Morango

    O Morangueiro (Fragaria X ananassa Duch.) é um híbrido das espécies F. Chiloensis com F. Virgilliana. É uma planta rasteira da família das Rosáceas (a mesma da pera, da maçã e do marmelo), de clima temperado, que cresce praticamente em qualquer lugar. Os produtores de regiões mais quentes usam alguns artifícios. Eles armazenam as mudas durante quinze ou vinte dias a 4°C, levando-as em seguida para o local de plantio. E originário das Américas (o F. chiloensis do Chile e o F. virginiana da América do Norte), embora haja também uma espécie europeia (Frascaria vesca L.) não cultivada aqui. O morango adapta-se bem do sul de Minas até o Rio Grande do Sul, mas pode ser plantado até no Cerrado. Tem a vantagem de ir para o mercado quando há poucas frutas à venda, na primavera, alcançando bons preços. Na indústria é usado principalmente na produção de geleias, iogurtes, sorvetes, balas, sucos, leite com sabor e até mesmo cosméticos. 

Solo e local de plantio 
    Os solos devem ser bem drenados, ricos em matéria orgânica e de boa constituição física. Dá melhor em solos profundos e bem arejados, de maneira que as raízes possam desenvolver-se e aproveitar bem os elementos nutritivos. O pH preferido é de 5,5 a 6,0. O terreno não deve ser sujeito a enchentes e, se forem encosta, a face escolhida deve ser voltada para a nascente do solou para o norte. 

Variedades 

    A escolha da variedade deve levar em conta a produtividade, a precocidade, a conservação e a resistência a pragas e doenças. A variedade mais plantada é a campinas, de alta produtividade, própria para o consumo natural. A lassen produz de 10 a 15% menos que a campinas, é menos precoce e demora cerca de dez dias a mais para ser colhida, mas é mais resistente a doenças, especialmente à mancha das folhas. Depois de colhida. conserva-se de 3 a 4 dias à temperatura ambiente. 
    As principais variedades industriais são a guarani e a konvoy-cascata. Esta última menos produtiva que a campinas e a lassen, mas extremamente resistente a doenças da folha. Se plantada corretamente, não é necessário usar agrotóxico. outras variedades menos recomendadas, por serem muito sensíveis a doenças são a tioga e a Alemanha. A, que servem tanto para o consumo ao natural como para uso industrial. Aconselha-se o cultivo de duas variedades ao mesmo tempo uma de alta produtividade e outra precoce. 

Plantio 
    Normalmente planta-se o morangueiro em canteiros com 15 a 20 cm de altura e 1,00 a 1,20 m de largura. Os espaçamentos mais usados são 30 x 30 cm e 30 x 35 cm (três a quatro linhas por canteiro). Em solos muito bons, em que a planta se desenvolve bem, pode-se usar espaçamento de até 40 cm. A época de plantio varia de fevereiro a maio, conforme o clima da região. No Rio Grande do Sul, planta-se em março-abril no Vale do Caí, abril e primeira quinzena de maio na região Farroupilha e em abril-maio na região de Pelotas; no sul de Minas, o plantio é recomendado para março-abril. Em geral pode-se dizer que o plantio em regiões mais altas e frescas é anterior (em fevereiro), e quanto mais baixa e quente for a região mais tarde será o plantio, podendo chegar até maio. Outro fator que determina a época de plantio é o preço das mudas. Em fevereiro, quando as matrizes das mudas estão em pleno período de desenvolvimento vegetativo, o que resulta em mudas mais vigorosas, as mudas custam o dobro do preço. É preciso fazer uma análise de solo para se avaliar a necessidade de correção, pois o morangueiro, além de matéria orgânica, é exigente em fósforo e potássio. A matéria orgânica, principalmente o composto, usado em tomo de 20 t/ha, supre dois terços dessas necessidades minerais. Só de fósforo, o morangueiro consome em média 250 kg/ha e, com adubação orgânica, 80 kg. 
    O agrônomo Nasser Youssef Nasser, contrariando algumas orientações, plantou morango em Cachoeiro de Itapemirim (ES), à altitude de apenas 40 m, tirando as mudas de morangueiros próprios, sem obedecer a nenhuma exigência de período frio. O plantio foi feito em março, com adubação exclusivamente orgânica e sem usar plásticos para a cobertura: usou casca de arroz, que, segundo ele, espanta as pragas. O pique da produção foi em julho-agosto, atingindo a média de 350 g por pé, enquanto a média dentro dos critérios técnicos comuns é em tomo de 300 g, havendo regiões produtoras com médias menores, de 210 g por planta (12,6 t/ha), na região da encosta sudeste do Rio Grande do Sul. 


