Bucha


   A bucha (Luffa cylindrica L. Roem) é uma planta herbácea da família das cucurbitáceas (a mesma do pepino, chuchu, abóbora, moranga, melancia etc.) Conhecida como "esponja vegetal", é uma trepadeira originária da Asia, de onde foi trazida para o Brasil, provavelmente pelos portugueses:sendo cultivada desde o Norte até o Rio de Janeiro, Minas Gerais,  São Paulo e Mato Grosso. Há espécies e variedades cujos frutos podem ser aproveitados como alimentos, remédios e na confecção de muitos objetos, mas é a chamada bucha-de-metro, mais utilizada como esponja, que tem maior importância econômica, especialmente no município de Extrema (MG), que abastece grande parte do mercado de São Paulo e Minas e ainda chega a atender o mercado externo.

Espécies e usos 
bucha-de-metro (variedade da Luffa cylindrica)   A bucha-de-metro (variedade da Luffa cylindrica), que mede de 80 cm a 1,60 m de comprimento, de fibras finas, resistentes, elásticas e macias, ditas de "boa lã", que conseguem preços estáveis e melhor comercialização, é utilizada corno esponja de banho (ativa a circulação periférica do sangue). cortada em pedaços de 10 a 15 cm ou inteira, e na fabricação de luvas forradas com pano, também para banho (forma como é exportada). E utilizada ainda como es ponja de limpeza de eletrodomésticos na fabricação de colchões, estofamento de veículos, artesanato e diversos outros, objetos. 
   A bucha-de-purga (Luffa acutangula Roxb.) produz frutos comestíveis quando pequenos e verdes, e que são utilizados na medicina caseira quando grandes. A polpa tem efeitos purgativos, diuréticos e provavelmente antiapopléticos combate derrames internos e barriga d'água. (É usada também contra doenças intestinais de aves domésticas.) As folhas, ramos e raízes normalizam o ciclo menstrual e eliminam distúrbios do fígado. A fibra (bucha propriamente dita) é usada em massagens, nas distensões musculares e contusões, pois acelera a circulação do sangue no lugar afetado. Serve também de esponja, como as demais, e para a confecção de chapéus, palmilhas de sapatos, cestos, chinelos, correias e filtros de óleo em diversos motores. As sementes fornecem óleo de boa qualidade e funcionam como vomitivos e purgantes (são aproveitadas pela medicina homeopática). 
   Existem três espécies chamadas de bucha-dos-paulistas: a própria Luffa cylindrica Roem, de uma variedade com frutos de até 35 cm de comprimento, flores amarelas de veios verdes; a Gurania paulista Cogn., com flores de cálice róseo e pétalas cor-de-laranja, cujo fruto é purgativo e fornece boa quantidade de celulose; e a Luffa operculata Cogn., conhecida corno buchinha, que produz frutos pequenos, ásperos, com nervuras, e que contêm uma substância chamada buchinina, de uso medicinal. O suco é usado como vermífugo, e a polpa inflama as mucosas. Os frutos secos servem como purgativo, vomitivo e diurético e são usados em inflamações nos olhos (oftalmias) e herpes.          Mas é necessário muito cuidado no uso da bucha com fins medicinais: em dosagem alta, ela provoca diarreias, náuseas e vômitos. A buchinha, usada também como purgativo para aves, é conhecida popularmente pelos nomes de abobrinha-do-norte, cabacinha, purga-de joão-pais e, no Norte do Brasil, buchados-caçadores, por ser utilizada para preparar buchas para armas.

Clima
  A bucha é planta característica de regiões de clima quente. Não deve ser plantada em local sombreado e seco, porque exige muita luminosidade e umidade para se desenvolver, especialmente na fase inicial de crescimento. Apesar da exigência de calor, a bucha-de-metro vem se adaptando bem em regiões montanhosas de 900 a 1 200 m de altitude, com verões suaves, de temperaturas médias de 22 a 25º C durante o dia, como é o caso da região de Extrema, no sul de Minas. Nessas condições, está até menos sujeita ao ataque de pragas e doenças do que nas regiões mais quentes. E desaconselhável plantar em várzeas que sofram inundações periódicas.

Época de plantio 
   No sul de Minas, a bucha é plantada em setembro e outubro, coincidindo com o início das chuvas e a elevação da temperatura. Em geral. a melhor época é a das chuvas mais intensas.
Sementes 
   Extraem-se de frutos bem desenvolvidos das plantas mais produtivas da última safra e sem problemas de pragas e doenças.

Covas 
   No sul de Minas, fazem-se covas de 20 x 20 x 20 cm até 40 x 40 x 40 cm. Em outros locais, 50 x 50 x 50 cm.Quanto maior a cova, melhor.

Espaçamento 
   De 2,5 x 2,5 m a 3,5 x 3,5 m. Há locais que usam o espaçamento de 4 x 3 m. Em Extrema, a média é de 1 100 covas/ha. Em hortas caseiras, a bucha pode ser plantada junto ao pé de cercas ou tapumes.

