta espécie.
   No Brasil, além dessa vespinha, diversas espécies de formigas foram observadas predando larvas e adultos do bicudo. O percevejo Podisus sp., muito comum no país, também tem mostrado ser bom predador, sugando em média dois adultos por dia. Vê-se. por aí, que o combate químico indiscriminado ao bicudo pode agravar ainda mais a infestação. ao eliminar seus inimigos naturais.
   As práticas culturais são recomendadas como medidas auxiliares no controle do bicudo. A destruição dos restos culturais pela queima contribuirá para a eliminação da população infestante da próxima safra. A adoção de plantas-iscas, em forma de plantio antecipado, em faixas, para atrair os adultos migrantes e destruí-los é também boa medida de combate à praga. O uso de variedades de ciclo curto, para florescimento precoce e mais uniforme, é também recomendável. Neste caso, as plantas são mais exigentes em termos de nutrição, pois deverão produzir e manter a carga em períodos mais concentrados.
   Considerando-s; que os primeiros bicudos adultos surgem da infestação da safra anterior, um controle em final de safra é necessário. Muitos agricultores ainda acham que qualquer população de pragas que aparece na cultura deve ser exterminada. Para isso eles recorrem aos agrotóxicos mais fortes e pulverizam suas lavouras quantas vezes forem necessárias para matar até a última praga que resistiu aos tratamentos anteriores. Hoje, cotonicultores mais esclarecidos sabem que é impossível erradicar as pragas da cultura.
   Aliás, descobriram que sua eliminação é desnecessária para se obter uma boa produção. Uma redução de até 78% na aplicação de produtos químicos no algodão foi conseguida no município de Presidente Venceslau (SP), mediante o controle integrado de pragas. O método propiciou ainda uma produtividade média superior a 800 arrobas por alqueire. além de baixar significativamente o risco de intoxicação por venenos. Se for feito o tratamento das sementes, o número de pulverizações será
ainda menor. O segredo do método consiste em não se amedrontar logo que surgir o ataque das pragas. É preciso deixá-las até alcançarem o índice de incidência máximo tolerável fixado para cada unia delas, chamado -nível de dano econômico', quando, então, o lavrador deve aplicar o veneno. O agrônomo Wagner Aparecido Bassan. responsável por esse projeto, alerta para a possibilidade de erros.
   No caso da lagarta-da-maçã, considerada terrível, uma falha na aplicação do veneno pode resultar em grandes perdas. Para evitá-las, bastará fazer o combate quando o ataque tiver atingido 10% das plantas. Com relação às demais pragas, o perigo de engano é menor, mas mesmo assim o agrônomo recomenda atenção. Em geral. a parte atacada se renova, exceto se o índice de infestação aceitável for ultrapassado. Qualquer que seja a forma de tratamento químico ou combate a pragas e doenças usando esses métodos, é fundamental a orientação de um agrônomo. A segunda praga mais perigosa, depois da lagarta-da-maçã, é o ácaro rajado. Ele também tem inimigos naturais e, por isso, é preciso cautela no uso de agrotóxicos.
    Em 1982, quando Bassan iniciou o controle integrado na cultura do algodão, faziam-se dez aplicações desses produtos.
   Graças ao controle integrado, já na primeira safra a média caiu para duas.
   Quanto às doenças do algodão as principais são:

• Murcha de fusarium. também conhecida por murcha, murchadeira, fusariose, murcha-fusariana e queima. É uma das principais doenças que afetam o algodoeiro. Foi constatada pela primeira vez no Brasil, em Alagoinha (PB). O controle mais eficiente da fusariose baseia-se no uso de variedades resistentes. Os cultivares IAC-17. IAC-18 e IAC-19 apresentam boa resistência a essa doença.

Murcha de verticillium• Murcha de verticillium, também conhecida como murcha-verticilar, doença
que foi constatada no Brasil em 1926.
    Sua ocorrência é bastante freqüente, porém não alcança a severidade e a importância da fusariose. Como no caso desta, recomenda-se a utilização de cultivares resistentes. Deve-se evitar o plantio em baixadas úmidas e solos ricos em matéria orgânica.