Multiplicação

    As mudas normalmente são obtidas de viveiristas que adquirem matrizes oriundas de cultura de tecidos na Embrapa-Pelotas, outras instituições oficiais ou produtores credenciados. Para multiplicar as mudas na propriedade, as recomendações são de que os morangueiros com essa finalidade sejam plantados à distância de pelo menos 500 m dos destinados à produção de frutos. O plantio é feito em setembro ou outubro, e a retirada de mudas em fevereiro-março. O preparo do solo deve ser o mesmo que é feito para os morangueiros para a produção, mas o espaçamento é de 2 x 1 ou; de preferência, 2 x 2 m. Para a multiplicação não é preciso levantar o canteiro nem usar cobertura plástica, e convém eliminar as flores semanalmente, para obter maior produção de mudas. 

Tratos culturais 

    O controle de invasoras é essencial. porque o morangueiro sofre muito com a concorrência. Como a raiz do morangueiro nasce da coroa, na parte superior, bem junto ao solo, e o seu sistema radicular se renova constantemente, a capina não é recomendável, porque as novas raízes seriam prejudicadas. Portanto, recomenda-se a cobertura morta (palha) ou plástico preto, opaco. A cobertura morta de no mínimo 5 cm é mais barata, mas afirma-se que ela aumenta o grau de apodrecimento dos frutos. Por isso, O plástico, com furos de 6 em de diâmetro por onde sai o morangueiro, é muito usado, acreditando-se que ele diminui o apodrecimento e toma o amadurecimento mais igual. A colocação é feita trinta dias depois do plantio. 
    Na época da produção, o morangueiro exige grande umidade do solo, por isso recomendam-se irrigações frequentes. 

Pragas e doenças 

    O ácaro e os pulgões são as principais pragas do morangueiro. Mantendo-se uma faixa limpa de 3 m ao redor da lavoura, essas pragas, de pouca mobilidade, dificilmente chegarão às plantas. A umidade e a temperatura elevadas facilitam o seu aparecimento. Se as pragas atingirem poucas plantas, a recomendação é que estas sejam eliminadas. E importante manter as "joaninhas", que se alimentam de pulgões. As doenças são mais graves em climas quentes e úmidos. As mais comuns são a micosferela, a escaldadura e a diplocarpon, que atacam as folhas; a botritis (podridão-do-morango) e a antracnose atacam os frutos e a coroa. 
    O controle mais recomendado é a escolha de local bem arejado e sem excesso de umidade para o plantio, e o uso de mudas sadias. Se houver ataques a morangueiros, descartar o material afetado, se o ataque for às folhas, retirar as atingidas. 

Rotação de culturas 

    O morangueiro é uma cultura anual e, completado o ciclo, deve ser retirado do terreno. Não se recomenda seu replantio em seguida no mesmo local. Ele deve ser substituído por alho ou cebola. E importante não plantar, no mesmo terreno, morango antes ou depois de plantar solanáceas, para evitar viroses e ataques de fungos às raízes. As solanáceas são mais de 2 000 espécies, entre as quais o tomate, a batatinha, o pimentão, á pimenta, o fumo, o jiló e a berinjela. 

Colheita 

    A colheita inicia-se sessenta a oitenta dias depois do plantio, de dois em dois dias, sendo mais prolongada quando o clima é mais frio. Cada variedade tem um momento certo para o início da colheita, começando, em geral, quando o fruto tem dois terços de coloração vermelha, no inverno, e metade de coloração vermelha no verão. A colheita é feita sem que se toque no fruto, corta-se o talo com a unha ou o dedo e coloca-se imediatamente o fruto à sombra, a comercialização deve ser imediata. Para conservação por poucos dias, a fruta deve ser colocada em câmara fria, de 2 a 4ºC. A conservação por período longo deve ser por congelamento, com temperatura de 15°C abaixo de zero. A embalagem para venda no mercado consumidor é feita em caixas de 250 e 500 g. envoltas em filme de polietileno, ou de 1 kg, protegidos por papel impermeável. Para o transporte cobrem-se as embalagens apenas com papel manilha, pois se for usado filme de polietileno, os frutos apodrecem mais rapidamente. O filme é colocado no centro consumidor pelo varejista. Para indústrias. Poderão ser usadas caixas de 7 a 8 kg, com altura máxima de 10 cm. 

Composição nutricional por 100 g 

     36 calorias, 0.8 g de proteínas, 29 mg de cálcio, 29 mg de fósforo, 1 mg de ferro, 3 mmg de vitamina A, 0.03 mg de vitamina B1, 0,04 mg de vitamina B2 e 70 mg de vitamina C. 

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