Batata-doce

   A batata-doce (Ipomoea batatas (L.) Larn.), muito rica em carboidratos e açúcares, originária da América do Sul, é uma das principais hortaliça cultivada no Nordeste brasileiro e do país. É uma planta fácil de cultivar, de baixo custo de produção e muito adaptável a diversas condições. Seu caule rastejante atinge de 2 a 3 m de comprimento e a rama, verde ou arroxeada, tem folhas em forma decoração ou ponta-de-lança. Nos primeiros 10 cm de solo estão as raízes superficiais. A raiz principal e algumas secundárias atingem maior profundidade. Na fase reprodutiva, a planta dá flores lilases ou arroxeadas. Para a alimentação humana a batata-doce pode ser cozida, assada ou frita. As ramas (10 a 15 cm de suas pontas) também são comestíveis. Na indústria, é matéria-prima para doces enlatados, para extração de amido e pode ser usada para a produção de álcool carburante. Na alimentação animal, a raiz (batata) e a rama podem ser usadas na forma natural picada, ensilada, ou na forma de farinha seca, principalmente para bovinos e suínos. A batata pode também ser componente de rações para esses animais. 

Variedades 
    As mais comuns do Brasil, consideradas de mesa, têm película externa branca, rosa ou amarelada, e a oloração da polpa pode ser branca, creme ou amarelada. As mais cultivadas são a monalisa (polpa cor de salmão), a jacareí, a vineland bush, a peçanha rósea, a santa sofia e a peçanha branca, esta última menos produtiva. O Centro Nacional de Pesquisa de Hortaliças (CNPH) da Embrapa, indica algumas variedades específicas para determinadas regiões. Para o Amazonas, região de Manaus, há a balão, a três quinas e a jambo; para Minas Gerais, a gonçalves, a variedade-14, a arroba, a peçanha rósea e a peçanha branca; para o Rio de Janeiro, a rosinha do verdan; para São Paulo, a napoleão, amonalisa e a jacareí; para a região de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a americana e a rama roxa; para Sergipe, a ourinho e a batata salsa e, para o Distrito Federal, a coquinho, a brazlãndia branca e a brazlândia roxa. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) recomenda para São Paulo as variedades de mesa rnonalisa e IAC-271. As variedades industriais têm polpa amarela, salmão e roxa, e o IAC indica, entre estas, a SRT-278 (centenial). As variedades forrageiras mais plantadas são a SRT-252 e a IAC-iraí. Esta última é mais produtiva, mas tem ciclo tardio (sete meses). 

Clima e solo 
    Prefere clima quente, com temperaturas noturnas e diurnas superiores a 20°C. Desenvolve-se mal em temperaturas muito baixas ou onde a temperatura do solo é inferior a 10°C, chuvas de 500 a 750 mm, bem distribuídas durante o ciclo da cultura, lhe bastam. A batata-doce não é exigente em solo, mas desenvolve-se melhor em solo leve, solto, permeável e quente, arenoso ou areno-argiloso, com pH 5,6 a 6,5. Devem-se evitar terrenos muito compactos, pedregosos ou sujeitos a encharcamento. Pouco exigente em nutrientes, normalmente é plantada sem maiores cuidados, só com a fertilidade natural do solo. Pode-se usar esterco de curral e fosfato natural moído,este último três meses antes do plantio. Excesso de nitrogênio é prejudicial. 

Plantio 
    A propagação pode ser feita por meio de brotos destacados, batatas brotadas ou ramas novas ou em viveiros. A formação do viveiro deve ser feita de junho a agosto, e cada 100 a 150 kg de raízes fornecem ramas para o plantio definitivo, de outubro a janeiro, de 1 ha. O método de plantio em viveiro é o mais recomendado, utilizam-se batatas pequenas (de 80 a 150 g) com espaçamento de 1,50x 0,50 m. Cerca de 100 a 120 dias depois, as ramas podem ser cortadas para o plantio. E depois mais duas vezes, com intervalos de sessenta dias. Cada batata plantada dá em média vinte ramas. A melhor época para o plantio definitivo é a da metade do período chuvoso, geralmente de novembro a janeiro, nos Estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. No Nordeste, o plantio deve ser feito no início da estação chuvosa ou em qualquer época do ano, se houver irrigação e a temperatura não baixar muito. O plantio deve ser feito em leiras ou camalhões (elevações limitadas por regos), de 0,30 a 0,40 m de altura e com distanciamento de 0,80 a 1,00 m. O espaçarnento entre as plantas pode ser de 0.25 a 0,40 m. Para industrialização ou forragem, os espaçamentos devem ser maiores: 1,00 x 0,35m; 0,90 x 0,40 m; ou 1,20 x 0,30 m. As ramas retiradas para o plantio com oito a dez entre nós (cada entre nó corresponde a uma folha), devem ser deixadas à sombra,por um ou dois dias para murchar, evitando-se que se quebrem. Depois, são colocadas sobre a leira transversalmente e enterradas pela base ou pelo meio, com um pedaço de pau. Devem-se enterrar três ou quatro entre nós . Se for enterrado apenas um ou dois, deverão surgir batatas grandes e poucas. Com muitos entrenós enterrados, a produção é de muitas batatas, mas pequenas. 

