Amendoim

   O Amendoim (Arachis hypogaea L.), é uma leguminosa originária do Brasil, Paraguai, Bolívia e norte da Argentina, e tem uma característica bem diferente das outras plantas de sua família: é a única que dá frutas embaixo da terra. Outras plantas que têm a parte comestível debaixo da terra são raízes, tubérculos ou rizomas (mandioca, batata, inhame, etc.).
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os índios já cultivavam o amendoim.
Amendoim fruta
Suas sementes dão 45 a 50% de óleo e são usadas em pratos típicos chineses e em diversos doces brasileiros. O óleo é aproveitado na indústria farmacêutica (principalmente como veículo de emulsão de produtos injetáveis). Serve ainda como combustível de lâmpadas de mineração, lubrificante, e é matéria-prima excelente para a fabricação de sabão. O farelo de amendoim é riquíssimo alimento para o gado.

Clima
   Tropical, subtropical e até temperado, com verões quentes e não muito úmidos. Exige, durante o período vegetativo, temperaturas relativamente altas, com média mínima mensal em torno de 21 ºC. Resistente à seca, não tolera regiões muito chuvosas ou estações com umidade prolongada, pois há o perigo do ataque doenças, com prejuízos para a colheita. Temperaturas elevadas favorecem amação de óleo e diminuem seu ciclo vegetativo. Parece que o fotoperíodo afeta o amendoim. Na escolha de local para o cultivo é necessário observa seguintes parâmetros:
• Presença de pelo menos cinco meses com temperaturas médias acima de 21ºC
• Umidade suficiente nos dois primeiros meses do período vegetativo.
• Redução das precipitações nos dois últimos meses do ciclo.
Para o plantio de cultivares precoces com ciclo de 90 110 dias, são suficientes 600 a 800 mm de chuva por ano. No planalto brasileiro-paraguaio, centro de sua origem, as precipitações podem ser
da ordem de 1 000 mm no período cultural. Ao escolher a área em que será instalada a cultura, deve-se evitar terrenos em que o amendoim foi cultivado nos dois anos anteriores. Dessa forma, impede-se a elevação da incidência de pragas e doenças, comuns no plantio ininterrupto numa mesma área.

Solo 
Plantio de amendoim   Os melhores são os de textura leve, arenosos e de boa fertilidade. A necessidade de solos de textura leve se deve ao fato de a frutificação ser subterrânea, o que facilita a penetração do ginóforo no momento da frutificação. Geralmente, o amendoim alcança boas produções em qualquer tipo de solo, desde que não seja 'muito pesado e encharcado. Em terra roxa, a lavoura apresenta boa produção, com o inconveniente de as vagens ficarem com forte coloração vermelha, além das dificuldades nos trabalhos de colheita.

Preparo do solo 
   É essencial para uma boa penetração de água e das raízes que haja um bom preparo do solo. O preparo também funciona preventivamente contra o desenvolvimento de determinadas doenças, como a murcha de Selerotium e a rizotoniose. Neste caso, deve consistir numa aração não inferior a 15 cm. de modo a incorporar os restos de culturas anteriores. Esta incorporação é importante para permitir melhor circulação de água e ar no solo, o que favorece a penetração e expansão do sistema radicular.

Variedades 
Variedades de amendoim   A escolha de bons cultivares de amendoim e o uso de sementes selecionadas é condição essencial para a obtenção de boas colheitas. O uso de sementes próprias, produzidas no ano anterior e armazenadas em galpões, sem catação manual e tratamento com fungicidas, normalmente conduz a resultados medíocres. As variedades de amendoim são divididas em três grupos ou tipos:

• Virgínia — planta bastante ramificada, que pode ter porte decumbente, quando os ramos laterais são longos e pendentes, ou porte rasteiro, quando estes se desenvolvem junto ao solo.

O ciclo vegetativo dura cerca de 140 dias.

• Spanish — planta ereta, de ciclo vegetativo variando de 100 a 120 dias, inflorescências (espigas simples) em todos os ramos, frutos pequenos, de reentrâncias profundas, com apenas duas sementes claras, sem período de dormência. A esse tipo pertence o cultivar tatuí.

• Valência — planta ereta, vegetativamente semelhante ao tipo spanish e, como este, com ciclo de 100 a 120 dias, com inflorescência também em todos os ramos das espigas compostas, frutos grandes com reentrâncias profundas em alguns cultivares, como o roxo.

