Dendê

    O dendezeiro (Elaecis guineensis L.) é uma palmeira originária da África, trazida para o Brasil pelos escravos, no século XVI, que se adaptou muito bem ao clima tropical úmido do litoral baiano. Seu principal produto é o óleo extraído do fruto (o óleo de palma), que a população brasileira acostumou-se a identificar com a culinária baiana. O dendê, uma das maiores fontes naturais de vitamina A, não serve apenas para isso. É considerado um dos mais perfeitos substitutos para o diesel, embora muito mais caro. Boa parte da produção é destinada ao uso industrial: para a fabricação de margarina (60 a 70% da produção mundial tem esse fim) e também na produção de velas, maionese, biscoitos, sorvetes, glicerina, pomadas e de certos tipos de aço. Sua produtividade é de 20 000 a 30 000 kg/ha, do qual se extrai 23% de óleo, ou seja, cerca de 5 000 L de óleo, (enquanto a soja dá 2500 kg de grãos, que rendem 500 kg/ha de óleo). Nenhum óleo alimentício alcança a produtividade do dendê: o de amendoim chega a 1200 kg/ha, o de oliva a 2 000 kg/ha. E o preço no mercado internacional é superior a 600 dólares por tonelada, o que significa que em 1 ha, só em óleo, conseguem-se 3 000 dólares por ano. 
Dendê - Elaecis guineensis    A renda do produtor é no mínimo 30% desse valor. segundo o agrônomo Édson Barcellos, coordenador do Programa Nacional de Pesquisa do Dendê, que considera essa cultura a melhor opção para a Amazônia. As vantagens não acabam aí: além de 230 kg de óleo, que saem da polpa do fruto, de 1 t de dendê obtêm-se também mais 30 kg de um óleo de palmiste, mais fino e mais caro que o próprio óleo de dendê; 30 kg de uma torta com 19% de proteínas, usada para ração e adubo; 65 kg de casca de amêndoa, para a fabricação de carvão ativado e fibra de freio. Sobram ainda as fibras e os cachos vazios, que servem como fonte de energia para a produção de óleo. Por fim, as cinzas resultantes são um adubo rico em potássio. 

Possibilidades no Brasil 
    A produção brasileira é muito pequena, de umas 20000 t anuais, e grande parte dos nossos dendezeiros são subespontâneos - nascem e crescem quase sem nenhum cuidado. Só recentemente procuram-se selecionar as áreas mais aptas, e implantar ou incentivar a implantação de dendezais por particulares. Assim, sabe-se que há na Bahia 2300 ha de áreas aptas para a produção de dendê e, na Amazônia, 50 milhões de hectares. Com 20 ou 30% dessa área plantada seria possível substituir todo o óleo diesel consumido no Brasil pelo de dendê. Alguns projetos estão sendo desenvolvidos na Amazônia, entre eles um financiado pelo Banco Mundial e executado pelo Estado do Amazonas, em Tefé, que prevê a entrega de 7 a 8 ha de dendezeiros em produção, por família. No Pará, que hoje produz 60% do dendê do Brasil (os 40% restantes são produzidos na Bania), há grandes empresas que se dedicam a essa cultura, como a Dendê do Pará S.A. (Denpasa), e ao mesmo tempo pequenos produtores, muitos deles já não tão pequenos: começaram com 7 ha (o que pode ser explorado por um casal com duas crianças acima de dez anos) e agora chegam a ter até 300 ha. Quase todos eles são da colônia japonesa, antigos plantadores de pimenta-do-reino. 

Problemas 
    Algumas dificuldades ainda existentes para a cultura do dendezeiro são o alto custo de sua implantação, a dependência da semente importada e a falta de tradição. Acontece que o dendê colhido tem de ser processado em 24 horas para não se deteriorar. Como ele não pode ser transportado a grandes distâncias, é necessário haver uma usina dentro da área produtora ou muito próxima. Com toda a infraestrutura necessária (usina para beneficiamento, casas para trabalhadores, máquinas etc.) cada hectare implantado cus- ta cerca de 1200 OTNs na Amazônia ocidental, 1000 OTNs na região de Manaus e 850 OTNs na região de Belém. A questão da importação de sementes (uma OTN compra dez a doze sementes) pode ser superada com pesquisas, que vêm sendo feitas com apoio da Embrapa. Estuda-se a produção de sementes híbridas com "caiaué" (Elaeis oleifera Cortes), uma espécie natural da Amazônia, produtora de um óleo excelente, resistente a doenças e que não cresce tanto quanto o dendezeiro, facilitando o trabalho de colheita. 
   O dendezeiro pode produzir até os 200 anos de idade, mas depois do 25 ano a colheita toma-se difícil, pois a palmeira cresce de 40 a 50 cm/ano (em 15 anos tem 7 m de altura) e um cacho de dendê pesa em média 25 kg. 

Variedades 
    Existem três que se podem distinguir pela espessura da casca da semente (coquinho ou amêndoa): dura, pisífera e tenera. A dura tem a casca com 2 a 6 mm de espessura, com fibras dispersas na polpa. A pisífera não tem casca entre a polpa e a amêndoa e não serve para a fabricação do dendê. A tenera é resultante do cruzamento da dura com a pisffera, tem casca de 1 a 2,5 mm de espessura e, por causa da grande quantidade de polpa e óleo, é a preferida para plantações comerciais. 

