Chuchu

    O chuchu (Sechium edule SW.), hortaliça provavelmente originária da América  Central, de onde teria se difundido por diversos países de clima quente e até mesmo temperado, já teve muito pouco valor econômico no Brasil. Houve tempo em que era  destinado, quase que exclusivamente, para  alimentação animal, mas aos poucos começou a ganhar importância na mesa dos brasileiros, a tal ponto que, em 1981, já ocupava o quinto lugar entre as hortaliças mais  comercializadas no país, com volume médio superior a 500 t/dia. 

Altamente  nutritivo 
chuchu (Sechium edule    fonte de vitaminas A, B e C,  sais minerais e aminoácidos o chuchu  é recomendado para as pessoas em dieta  ou que precisam de alimentos de fácil digestão e, ainda, para quem tem pressão alta. O principal produtor brasileiro é o  estado do Rio de Janeiro, que contribui  com cerca de 30% da produção nacional,  vindo a seguir São Paulo, Pernambuco,  Minas Gerais e Paraná. 

Clima e solo 
    As temperaturas mais indicadas para o chuchuzeiro vão de 13 a  27°C. Temperaturas mais altas provocam  a rotação em excesso e a queda das flores  e frutos; mais baixas, prejudicam a produção. A planta é bastante sensível às  geadas. Em tomo de 1.000 m de altitude,  atravessa bem o verão, produzindo o ano  todo, como acontece nas serras e grotões  úmidos do Rio de Janeiro e do Distrito  Federal. Perto de Brasilia, chega-se a  produzir 140 tha/ano. Os ventos podem  quebrar as ramas e as brotações novas ou  a queda dos frutos ainda pequenos, diminuindo a produtividade. Por isso, recomenda-se o plantio de árvores, que atuem  como quebra-ventos. Os solos mais adequados para o chuchuzeiro são os mais  soltos, areno-argilosos, ricos em matéria  orgânica e de boa fertilidade. Ele não suporta excesso de água no solo, que deve  ser bem drenado e fácil de irrigar. Usam-se com freqüência os solos de baixadas  com boa drenagem, de maneira que não  haja perigo de encharcarnento.  

Plantio 
    Apesar de pertencer à mesma  família da abóbora, moranga, pepino, abobrinha, melancia, melão e maxixe (as cucurbitáceas), que são culturas anuais, o  chuchuzeiro é uma planta perene, que pode ser cultivada o ano todo e produz continuamente, a não ser do Rio Grande do  Sul até São Paulo, onde tem ciclo anual,  por causa do frio. Nos demais estados, o  cultivo durante o período seco depende da  possibilidade de irrigação, e, no período  chuvoso, de drenagem. As épocas mais  recomendadas para o plantio são de outubro a fevereiro nos Estados do Sul e São  Paulo; de agosto a março no restante do  Sudeste e no Centro-Oeste; e no ano todo  no Nordeste (se houver irrigação) e no  Norte. O espaçamento recomendado é de  5 x 5 m até 7 x 7 m. Os adubos orgânicos  devem ser espalhados com uniformidade  pelo terreno, e os minerais caso sejam  necessários em círculo de 60 cm em torno das covas de 50 a 60 cm de boca e 30  a 40 cm de profundidade. As mudas são  preparadas simplesmente pela seleção de  frutos bem formados e vigorosos, que devem ser colocados em lugar seco, ventilado e sem incidência de luz direta. Em  duas semanas inicia-se a/sua germinação  e, quando o broto atingir 10 a 15 cm de  altura, a muda estará pronta para ser levada ao campo. O plantio se faz apenas  com a colocação da muda sobre o terreno  preparado. Em contato com o solo, as raízes se desenvolvem rapidamente.  

Polinização 
    Para conseguir boa produtividade, é necessária a presença de abelhas que façam a polinização. Nesse aspecto, tem-se verificado a maior participação da abelha irapuá (nativa e sem ferrão) do que da Apis mellifera, (espécie da  qual as mais conhecidas são a africana e  as européias) nos chuchuzais. 