As duas mais cultivadas no Brasil são a Tatu (do grupo Valência) e a Tatuí (do grupo Spanish). O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) indica para São Paulo a tatu, tatuí, IAC-Oirã, IAC-Poitara e IAC-tupã. Para o Paraná são recomendados a tatuí-76, tatu-53 e roso-54.

Plantio 
   Para as condições de clima tropical, são identificadas duas épocas de plantio: a das águas, em outubro e novembro (setembro e outubro em São Paulo), ou seja, no início do período chuvoso, e da seca, de fevereiro a maio (só fevereiro em São Paulo). Quando o plantio é feito em outubro e novembro, a umidade existente no solo e as chuvas que ocorrem durante a fase de desenvolvimento da planta geralmente são suficientes para suprir as exigências de água da cultura. No plantio dos meses de janeiro e fevereiro, a planta ainda aproveita a umidade proveniente das chuvas, podendo ocorrer boa produção sem a utilização da irrigação. Em áreas irrigadas, o agricultor pode plantar de março a maio. Das duas épocas de plantio identificadas, a das águas é a que assegura produção comercial em maior volume. As sementes produzidas na época seca são de melhor qualidade para o plantio, porém o volume comercial é de pouca expressão. O amendoim é plantado no espaçamento de 0,60 m entre linhas, na densidade de 15 a 2.0 sementes por metro linear de sulco. colocadas numa profundidade e 5 8 cm, e são necessários cerca de 120 a 150 kg/ha de sementes. Para áreas irrigadas, com solos de boa permeabilidade, medianamente profundos e onde as operações de plantio, adubação e abertura de sulcos para irrigação são mecanizados, recomenda-se uma separação entre fileiras de 70 a 80 cm.
Todas estas operações são feitas de uma só vez, com o sulcador acoplado à barra da plantadeira.

Adubação 
   O amendoim é uma das leguminosas que suportam relativamente bem algumas características do solo causadoras de stress, como por exemplo o alumínio. Sua tolerância possibilita que ele seja cultivado em solo de cerrado. A adubação do amendoim não foi muito bem estudada. Contudo, o elemento que maiores aumentos de produção proporciona é o fósforo, seguido pelo nitrogênio. O potássio, como no caso do feijão, geralmente não apresenta grandes efeitos na produção. Adubações com fósforo e potássio devem ser feitas no sulco, antes ou durante o plantio. Esses adubos devem ser misturados ao solo ou distribuídos ao lado e abaixo das sementes. Assim, evitase o contato direto com as sementes. que causa grande redução no número de plantas emergidas. Deve-se fazer uma adubação em cobertura nitrogenada de 10 a 25 dias após a emergência, antes do florescimento. A prática de se inocular as sementes de amendoim, com os inoculadores disponíveis no mercado, não é recomendável, devido às exigências do Rhizobium específico do amendoim.


Rotação e consórcio 
   Para todas as culturas anuais a rotação é muito importante, mas para o amendoim é imprescindível. A queda da produção do amendoim não pode ser evitada, quando plantado continuadamente na mesma área, nem mesmo com adubações completas. Os principais fungos que afetam o amendoim e que são incrementados com os cultivos sucessivos na mesma área são: Schlerotil4M rolfsii, que causa a murcha; Cercosporo personata e C. arachidicola, que causam a mancha de folha, e Sphacelona
 arachidis, causador da verrugose. As melhores culturas em um esquema de rotação com o amendoim são: algodão. milho, mamona e cana-de-açúcar, esta última muito utilizada na região de Ribeirão Preto (SP).O amendoim sempre vai bem em um sistema de rotação, pois aproveita eficientemente a adubação residual. E muito comum entre os agricultores o cultivo de amendoim em faixas de duas, três ou quatro linhas entre as fileiras de café e de mamona. Assim, é possível obter um ganho extra, com pequenas despesas, porque, à medida que se faz o preparo do solo e os tratos culturais para o amendoim, faz-se também para o çafé ou paraa mamona. O número de linhas deve ser tal que o desenvolvimento das plantas não faça sombra sobre a saia do cafeeiro. O preparo do solo não pode ser muito profundo para não atingir as raízes do cafeeiro. Pode também ser consorciado com o milho. Neste caso cultivam-se duas a cinco linhas de amendoim entre linhas de milho. No consorciamento com duas ou mais culturas na mesma área, tem-se observado que a população de pragas e a incidência de doenças é sempre menor. Costuma ocorrer a mistura das sementes de feijão e amendoim quando se faz essa consorciação. Para evitá-la, sugere-se aos produtores que utilizem variedades precoces de feijão. Assim, quando o amendoim começar a crescer em altura, após o florescimento. o feijão já estará em condições de ser colhido. À. produção de feijão é sempre baixa, mas de grande importância para a alimentação da família do agricultor.

