Jojoba

    A jojoba (Simmondsia chinensis (link) Scheider) originária do deserto de Sonora, no norte o México e sul dos Estados Unidos, é um arbusto com grande potencial econômico, por causa do seu óleo (que na verdade é uma cera líquida), considerado o melhor substituto para o óleo de baleia. A jojoba pode atingir 4,5 m de altura. Foi plantada experimentalmente no Campus da Universidade Federal do Ceará, em março de 1977, e 26 meses depois deu suas primeiras sementes. A produção nas experiências feitas no Ceará, foi de 70 kg/ha de grãos na primeira colheita, em média, no segundo ano de plantio, chegando às vezes a 140 kg/ha; no quarto ano de plantio, a produção atingiu 640 kg/ha um sucesso, embora se possa conseguir no Nordeste mesmo mais de 5 000 kg/ha. 
Jojoba - Simmondsia chinensis    As sementes da jojoba contém cerca de 50% de seu peso em óleo, altamente cotado no mercado internacional. Seu plantio, possível em vastas áreas do Nordeste, por certo é compensador. 

Clima e solo 
    A jojoba provém de regiões de solos áridos e pouco férteis, com chuvas de 100 a 450 mm/ano. Em condições naturais ela é encontrada em solos arenosos, aluviões, solos misturados com pedregulho, argila e areia, neutros a alcalinos com abundância de fósforo e sujeitos a secamentos anuais. Além disso tolera muito bem a salinidade. Os solos mais adequados para o cultivo de jojoba são os férteis e profundos, pois sua raiz pivorante pode chegar a 10 m de profundidade. A quantidade de água ideal é de 450 a 600 mm/ano, e as melhores condições para a germinação de suas sementes são a temperatura de 20 a 30°C e alta umidade nos vinte dias que antecedem o surgimento da planta à superfície do solo. 
    Depois de adulta, tolera grandes variações anuais de temperatura e suporta bem o calor. Mas é muito sensível a geadas. Experiências de plantio demonstraram sua preferência por temperaturas elevadas. 

Plantio 
    As mudas são obtidas por meio de sementes e levam de seis a oito semanas para atingirem o desenvolvimento necessário para plantio no campo. As mudas são preparadas em sacos de polietileno pretos, com furos do meio para baixo, para escoamento da água. Os sacos com 45 cm de altura e 15 cm de diâmetro são enchidos até 5 cm da superfície com uma mistura de terra, areia grossa e esterco, em partes iguais. Em cada saquinho vai uma semente, a cerca de 2 em de profundidade, irrigando-se em seguida até a terra ficar bem molhada. Em vinte dias as sementes germinarão. As mudas darão plantas masculinas e femininas, mas só se vai saber quais são masculinas ou femininas cerca de dois anos depois, quando elas derem flores. O bom rendimento exige uma só planta masculina para dez femininas (outros recomendam uma masculina para seis femininas). O espaçamento aconselhado para o plantio é de 3,50 m entre linhas e 1,50 m entre plantas, mas, como será necessário fazer o desbaste quando o sexo das plantas for identifica- do, retirando-se o excesso de plantas masculinas, é necessário colocar maior número de mudas nas linhas, num total de 3 800 a 4 000 mudas por hectare. A Secretaria da Agricultura do Pará recomenda o espaçamento de 2,40 a 4,30 m entre as linhas e 0,30 a 1,50 m entre as plantas. Na Califórnia  a recomendação é de 3,00 m entre linhas e 1,20 a 1,50 m entre as plantas, com seis fêmeas para cada árvore macho, num total de cerca de 1850 plantas fêmeas por hectare. A forma recomendada de conseguir esse espaçamento é sempre plantar numa densidade maior e, quando as plantas derem flores retirar 80 a 90% das masculinas. 
    Em Israel já se desenvolveu um método de enxertia de forma que é possível plantar as muda; no espaçamento adequado, sabendo-se seu sexo de antemão. As plantas femininas têm pequenas inflorescências da mesma cor das folhas novas e surgem nas axilas das plantas, em nós alternados, uma em cada nó. As plantas masculinas dão flores visíveis, com pólen amarelado. A polinização é feita principalmente pelo vento no fim do inverno e inicio da primavera. Apesar de não precisar de muita água a planta responde bem a irrigações temporarias. Durante as primeiras semanas depois do plantio são recomendadas irrigações pequenas e freqüentes. No seu local de origem, a jojoba frutifica e amadurece em média dois meses depois da fecundação das flores. No nordeste brasileiro chegou-se a 60 ou 70 dias, da fecundação ao amadurecimento. O plantio pode ser feito também por semeio direto com os mesmos critérios de espaçamento. E a época ideal é o fim da estação chuvosa. 

