Algodão


    Há pelo menos 39 espécies do gênero Gossypium L., denominadas algodoeiros. Entre elas, duas são bastante cultivadas nas Américas, uma anual (Gossypium hirsutum L.) e outra perene (Gossypium barbadense L. ). Há também espécies e variedades subperenes. A índia é tida como centro de origem do algodoeiro, mas há espécies originárias de diversos lugares (basta lembrar que tanto as múmias egípicias como as incas eram envolvidas em algodão). Quando os portugueses chegaram ao Brasil, o algodão arbóreo já era cultivado aqui. 
Algodão (Gossypium hirsutum)   O herbáceo foi introduzido na época da guerra de Secessão dos Estados Unidos (1860-65), que era o maior produtor mundial. A guerra prejudicou a produção e acabou levando outros países a cultivá-lo, inclusive o Brasil. Foi nessa época que o Estado de São Paulo começou a se destacar como grande produtor de algodão. Até hoje, o herbáceo (nome que se dá comumente ao algodão de ciclo anual, embora ele seja arbustivo) é mais cultivado no Centro-Sul e Sul do Brasil, enquanto o arbóreo (perene) é mais comum no Nordeste. Além da fibra, excelente para a fabricação de tecidos, a semente do algodão é matéria-prima para a produção de um excelente óleo, sendo aproveitado ainda seu farelo, muito valorizado como alimentação animal (no Nordeste os próprios restos de cultura são também utilizados com este fim). Segundo a Bolsa de Liverpool. Inglaterra, em 1986 o Brasil foi o produtor mundial de algodão em pluma, superado pelos Estados Unidos, China, União Soviética e
índia.

Clima 
O algodão herbáceo produz bem em região onde o índice médio de chuvas é de 1 000 a 1 500 romano. Em áreas afetadas pela seca é aconselhável o plantio do algodão arbóreo. A temperatura não deve ser inferior a 20ºC nem superior a 30ºC.

Solo 
Algodão   Para o plantio do algodão recomendam-se solos de textura média (entre 15 e 35% de argila). Devem-se evitar os muito arenosos, em razão da sua pequena capacidade de retenção de água e fertilizantes e suscetibilidade à erosão. O tipo de estrutura que mais convém é a granular, que permite melhor circulação de ar e de água. O algodoeiro exige que o solo tenha boa drenagem, sendo incompatível com solos encharcados. Sua raiz pivotante pode alcançar de 2 a 2,5 m de profundidade.    Daí a necessidade de solos profundos (de 1 a 2 m) e até os muito profundos (acima de 2 m). Quanto menos ácido, melhor; as mais altas produções obtêm-se em terras com pH 5,5 a 6,5. Quando o solo for ácido, é necessário fazer a calagem. O algodão é muito exigente em magnésio. Isso pode ser suprido com Os calcários magnesianos, dolomíticos, termofosfatos ou ainda sulfato de potássio e magnésio. O mais usado é o dolomítico, devido ao seu preço acessível.  Recentemente surgiu em São Paulo um calcário finamente moído, conhecido como filler, mas é preciso realizar mais pesquisas antes de recomendar sua aplicação.
   Para saber a quantidade de calcário a ser aplicada, é necessário fazer a análise do solo. Os terrenos argilosos exigem maior quantidade de calcário que os arenosos para a elevação do pH. Os solos ricos em matéria orgânica também são mais exigentes e influem nas dosagens de calcário recomendadas.