• Ramulose, também conhecida como superbrotamento, é urna doença importante do algodoeiro. Ocorre em surtos periódicos, podendo causar sérios problemas e perdas que variam de 20 a 85%, dependendo do cultivar utilizado, da idade da planta e das condições ambientais. Para controlá-la deve-se adotar práticas preventivas, como a utilização de variedades resistentes e sementes sadias. Existem ainda outras doenças de menor importância. Aconselha-se procurar as Casas da Lavoura e as Emater, onde os técnicos informam sobre a melhor maneira de combatê-las.
Colheita 
Colheita manual de algodão   Ocorrências anormais na precipitação, como falta de chuvas no verão,
• quedas bruscas de temperatura influem diretamente na colheita. Temperaturas muito altas no outono podem acelerar a maturação, provocando depreciação na qualidade, pois a formação dos capulhos não se processa normalmente. 
Colheita mecanizada de algodão   A época do plantio é muito importante para que a colheita não coincida com meses de baixas temperaturas, nas quais poderá ocorrer incidência de pragas, ou em meses com muita chuva, o que poderá prejudicar a fibra. Para realizar a colheita, deve-se atentar para a umidade da fibra, que não deve ser maior do que 15% para as grandes lavouras. Um apanhador colhe em média 45 kg por dia. Para se obter maior eficiência na colheita recomenda-se:
• Apanhar com ambas as mãos, desfazendo-se do algodão o mais rapidamente possível.
• Não deixar acumular o algodão nas mãos, para depois colocá-lo no recipiente.
• Não ficar insistindo em retirar todo o algodão de um capucho, pois às vezes em uma ou outra loja o algodão está tão preso que o tempo gasto em colhê-lo resulta em diminuição de rendimento e depreciação do produto.
• Usar apenas sacos de algodão como recipiente para o algodão colhido, pois Os sacos de polipropileno e de juta prejudicam a sua qualidade.

Colheita mecânica 
Colheita mecanizada de algodão   As primeiras experiências de colheita mecânica no Brasil foram feitas nos anos 70. Após testes realizados em São Paulo, pode-se economizar 16,5% para o tipo 5, em comparação com a colheita manual. Existem dois tipos de máquinas colheitadeiras de algodão: de fusos rotativos e escovas. As máquinas de fusos colhem os capuchos bem abertos. O serviço feito por essa máquina é semelhante ao que é feito pelo apanhador. As de escova são usadas para algodoeiro de porte baixo com fibra curta, fazendo-se a colheita por meio da raspagem das plantas, através de dois cilindros rotativos.


Produção e produtividade 



Fotos
Plantação de algodão por do sol
Plantação de algodão por do sol

Bucha


   A bucha (Luffa cylindrica L. Roem) é uma planta herbácea da família das cucurbitáceas (a mesma do pepino, chuchu, abóbora, moranga, melancia etc.) Conhecida como "esponja vegetal", é uma trepadeira originária da Asia, de onde foi trazida para o Brasil, provavelmente pelos portugueses:sendo cultivada desde o Norte até o Rio de Janeiro, Minas Gerais,  São Paulo e Mato Grosso. Há espécies e variedades cujos frutos podem ser aproveitados como alimentos, remédios e na confecção de muitos objetos, mas é a chamada bucha-de-metro, mais utilizada como esponja, que tem maior importância econômica, especialmente no município de Extrema (MG), que abastece grande parte do mercado de São Paulo e Minas e ainda chega a atender o mercado externo.