Tratos culturais 
    Recomendam-se capinas para combater as invasoras. A jojoba é pouco sensível às doenças mas sente a insuficiência de oxigênio e a má drenagem do solo, que podem causar algumas doenças ou fungos nas raízes. 

Colheita 
    Quando o fruto está passando do verde para o castanho-escuro é sinal de que está maduro, atingiu o ponto de colheita. O fruto é uma cápsula que pode conter de uma a três sementes, com formato e tamanho de uma azeitona. O peso médio de cada semente é de 0.5 g, mas pode variar de 0,2 a 2.2 g. Logo no 3° ou 4° ano já se consegue produção comercial, e não é difícil conseguir uma produtividade de 3-5 t/ha de sementes no 5° ano. Na Califórnia. a produtividade média da jojoba numa plantação foi de 1,76 kg por planta de seis anos e 2,38 kg por arbusto de doze anos. E a tendência é de que a produção aumente à medida que a planta envelhece, Arbustos de 22 a 25 anos chegaram a dar 15 kg de sementes. As sementes podem ser vendidas descascadas, limpas e secas (beneficiadas) ou apenas colhidas. Pode-se também extrair o seu óleo, com equipamento especial. 

Usos do óleo de jojoba 
    Os apaches já usavam a jojoba para o tratamento de feridas de guerra, problemas estomacais e restauração dos cabelos. Na baixa Califórnia (México), a jojoba era usada pelos índios no tratamento dos rins, para facilitar partos, para feridas e mesmo como remédio para câncer. A jojoba era utilizada também para fazer bebidas e pão. O óleo de jojoba é um lubrificante natural de qualidade excelente, não tóxico e sem odor, bom portanto para uso em cosméticos, lubrificantes, drogas e muitos outros produtos. E o mais eficiente agente conhecido para a produção de penicilina e tetraciclina. Depois de extraído, o que sobra da semente pode ser usado como alimento rico em proteínas (26 a 32%), carboidratos e fibras. O óleo de jojoba penetra na pele e em metais mais profundamente do que qualquer outro óleo. Suas qualidades como super-lubrificante (foi testado em motores, funcionando até 80000 km sem necessidade de trocas) lhe dão as características necessárias para substituir o óleo de baleia usado, por exemplo, em transformadores de alta voltagem, que exigem lubrificantes capazes de suportar temperaturas elevadas. Como cera líquida, o óleo de jojoba pode ser utilizado para vários fins, além de lubrificação (ou como aditivo em lubrificantes): cosméticos (xampus, sabonetes, cremes faciais, bronzeadores, etc.), na indústria farmacêutica (cápsula para remédios, estabilizador de penicilina, inibidor do bacilo da tuberculose, etc.), na alimentação (óleo de cozinha aditivo de baixa caloria para óleo de salada), em outras indústrias (linóleo, tinta de impressão, vernizes e goma de mascar) e em álcool e ácidos, derivados (preparação de desinfetantes, detergentes, resinas, plastificação, fibras, anticorrosivos e bases para cremes e ungüentos). Como cera hidrogenada (sólida), serve para a produção de pasta polidora de assoalho, móveis e automóveis; cobertura de proteção em frutas e outros alimentos; cosméticos (batons); velas e várias outras coisas, inclusive como substituto para a cera de carnaúba. Além do óleo, pode-se aproveitar a casca das sementes como cobertura morta; o arbusto, como pasta para bovinos, caprinos e ovinos; e o farelo, rico em proteínas, para alimentação animal, e até, eventualmente, para o consumo humano. 

Maiores informações - Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido (CPATSA), Embrapa de Brasília e Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará.

Fotos
Jojoba
Plantio de Jojoba

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