Preparo do solo 
   Um bom preparo do solo é importante para a germinação, para o desenvolvimento homogêneo da cultura e facilita os cultivos e a colheita, especialmente a mecânica. Se o terreno estiver sendo utilizado para o cultivo do algodão há alguns anos, a distribuição da soqueira deve ser feita em junho-julho. Neste caso deve-se fazer uma aração. recomendando-se duas se no terreno houver muitas invasoras. A segunda gradagem é feita às vésperas do plantio, para destruir as sementes das invasoras que começam a germinar. A umidade do solo determina uma boa aração, e a umidade ideal é entre 40 e 50%. Há um truque para saber se o solo apresenta boas condições para ser arado. Recolhem-se amostras de várias partes do terreno. Depois, junta-se fortemente na mão, formando uma bola. A seguir, deixa-se essa bola cair no solo de uma altura de aproximadamente 1,50 m. Caso ela desintegre, o solo está apto para ser arado. Arações em solos úmidos dificultam a operação seguinte de gradagem. prejudicando a semeadura. Já em solos secos, a profundidade da aração fica prejudicada e os discos se desgastam rapidamente. Aração e gradagem excessivas pulverizam o solo, o que é prejudicial, pois provocam a erosão da camada superficial, em terrenos inclinados. Em 1961, alguns pesquisadores observaram que em solo tipo arenito de Bauru, com 11% de declive, duas arações causaram a perda de 16.7 t/ha, e uma aração provocou a perda de 14,5 t/ha de terra. E a produção de algodão foi ligeiramente superior com apenas uma aração, tanto em arenito de Bauru como no tipo de massapé-salmorão. Nos solos arenosos não se recomenda a aração, a não ser que a área apresente grande quantidade de invasoras ou restos de cultura anterior, neste caso aconselha-se fazer apenas uma aração. Nos solos recém-desbravados, deve-se plantar pelo menos durante um ano, outra cultura. 
   Não é bom cultivar algodão em terrenos muito inclinados; o declive máximo não deve ultrapassar 12% para solos arenosos e 15% para argilosos. O algodão tem crescimento lento e é muito exigente em tratos culturais, devendo estar livre de invasoras. Em estudos realizados pela Estação Experimental de Sete Lagoas (MG), após seis anos, verificou-se que a cultura algodeira perdeu 4 titia de solo, enquanto a cultura do milho perdeu 670 kg/ha e a pastagem apenas 11 kg/ha. 
Variedades 
   Estudos da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo demonstraram que, para a safra 1985/1986, as variedades precoces eram as mais indicadas, por dois motivos: elas apresentam porte baixo e abertura uniforme das maçãs; as variedades IAC-17 e IAC-20, por formarem carga mais cedo e em período mais curto, expondo menos as estruturas reprodutivas ao ataque do "bicudo" e propiciando a destruição das soqueiras mais cedo. A IAC- 9 também foi indicada, por apresentar -boa produtividade e resistência aos nematóides, embora não tenha desenvolvimento precoce. Para o Nordeste, o Centro Nacional de Pesquisa do Algodão (CNPA). sediado em Campina Grande (PB), recomenda entre as variedades herbáceas (Gossvium hirsutum L., raça Latifolium Hutch) a BR-1 , que chegou a dar 5 000 kg/ha no sudeste baiano, em 1980; o CNPA-2H, CNPA 77-149, CNPA 76-6873 e SUO450-8909. Entre as variedades arbóreas(Gossypium hirsutum L., raça Marie galante Hutch), as mais produtivas são a veludo C-71, desenvolvida pela Secretaria da Agricultura da Paraíba (com ciclo econômico de 5 anos), a CNPA-2M, lançada em 1981, e a CNPA 78-3B. A variedade CNPA-2M é mais precoce, produz em sessenta a setenta dias e é 20% mais produtiva que as variedades tradicionais (dá 378,3 kg/ha/ano).