Pragas e doenças
aspergillus flavus no amendoim   A aflatoxina, um metabólico do fungo Aspergillus flavus, é hoje um dos mais sérios problemas da produção e utilização do amendoim. A umidade na colheita e o armazenamento em condições não ideais seriam o ambiente propício para o desenvolvimento do fungo que produz a aflatoxina. Pesquisas realizadas pelo Tropical Products Institute, de Londres, recomendam os seguintes cuidados:

1 — colher o amendoim quando maduro e secá-lo o mais rapidamente possível para menos de 9% de umidade: evitando-se ao máximo danificar a casca:

2 — descascá-lo somente quando a umidade das amêndoas estiver abaixo de 9% ou imediatamente antes do uso;

3 — não armazená-lo descascado antes de a umidade baixar de 9%, bem como não armazenar tortas com mais de 16%;

4 — assegurar que. durante armazenamento, transporte e processamento, a umidade não aumente;

5 — fumigar o amendoim, periodicamente, para combater os insetos. A lagarta-rosca e a elasmo, também chamadas pragas do coleto. atacam as plantas novas, seccionando as hastes da região do colo. A elasmo penetra na haste, escavando galerias. O controle dessas lagartas é feito após o seu aparecimento. com produtos químicos ou, melhor ainda, com mel de fumo. Na parte aérea da planta, a principal praga é o tripes, que produz estrias e deformação dos folíolos.
 Para o seu controle recomendam-se pulverizações preventivas, dez a quinze dias após a germinação.    As vistorias na lavoura devem ser freqüentes para que qualquer praga seja detectada logo no início evitando maiores perdas na produção. O ataque de rízotonia (fizotoniose ou tombamento) pode ocorrer durante todo o ciclo da cultura. Em pré-emergência acarreta falhas na germinação. Os sintomas em pós-emergência caracterizam-se por lesão escura e deprimida no colo da planta. que ocasiona o tombamento. O fungo ataca também as vagens, que ficam enegrecidas, com sementes enrugadas e de coloração mais clara que o normal. O controle dessa doença é feito em pré e pós-emergência, por tratamento de sementes com fungicidas: na sua ocorrência nas vagens, por rotação de cultura. Em escala mundial. a cercosporiose é a mais grave doença, ocasionando queda na produtividade entre 15 e 50%. Entre outras características, provoca a queda das folhas, o que afeta diretamente a produção. uma vez que reduz o número de vagens e o peso das sementes. Como medidas profiláticas sugere-se a rotação de culturas, a retirada dos restos culturais e pulverizações com fungicidas. 

Tratos culturais 
   A lavoura de amendoim precisa ser mantida no limpo. Devem ser realizadas uma, duas ou três capinas a enxada para manter a cultura livre das ervas invasoras. Podem ser utilizados os cultivadores do tipo – planei – . Quando as primeiras flores aparecem, é chegada a época,de se fazer a amontoa nas variedades espanhol e virgínia. Para o tipo valência esse procedimento não é necessário.
A irrigação em sulcos abertos a cada duas linhas proporciona um melhor stand, aumento no tamanho da parte aérea da planta, do sistema radicular e do número de frutos por planta e, conseqüentemente, uma maior produção por área. A irrigação torna-se econômica quando a disponibilidade de água é obtida a baixo custo.