Tratos culturais 
    São necessários reparos nos camalhões e capinas. A irrigação deve ser maior na fase inicial do crescimento vegetativo das ramas plantadas, até que cubram o terreno (duas vezes por semana). Durante a formação das batatas, a irrigação deve passar a urna vez por semana, dos vinte aos quarenta dias aproximadamente, e daí até a colheita uma veza cada duas semanas. 

Pragas e doenças 
    É uma cultura muito resistente e rústica. A principal praga é a broca-da-batata-doce, uma larva de besouro que quando ocorre pode tomar as batatas imprestáveis para o consumo humano ou mesmo animal. Outras pragas que atacam as raízes são a vaquinha, também chamada bicho-alfinete, e a broca-do-coleto, urna larva de mariposa. Pragas de importância menor são os besourinhos, os pulgões, o bicho-de-bolo, a cigarrinha, a lagarta-rosca, a larva-arame, as lagartas-da-folhagem e os ácaros, que não chegam a causar grandes prejuízos. Para o combate às pragas, recomenda-se plantar variedades resistentes a insetos do solo (como a variedade brazlãndia-roxa); a rotação de culturas com tomate, cebola, cenoura, trigo ou arroz, por dois ou três anos; usar ramas sadias como mudas;  fazer amontoas bem feitas; colher a batata-doce antes de 130 dias depois do plantio; e não deixá-la armazenada por mais de trinta dias. As informações sobre doenças são poucas, havendo referências à antracnose, cercos poriose, enfezamento, ferrugem-branca, ferrugem-das-folhas, mosaico, murcha-fusariana, podridão-mole, podridão-negra, podridão-do-pé,  podridão-superficial e sarna. 

Colheita 
    Quando a parte aérea murcha e se torna amarela é época de colher, 100 a 110 dias depois do plantio, no caso de variedades precoces, e até 180 dias para variedades tardias. Quanto mais tempo a batata-doce ficar no solo, maior a possibilidade de ataque de pragas e doenças, Se for para a indústria ou forragem animal, pode ser colhida um pouco mais tarde, quando está maior. Na véspera da colheita, eliminam-se as ramas. Depois de colhidas, as batatas ficam de trinta minutos a três horas para secar ao sol. Devem-se evitar ferimentos no processo de colheita e também que as batatas fiquem expostas ao sol por tempo excessivo. Deve-se também colher apenas a quantidade necessária, deixando as outras no solo, onde podem ficar por mais algum tempo (até meses, desde que não chova muito nem haja ataque de pragas).
    Num galpão, as batatas são lavadas, selecionadas, classificadas e embaladas, se forem para a comercialização a curto prazo. Se tiverem de ser armazenadas, é melhor que não sejam lavadas, porque a água as prejudica. Depois de embaladas, em caixas tipo K, que comportam em média 27 kg, as batatas devem passar por urna cura de quatro a sete dias, num ambiente de 28 a 30°C e com umidade relativa do ar de 85 a 90%. As batatas preferidas no mercado são as de 13 a 15 cm de comprimento e cerca de 6 cm de diâmetro. A classificação nas grandes cidades considera do tipo extra, A as batatas de 300 a 400 g, extra as de 200 a 300 g, especial as de 150 a 200 g, e tipo "diversas" as com mais de 400 g ou menos de 150 g. Uma plantação comercial dá uma produtividade média de 20 a 30 t/ha. 

Produção e produtividade 
    A maior produtividade média é conseguida em Santa Catarina (15,3 t/ha) e a menor Rio Grande do Norte (7 t/ha). No Rio Janeiro, a média de 15,7 t/ha.

Composição nutricional por 100 g
Batata doce cozida: 97 calorias, 1,1 g de proteínas, 26 mg de cálcio, 31 mg de fósforo, 0,8 mg de ferro, 252 mmg de vitamina A, 0,09 mg de vitamina B1, 0,03 mg de vitamina B2 e 26 mg de vitamina C. 
Frita: 368 calorias, 2,7 g de proteínas, 65 mg de cálcio, 78 mg de fósforo, 2,10 mg de ferro, 630 mmg de vitamina A, 0,23 mg de vitamina B1, 0,08 mg de vitamina B2 e 65 mg de vitamina C. 
Doce caseira: 235 calorias, 0,6 g de proteínas, 13 mg de cálcio, 16 mg de fósforo, 0,40 mg de ferro, 120 mmg de vitamina A, 0,05 mg de vitamina B1,  0,02 mg de vitamina B2, e 13 mg de vitamina C. 
Folha: 49 calorias, 4,6 g de proteínas, 158 mg de cálcio, 84 mg de fósforo, 6,2 mg de ferro, 975 mmg de vitamina A, 0,10 mg de vitamina B1 0,28 mg de vitamina B2 e 70 mg de vitamina C.
Fotos


0 comentários :

Postar um comentário

 
Lider Agronomia - Todos os direitos reservados. | Política de Privacidade | Template Clean, criado por Tutoriais Blog .