Plantio 
   No plantio mecanizado utilizam-se de 15 a 20 kg/ha de sementes. Na prática, somente emergem, em média, 65% das sementes plantadas. Para fazer uma boa semeadura, deve-se regular a plantadeira para a profundidade de 2,5 a 4 cm. Aconselha-se aumentar a quantidade das sementes quando o poder germinativo for baixo (perto de 60%). No plantio manual feito com matraca, deve-se manter o alinhamento para facilitar as capinas. A quantidade será de seis a oito sementes por cova. Em Minas Gerais, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). indica o mês de outubro como o mais propício para o plantio no Triângulo Mineiro da variedade IAC-13 em solos de alta fertilidade. No Nordeste, especialmente, é muito importante o plantio na época certa, para aproveitar melhor as chuvas escassas, de três a cinco meses ao ano. Recomenda-se plantar o algodão herbáceo logo após o início das chuvas ou mesmo "no seco", desde que o agricultor tenha condições de preparar o solo com baixo teor de umidade. O plantio costuma ser em outubro-novembro no sudoeste da Bahia; novembrodezembro no Maranhão. sul do Piauí e sul do Ceará (Cariri); janeiro a maio no sertão do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte; de abril a junho no nordeste da Bahia, no agreste dos Estados de Sergipe, Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, no litoral do Ceará e no norte do Piauí; e em maio-junho nas culturas irrigadas. O algodão arbóreo é plantado antes do período chuvoso. O espaçamento e o stand são muito importantes, informam os técnicos de São Paulo. Eles recomendam 10 plantas por metro linear e o espaçamento entre as linhas de aproximadamente dois terços da altura média esperada das plantas. Em Minas, para a região do Triângulo Mineiro, o melhor espaçamento para as terras de alta fertilidade é de 1 m entre as fileiras, e para as terras de cerrado de 0,60 a 0,80 m. No Nordeste, o espaçamento mais utilizado é de I m entre as fileiras e 5 a 7 plantas por metro linear, para o algodão herbáceo. Experiências, realizadas pelo CNPA concluíram que o melhor espaçamento para o algodão arbóreo é de 2 x 0.50 m, e em seguida 2 x 1 m quando não se tiver intenção de consorciar com outras culturas. 'Quanto à época de plantio, uma prática observada no Ceará é o plantio no "pó" o agricultor abre as covas e joga as sementes antes das chuvas elas não perdem o poder de germinação. 
   Quando as chuvas vêm, levam terra para a cova e cobrem as sementes. Voltando ao Sudeste, o desbaste, para a eliminação do excesso de plantas nas fileiras, deve ser executado entre 25 e 30 dias após a emergência, deixando 5 a 10 plantas por metro quantidade suficiente para suprir as falhas provocadas por sementes de baixo teor germinativo e pelo ataque de pragas e doenças que atingem as plantas novas. Segundo a Epamig, não houve diferenças significativas entre o plantio de 5 a 20 sementes por metro sem desbaste e o plantio de 30 sementes por metro com desbaste para 3 a 7 plantas por metro. No entanto, observou-se que as melhores produções foram conseguidas com o uso de 15 a 20 sementes por metro sem desbaste, nas duas principais regiões produtoras de Minas Gerais. Com estes resultados concluiu-se que a operação de desbaste pode ser eliminada para o algodoeiro herbáceo nestas regiões. 
   A desbrota eliminação manual do broto apical do algodoeiro parece não exercer influência no rendimento. Estudos da Epamig demonstraram que o rendimento, peso do capulho, peso de cem sementes, porcentagem e índice de fibra não foram influenciados por essa prática. Foi observada uma redução de 27% na altura das plantas quando a desbrota foi feita entre 50 e 55 dias após a emergência.

Adubação 
   O algodão é muito exigente com relação a adubação. A adubação orgânica e a adubação verde têm apresentado bons resultados. Um dos agricultores mais bem-sucedidos no recurso a essa prática é Tadashi Mine, de Ituverava (SP), que colhe 650 a 700 arrobas por alqueire. A adubação verde, porém, não substitui a mineral, embora contribua grandemente para a redução de gastos com adubos. Pesquisas da Epamig em alguns municípios mineiros mostraram que, em termos de massa verde, a mucuna e a crotalária. em Uberaba, o guandu e a mucuna, em Felixlândia, e a crotalária e o guandu, em Janaúba, foram os que apresentaram os melhores rendimentos. A produção de algodão, quando se incorporou a crotalária, elevou-se em 41 e 37%, respectivamente, em Uberaba e Janaúba, em 1977/1978. 
   A crotalária e o guandu se destacaram como sendo os que melhor influenciaram os rendimentos do algodão, com aumentos de 28 e 12%, respectivamente. Também foi observado que nem sempre os adubos verdes, que produziram maior volume de massa verde, foram os que resultaram em maior produção de algodão.

