Oiticica

    A oiticica (Licania rígida Benth) é uma árvore da família das rosáceas, nativa do semi-árido nordestino, com 10 a 12 m de altura, em média, podendo chegar a até 30 m, com um tronco grosso que se ramifica pouco acima do solo, formando copas com 20 a 30 m de diâmetro. Seu fruto, uma baga com até 7,5 cm de comprimento e pouco mais de 2 cm de largura (às vezes tem forma um pouco diferente, mais curta e ovalada), tem semente avermelhada, envolvida por uma polpa amarela, rala, de cheiro pouco agradável, apreciada por algumas aves e morcegos. A grande importância da oiticica está nessas sementes, com cerca de 38% de um óleo com propriedades secantes (há referências a até 60% de óleo), próprio para a fabricação de tintas e vernizes. A madeira branca, de fibras entrelaçadas, resistentes, também é muito usada, mas' não concorre, em importância, com as sementes. As folhas são ásperas  servem de lixa e, durante a seca, de alimento para o gado. 
Oiticica - Licania rígida Benth
    Menos da metade do óleo de oiticica produzido no Brasil é consumido aqui. O restante é exportado para os Estados Unidos, México, Itália, Inglaterra e outros países. O mercado externo, porém, é altamente competitivo, e o preço do óleo de oiticica depende da produção e da comercialização de óleos concorrentes, como o de tungue, o de perila, o de linhaça e outros óleos sintéticos relativamente baratos e de qualidade às vezes superior. 

Clima e solo 
    A oiticica vegeta espontaneamente no sertão e no litoral dos Estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí. O clima dessa região é tropical quente, de seca acentuada (tem uma estação seca de sete a oito meses, que começa no inverno), com chuvas de 650 a 850 mm anuais. A temperatura no mês mais frio é superior a 15°C. Os solos em que cresce naturalmente são os de aluvião, de ótima fertilidade, rico, com alto teor de nitrogênio, pH acima de 7, compostos de areia, argila e húmus, em proporção equilibrada, o que lhes dá características de grande permeabilidade, arejamento, drenagem natural e profundidade. Esses solos, comuns em aluviões de rios e também em pés de serra, são formados neste local por águas de chuva. A altitude preferida varia em torno de 200 m. 

Plantio 
    A maioria das árvores de oiticica existentes nasceu e cresceu espontaneamente, mas a propagação pode ser feita por sementes e por enxertía. A propagação por sementes, mesmo escolhendo-se apenas as originárias de árvores fortes e sadias, é muito irregular. O índice da germinação é baixo e em pouco tempo a semente perde seu poder germinativo, O método mais eficiente de propagação consiste em retirar a casca das sementes e semear as amêndoas ao sol, sem cobertura. O ideal, porém, é que a temperatura esteja em torno dos 30°C; se estiver muito acima, o poder germinativo tende a diminuir. Dessa forma, a semente germina em cerca de 30 dias, e a planta cresce rapidamente nos quinze seguintes, em média 6 mm por dia. Quando a muda estiver com aproximadamente 0,15 m de altura, 60 a 120 dias depois da germinação deve ir para o viveiro, onde fica por seis meses, quando atinge 0,80 m de altura. Faz-se então a enxertia de encosto. Pode-se também fazer a enxertia de borbulha, quando a muda tiver 8 a 10 meses. A forma de fazer os enxertos é idêntica à das mangueiras. O transplante para o local definitivo é feito na estação chuvosa, O espaçamento deve ser de 15 a 20 m entre as filas e as árvores. Com espaçamento de 20 x 20 m, plantam-se 25 árvores por hectare. As covas devem ter 1 x 1 x 1 m, cheias de terra preta misturada com esterco de curral ou composto com 2 kg de pó de osso. A muda é colocada no centro da cova, um pouco abaixo do nível do terreno. 

Tratos culturais 
    Se as chuvas forem escassas no primeiro ano, é recomendável fazer irrigações três vezes por semana, com 40 l de água por árvore. Com 1,50 m de altura podem-se fazer podas para orientar o crescimento. 

