Amaranto


Amaranto (Amaranthus hypochondriacus)













O Amaranto (Amaranthus spp.), também conhecido pelos nomes de caruru e bredo, é considerado uma invasora e, por isso, perseguido pelos agrotóxicos. Porém. suas folhas, refogadas, são consumidas no interior como uma verdura, cujo sabor lembra um pouco o do espinafre. Suas sementes também têm alto valor alimentício. Foi muito cultivado pelos astecas, depois esquecido, e agora vem despertando a atenção de pesquisadores de todo o mundo. Além de seu altíssimo valor nutritivo, tem sabor agradável e é de fácil cultivo. E mais: é das melhores plantas para trazer nutrientes das camadas profundas do solo para a superfície, beneficiando, assim, culturas como a batata, o milho e a cebola. Mas foi só na década passada que estudos do nutricionista norte-americano John Robinson ressuscitaram o amaranto. Resultados iniciais de pesquisa feita na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), em Piracicaba (SP), indicam que a planta pode tornar-se boa opção para a produção de grãos, principalmente em países de clima subtropical, dadas as suas características de rusticidade, tolerância a secas prolongadas e bom rendimento. Além disso, a tecnologia de produção do amaranto é simples e de baixo custo, e ele pode enriquecer a dieta de proteínas, quando consumido como complemento aos cereais. 
   Atualmente, a instituição que mais pesquisa e divulga o valor nutritivo de suas sementes é a Rodale Press, organização pioneira no movimento pela agricultura orgânica nos Estados Unidos. A entidade reuniu em sua estação experimental a maior coleção de espécies de amaranto de todas as partes do mundo, pesquisando espécies produtoras de folhas sucedâneas do espinafre e espécies produtoras de grãos. Há mais de 400 variedades em estudo. 

Alimento rico  
   As folhas e as minúsculas sementes contêm uma mistura de proteínas de excepcional qualidade. São
 especialmente ricas em forte concentração de lisina aminoácido indispensável ao metabolismo humano e nem sempre encontrado na maior parte dos vegetais.
   Ainda como fonte de proteína, o amaranto se complementa com outros cereais, especialmente com o milho (enquanto este é pobre em lisina e rico em leucina, o amaranto é rico em lisina e pobre em leucina). Consumidos juntos na mesma refeição como faziam os astecas estes grãos representam uma refeição completa em proteínas. Em países pobres, onde a proteína animal está fora do alcance do poder aquisitivo das populações, o amaranto é uma opção. Comparando-se seu valor proteico com o do ovo (um dos mais elevados) e atribuindo a este último o valor 100, o valor proteico relativo do amaranto estaria entre 75 e 87, o do milho em 44 e o do trigo em 57. Pesquisas feitas indicam que os grãos de amaranto podem ser consumidos sob a forma de sementes germinadas, brotos, farinha e pipoca, de excelente aroma. Os testes de digestibilidade mostram que a pipoca dos grãos (que estouram como os do milho quando submetidos ao calor) é melhor para o consumo. Na indústria de alimentos, o amaranto pode entrar como componente de granola, musle, flocos de cereais ou simplesmente como pipoca, para adição em sopas, ensopados e outros, ou usado como confeito e recheio. A farinha extraída de sua semente presta-se bem à panificação, recomendando-se, neste caso, sua mistura com as farinhas de trigo e milho.


Aspectos agronômicos 
 A espécie Amaranthus hypochondriacus, com sementes de coloração clara, é indicada como a mais promissora na produção de grãos devido ao seu alto rendimento por área plantada, melhor "apipocamento" e maior digestibilidade em relação às espécies nativas de sementes escuras. O amaranto granífero é uma planta anual;de verão, com o caule principal alcançando de 1 a 4 m (as variedades em estudo têm em torno de 1 a 1,50 m), folhas largas e inflorescência terminal em panícula de diferentes cores (vermelho, amarelo ou verde-claro). É uma espécie monóica (flores masculinas e femininas na mesma planta) e de polinização cruzada. 
   O amaranto tem uma grande capacidade de aproveitamento de água, luz e nutrientes, principalmente em condições tropicais de temperatura elevada, sol forte e pouca umidade. Possui raiz profunda que lhe assegura a sobrevivência em períodos de seca, desde que tenha ultrapassado seu desenvolvimento inicial, O amaranto se caracteriza também por grande adaptação climática, sendo cultivado desde o nível do mar até elevadas altitudes. Seu rendimento é maior quando consorciado com outras culturas, especialmente o milho ou o milheto (um milho miúdo, muito utilizado na Índia). Tomando como base vários métodos experimentais de plantio, realizados nos EUA, México e outros países, conclui-se que a forma de cultivo do amaranto nas condições brasileiras deve obedecer a alguns critérios especiais.

Preparo do solo 
   Semelhante ao do milho, cuidando-se de quebrar os torrões da superfície que impediriam a emergência das minúsculas sementes da planta.

Tipos de solo 
   Apesar de a espécie preferir solos com boa estrutura e alto teor de matéria orgânica, adapta-se facilmente a diferentes tipos de solo — arenoso e argiloso —, suportando um teor médio de alumínio (solo ácido), salinidade leve e até certa falta de drenagem. desde que por pouco tempo.