Rotação 
Algodão   A rotação e o consorciamento de cultura são práticas culturais bastante indicadas para os cotonicultores. Unia pesquisa realizada em solos de cerrado, com nematóides, em 1960/1961 e 1962/1963, pelo pesquisador Carlos Menezes Ferraz, do IAC, apresentou os seguintes resultados: o cultivo contínuo do  algodão deu 149 arrobas por alqueire (24 200 m2), e com a adubação verde
com mucuna-preta deu 336 arrobas por alqueire. Na consorciação com o amendoim a produção foi de 241 arrobas por alqueire, e, consorciado com a soja, a produção foi de 198 arrobas por alqueire. Nos Estados Unidos. União Soviética, Egito e África intertropical o algodão não é cultivado isoladamente. Ali, a rotação e a consorciação são "de lei". Na Estação Experimental de Sete Lagoas, após cinco anos de estudos de rotação com algodão, soja e milho, verificou-se um aumento de 611 kg/ha no algodão. Em São Paulo, a rotação algodão/mamona/mamona, durante cinco anos, ou seja, três anos de mamona e dois de algodão, resultou em um aumento de 558 kg/ha de algodão em relação à cultura contínua. 
   Em terrenos infestados com nematóides (Meloidogyne incognita), após três anos de estudo, verificou-se que o algodão, após mucuna-preta, apresentou um ameno de 1 159 kg/ha e de 570 kg/ha, após amendoim, em relação à cultura contínua. Em Goiás, após cinco anos de estudos com rotação, verificou-se que a produção de algodão, após crotalária e feijão, foi acrescida de 333 kg/ha em relação à cultura contínua, quando se" aplicou adubação nitrogenada, e 298 kg/ha, quando não se aplicou o nitrogênio.

Consorciação 
   Como a cultura do algodão é feita geralmente por meeiros ou terceiros, o algodão costuma ser consorciado com culturas alimentares e suas entrelinhas são utilizadas também pelo proprietá- rio para a alimentação do gado na época chuvosa até a floração. É necessário um espaçamento que permita a consorciação algodão/culturas alimentares/boi. Os espaçamentos recomendados, nestes casos, são 4 x 0,50 ou 4 x 1 m, que tornam possível o consórcio com culturas alimentares durante os cinco anos do ciclo e reduzem os danos causados pelos bois às plantas. A consorciação costuma ser com milho e feijão, principalmente, e os restos dessas culturas servem também de alimento para o gado. 
Outras culturas consorciadas são de fava, feijão-guandu, melancia, jerimum e até algodão herbáceo. O sorgo, que vem sendo apontado como substituto do milho, poderá entrar nessa consorciação, mas experiências do CNPA constataram que ele compete muito com o algodão arbóreo, reduzindo seu rendimento em 70% no primeiro ano. Mas, quando se planta o sorgo uns quinze dias depois do algodão, a redução é de 35% na produção deste. Os bois devem ser em número de 2 por hectare, que não reduzem a produção do algodão e até aumentaram em 13% nas experiências realizadas. No caso de algodão herbáceo, no Nordeste, tem-se feito consorciação com milho e feijão, plantando-se cada duas a sete filas de algodão. A consorciação, especialmente com leguminosas, é recomendável, porque também protege o solo. A cultura do algodão é uma das que mais favorecem a erosão. O cultivo do algodão arbóreo, consorciado com milho ou feijão. é um sistema muito utilizado pelos
produtores do Vale do Piancó, na Paraíba, por diminuir os riscos de perda e os gastos de implantação da cultura do algodão, segundo a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa).
   Vários resultados de pesquisa evidenciam, de acordo com a Emepa. que apesar de o' milho e o feijão provocarem diminuição no rendimento do algodoeiro, no primeiro ano. geralmente contribuem para um aumento na renda bruta por unidade de área. Além desse aspecto, observam que. no segundo ano. não ocorre grande diferença de produção entre o algodão isolado e o consorciado no primeiro ano.

Irrigação 
Irrigação de algodão   Havendo falta de chuvas, a irrigação assume uma importância igual ao uso de adubação verde e fertilizantes, tratos culturais ou controle de ervas invasoras ou pragas. Para uma irrigação correta há necessidade de se conhecer:
• A água disponível total que o solo pode armazenar.
• A lâmina de água a ser aplicada em cada irrigação.
• A distribuição das raízes do algodoeiro dentro do solo.
• A quantidade de água consumida pela planta entre duas irrigações, cujo intervalo
depende do tamanho das plantas e das condições climáticas. Existem vários métodos
para a irrigação do algodoeiro: sulcos, faixas, sub-irrigação, gotejamento e aspersão.