Consorciação 
    Nos primeiros três anos, recomenda-se o plantio de culturas intercalares, para proteger o solo da insolação e dos ventos: feijão, milho, mandioca, abacaxi ou leguminosas forrageiras. A partir do 4° ano, pode-se interromper essa consorciação e adotar a adubação verde, com o plantio de alguma leguminosa. 

Pragas 
    Se não for uma limpeza regular em torno do tronco e sob a árvore, aparecem muitas plantas concorrentes e desenvolvem-se vários tipos de cipós, que disputam os elementos nutritivos do solo com ela, favorecendo o surgimento de algas e fungos. As pragas principais que atacam a oiticica são as que provocam o broqueamento dos frutos. A rosara-da-oiticica é a praga que exige maior combate, pois provoca a broca dos frutos novos. E preciso cuidado para combater as pragas, a fim de não eliminar os insetos responsá- veis pela polinização das flores da oiticica. 
    Os pássaros e morcegos bicam e sugam a polpa dos frutos e contribuem para evitar o aparecimento de fungos que se localizam aí. A ação é benéfica, pois as sementes ficam limpas e fornecem óleo de melhor qualidade. Mas quando o fruto é novo, as bicadas podem destruir as sementes. Entre os pássaros que mais se alimentam com a polpa da oiticica estão o periquito, o choro, o sofrê (corrupíão) e a graúna-bico-de-osso. As saúvas despolpam os frutos junto ao formigueiro sem causar nenhum dano à semente. 

Colheita 
    A árvore começa a frutificar do 3° ao 5° ano. Com cerca de 10 anos já produz plenamente, alcançando 10 m de altura. Há árvores com mais de 100 anos ainda produzindo. Em geral, a oiticica tem três florações seguidas, de julho a dezembro, principalmente em outubro e novembro. Da primeira à última flor, em geral, passam-se 100 dias. Há então a polinização, principalmente por insetos, e em seguida nascem os frutos, que precisam de chuvas para a maturação, o que acontece nos três primeiros meses do ano. Não convém usar varas nem balançar os galhos para derrubar os frutos, por que isso prejudica a árvore (cai a produção nos anos seguintes) e nem derrubar frutos ainda imaturos. O único processo de colheita recomendado é o recolhimento diário dos frutos que vão caindo. Essa cata tem de ser diária, para evitar a fermentação dos frutos. 
    Cada árvore dá em média 100 kg de sementes, que contêm 22% de casca e 78% de amêndoas, segundo alguns autores, e até 37% de casca, segundo outros. Para obter 1 kg, são necessárias 218 a 260 sementes de tamanho médio. Há referências a árvores que produziram até 1500 kg num ano, mas nos anos seguintes houve safras reduzidas. É aconselhável o rápido processamento para a extração do óleo, por meio de prensagem ou de solventes, porque em alguns meses o seu teor de óleo baixa consideravelmente. A torta resultante da prensagem para a extração do óleo pode ser utilizada como excelente adubo, mas deve-se evitar a sua aplicação isolada. É preciso misturar a torta com farinha de ossos e cinzas de bagaço de cana, que absorvem o óleo residual. Esse óleo, com as transformações químicas provocadas pelo calor, pode até matar as plantas se a torta for aplicada como adubo sem mistura. A torta não serve também para alimentação animal, pois é muito tóxica e de cheiro desagradável. As cascas dos frutos, retirados antes da prensagem, podem ser dadas ao gado. 

O óleo de oiticica 
    O óleo serve exclusivamente para uso industrial, é um óleo rico em iodo e, por isso, altamente secativo  com um vasto campo de aplicação na indústria de tintas e vernizes de secagem rápida. Por suas qualidades anticorrosivas e anticrustantes (impede a formação de crostas) é utilizado também na indústria de tintas de impressão, na fabricação de lonas de freios e borrachas elásticas. 

Comercialização 
    A venda das sementes, embaladas em sacos de 60 kg, é feita diretamente às usinas de beneficiamento, a maioria delas localizadas em Fortaleza. Essas usinas não trabalham só com a oiticica mas também com a mamona, pois não podem ficar na dependência das safras de oiticica, muito irregulares em volume e concentradas numa única época do ano. Sobral, também no Ceará, é outra cidade grande consumidora de sementes de oiticica. 

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