Espécies e usos 
bucha-de-metro (variedade da Luffa cylindrica)   A bucha-de-metro (variedade da Luffa cylindrica), que mede de 80 cm a 1,60 m de comprimento, de fibras finas, resistentes, elásticas e macias, ditas de "boa lã", que conseguem preços estáveis e melhor comercialização, é utilizada corno esponja de banho (ativa a circulação periférica do sangue). cortada em pedaços de 10 a 15 cm ou inteira, e na fabricação de luvas forradas com pano, também para banho (forma como é exportada). E utilizada ainda como es ponja de limpeza de eletrodomésticos na fabricação de colchões, estofamento de veículos, artesanato e diversos outros, objetos. 
   A bucha-de-purga (Luffa acutangula Roxb.) produz frutos comestíveis quando pequenos e verdes, e que são utilizados na medicina caseira quando grandes. A polpa tem efeitos purgativos, diuréticos e provavelmente antiapopléticos combate derrames internos e barriga d'água. (É usada também contra doenças intestinais de aves domésticas.) As folhas, ramos e raízes normalizam o ciclo menstrual e eliminam distúrbios do fígado. A fibra (bucha propriamente dita) é usada em massagens, nas distensões musculares e contusões, pois acelera a circulação do sangue no lugar afetado. Serve também de esponja, como as demais, e para a confecção de chapéus, palmilhas de sapatos, cestos, chinelos, correias e filtros de óleo em diversos motores. As sementes fornecem óleo de boa qualidade e funcionam como vomitivos e purgantes (são aproveitadas pela medicina homeopática). 
   Existem três espécies chamadas de bucha-dos-paulistas: a própria Luffa cylindrica Roem, de uma variedade com frutos de até 35 cm de comprimento, flores amarelas de veios verdes; a Gurania paulista Cogn., com flores de cálice róseo e pétalas cor-de-laranja, cujo fruto é purgativo e fornece boa quantidade de celulose; e a Luffa operculata Cogn., conhecida corno buchinha, que produz frutos pequenos, ásperos, com nervuras, e que contêm uma substância chamada buchinina, de uso medicinal. O suco é usado como vermífugo, e a polpa inflama as mucosas. Os frutos secos servem como purgativo, vomitivo e diurético e são usados em inflamações nos olhos (oftalmias) e herpes.          Mas é necessário muito cuidado no uso da bucha com fins medicinais: em dosagem alta, ela provoca diarreias, náuseas e vômitos. A buchinha, usada também como purgativo para aves, é conhecida popularmente pelos nomes de abobrinha-do-norte, cabacinha, purga-de joão-pais e, no Norte do Brasil, buchados-caçadores, por ser utilizada para preparar buchas para armas.

Clima
  A bucha é planta característica de regiões de clima quente. Não deve ser plantada em local sombreado e seco, porque exige muita luminosidade e umidade para se desenvolver, especialmente na fase inicial de crescimento. Apesar da exigência de calor, a bucha-de-metro vem se adaptando bem em regiões montanhosas de 900 a 1 200 m de altitude, com verões suaves, de temperaturas médias de 22 a 25º C durante o dia, como é o caso da região de Extrema, no sul de Minas. Nessas condições, está até menos sujeita ao ataque de pragas e doenças do que nas regiões mais quentes. E desaconselhável plantar em várzeas que sofram inundações periódicas.

Época de plantio 
   No sul de Minas, a bucha é plantada em setembro e outubro, coincidindo com o início das chuvas e a elevação da temperatura. Em geral. a melhor época é a das chuvas mais intensas.
Sementes 
   Extraem-se de frutos bem desenvolvidos das plantas mais produtivas da última safra e sem problemas de pragas e doenças.

Covas 
   No sul de Minas, fazem-se covas de 20 x 20 x 20 cm até 40 x 40 x 40 cm. Em outros locais, 50 x 50 x 50 cm.Quanto maior a cova, melhor.

Espaçamento 
   De 2,5 x 2,5 m a 3,5 x 3,5 m. Há locais que usam o espaçamento de 4 x 3 m. Em Extrema, a média é de 1 100 covas/ha. Em hortas caseiras, a bucha pode ser plantada junto ao pé de cercas ou tapumes.

Plantio 
   Três a cinco sementes por cova. Gastam-se de 500 g a 1 kg de sementes por hectare. Quando as plantas estiverem com cerca de 10 cm de altura, faz-se o desbaste, deixando-se apenas uma ou duas plantas por cova.

Suporte de condução 
   Normalmente é feito com espaldadeiras formadas por mourões de madeira de 2 m de altura, fincadas a cada 2 m nas linhas de plantio e, entre os mourões, estendem-se três carreiras de ripas de bambu ou fio de arame grosso, sendo a primeira a 80 cm do solo e as outras, acima desta, com 40 cm de distância entre as carreiras. Para o plantio da bucha-de-metro, na região de Extrema (MG), a Emater recomenda caramanchões ou parreiras. Para fazer os caramanchões, colocam-se postes grossos, com 2,80 a 3,00 m de altura, fincados em torno da área plantada, com espaçamento de 2,5 a 3,0 m. Em seguida, um arame farpado (tipo cerca) é fixado sobre os mourões, em todo o perímetro. Sobre esse arame, no sentido da largura menor do terreno, colocam-se fios de arame grosso. n.º12 ou 14, coincidindo com o espaçamento das covas e passando exatamente em cima delas, à altura de 2 ia. Em cima desse arame vai o arame fino, com a metade do diâmetro do grosso, espaçado de 40 a 50 cm entre as linhas. O arame fino é colocado cruzando com o grosso. O caramanchão deve ficar bem firme, pois, quando isso não acontece, ele acaba caindo, causando prejuízos à cultura. 

