Pimentão

    O Pimentão (Capsicum annuum L.) é uma planta da família das solanáceas (a mesma da batata. do jiló, tomate, berinjela e pimenta). Originário da América Latina. É encontrado em formas selvagens desde o norte do Chile até o México. E muito cultivado no Brasil, onde se desenvolve como arbusto anual, com 50 a 80 cm de altura, mas pode ser semiparente em condições especiais, sem doenças, e atingir até 1,80 m de altura. Seu fruto, se consumido verde e cru, é o mais rico em vitamina C entre as hortaliças: até 180 mg por 100 g de pimentão (em média, 140 mg). Isso representa muito mais que o limão e outras frutas cítricas, por exemplo, que têm em média 50 mg de vitamina C por 100 g de fruto, As maiores produções de pimentão, no Brasil, concentram-se em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. 
Clima e solo 
    Hortaliça tipicamente tropical, o pimentão cresce bem em clima quente e úmido, com temperaturas elevadas, mas com variação de 6 a 8°C entre o dia e a noite (uma boa variação é de 25 a 18°C, respectivamente). O solo preferido é o areno-argiloso ou argilo-arenoso. profundo. bem drenado, fértil e com pH de 5.5 a 6,8. 

Variedades 
   Há dois grupos de variedades cultivadas no Brasil: o cascadura e o quadrado. As mais cultivadas no Centro-Sul são do grupo cascadura, de formato cônico, desenvolvidas especialmente para resistir ao vírus Y, da batata. Entre estas, destaca-se o agronômico 10, obtido por cruzamento de seis variedades, incluindo a tradicional cascadura e uma pimenta. Outras variedades deste grupo são a cascadura gigante, cascadura Ikeda, Nádia, Magda, nata, são Carlos, guapiara, Avelar e Malu. Do grupo chamado quadrado, com pimentões mais curtos, quase cilíndricos, as principais variedades são as norte-americanas califórnia-wonder e yolo-wondere a paulista agronômico 9, esta também resistente ao vírus Y. Comparadas ao grupo cascadura, as variedades quadradas são em geral mais sensíveis às doenças. 

Propagação 
    As mudas são produzidas em copinhos de papel ou em sementeiras e, neste caso, transplantadas diretamente para o local definitivo. Não se aconselham repicagens, porque suas mudas ainda pequenas são muito sensíveis e não se recuperam. Em sementeira, plantam-se 2 a 3 g/m2 sementes (há 170 sementes por grama, em média) e são necessários 200 a 350 g de sementes para plantar 1 ha de pimentão. O padrão mínimo exigido para as sementes é de 60% de germinação. O plantio é feito em sulcos transversais distanciados 10 cm e com profundidade de 1 cm. 

Transplante 
    Deve ser feito quando as mudas tiverem cerca de 10 cm de altura e seis folhas definitivas. o que ocorre trinta a 45 dias depois da semeadura, devendo ser feita nessa ocasião a eliminação das. mudas suspeitas de ter virose ou outras doenças. Fazendo-se copinhos de jornal (como os para muda de tomate), há menor risco de transmissão de viroses, as plantas crescem mais rapidamente e a colheita se faz antes. Nas regiões de inverno frio, o plantio deve ser de agosto a outubro e nas de clima mais quente, durante o ano todo. O transplante para o local definitivo deve ser feito em covas com espaçamento médio de 80 x 40 em. Para variedades com período de produção mais demorado, recomenda-se espaçamento um pouco maior, de 100 a 120 em entre linhas e de 40 a 50 cm entre plantas. O plantio não deve ser muito profundo: a planta deve ficar na mesma altura em que estava, na formação da muda, em relação à superfície do terreno. 

Tratos culturais
    Em caso de falta de chuvas, deve ser feita irrigação todos os dias, com cuidado para não encharcar o solo. No local definitivo, é preciso irrigara cada três dias. Para que os frutos não toquem no solo (o que provoca o seu apodrecimento), recomenda-se fazer o tutoramento da planta, fincando-se ao seu lado uma estaca de 1,00 a 1,20 m e amarrando a planta à estaca. Recomenda-se também fazer uma desbrota, que consiste em retirar as brotações que aparecerem abaixo da bifurcação da haste principal. 

Pragas e doenças 
    A maioria das pragas e doenças que atacam o tomateiro pode atacar as outras plantas da família das solanáceas, em que se inclui o pimentão. No Centro-Sul, o principal problema para o cultivo do pimentão e de pimentas são as viroses, vindo a seguir alguns fungos que também atacam o tomateiro (alternária, estenfílio e fusário). Na Amazônia, há referências de ataques de paquinhas, grilos e pulgões ao pimentão. As principais doenças que atacam o pimentão são a podridão-do-colo, antracnose, cercosporiose, murcha-verticular, ferrugem. podridão-algodão, tombamento, mosaico Y, pústula bacteriana, que têm forma de controle diferente das doenças do tomateiro e requerem orientação técnica específica. É recomendável também orientação adequada para combater pragas e para corrigir o solo. 

Rotação de culturas 
    É sempre conveniente, feito com plantas que não sejam da mesma família. No Estado do Rio, a Secretaria da Agricultura indica como culturas recomendáveis para a rotação com o pimentão: espinafre, repolho, abobrinha, brócolos e feijão. Na Amazônia, pode-se fazer a rotação com melancia, alface, cenoura, nabo ou quiabo. 

Colheita 
    Os pimentões podem ser colhidos verdes ou maduros, 100 a 120 dias depois da semeadura. Em geral, comercializam-se os frutos verdes, quando estão com uma coloração verde-escura, firmes e com o máximo do tamanho que podem atingir (conforme a variedade, até 14 cm de comprimento, 8 cm de diâmetro e 200 g de peso). O fruto com coloração vermelha é utilizado para a produção caseira de picles. A colheita pode prolongar-se por 90 a 150 dias, com uma produção total de doze a quinze frutos por plantas, o que dá de 15 a 40 t/ha. Os pimentões são embalados em caixas tipo K, que comportam de oitenta a noventa pimentões do tipo cascadura, com peso médio de 13 a 15 kg. 
    O pimentão pode ser desidratado e moído, transformado em páprica, um condimento feito com pimentões vermelhos, mas essa indústria ainda é muito pequena no Brasil. Segundo levantamento feito pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Pau-lo (Ceagesp), no mercado. paulista o pimentão alcança maiores preços em dezembro e agosto. Os preços mais baixos são obtidos em janeiro, março e junho. 

Composição nutricional por 100 g 
    48 calorias, 2g de proteínas. 29 mg de cálcio, 61 mg de fósforo, 2,6 mg de ferro, 245 mmg de vitamina A. 0,12 de vitamina B1,  0,15mg de vitamina B2 e 140 mg de vitamina C.  
    Páprica (molho) - 331 calorias, 12,8g de proteínas, 87 mg de cálcio, 128 mgde fósforo, 8,7 mg de ferro, 470 mmg de vitamina A, 0,18 mg de vitamina B1, 1,20mg de vitamina B2 e 93 mg de vitamina C. 

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