Época de plantio 
   De preferência, períodos quentes do ano, semeando-se no início das chuvas e tomando cuidado para que tenha água disponível durante a formação de sementes. A colheita deve ser feita na seca. Na escolha de áreas para plantio, é aconselhável que este seja feito onde se colheu a soja, amendoim ou outra leguminosa, que fixa nitrogênio no solo. 

Espaçamento, densidade e semeadura
Amaranto (Amaranthus viridis)   Entre as linhas, tem-se adotado espaçamento de 0,75 a 1.00 m e, entre plantas, de 0,20 a 0,60 m na linha; sugere-se a densidade de 5 plantas/m de sulco, isto é, 1 planta a cada 0,20 m na linha as linhas estarão separadas entre si pelo espaçamento de 1 m. Como as sementes são muito pequenas, é aconselhável sua mistura com vermiculita ou solo argiloso peneirado, para facilitar a distribuição e possibilitar uma leve ,cobertura sobre as sementes no sulco, já que essas não germinam na escuridão total, ou seja, deve-se evitar o acúmulo de muita terra sobre as sementes.

Pragas e doenças 
   São raras no amaranto, com incidência apenas de vaquinhas (comedoras de folhas), das quais se recupera bem; quando as vaquinhas são muitas, usa-se um meio interessante de controle (ramos de taiuiá., embebidos em inseticida, atraem as vaquinhas, que morrem, assim, envenenadas).

Mato e capina 
   Depois de um início lento, os brotos se desenvolvem com rapidez suficiente para dominar todas as plantas invasoras que poderiam impedir seu crescimento; ainda assim, se necessário, capinar de 10 a 15 dias após a emergência das plantinhas. Em um cultivo experimental feito em parcelas cuidadosamente capinadas, o amaranto rendeu 4,8 t/ha, o triticale, 2,7 tília, e o trigo 2,6 t/ha. Contudo, em lote idêntico de parcelas sem capina, a produção do triticale caiu 86%, a do trigo 79%, e a do amaranto apenas 8%. 


Ciclo e colheita
Sementes de Amaranto    Em plantio de verão, a espécie conclui seu ciclo entre oitenta e noventa dias. Quando as sementes adquirem consistência dura, é necessário coletar uma amostragem das panículas em vários locais da área cultivada: se de 80 a 90% das sementes estiverem maduras, colhem-se, cortando manualmente as plantas na altura da base da panícula, levando-as para secagem de dois a três dias ao sol, sobre lonas ou terreiros, para posterior bateção com varas e separaçãp dos grãos. Se necessário, suplementar a secagem após a separação, cuidando para que o teor de umidade dos grãos fique em torno de 12%. É importante observar que as primeiras sementes formadas na base da panícula caem durante a colheita, voltando a brotar: essas plantas podem ser integralmente aproveitadas como hortaliças ou no arraçoamento animal.

Rendimento 
   Em cultivo solteiro, tem oscilado entre 1 e 3 t/ha. Relato de experiências em cultura de larga escala nas terras alta da Etiópia (1 600 m), na África, feitas pelo International Agricultural Development Service, em solo argiloso, bem drenado, utilizando pequena quantidade de adubo, informa que o rendimento chegou a 6,1 t/ha grãos. Em terras sem drenagem perfeita e sem adubos, obtiveram-se 4 t/ha, e em idênticas condições precárias, o trigo rendeu 3,2 t/ha e o triticale 2,7 t/ha. Plantio feito em São Paulo para observação da germinação das sementes e porte das plantas, com a utilização de 1 g de sementes numa única linha de 10 m, rendeu 1,5 kg de sementes com panículas, cuja produção foi de 100 g de sementes.
    Mais uma vantagem prática do amaranto: o tamanho diminuto de seus grãos 10000 unidades não pesam mais de 7 g permite que se reserve apenas uma pequeníssima parte da colheita anual para garantir a semeadura da safra seguinte. Para semear 1 ha de amaranto precisa-se de apenas 500 g de semente, enquanto o milho exige cerca de 180 kg. 

Propriedades medicinais 
   As folhas têm propriedade expectorante e são recomendadas para tosse e bronquite, e as raízes são utilizadas como emoliente e laxativo. Segundo o dr. Ravi Datt Sharma, do Centro de Pesquisas Agronômicas do Cerrado (CPAC), que pesquisa a introdução da cultura no Centro-Oeste, os grãos pipocados são usados na índia para a cura de ressaca, pelo seu alto teor de magnésío (1% do peso total dos grãos). 

Composição por 100 g
    A tabela de composição de alimentos do ENDEF/IBGE apresenta a composição de duas espécies de amaranto usadas como verdura:
Bredo (Amaranthus graecizans L.) 42 calorias, 4,6 g de proteínas, 410 mg de cálcio, 103 mg de fósforo, 8,9 mg de ferro, 953 mmg de vitamina A, 0,05 mg de vitamina B1 , 0,42 mg de vitamina B2 e 64 mg de vitamina C. 
   Caruru (Amaranthus spp.) 42 calorias, 3,7 g de proteínas, 313 Mg de cálcio, 74 mg de fósforo, 5,6 mg de ferro, 530 mmg de vitamina A, 0,05 mg de vitamina B1 , 0,24 mg de vitamina B2 e 65 mg de vitamina C.

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