Clima e solo 
    O clima ideal para a produção do dendê é o de temperatura média mensal entre 25 e 28°C, mínima nunca inferior a 14°C, insolação bem distribuída, acima de 1500 horas anuais, e. chuvas acima de 2 000 mm/ano, bem distribuídas e sem períodos de estiagem (no máximo três meses com menos de 100 mm de chuvas). O dendê se desenvolve bem em vários tipos de solos mas evolui melhor nos profundos, em tomo de 1,50 m, ricos em húmus e elementos minerais, com pH 4,5 a 6,0, sílico-argilosos, bem drenados e, de preferência, planos ou ligeiramente ondulados. 

Produção de mudas 
    A germinação das sementes do dendezeiro demora de oito a dez meses e é muito irregular: no máximo, 60% das sementes germinam. O método mais utilizado para a germinação consiste em colocar as sementes em sacos plásticos transparentes, bem fechados, que são levados para uma sala com temperatura controlada de 38,5°C, variando no máximo 1° C, por um período de oitenta dias. Daí, vão para outros sacos plásticos, bem fechados, à temperatura de 25 a 27°C, à sombra. Uns vinte dias depois as sementes começam a germinar, Então retiram-se periodicamente as sementes que vão germinando. As sementes germinadas passam em seguida por uma fase de pré-viveiro que dura de três a quatro meses, colocadas em saquinhos de 15 x 15 em, com 1 kg de terra, mantidos em local sombreado, recebendo adubos periodicamente. Depois de eliminar as plantas defeituosas (5 a 10%), transferem-se as outras para sacos plásticos de 40 x 40 cm, com mais ou menos 2 a 3 kg de terra, colocados no campo em pleno sol, onde ficam entre oito e doze meses. A muda estará pronta para o plantio definitivo com cerca de 60 cm de altura e dez a doze folhas. De 220 sementes, conseguem-se em média 150 mudas boas, pois a seleção deve ser rigorosa, já que a planta vai produzir comercialmente de 20 a 25 anos. 

Plantio 
    O plantio deve ser feito de preferência em época bem chuvosa, com espaçamento de 9 x 9 m em triângulo, o que dá 143 plantas por hectare. Deve-se sempre plantar uma leguminosa de cobertura, para conservação do solo, controle de invasoras, fixação de nitrogênio e reciclagem de nutrientes. A leguminosa mais usada é a puerária, porém ela precisa ser mantida afastada do dendezeiro, porque é uma planta agressiva que se enrola no dendê, sendo necessários até nove coroamentos (limpezas do solo em torno do caule) por ano para evitar que isso aconteça. 

Consorciação 
    O Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido (CPA- TU), da Embrapa, no Pará, desenvolveu de 1981 a 1983 uma experiência de consorciação de milho/feijão-de-corda (caupi) num plantio de dendê.     
    O espaçamento do dendê foi o tradicional, de 9 x 9 m, em triângulos, o que dá 7,80 m entre uma rua e outra. Dois meses depois do plantio dos dendezeiros, plantaram-se, em meados de junho, onze ruas de feijão-de-corda, com espaçamento de 50 cm entre as linhas e 30 cm entre as plantas, com duas ou três sementes por cova. Isso no meio de cada rua de dendê. Foram gastos 35 kg/ha de semente. Em dezembro, depois da colheita, o material verde foi incorporado ao solo e, no início do ano seguinte, plantou-se o milho, em cinco fileiras com 30 cm de espaçamento, entre as fileiras de dendê, à distância de 1,90 m dos dendezeiros. Colhido o milho, plantou-se novamente o feijão-de-corda, em junho de 1982, agora só em dez linhas. Depois, em 1983, houve mais um plantio de milho em quatro ruas e mais um de feijão-de-corda em oito linhas, em seguida. No primeiro ano o resultado foi baixo, mas nos seguintes houve um excelente desempenho. Nos três plantios de feijão de-corda obteve-se a média de 1 000 kg/ha (os custos de produção foram equivalentes ao preço de 350 kg do feijão), e nos dois de milho a média foi de 3600 kg (o custo por hectare foi equivalente ao preço de 1500 kg). 

Pragas e doenças 
    Durante a fase improdutiva, um dos problemas mais sérios são os ratos-do-mato, que roem a planta, tentando chegar ao palmito, para comer. Normalmente são controlados com iscas comerciais. O dendezeiro pode ser atacado por insetos chamados Rhynchophorus palma rum, transmissores do nematóide causador da doença anel-vermelho, por lagartas-de-fogo, brocas e outras pragas. 

Colheita 
    A partir dos 3 anos, o dendezeiro começa a produzir. No quarto ano, produz em média 5 t/ha cachos (750 kg de óleo); no quinto ano, a produção de cachos é de 10 t/ha (1800 kg de óleo); no sexto ano é de 15 t de cachos (3 000 kg de óleo); no sétimo ano, 20 t (4 200 kg de óleo) e do oitavo ao vigésimo-quinto ano 25 t de dendê (5500 kg de óleo). Depois, a produção vai decrescendo. A colheita é feita durante o ano todo, com algumas variações mensais. No Pará, atinge o pico em maio, quando se colhe 12% da produção. O mês menos produtivo é o de novembro, com 4,5% da produção. Por causa dessa distribuição, o trabalho costuma ser feito por colonos, em caso de grande propriedade, e praticamente nunca por diaristas (bóias-frias), pois o trabalho é contínuo e permite a ocupação da mão-de-obra o ano todo, admitindo também um uso regular do equipamento de beneficiamento. 

Composição nutricional por 100 g 
544 calorias, 1,9 g de proteínas, 82 mg de cálcio, 47 mg de fósforo, 4,5 mg de ferro, 10 166 mmg de vitamina A, 0,20 mg de vitamina B1 0,10 mg de vitamina B2 e 12 mg de vitamina C. 
Óleo de dendê: 
882 calorias, 45 920 mmg de vitamina A.

Fotos
Colheita de dendê
Óleo de dendê

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