Tutoramento
   Coloca-se um bambu com 2,20 m de altura, a 10 cru da cova, servindo para uma ou duas plantas. À medida que a planta sobe pelo bambu, deve ser amarrada a ele, em quatro a seis pontos, até atingir o caramanchão.

Desbrotas 
   Devem-se fazer de 10 a 15 desbrotas até a planta chegar ao arame, deixando-se apenas a haste principal. A partir daí os brotos desenvolvem-se normalmente.

Tratos culturais 
   A cada dois dias as brotações devem ser colocadas sobre o arame. As capinas são indispensáveis, para "chegar a terra" na base da planta. A irrigação é necessária durante o verão.

Adubação 
   A produção melhora bastante com adubação orgânica. Em geral, 3 kg de esterco de gado ou 1 kg de esterco de galinha por cova são suficientes. No plantio de bucha-de-metro, colocamse de 5 a 10 kg de matéria orgânica. A calagem e a adubação são feitas com base na análise do solo. Para as buchas-de metro recomendam-se sete adubações de cobertura — a primeira coincidindo com a primeira capina.    A cada 20 ou 25 dias faz-se nova adubação (a partir da quinta observa-se o intervalo de 20 dias). Adubações bem orientadas evitam excesso de nitrogênio ou a falta de cálcio — anomalias que provocam a podridão-estilar.

Pragas e doenças 
   Em Minas Gerais, a praga de que se tem notícia é a vaquinha, que se alimenta das folhas. A principal doença é a podridão-estilar, causada pela falta de cálcio no solo ou pela dificuldade da planta em retirar o cálcio existente, devido à destruição de raízes nas capinas, aplicação insuficiente de calcário, excesso de nitrogênio ou de adubos químicos amoniacais ou potássicos, ou ainda por irrigação irregular em períodos de temperatura elevada.
Colheita 
   A bucha-de-metro é colhida em Minas, a partir de fevereiro ou março, 5 ou 6 meses depois do plantio, e dura quatro meses. Para uso industrial, os frutos devem estar completamente maduros e amarelos, e, para exportação, uni pouco antes de sua maturação completa. A casca e as sementes são retiradas batendo-se o fruto numa superfície dura. Ao mesmo tempo, a bucha é banhada em água corrente e depois deixada para secar ao sol. Os frutos destinados à alimentação são colhidos com um mês ou um mês e meio.

Produtividade 
   Cada cova produz de 8 a 12 buchas-de-metro e, com 1 100 covas/ha, conseguem-se de 8 800 a 13 200 unidades/ha. As demais podem produzir de 16 000 a 160 000 buchas/ha (10 a 100 frutos por planta), mas são buchas pequenas e de muito menor valor. Para conseguir melhor qualidade reduz-se a quantidade de flores.

Comercialização 
   As buchas-de-metro são vendidas por dúzias ou, para grandes comerciantes, em pacotes com várias dúzias. No sul de Minas, a comercialização é quase toda feita por intermediários. que revendem 70'4 da produção à Ceagesp e empresas consumidoras de São Paulo, O ('easa de Belo Horizonte e o de Campinas (SP) são outros focais de comercialização. Os produtores que levam suas buchas até esses centros obtêm muito maior lucro.

Composição por 100 g 
   Bucha verde (Luffa acutangula Roxb)   17 calorias, 0,7 g de proteínas. 25 mg de cálcio, 39 mg de fósforo, 0,5 mg de ferro, 5 ming de vitamina A. 0,03 mg de vitamina B1 , 0,03 mg de vitamina 13, e 6 nig de vitamina C.

