Azeitona

    A Oliveira (Olea europaea L.) é uma oleácea originária da região mediterrânea, e os frutos comestíveis fornecem o óleo conhecido mundialmente como azeite de oliva. O tronco grosso e tortuoso, com galhos e folhas acinzentados, atinge até 15 m de altura. As flores brancas podem ser ou não hermafroditas. São diversas as variedades de oliveira, umas próprias para a produção de azeitonas, destinadas ao consumo em espécie, e outras mais propícias à produção de azeite. Planta típica de clima subtropical, no Brasil é produzida no Rio Grande do Sul, no Paraná e na cidade mineira de Maria da Fé, onde os técnicos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) pesquisam seu cultivo há anos. 

Clima e solo
Azeitona, Olea europea    A distribuição das chuvas é importante para uma boa produção, sendo ideais o verão seco e o inverno úmido. A temperatura média anual apropriada varia entre 15 e 20°C, e a mínima não deve ser inferior a 7°C. As geadas leves durante as floradas não afetam a produção, mas os ventos fortes, principal mente durante a fecundação e a maturação, são prejudiciais. Os solos ideais são  de consistência média, frescos e permeáveis, calcários, sílico-argilosos, arena-argilosos e graníticos. 

Propagação e plantio
    A reprodução  da oliveira é feita por meio de sementes,  estacas ou enxertia. Um método que gera  plantas sadias, por baixo custo, é o de  multiplicação por toletes (pedaços de raízes já adultas), obtendo-se mudas de pé-franco. A planta demora de dez a doze  anos para produzir comercialmente. Esse  método é utilizado em Portugal, Espanha,  Itália e Grécia, onde há muitas matrizes  centenárias que podem fornecer milhares  de toleres sem prejudicar as árvores.
OliveiraEnxertia de oliveira    No Brasil e em outros países de cultura mais  recente, usam-se outros métodos, principalmente de multiplicação por enxertia. O  processo de enxertia da oliveira não é como o de outras plantas, porque a oliveira  recebe os elementos nutritivos e não manda de volta para o porta-enxerto a seiva  elaborada. Então, o porta-enxerto definha  e morre pouco depois de transplantado .  Por isso, a muda enxertada de oliveira  tem de ser enterrada mais fundo que as  outras: o ponto de enxerto deve ficar 10 a  15 cm abaixo do solo. Em um ano, nascem raízes da oliveira que saem do ponto  de enxertia,  enquanto o porta-enxerto.  sem ar e sem luz, morre e desaparece. A  oliveira, que se comporta como parasita  quando enxertada, acaba virando um pé-franco, isto é, como se tivesse sido plantada diretamente no solo e não enxertada. 
     Há vários processos de enxertia, e o que  dá resultados mais rápidos é o murayama,  que faz a oliveira começar a produzir com  2 anos. A produção a nível comercial começa aos 5 ou 6 anos, o que representa  uma economia de cinco ou seis anos em  relação aos outros métodos. O porta-enxerto utilizado é uma planta ornamental  usada para cercas-vivas ou como árvore  de sombra, chamada ligustro (Ligustrum ovarifolium Hassk.) O tipo de enxertia  utilizado é o de garfagem lateral. A estaquia é feita em junho-julho, quando se  colocam as estacas de ligustro, com 40  cm de comprimento, em terreno prepara do, com espaçamento de 100 x 20 cm, ou  em jacá. O ponto de enxertia fica a 6 cm  do solo e o decote do porta-enxerto (o  corte) do cavalo deve ser feito 20 cm  acima do enxerto, com 10 cm de ponteiro  para enxerto. O transplante se faz 1 ano  depois, para covas de 60 x 60 x 60 cm,  de modo que o ponto de enxertia fique 10 cm abaixo do nível do solo, sobrando,  portanto, 10 cm do porta-enxerto (que foi  cortado 20 cm acima do ponto de enxertia) fora do solo. O espaçamento entre as  plantas é 10 x 10 m. Dessa forma, o ligustro continua vegetando junto com a  oliveira e até passando para ela a seiva  bruta. Assim, a oliveira recebe mais "alimento" - uma garantia de sobrevivência. Mas como o porta-enxerto continua  vegetando junto, é preciso fazer desbotas  temporárias para que ele não a domine. 
    Um método, de enxertia mais simples,  embora menos garantido, é o gaúcho, que  consiste em cortar o porta-enxerto 5 cm  acima do solo, em dezembro (as estacas  de ligustro devem ter sido plantadas em  junho ou julho), e fazer-se a enxertia por  garfagem de topo, com ponteiros de 1  ano, cobrindo-se o enxerto com terra. Em  junho ou julho do ano seguinte, transplantam-se as mudas enxertadas para jacás, laminados ou latas, que são depositados à sombra de árvores ou em ripado. Com um ano e meio, quando atingem 50 a 80 cm, as mudas vão para o local definitivo, enterrando o ponto de enxertia de  10 a 15 cm. Com esse método, a oliveira  produz entre 6 a 8 anos, mas podem ocorrer muitas falhas, por morte das mudas  causada por doenças ou pela morte prematura do porta-enxerto, antes que a oliveira tenha se enraizado. O processo paulista é igual ao gaúcho, com a diferença  de que o enxerto é lateral, em T. 