Pragas e doenças 
   O algodão é conhecido também pelo grande número de doenças e pragas que o atacam. O bicudo, porém, de ocorrência recente, é a praga mais ameaçadora. Ele ataca há tempos os algodoais norte americanos, colombianos e venezuelanos. Seus estragos são grandes, mas o que é pior é que a sua presença faz com que os cotonicultores. que já aplicam uma quantidade enorme de venenos nas lavouras, com a vinda do bicudo, passem a utilizar ainda mais intensamente esses produtos, onerando seus custos de produção e pondo em risco o equilíbrio do meio ambiente. O bicudo é originário do México. onde foi identificado em 1843, por C.H. Boheman. De lá ele invadiu o Texas, disseminando se até ocupar quase toda a região produtora de algodão dos EUA. Em 1983 foi encontrado em grande quantidade nos algodoais das regiões de Sorocaba e Campinas, principalmente ao redor do aeroporto de Viracopos, em São Paulo (há suspeitas de que ele tenha sido introduzido intencionalmente no Brasil). Depois disso, foi-se alastrando por São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Hoje ele já é um habitante bem conhecido dos cotonicultores brasileiros.
   As chuvas favorecem seu desenvolvimento uma vez que a umidade existente conserva os botões atacados fechados por um período maior, o que permite o crescimento das larvas no seu interior. A atividade do inseto adulto é bastante intensa. Todavia, quando tocado ou quando pressente o perigo, imobiliza-se. fingindo estar morto e caindo até mesmo ao solo.
    Entre os inimigos naturais do bicudo, além dos pássaros. encontram-se cerca de
42 espécies de artrópodes, entre parasitas e predadores. O parasita que se tem mostrado mais eficiente é uma vespinha, cujo nome científico é Bracon mellitor; cerca de 80% de todos os parasitas encontrados na larva do bicudo foram desta espécie.
   No Brasil, além dessa vespinha, diversas espécies de formigas foram observadas predando larvas e adultos do bicudo. O percevejo Podisus sp., muito comum no país, também tem mostrado ser bom predador, sugando em média dois adultos por dia. Vê-se. por aí, que o combate químico indiscriminado ao bicudo pode agravar ainda mais a infestação. ao eliminar seus inimigos naturais.
   As práticas culturais são recomendadas como medidas auxiliares no controle do bicudo. A destruição dos restos culturais pela queima contribuirá para a eliminação da população infestante da próxima safra. A adoção de plantas-iscas, em forma de plantio antecipado, em faixas, para atrair os adultos migrantes e destruí-los é também boa medida de combate à praga. O uso de variedades de ciclo curto, para florescimento precoce e mais uniforme, é também recomendável. Neste caso, as plantas são mais exigentes em termos de nutrição, pois deverão produzir e manter a carga em períodos mais concentrados.
   Considerando-s; que os primeiros bicudos adultos surgem da infestação da safra anterior, um controle em final de safra é necessário. Muitos agricultores ainda acham que qualquer população de pragas que aparece na cultura deve ser exterminada. Para isso eles recorrem aos agrotóxicos mais fortes e pulverizam suas lavouras quantas vezes forem necessárias para matar até a última praga que resistiu aos tratamentos anteriores. Hoje, cotonicultores mais esclarecidos sabem que é impossível erradicar as pragas da cultura.
   Aliás, descobriram que sua eliminação é desnecessária para se obter uma boa produção. Uma redução de até 78% na aplicação de produtos químicos no algodão foi conseguida no município de Presidente Venceslau (SP), mediante o controle integrado de pragas. O método propiciou ainda uma produtividade média superior a 800 arrobas por alqueire. além de baixar significativamente o risco de intoxicação por venenos. Se for feito o tratamento das sementes, o número de pulverizações será
ainda menor. O segredo do método consiste em não se amedrontar logo que surgir o ataque das pragas. É preciso deixá-las até alcançarem o índice de incidência máximo tolerável fixado para cada unia delas, chamado -nível de dano econômico', quando, então, o lavrador deve aplicar o veneno. O agrônomo Wagner Aparecido Bassan. responsável por esse projeto, alerta para a possibilidade de erros.
   No caso da lagarta-da-maçã, considerada terrível, uma falha na aplicação do veneno pode resultar em grandes perdas. Para evitá-las, bastará fazer o combate quando o ataque tiver atingido 10% das plantas. Com relação às demais pragas, o perigo de engano é menor, mas mesmo assim o agrônomo recomenda atenção. Em geral. a parte atacada se renova, exceto se o índice de infestação aceitável for ultrapassado. Qualquer que seja a forma de tratamento químico ou combate a pragas e doenças usando esses métodos, é fundamental a orientação de um agrônomo. A segunda praga mais perigosa, depois da lagarta-da-maçã, é o ácaro rajado. Ele também tem inimigos naturais e, por isso, é preciso cautela no uso de agrotóxicos.
    Em 1982, quando Bassan iniciou o controle integrado na cultura do algodão, faziam-se dez aplicações desses produtos.
   Graças ao controle integrado, já na primeira safra a média caiu para duas.
   Quanto às doenças do algodão as principais são:

