Tomate rasteiro

    Existem diversas variedades de tomate rasteiro (plantado sem tutoramento) para diferentes regiões do Brasil. Aqui será abordada apenas a C-38, desenvolvida pelo Centro, de Pesquisa Agropecuária doTrópico Umido (CPATU), da Ernbrapa,com sede em Belém. A C-38 é uma variedade importante por ter sido desenvolvida especialmente para o cultivo na época chuvosa da Amazônia (a região importa 95% do tomate que consome). A linhagem tem fruto tipo santa cruz, de até 50 g. A planta atinge 80 cm de comprimento, frutifica facilmente e em abundância no inverno amazônico e é altamente resistente à murcha-bacteriana e à ação de chuvas intensas. Segundo o agrônomo Simom Suhwen Cheng, o CPATU desenvolveu ainda uma tecnologia de produção adaptada à região,que reduz os custos em 50% e permite uma produção em tomo de 25 t/ha de tomate comerciável, com economia de 70% de mão-de-obra. 

Solo 
    Deve ser seco e bem drenado, emterreno inclinado ou em gleba mais elevada no terreno plano, onde não fique nenhuma poça de água após chuvas pesadas. 

Adubação 
    O preparo do esterco é feito três meses antes do plantio. A cultura exige 40 m3/ha de esterco bem curtido, sendo o melhor o de cama-de-granja, composto por serragem e esterco de aves. O composto deve fermentar por algumas semanas e ser usado quando a temperatura, que no processo de fermentação chega a 70°C, tiver descido para a do ambiente. O esterco de gado é aconselhável só quando bem curtido. O bom esterco é preto e solto. Cada planta recebe de 2 a 3 l de esterco na cova. Q tomateiro não deve ler contato direto com o esterco mal curtido, para evitar murchadeira-precoce, conhecida como talo-oco, causada pela bactéria Erwinia carotovora. 

Sementeira 
    A sementeira é feita em ambiente cercado com tela de náilon de malha fina e coberto com plástico. O piso é cimentado e inclinado para evitar poças de água. As caixas medem 40 x 40 x 15 cm, onde germinam até 700 mudas. O solo é composto de esterco puro e curtido, ou serragem curtida, misturado com 80% do solo do canteiro usado e fervido em camburão de 100 l de volume (com água até a altura do solo) por duas horas, com agitação periódica. E levado para as caixas, devendo estar à temperatura ambiente para o semeio. São abertos sulcos rasos de 5 em 5 cm, onde se colocam as sementes, na proporção de cinco por centímetro. Elas são cobertas com uma camada fina (0,5 cm) de terra e regadas. A caixa inteira é coberta com palha de arroz, que será retirada 72 horas depois. Quando não chover, é preciso uma rega por dia. As mudas  ficam na caixa por duas semanas, sendo repicadas para uma sementeira maior, onde cada muda é colocada em um copinho com solo esterilizado, rega-se diariamente, quando não chover. As mudas ficam no telado até completarem trinta dias. 

Plantio 
    A adubação com esterco, no campo, é feita pelo menos quatorze dias antes do transplantio, para evitar a morte das mudas. São necessárias limpeza, aração e gradagem. O solo é sulcado com distância de 140 cm para formar canteiros de 1 m, no centro dos quais são abertas covas de 30 cm de diâmetro, distantes 50 cm uma das outras, com 2 l de esterco curtido e misturado em cada uma. Uma estaca pequena é colocada como marcação em cada cova, para o plantio quatorze dias depois. As mudas são retiradas dos copinhos e transplantadas nas covas. Cobre-se o canteito com palha de arroz no sentido transversal, para evitar desmoronamento, e transmissão de doenças. A cobertura tem espessura de pelo menos 2 cm. Pode-se usar também capim seco como cobertura morta. E aconselhável forrar os espaços entre os canteiros para evitar capinas. 

Tratos culturais 
    É feita adubação de cobertura com 6 kg de esterco liquido/m2 a cada vinte dias. A queda das ramas nos sulcos de dreno pode ser evitada fincando-se estacas de bambu, de 50 cm, nos dois lados do canteiro. 

Pragas e doenças 
    As pragas que mais atacam são a cigarrinha, os pulgões, tripes e ácaros, contra as quais se usam inseticidas. Os ácaros podem provocar viroses, e os fungos, a destruição da folhagem. Evitam-se doenças não plantando o tomate rasteiro em campo com plantações velhas de tomate, pimentão, beringela e jiló. Neste caso, queimam-se as plantas velhas e doentes antes do plantio. 

Quebra-vento 
    Para evitar danos ao tomateiro, causados por chuvas e ventos fortes, são necessários quebra-ventos ao redor do tomatal, utilizando-se bambu, milho ou cana-de-açúcar caiana. 

Colheita 
    A maturação do cultivar C-38 começa oitenta dias depois da semeadura. O período de colheita é de vinte dias. São retirados os frutos que se tornam amarelos, com ponta vermelha. A produtividade é de cerca de 25 t/ha. O peso médio dos frutos é de 40 g. São muito resistentes ao transporte e ao manejo, e colocados em caixas comuns de tomate para comercialização. 

Ver também: Tomate - Plantio, clima, solo, variedades, pragas e doenças, tratos culturais, e composição nuticional.

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