Variedades 
variedades de azeitona    Para produção de azeite,  as melhores são: arbequina, canino, frantoio, maurino e pazzo, para conserva: alto d'oro, ascolana, carmelitana, cuco,  manzanilha, bela-de-espanha, santo agostinha entre outras. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) selecionou a grappolo 541 para a  produção de azeite. 

Consorciação
     É comum o cultivo da  oliveira com outras culturas como o feijão, a fava, a ervilha, a soja, o amendoim, o milho, o tomate, a batata e o trigo, que devem ficar afastados 1 m dos  pés de oliveira. 

Polinização
    Convém misturar, em  um mesmo pomar, três ou mais variedades para haver polinização. São aconselháveis como polinizadoras a Manzanella  e a arbequina. 

Tratos culturais
   Resumem-se em limpeza de terreno, adubações pra corrigi-la  e podas de formação e de frutificação. 

Pragas e doenças
    A praga que mais  ataca o oliveiral é a cochonilha; as outras  são a galha-dos-troncos, moscas e brocas.  As doenças são a tuberculose, provocada  por uma bactéria que ataca os caules, a  fumagina, ocasionada por um fungo que  ataca folhas, talos e caules, e o oídio. 

Colheita e rendimento 
Azeitona verde    A colheita é  feita manualmente. Quando a produção se  destina ao preparo de conservas, as azeitonas são colhidas antes de começarem a enegrecer, para obtenção de azeitonas verdes; e completamente maduras, para azeitonas pretas. O azeite de cor verde-claro e de fraca acidez exige azeitonas colhidas antes da maturação; para azeite de cor amarelada e mais ácido, usam-se azeitonas bem maduras. Em escala comercial, as oliveiras só começam a produzir cinco anos após o plantio. Há plantas que chegam a produzir, anualmente,200 kg de azeitonas.
    A oliveira é uma árvore milenar, com longevidade comprovada pelas árvores do Horto das Oliveiras, em Jerusalém, que têm mais de 2000 anos. A grappolo  541 produz, em média, 20 kg/planta/ano. Portanto, com o plantio de 100 plantas/ha, a produção será de 2 t/h/ano.

A conserva
Azeitona em conserva
    A azeitona, quando colhida, é adstringente e amarga. Um método caseiro para fazer conserva de azeitonas verdes consiste em colhê-las quando estão bem desenvolvidas, começando a mudar de cor, e proceder da seguinte forma: a) guardá-las a recipiente de água bem limpa durante 40 ou 50 dias, renovando-se a água diariamente; b) colocar as azeitonas durante 9 dias em salmoura preparada com 35 g de sal em água; c) colocar, em seguida, durante 17 dias, em salmoura com 80 g/l de sal em água; d) a partir daí, deixar por tempo indeterminado (até quando se quiser usarias) em salmoura com 100 g/l de sal em água. 

Composição nutricional por 100 g
    123 calorias, 1,3 g de proteínas, 73 mg de cálcio, 17rng de fósforo,  1,6 mg de ferro, 20 mmg de vitamina A, 0,2 mg de vitamina B1 e 0, 12 mg de vitamina B2.

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