• Murcha de fusarium. também conhecida por murcha, murchadeira, fusariose, murcha-fusariana e queima. É uma das principais doenças que afetam o algodoeiro. Foi constatada pela primeira vez no Brasil, em Alagoinha (PB). O controle mais eficiente da fusariose baseia-se no uso de variedades resistentes. Os cultivares IAC-17. IAC-18 e IAC-19 apresentam boa resistência a essa doença.

Murcha de verticillium• Murcha de verticillium, também conhecida como murcha-verticilar, doença
que foi constatada no Brasil em 1926.
    Sua ocorrência é bastante freqüente, porém não alcança a severidade e a importância da fusariose. Como no caso desta, recomenda-se a utilização de cultivares resistentes. Deve-se evitar o plantio em baixadas úmidas e solos ricos em matéria orgânica.

• Ramulose, também conhecida como superbrotamento, é urna doença importante do algodoeiro. Ocorre em surtos periódicos, podendo causar sérios problemas e perdas que variam de 20 a 85%, dependendo do cultivar utilizado, da idade da planta e das condições ambientais. Para controlá-la deve-se adotar práticas preventivas, como a utilização de variedades resistentes e sementes sadias. Existem ainda outras doenças de menor importância. Aconselha-se procurar as Casas da Lavoura e as Emater, onde os técnicos informam sobre a melhor maneira de combatê-las.
Colheita 
Colheita manual de algodão   Ocorrências anormais na precipitação, como falta de chuvas no verão,
• quedas bruscas de temperatura influem diretamente na colheita. Temperaturas muito altas no outono podem acelerar a maturação, provocando depreciação na qualidade, pois a formação dos capulhos não se processa normalmente. 
Colheita mecanizada de algodão   A época do plantio é muito importante para que a colheita não coincida com meses de baixas temperaturas, nas quais poderá ocorrer incidência de pragas, ou em meses com muita chuva, o que poderá prejudicar a fibra. Para realizar a colheita, deve-se atentar para a umidade da fibra, que não deve ser maior do que 15% para as grandes lavouras. Um apanhador colhe em média 45 kg por dia. Para se obter maior eficiência na colheita recomenda-se:
• Apanhar com ambas as mãos, desfazendo-se do algodão o mais rapidamente possível.
• Não deixar acumular o algodão nas mãos, para depois colocá-lo no recipiente.
• Não ficar insistindo em retirar todo o algodão de um capucho, pois às vezes em uma ou outra loja o algodão está tão preso que o tempo gasto em colhê-lo resulta em diminuição de rendimento e depreciação do produto.
• Usar apenas sacos de algodão como recipiente para o algodão colhido, pois Os sacos de polipropileno e de juta prejudicam a sua qualidade.

Colheita mecânica 
Colheita mecanizada de algodão   As primeiras experiências de colheita mecânica no Brasil foram feitas nos anos 70. Após testes realizados em São Paulo, pode-se economizar 16,5% para o tipo 5, em comparação com a colheita manual. Existem dois tipos de máquinas colheitadeiras de algodão: de fusos rotativos e escovas. As máquinas de fusos colhem os capuchos bem abertos. O serviço feito por essa máquina é semelhante ao que é feito pelo apanhador. As de escova são usadas para algodoeiro de porte baixo com fibra curta, fazendo-se a colheita por meio da raspagem das plantas, através de dois cilindros rotativos.


Produção e produtividade 



Fotos
Plantação de algodão por do sol
Plantação de algodão por do sol

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