Pinhão-manso

    Entre as experiências feitas com vegetais para uma futura substituição do óleo diesel como combustível, destacaram-se como plantas de alta possibilidade o pinhão-maraguai, manduri-graça, mandobi-guaçu e pião, e o pinhão-manso (Jatropha pohliana M.), também conhecido como pinhão-branco. Tanto o pinhão-manso como o pinhão-bravo vêm sendo utilizados comumente como cerca viva, mas o pínhão-manso é usado também para a extração de óleo que serve para a fabricação de sabão e como purgativo para o gado bovino. Ensaios feitos com o óleo extraído do pinhão-manso (óleo-de-purgueira), comparando-o com o diesel deram bons resultados. Num motor diesel, para gerar a mesma potência, o consumo de óleo-de-purgueira foi 20% maior, o ruído mais suave e a emissão de fumaça, semelhante. Considerou-se também possível o uso desse óleo não apenas como combustível mas também na indústria de tintas e de vernizes. Análises posteriores mostraram que o óleo de pinhão-manso tem 83,9% do poder calorífico do óleo diesel, e o óleo de pinhão-bravo, 77,2%. Se o óleo de pinhão-manso for usado como substituto do diesel, o consumo será 16,1% maior; se a experiência for feita com o óleo de pinhão-bravo, será 21,8% maior. Além disso, a torta que resta é um fertilizante rico em nitrogênio, potássio, fósforo e matéria orgânica. Desintoxicada, a torta pode também ser transformada em ração, como tem feito a torta de mamona. E a casca dos pinhões pode ser usada como carvão vegetal e matéria-prima na fabricação de papel. 
Pinhão-manso - Jatropha pohliana
Descrição 
    O pinhão manso é um arbusto ou árvore com até 4 m de altura, flores pequenas, amarelo-esverdeadas, cujo fruto é uma cápsula com três sementes escuras, lisas, dentro das quais se encontra a amêndoa branca, tenra e rica em óleo. A semente contém 66% de cascas, fornece de 50 a 52% de óleo extraído com solventes e 32 a 35% em caso de extração por expressão (trituração e aquecimento da amêndoa). O pinhão-manso tem folhas em forma de coração, e o pinhão-bravo, folhas mais alongadas. Outra diferença entre ambos é que os frutos do pinhão-bravo são deiscentes, isto é, ao atingir a maturidade, abrem-se, deixando cair as sementes. A semente do pinhão-manso pesa de 0,48 a 0,72 g e a do pinhão-bravo. de 0,22 a 0,39 g. Essas plantas ocorrem espontaneamente desde o Maranhão até o Paraná. Em alguns lugares, sem distinção de espécie, são chamados, além dos nomes já referidos, de purgueira, grão-de-maluco, pinhão-de-cena, tuba, tartago, tapete, siclité, pinhão-de-infemo, figo-do-inferno, pinhão-das-barbadas e saci. 

Clima 
    Planta tipicamente tropical, prefere clima quente, com período seco bem definido. Ocorre também em regiões muito quentes no verão e bem frias no inverno, como o Noroeste do Estado de São Paulo e o Paraguai. 

Cultura do pinhão-manso 
    Obtém-se boa multiplicação das plantas por meio de sementeiras ou por estacas. Por estacas, a multiplicação é mais rápida. mas gera unidades menos resistentes. A média geral de germinação das estacas chega a 50% (é de cerca de 45%). E as estacas com mais de 2 cm de espessura proporcionam maior índice de germinação. O espaçamento ideal entre elas é de 2 x 3 m. Usam-se espaçamentos maiores, visando o plantio de culturas intercalares, como o feijão-de-corda, amendoim, mandioca, mamona ou arroz. Segundo a Empresa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), é possível plantar também, entre fileiras distanciadas em 4 m, duas fileiras de sorgo, separadas de 1 m, mas é preciso que os cachos do sorgo sejam protegidos contra o ataque de pássaros. A cova do pinhão deve ter no mínimo 50 cm de profundidade. Em sementeira, a germinação pode chegar a quase 100%, usando-se sementes-novas, de boa conformação. Aconselha-se, no caso, o uso de sacos plásticos pretos, como cobertura, para evitar a ação direta dos raios solares. 

Cultura de pinhão-bravo 
    O melhor método é o do aproveitamento das mudas naturais existentes junto às plantas- mães, originadas das sementes que caem, já que essa espécie é deiscente. Outro método é o de estacas, que devem ter cerca de 80 cm, com as duas extremidades em bisei, ou seja, cortadas obliquamente, chanfradas. 

Uma planta de futuro 
    Sendo uma cultura existente de forma espontânea em áreas de solos pouco férteis e de clima desforável à maioria das culturas alimentares tradicionais, o pinhão pode ser considerado uma das mais promissoras oleaginosas do Nordeste, apresentando ainda como vantagens o fato de não ser muito afetado até o presente por nenhuma praga. É altamente resistente a doenças e os insetos não o atacam, pois ele segrega um leite que queima. Nas experiências da Epamig, no Norte de Minas, o pinhão-manso foi pouco atacado por parasitas, mas registrou-se a ocorrência de saúvas  formiga rapa-rapa, ácaro branco, ácaro-vermelho, tripes, oídio e cupins. 

Produção 
     Não existem ainda dados definitivos sobre a produtividade desses pinhões. Em plantio irrigado por gravidade, a Epamig já registrou a produção de 2 500 kg de sementes frescas (com um rendimento de 38% de óleo) de pinhão- manso por hectare. Em Felixlândia (MG), a produção atingiu apenas 500 kg/ha. As ávores de pinhão-manso duram 35 anos, e cada planta pode produzir vários quilos de sementes por ano. 

Sementes 
    Pequenas quantidades de se- mentes podem ser obtidas na Casa da Agricultura, em São Paulo, e na Epamig. em Minas Gerais.

Fotos
Pinhão-manso

plantio de pinhão-manso

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