Colheita 
Colheita de amendoim   A colheita do amendoim é feita dos 100 aos 120 dias após o plantio, nas variedades precoces. O ponto de colheita é caracterizado quando as folhas ficam amareladas e pelo colorido escuro que é observado na parte interior da casca das vagens. A colheita consiste nas operações de arrancamento da planta. secagem, batedura ou despencamento, limpeza e ensacamento. O arrancamento é facilitado com o auxílio de um arado comum de aiveca. que promove o corte da raiz pivotante, o deslocamento e o tombamento das plantas. Completa-se o trabalho manualmente, sacudindo-se as plantas para que elas fiquem livres da terra presa nas vagens. O secamento pode ser feito em medas. Além de o produto ficar com melhor qualidade, pode-se aproveitar a palha para forragem. Para se fazer uma meda é necessário usar um pedaço de madeira com cerca de 2,00 m de comprimento e fincá-la a uma profundidade de 0,50 m. Pregam-se sarrafos de 1,00 m de comprimento a 0,30 cm do solo ou faz-se uma proteção com pedaços de madeira ou pedras para evitar o contato das plantas com o solo. A seguir, colocam-se as plantas com as vagens voltadas para o centro, sem tocar a estaca, para formar um espaço onde circulará o ar que secará as vagens. A parte superior da meda é protegida por um encerado ou plástico.
   Antes de amontoadas as plantas devem ter tomado sol suficiente para que fiquem
no ponto de "feno". Após um mês, as vagens estão maduras e se desprendem com facilidade. Faz-se a batedura e o amendoim com casca, depois de abanado, é ensacado. Existem máquinas especiais que fazem o arranquio e o despencamento do amendoim, em uma só operação, porém seu custo é elevado. Em lavouras bem tratadas, podem-se obter oitenta sacos de 25 kg/ha em casca ou 2 000 kg/ha.
   São comuns produções de até 4 000 kg/ha.

Armazenamento 
   As sementes de amendoim armazenadas com teor de umidade acima de 9% se deterioram facilmente, Teores abaixo de 7% de umidade conservam o poder germinativo por um longo período. Quanto menor a umidade relativa e mais baixa a temperatura do ambiente, melhor será a conservação das
sementes. Aconselha-se armazenar o amendoim em casca.

Produção e produtividade
    Apesar de ser o centro de origem da cultura do amendoim o Brasil é, segundo dados de 2008/2009 o 12º no ranking mundial, com cerca de 250 t ano (Fonte: Satra Export & Import Coplana United States Departament of Agriculture). Em 1979 quando o Brasil era 8º no ranking mundial produzia 650 t ano.
Maiores produtores mundiais em t/ano
1 -China 13.400
2 -Índia 7.124
3 - Estados Unidos 2.335
4 - Nigéria 1550
5- Indonésia 1250
6 - Burma 880
7 - Sudão 850
8 - Senegal 710
9 - Argentina 650
10 - Chade 468
11 - Vietnã 460
12 - Brasil 250

Utilizações
No Brasil sua utilização mais comum é um doce a base de amendoim conhecido como paçoca, também é vendido em embalagens com amendoim torrado  e salgado, coberto com um preparo a base de trigo conhecido como amendoim Japonês, e pasta de amendoim.
O amendoim é rico em aminoácidos específicos que ativam as funções sexuais principalmente homens , porém o uso em excesso causa flatulência
Entretanto o amendoim quando armazenado ou transportado de forma inadequada pode produzir aflatoxina devido ação de fungos e essa substancia pode levar a problemas como câncer de figado. (Fonte: Noticias Uol )
Amendoim japones
Amendoim Japonês
Paçoca de amendoim
Paçoca



Composição por 100 g
Amendoim cru: 549 calorias, 23,2 g de proteínas. 49 mg de cálcio, 409 mg de fósforo. 3,8 mg de ferro, 5 mmg de vitamina A, 0,79 mg de vitamina B I . 0,14 mg de vitamina B2 e 1 mg de vitamina C.
Cozido: 235 calorias. 16,8 g de proteínas, 45 mg de cálcio, 260 mg de fósforo. 5,1 mg de ferro. 3 mmg de vitamina A, 0.44 mg de vitamina B1 e 0,16 mg de vitamina B2. Torrado com sal: 595 calorias, 23.2 g de proteínas, 42 mg de cálcio, 354 mg de fósforo. 1,6 mg de ferro, 16 mmg de vitamina A, 0,32 mg de vitamina BI e 0,13 mg de vitamina B2. Creme: 585 calorias, 24,9 g de proteínas, 66 mg de cálcio, 380 mg de fósforo, 2.4 mg de ferro, 0,40 mg de vitamina B1 e 0,12 mg de vitamina B,

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