Mamona

    A mamoneira (Ricinus communis L.), também conhecida como carrapateira, rícino, palma-christi, bafureira e baga, é uma planta de origem afro-asiática, encontrada em maior quantidade na Etiópia e na Índia. Tem raízes laterais e uma raiz pivorante que pode atingir 1,50 m de profundidade. As variedades cultivadas no Brasil podem ser de porte anão ou baixo (até 1,60 m), médio (1,60 a 2,00 m) ou alto (acima de 2,00 m). Há também variedades com frutos deiscentes (quando maduros se abrem, deixando cair as sementes) e indeiscentes. O fruto é uma cápsula com espinhos, com três divisões e uma semente em cada uma. 

Variedades 
Mamona - Ricinus communis   Embora existente em todo o Brasil o sistema de cultivo varia entre as regiões Norte/Nordeste e Sul/Sudeste. No Norte/Nordeste predominam as mamoneiras de porte alto, semi-perenes (duram de três a cinco anos), deiscentes e de sementes graúdas. No Sul, de modo geral, plantam-se mais as de porte anão e médio, com ciclo anual (plantio e colheita no ano agrícola e em seguida destruição da cultura, novo plantio no ano seguinte) e com frutos deiscentes e indeiscentes. Mas, no Paraná, por exemplo, cultivam-se também as de porte alto, que dão em média três colheitas. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul (norte do Paraná), as variedades mais aceitas são a ACA-80 a IAC-38 e a guarany. A IAC-80 é alta, com ciclo de 240 a 260 dias, frutos deiscentes, exigindo colheita manual e parcelada, com rendimento de 1500 a 3000 kg/ha, dando 47 a 49% de óleo. A IAC-38 é anã, com ciclo de 200 a 220 dias, frutos deiscentes, com rendimento de 1500 a 2000 kg/ha, dando 40 a 41% de óleo. A guarany, média, tem ciclo de 160 a 180 dias, com rendimento de 1900 a 2 400 kglha, dando 46 a 47% de óleo. Seus frutos são indeiscentes, o que permite uma colheita única, manual, mas exige descascadeira especial. No Norte e no Nordeste, além das variedades citadas, são recomendadas a sipeal-9 e a sipeal-28. 

Clima e solo 
    Sendo uma planta de clima tropical e subtropical, a mamona desenvolve-se muito bem no Brasil. Precisa de chuvas regulares no início de sua vegetação e crescimento, e de períodos secos na maturação dos frutos. O mínimo de chuvas que exige é 400 mm durante o período vegetativo. Regiões muito úmidas favorecem o desenvolvimento de um fungo chamado botryptis, mais conhecido como mofo-cinzento. A temperatura ideal para o seu desenvolvimento é de 20 a 30ºC. Em clima temperado a planta se desenvolve, mas com uma produção de óleo prejudicada. Não suporta geadas, ventos fortes freqüentes e nebulosidade. O solo preferido é o mesmo que se presta à produção de milho, de boa topografia (inclinação não superior a 12%), com boa exposição ao sol, fértil, profundo e bem drenado. Os solos argilo-silicosos ou sílico-argilosos, com pH entre 6 e 7, são os ideais para a mamoneira, que é exigente também em termos de nitrogênio, fósforo e potássio e não produz bem em solos pobres e encharcados. 

Época de plantio 
    No início das chuvas, que pode ser entre setembro e novembro, no Sudeste e no Sul, e entre novembro e janeiro, no Nordeste. 

Semeadura 
    O ideal é colocar duas sementes por cova. O espaçamento varia conforme o tipo de solo e o porte da mamoneira. Para as de porte alto (IAC-80 ou sipeal-9 e 28), em solos menos férteis, o espaçamento deve ser de 1 m entre as plantas e 3 m entre as fileiras, com uma ou duas plantas por cova. Em solos férteis, o espaçamento se amplia para 3,50 a 4,00 m entre as fileiras, mantendo-se a distância de 1 m dentro da fileira e uma ou duas plantas por cova. Pode-se então utilizar a consorciação com culturas de milho, arroz, amendoim, feijão ou sorgo-vassoura. 
    Para as variedades de porte baixo, costuma-se dar um espaçamento de 1,50 m, entre as fileiras nos solos férteis, e 1,00 m nos menos férteis, com 0,50 m de distância entre as plantas. Colocam-se também duas sementes por cova, deixando, em caso de necessidade de desbaste, uma a duas plantas por cova. Para as mamoneiras de porte médio, como a guarany, o espaçamento recomendado é de 1,50 x 0,50 m ou 1,50 x 1,00 m. Em caso de cultura mecanizada, deverá ser necessariamente de 1,50 x 1,00 m. A necessidade de sementes é de 3 kg a 4 kg/ha para as variedades de porte alto, 12 a 15 kg para as de porte médio e 17 a 25 kg para as de porte baixo. O plantio pode ser também mecânico. Em ambos os casos a profundidade deve ser de 5 a 8 cm. No Nordeste, há experiências de plantio com espaçamento de 3,00 x 3,00 m, em covas de 5 a 6 em, com duas a três sementes por cova. o que representa cerca de 6 kg/ha sementes. A espécie recomendada no caso é a rajada, e esse espaçamento deve-se ao consórcio milho/feijão-macassar simultaneamente. 