Fonte: Eng. Agr. Cecílio Aparecido Carlosda Silva — Emater-MG

Milho


 milho (Zea mays L.)   O milho (Zea mays L.), originário da América, provavelmente da faixa tropical do hemisfério norte, já era cultivado desde a Argentina até o Canadá. quando os europeus chegaram ao continente. Na realidade, o milho é uma das culturas mais antigas do mundo, havendo provas'de que é cultivado há pelo menos 4 000 anos. 
   Logo depois do descobrimento da América, foi levado para a Europa, onde era cultivado em jardins, até que seu valor alimentício tornou-se conhecido. Aí passou a ser produzido em escala comercial e espalhou-se por quase todo o mundo, sendo produzido hoje desde a latitude de 58° Norte (União Soviética) até 400 Sul (Argentina), e o milho é o terceiro cereal mais plantado, só superado pelo trigo e pelo arroz. Os maiores produtores são os Estados Unidos, China, Brasil, Japão, Espanha, Itália e Países Baixos. O milho é usado para a alimentação humana e animal, e a sua importância cresce à medida que se desenvolvem novos subprodutos dele. É o caso por exemplo da frutose, que substitui (segundo alguns, com vantagens) o açúcar e que já vem sendo utilizada para adoçar refrigerantes em alguns países. As oscilações de preço e de produção constituem um problema. Em 1978, por exemplo, o Brasil teve que importar 1,5 milhão de toneladas a preço alto, tornando antieconômico o uso do milho para a alimentação animal e gerando problemas para criadores de galinha e outras espécies. 

Variedades 
   São utilizados dois tipos de cultivares de milho: as variedades sintéticas e os híbridos, ambos em grande número, havendo algumas mais adaptadas para cada região. Os híbridos são mais produtivos, mas as variedades têm maior estabilidade de produção. Mais caras, por resultarem de uma interminável série de experiências, as sementes híbridas produzem plantas uniformes e pouco suscetíveis à polinização por outras famílias de milho. Elas, no entanto, obrigam o agricultor a comprar sementes a cada safra, pois perdem 20% de seu vigor a cada geração. As variedades, ao contrário, tendem a ganhar uniformidade por meio das gerações, desde que as sementes sejam criteriosamente selecionadas pelo próprio produtor e que as culturas sejam estabelecidas a pelo menos 400 m dos locais ocupados por outras variedades de milho, isoladas por quebra-ventos e, assim, preservadas da polinização indesejável. A partir dessas características estabeleceu-se que as sementes híbridas são mais adequadas ao cultivo de grandes áreas e que as variedades devem ser reservadas a pequenos e médios agricultores que possam selecionar e aprimorar seus cultivares a cada safra.

milhoSistema de seleção 
   Os produtores de variedades de milho não sabem, na maior parte das vezes, aproveitar a principal vantagem de trabalhar com essas famílias consolidadas a de poderem fazer um verdadeiro trabalho de seleção e melhoramento ao mesmo tempo que produzem grãos para seu próprio uso, ou para venda, e sementes. Isso porque está bem arraigado, o mau hábito de se selecionar sementes depois das colheitas. Os técnicos sabem muito bem que essa espécie de seleção é negativa. A tendência de quem faz a coisa deste modo é buscar entre as espigas estocadas as de maior porte e melhor granação. Nada mais lógico. Só que o mais provável é que essas espigas tenham sido produzidas por plantas que, no campo, gozaram de "privilégios" especiais. Por exemplo: terem crescido isoladas das demais, sem concorrência pela luz e pelos nutrientes disponíveis, ou até terem recebido maior dose de adubo por causa da imprecisão da adubação manual ou de uma máquina desregulada. O resultado desta seleção será imprevisível, porque não terá sido o melhor desempenho da própria planta o responsável por suas belas espigas. O certo é fazer a seleção de sementes no próprio campo, antes da colheita. Nesse processo, o produtor deve eliminar as plantas praguejadas, as que se acamaram ou que tenham dado espigas fracas. As sementes selecionadas para o próximo plantio devem ser escolhidas entre plantas agrupadas com outras por terem vencido a maior concorrência possível e terem demonstrado maior vigor, sobressaindo da média ao redor. Um outro item seletivo é o tamanho dos pedúnculos: quanto maior a haste que liga a espiga ao caule da planta (o pedúnculo) melhor, pois ele será naturalmente dobrado pelo peso da espiga quando o milho estiver maduro. 
   O bom empalhamento das espigas também é um importante item de seleção. Espigas bem protegidas e fechadas pela palha serão muito mais resistentes aos insetos e fungos que atacam o milho no campo e durante a estocagem. Já no terreno dos híbridos, que são oferecidos em grande variedade tanto pelo governo como por grandes e pequenos produtores de sementes selecionadas e certificadas, o importante para as altas produtividades são os tratos culturais e o manejo do solo e das próprias culturas. Esses cuidados se justificam pelo alto custo adicionado ao investimento. Por força mesmo da constante pesquisa empregada no desenvolvimento dos híbridos, o preço das sementes passou, nos últimos quatro anos, de 5 a 20% do total que precisa ser gasto desde o preparo da terra até a colheita e estocagem do cereal. 
   Os escritórios de extensão rural podem ser bons conselheiros quanto às sementes recomendadas para cada região. Essas sementes, por sua vez, têm sido selecionadas para produzir plantas mais baixas e, portanto, mais resistentes ao acamamento, mais preparadas para o adensamento das plantações (com mais plantas por metro quadrado de terra), mais resistentes às pragas e deficiências do solo e, principalmente, de ciclo mais curto, possibilitando a rotação de duas e até três culturas diferentes por ano na mesma terra. 
plantação de milhoClima e solo 
   O milho é plantado em diversas condições climáticas, desde áreas tropicais até temperadas, em altitudes que vão desde abaixo do nível do mar (como as margens do mar Cáspio) até 3 600 m (nos Andes do Peru), em área de 250 mm de chuvas por ano e outras com até 5 000 mm (precisa de no mínimo 200 mm no seu ciclo). 
   Há variedades com ciclo de 3 meses, para países de verão curto, e outras de até 10 meses, para o trópico úmido. As condições mais favoráveis são de verão quente e úmido, seguido de inverno seco (o que facilita a colheita e o armazenamento). Poucas variedades germinam abaixo de 10°C, e o milho não produz com temperaturas noturnas médias abaixo de 12,8°C. Os solosnão devem ser muito arenosos. O ideal é que tenham uma textura média, com 30 a 35% de argila ou mesmo que sejam argilosos, porém com boa estrutura, que permita a circulação do ar e da água, pois o excesso de umidade no solo é muito prejudicial ao milho. Quanto mais profundo o solo, melhor.