Tratos culturais 
    A parte mais cara da  produção do chuchu é a construção da latada (ou caramanchão), uma trama de  arames a 1,80 m de altura, apoiada em  mourões e suportes, para a condução do  chuchuzeiro trepadeira que chega a ter  15 m de rama. Para 1 ha, usam-se 150  mourões esticadores, 1.000 postes de suporte, 1.200 m de arame liso, fio n° 14 ou  16, Os espaçamentos entre os mourões é  de 9 x 9 m e, entre os postes, de 3 x 3 m.  Com o fio 12 faz-se a malha 50 x 50 cm,  tudo a 1,80 m de altura, para facilitar a  locomoção embaixo. A latada deve estar  pronta 60 dias depois do plantio. Outro  trato necessário é a retirada das ramas e  folhas secas e a amarração dos novos brotos que surgem na planta, perto do solo.  Como as raízes do chuchuzeiro são pouco  profundas (20 cm de profundidade), a  planta é muito sensível à falta de água e  pode precisar de irrigação numa fase do  ano. A cobertura morta diminui a necessidade de irrigação e melhora as condições  de produção. 


Pragas e doenças 
    As pragas raramente conseguem provocar grandes danos ao chuchuzeiro. Ramas e frutos são atacados  por brocas, e as folhas por ácaros. O controle, da broca é feito por meio de podas e  queima das partes atacadas. O uso de inseticidas não é necessário, nem aconselhável, porque a produção de frutos depende de abelhas para a polinização das  flores. A cultura apresenta problemas filossanitários. As principais doenças são: oídio, favorecida por tempo seco, que  chega a provocar grandes prejuízos; a antracnose, por chuvas ou irrigações excessivas, alta temperatura e alta umidade relativa do ar; a mancha-das-folhas, que se  desenvolve em temperatura amena e alta  umidade relativa do ar, e os nematóides  de galhas. 

Colheita 
    O chuchuzeiro dá seus primeiros frutos em ponto de colheita de 90  a 120 dias depois do plantio. A melhor  época para colhê-los é aos 14 dias depois  da abertura das flores, quando eles têm de  200 a 300 g e estão tenros. São necessárias duas a três colheitas por semana, para  evitar que o chuchu passe do ponto. Começa-se a colher a partir dos quatro meses e continua-se colhendo por 6 a 7 meses, o rendimento médio é de cerca de 60  t/ha/ano nos principais estados produtores (RJ e SP), mas em outros lugares, há  chuchuzeiros de até sete anos, sem renovação, que dão até 30 t/ha/ano. No litoral, onde são renovados anualmente, o  rendimento chega a pouco mais de 60  t/ha/ano. 

Classificação e embalagem 
    Por tamanho, as classes são as seguintes: graúdo,  com 12 cm ou mais de comprimento e 5 a  10 cm de maior diâmetro; miúdo, de 7 a  menos de 10 cm de comprimento e menos  de 5 cm de diâmetro. Na classificação por  tipos, o tipo extra é aquele que tem no  máximo 5% de frutos com defeitos; o especial, 5 a 10%; o tipo três, 10 a 20%; e  o tipo quatro, até 30%. Os defeitos geralmente são deformações, manchas, ferimentos, doenças ou pragas. As embalagens mais comuns são as caixas K. A caixa deve conter só frutos da mesma classe  (tamanho), com indicações da classe, tipo  de fruto e nome do produtor.  

Composição nutricional por 100 g 
    31 calorias,  0,9 g de proteínas, 12 mg de cálcio, 30  mg de fósforo, 0,6 de ferro, 2 mmg de  vitamina A, 0,03 mg de vitamina B1, 0,04 mg de vitamina B2 e 20 mg de vitamina C. 

Fotos
Cultivo de chuchu

Referências
LOPES, J. F. OLIVEIRA, C. A. da S. FRANÇA, F. H. CHARCHAR, J. M. MARISHIMA, N. FONTES, R. R., A cultura do chuchu,  Brasília, DF: EMBRAPA-SPI; Embrapa Hortaliças, 1994.

1 comentários :

  1. Bom dia, como consigo um projeto para fazer a construção da latada ?

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