Consorciação de culturas 
Consorciação de mamona com feijão    O milho pode ser plantado trinta dias depois da germinação da mamona, em três linhas distanciadas de 0,80 m no meio da rua, em caso de espaçamentos de 4,00 x 1,00 m. Nos espaçamentos de 3,50 x 1.00 m e 3,00 x 1.00 m, plantar só duas linhas de milho. São indicados os milhos híbridos. 
    O arroz é plantado em quatro linhas com 0,60 m de distância, no meio da rua de mamona, na mesma época do plantio desta, no caso de espaçamento 4,00 x 1,00 m. Nos outros espaçamentos, plantar só trés linhas de arroz, usando sempre cinqüenta sementes por metro. O arroz deverá ser de variedade precoce (120 dias). como O IAC-165. O amendoim também pode ser plantado na mesma época do plantio da mamona, em quatro linhas distanciadas de 0,60 m, no espaçamento 4,00 x 1,00 m da mamona, ou três linhas nos espaçamentos menores. Uma variedade recomendada é a tatu. Ainda na mesma época do plantio da mamona, pode-se semear em consórcio o feijão, em quatro linhas distanciadas 0,50 m, usando-se 12 a 15 sementes por metro, no espaçamento de 4,00 x 1,00 m da mamona. Nos outros espaçamentos, plantar só três ruas de feijão. Para a consorciação com o sorgo-vassoura, obedecer a mesma orientação dada para o plantio do milho. Na consorciação com feijão-macassar e milho, de acordo com recomendações da Emater-PE e do Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido (CPATSA), da Embrapa, a mamona é plantada com espaçamento de 3,00 x 3,00 m usando-se 6 kg/ha sementes. O milho é plantado no meio das fileiras de mamona (1,50 m de cada fila), com distanciamento de 0.50 m entre as covas, e também nas entre covas da mamona, com distância de 1 m. São necessários 10 kg de sementes. O feijão- macassar é plantado entre as filas de mamona e de milho, ficando portanto duas filas em cada rua de mamona, com espaçamento de 0,50 m entre as covas. São necessários 12 kg da variedade sérido-alagoano. O rendimento esperado dessa consorciação é de 700 a 900 kg de mamona, 1200 a 1600 kg de milho e 800 a 1000 kg/ha de feijão macassar. 

Tratos culturais 
    Deverão ser feitas duas a três capinas, com espaçamentos de 20 a 30 dias, de preferência amontoando-se a terra solta junto ao pé da planta. Depois disso, o próprio sombreamento da planta impede o crescimento de invasoras. Em caso de necessidade de desbaste, ele deverá ser feito aos 20 ou 30 dias depois da emergência, deixando-se uma a duas plantas por cova. 

Pragas e doenças 
Pragas e doenças da mamona
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    Normalmente poucos insetos atacam a mamoneira. Os que, podem provocar prejuízos à produção  o percevejo-verde (sugam o fruto, deixando as sementes chochas), mandarovã-da- mandioca (ataca as folhas), a lagarta-rosca (corta as plantas novas) e a lagarta- elasmo (que também corta as plantas novas, diminuindo o número de plantas por área). A doença mais freqüente é o mofo-cinzento, favorecido pelo calor e a umidade, que afeta tanto as inflorescências quanto os frutos, provocando o seu apodrecimento. A medida de controle recomendada é a escolha de variedades menos sujeitas a ele, como a guarany, e um espaçamento que permita a ventilação entre as linhas. A murcha-de-fusarium toma as nervuras secundárias da folha amarelas e depois marrons. Em seguida, as folhas, murcham e as hastes se desdobram. O fungo vem do solo e começa a atacar primeiro as flores mais baixas, chegando até a parte superior da planta. A medida de controle recomendada é a rotação de culturas. Outras doenças menos importantes são a podridão-do-colo, provocada por baixas temperaturas junto com a umidade excessiva do solo; a bacteriose da folha; as manchas de cercospora, e a podridão- radicular. 

Colheita 
    De maneira geral é feita quando dois terços dos frutos do cacho estiverem secos, completando a secagem no terreiro. Para as variedades deiscentes, a colheita deve ser parcelada em três a quatro vezes. No caso da IAC-80 e da IAC-38, a colheita deve obedecer ao seguinte cronograma: cachos primários (30% da produção) aos 150 dias, cachos secundários (50%) aos 190 dias, e cachos terciários (20%) aos 240 dias. As variedades indeiscentes têm uma única colheita, que ainda é feita manualmente, mas há possibilidade de mecanização havendo estudos do IAC nesse sentido. Para retirar os frutos dos cachos, pode-se fazer um penteamento, que consiste em passar esses cachos por um pente rústico, feito com pregos presos a uma ripa fixada á beira de um jacá. Os frutos devem ser estendidos no terreiro em camadas de 4 a 5 cm e mexidos várias vezes por dia, para a secagem uniforme, A tarde, devem ser enleirados e no dia seguinte esparramados novamente. É muito importante cobrir as leiras com encerado para proteger contra a chuva e o sereno.  

Beneficiamento 
    Nas variedades indeiscentes, a maioria dos frutos solta as sementes durante a secagem. Os que não se abrem devem passar por um beneficiamento, que é feito batendo-se os frutos secos com varas flexíveis, como se faz com o feijão, ou com descascadores de amendoim ou café. Quando o beneficiamento é feito com varas, é preciso peneirar as sementes.

 Armazenamento 
    As sementes são acondicionadas em sacos e estes empilhados em depósitos limpos, claros, arejados e secos. As pilhas devem estar sobre estrados de madeira, mantendo-se uma rua entre as paredes e a sacaria.  

Fotos
Mamona (Ricinus communis)

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