Época de plantio
   Varia conforme as condições climáticas, mas no geral a época mais indicada é de setembro a novembro no centro-sul (no Estado de São Paulo, uma pesquisa do Instituto Agronômico de Campinas — IAC — definiu como melhor época o mês de outubro) e em março/abril para o norte. A cultura precisa de muitas chuvas durante o ciclo. Se o produtor de milho pudesse prever o tempo com grande antecedência, não teria dúvidas: plantaria durante uma chuvinha fina e intermitente que anunciasse um mês e meio de sol. Ao fim desse veranico, torceria por chuvas fartas e bem distribuídas até pouco antes de dobrar as espigas de sua plantação sinal de que o cereal maduro estaria pronto para um bom período seco, que lhe possibilitaria a secagem no próprio campo, e livre das pragas que proliferam na umidade. Esse é o calendário climático ideal para o milho: solo apenas úmido no plantio e mais seco durante a fase entre a brotação e o início de espaçamento entre os nós do caule, aí pelos 45 dias. Esse período mais seco obrigará as plantas a aprofundar suas raízes, ampliando o campo do qual elas captarão os nutrientes do solo e dando mais firmeza aos pés. Daí em diante, as necessidades de água crescem gradativamente até o "emborrachamento", quando os pedúnculos começam a se desenhar sob a palha do caule. Entre o emborrachamento e a floração fica o período crítico, quando a falta d'água pode limitar severamente a produção. Depois, essas necessidades se mantêm até a maturação das espigas, quando a água já não é mais necessária e pode até ser inconveniente para a colheita.
   Para atender a essa crescente demanda de água, os técnicos acham, em diversos trabalhos, que são necessários 450 a 650 mm de chuvas ou irrigação durante o ciclo crescimento/emborrachamento/floração/polinização/crescimento e maturação dos grãos. Essa água seria idealmente dividida em cinco a sete precipitações/irrigações com a mesma intensidade, a partir dos 45 dias depois do plantio.

Espaçamento 
   O espaçamento mais indicado é o de 1 m entre as linhas, colocando-se 6 a 7 sementes por metro linear, fazendo-se o raleamento depois de trinta dias, deixando-se cinco plantas por metro (portanto, o espaçamento fica sendo 1 x 0,20 m), o que resulta num total de 50 000 plantas/ha. 
   Com boas condições de fertilidade, podem-se deixar 60 000 plantas/ha, que é a quantidade mais produtiva. Em terrenos leves, as sementes devem ser cobertas por 5 a 8 cm de terra, e em mais pesados por 4 centímetros.