Plantio 
   Três a cinco sementes por cova. Gastam-se de 500 g a 1 kg de sementes por hectare. Quando as plantas estiverem com cerca de 10 cm de altura, faz-se o desbaste, deixando-se apenas uma ou duas plantas por cova.

Suporte de condução 
   Normalmente é feito com espaldadeiras formadas por mourões de madeira de 2 m de altura, fincadas a cada 2 m nas linhas de plantio e, entre os mourões, estendem-se três carreiras de ripas de bambu ou fio de arame grosso, sendo a primeira a 80 cm do solo e as outras, acima desta, com 40 cm de distância entre as carreiras. Para o plantio da bucha-de-metro, na região de Extrema (MG), a Emater recomenda caramanchões ou parreiras. Para fazer os caramanchões, colocam-se postes grossos, com 2,80 a 3,00 m de altura, fincados em torno da área plantada, com espaçamento de 2,5 a 3,0 m. Em seguida, um arame farpado (tipo cerca) é fixado sobre os mourões, em todo o perímetro. Sobre esse arame, no sentido da largura menor do terreno, colocam-se fios de arame grosso. n.º12 ou 14, coincidindo com o espaçamento das covas e passando exatamente em cima delas, à altura de 2 ia. Em cima desse arame vai o arame fino, com a metade do diâmetro do grosso, espaçado de 40 a 50 cm entre as linhas. O arame fino é colocado cruzando com o grosso. O caramanchão deve ficar bem firme, pois, quando isso não acontece, ele acaba caindo, causando prejuízos à cultura. 

Tutoramento
   Coloca-se um bambu com 2,20 m de altura, a 10 cru da cova, servindo para uma ou duas plantas. À medida que a planta sobe pelo bambu, deve ser amarrada a ele, em quatro a seis pontos, até atingir o caramanchão.

Desbrotas 
   Devem-se fazer de 10 a 15 desbrotas até a planta chegar ao arame, deixando-se apenas a haste principal. A partir daí os brotos desenvolvem-se normalmente.

Tratos culturais 
   A cada dois dias as brotações devem ser colocadas sobre o arame. As capinas são indispensáveis, para "chegar a terra" na base da planta. A irrigação é necessária durante o verão.

Adubação 
   A produção melhora bastante com adubação orgânica. Em geral, 3 kg de esterco de gado ou 1 kg de esterco de galinha por cova são suficientes. No plantio de bucha-de-metro, colocamse de 5 a 10 kg de matéria orgânica. A calagem e a adubação são feitas com base na análise do solo. Para as buchas-de metro recomendam-se sete adubações de cobertura — a primeira coincidindo com a primeira capina.    A cada 20 ou 25 dias faz-se nova adubação (a partir da quinta observa-se o intervalo de 20 dias). Adubações bem orientadas evitam excesso de nitrogênio ou a falta de cálcio — anomalias que provocam a podridão-estilar.

Pragas e doenças 
   Em Minas Gerais, a praga de que se tem notícia é a vaquinha, que se alimenta das folhas. A principal doença é a podridão-estilar, causada pela falta de cálcio no solo ou pela dificuldade da planta em retirar o cálcio existente, devido à destruição de raízes nas capinas, aplicação insuficiente de calcário, excesso de nitrogênio ou de adubos químicos amoniacais ou potássicos, ou ainda por irrigação irregular em períodos de temperatura elevada.
Colheita 
   A bucha-de-metro é colhida em Minas, a partir de fevereiro ou março, 5 ou 6 meses depois do plantio, e dura quatro meses. Para uso industrial, os frutos devem estar completamente maduros e amarelos, e, para exportação, uni pouco antes de sua maturação completa. A casca e as sementes são retiradas batendo-se o fruto numa superfície dura. Ao mesmo tempo, a bucha é banhada em água corrente e depois deixada para secar ao sol. Os frutos destinados à alimentação são colhidos com um mês ou um mês e meio.

Produtividade 
   Cada cova produz de 8 a 12 buchas-de-metro e, com 1 100 covas/ha, conseguem-se de 8 800 a 13 200 unidades/ha. As demais podem produzir de 16 000 a 160 000 buchas/ha (10 a 100 frutos por planta), mas são buchas pequenas e de muito menor valor. Para conseguir melhor qualidade reduz-se a quantidade de flores.

Comercialização 
   As buchas-de-metro são vendidas por dúzias ou, para grandes comerciantes, em pacotes com várias dúzias. No sul de Minas, a comercialização é quase toda feita por intermediários. que revendem 70'4 da produção à Ceagesp e empresas consumidoras de São Paulo, O ('easa de Belo Horizonte e o de Campinas (SP) são outros focais de comercialização. Os produtores que levam suas buchas até esses centros obtêm muito maior lucro.

Composição por 100 g 
   Bucha verde (Luffa acutangula Roxb)   17 calorias, 0,7 g de proteínas. 25 mg de cálcio, 39 mg de fósforo, 0,5 mg de ferro, 5 ming de vitamina A. 0,03 mg de vitamina B1 , 0,03 mg de vitamina 13, e 6 nig de vitamina C.

Fonte: Eng. Agr. Cecílio Aparecido Carlosda Silva — Emater-MG

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