Pragas e doenças 
largata rosca As pragas mais problemáticas são a lagarta-rosca, a lagarta-elasmo e a lagarta-do-cartucho. Outras pragas são o percevejo-castanho (na raiz), a larva-arame (ataca a semente), a lagarta das espigas, a broca da cana-de-açúcar, o pulgão e os cupins do solo. Depois de armazenado, o milho pode ser atacado por carunchos, traças e ratos. Entre as doenças, há a podridão do colmo, helmínthosporiose (nas folhas), ferrugem, mancha-amarela-da-folha, mancha-marrom, míldio, carvão, podridão-das espigas (podridão-seca, podridão-rosada, podridão-preta e podridão-do-sabugo), queima bacteriana das folhas (pseudomonas), enfezamento amarelo e vermelho, mosaico comum, antracnose e nematóides.

Consorciação
    Há vários tipos de consórcio de milho, e o mais tradicional é com o feijão. O feijão é plantado antes ou na mesma época do milho. No Sul, o mais comum é plantar o feijão 45 dias antes do milho.    Costuma-se plantar também o feijão depois da maturação fisiológica do milho. Quando o plantio é feito na mesma época, há três métodos: cultivo de milho e feijão na mesma linha (cultivo misto), plantio de linhas alternadas de milho e feijão (intercalar) e plantio em faixas alternadas (cultivo em faixas).

Colheita 
colheita do milho   O ponto de colheita é atingido 160 a 180 dias depois .do plantio. A colheita é manual, mecanizada ou semi mecanizada. Estudos feitos pelo Centro Nacional de Pesquisa do Milho e Soja (CNPMS), da Embrapa, aconselham a colheita quando os grãos estão com umidade de 20 a 25% (feita a mão ou com máquina espigadeira) e que se deixem os grãos secar nas espigas até que o milho fique com 15 a 18% de umidade. Faz-se então a debulha, em debulhadeira própria para sementes. 

Armazenamento 
    Para armazenar o milho em espiga, o melhor é fazê-lo sem a palha, o que permite melhor controle do produto. Com ou sem palha, o piso do paiol deve ser elevado em relação ao nível do chão, apoiado sobre estacas. 
    A cobertura tem de ser bem-feita, sem goteiras, e as laterais devem permitir ventilação. Nas estacas que servem de pilares, é preciso colocar dispositivos para impedir a subida de ratos. Também para defender a safra do ataque de roedores, é preciso que a escada para entrar no paiol seja removível e só seja colocada quando estiverem uso.
Produção e produtividade 

Tabela do portal Embrapa Milho e Sorgo 
Principais países produtores de milho - 2003-2009.
Países/Anos
Produção (1.000 t)
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
Estados Unidos
256.227
299.874
282.261
267.501
331.175
307.142
333.011
China
115.998
130.434
139.498
151.731
152.419
166.032
163.118
Brasil
48.327
41.788
35.113
42.662
52.112
58.933
51.232
México
20.701
21.670
19.339
21.893
23.513
24.320
20.203
Indonésia
10.886
11.225
12.5246
11.609
13.288
16.324
17.630
Índia
14.984
14.172
14.720
15.097
18.955
19.730
17.300
França
11.991
16.372
13.688
12.775
14.357
15.819
15.30
Argentina
15.045
14.951
20.483
14.446
21.755
22.017
13.121
África do Sul
9.705
9.710
11.716
6.935
7.125
12.700
12.050
Ucrânia
6.875
8.867
7.167
6.426
7.421
11.447
10.486
Fonte: FAO - Agridata.

Composição por 100 g 
    Milho em grão (seco): 361 calorias, 9,4 g de proteínas, 9 mg de cálcio, 290 mg de fósforo, 2,5 mg de ferro, 23 mmg de vitamina A, 0,43 mg de vitamina B, e 0,10 mg de vitamina 132. Milho verde em grão: 129 calorias, 3,3 g de proteínas, 8 mg de cálcio, 113 mg de fósforo, 0,8 mg de ferro, 0,14 mg de vitamina B, e 48 mg de vitamina C. 
    Angu: 120 calorias, 3,3 g de proteínas, 2 mg de cálcio, 56 mg de fósforo, 0,6 mg de ferro. 12 mmg de vitamina A, 0,07 mg de vitamina B, e 0,02 mg de vitamina B2. Fubá: 354 calorias, 9,6 g de proteínas, 6 mg de cálcio, 164 mg de fósforo, 1,8 mg de ferro, 34 mmg de vitamina A, 0,20 mg de vitamina B, e 0,06 mg de vitamina B2.
 
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