Uva

     A videira (Vitis spp.), da família das Vitáceas, tem uma história tão antiga que se confunde com a da humanidade. Já era cultivada no Egito antigo e foi citada na Bíblia como sendo uma das plantas levadas por Noé em sua arca. Acredita-se que ela seja originária do Oriente Médio. No Brasil, foi introduzida no século XVI, aclimatando-se e desenvolvendo-se bem nos Estados de São Paulo e Pernambuco até que, em l785, o governo português mandou arrancar todas as videiras plantadas aqui por temer uma futura concorrência com a indústria portuguesa de vinhos. Embora seja cultivada em 13 Estados, desde o Ceará até o extremo do Sul do país, cerca de 70% dos vinhos nacionais se concentram no Rio Grande do Sul, isso porque criou-se o preconceito de que a uva depende de clima frio. No Nordeste, no entanto (mais exatamente no Vale do São Francisco), obtêm-se até três safras por ano, com irrigação controlada, num total de 30 t/ha/ano, e mais: as uvas dali são as únicas em todo o país com teor de açúcar suficiente para o fabrico de uva-passa. 

Espécies e variedades 
    Há mais de trinta espécies de videiras, entre as quais destacam-se as européias (Viris vinifera L.), americanas (Vitis labrusca e V. bourquina) e híbridas. As primeiras são as mais cultivadas no mundo. Preferem os climas secos, com baixa umidade relativa do ar e muita insolação e são as que apresentam variedades de melhor qualidade para a produção de vinho. As principais são: trebiano, cabernet, franc, barbera, moscatel, italiano, riesling, itálico, calitor, peverella, malvásia, merlot, bonard e sémillon. As uvas européias consumidas em mesa são chamadas de "uvas de comer'". Principais variedades, Piróvano 65 ou Itália, piróvano 54 ou perlona, moscatel de hamburgo, alphonse lavallée, golden queen e moscatel rosado. As americanas predominam aqui porque são mais rústicas e resistentes a doenças. As mais cultivadas para consumo ao natural (conhecidas por "uvas de chupar") são: isabel, concord, niágara branca, niágara rosada, niágara bordô boas também para sucos e mais a herbemont e a jacquez, que se prestam à fabricação de vinhos comuns e destilados. As híbridas têm um pouco da resistência das americanas e um pouco das qualidades das européias para vinificação. Entre elas, destacam-se: seibel-2, seibel-20 096, seibel-13, seibel-13680, seyve villard-5276 e couderc-13.
    Os principais porta-enxertos também são híbridos: 101-14, S04, kober5-BB, 420-A, 161-49 e R-99. No Nordeste, o porta-enxerto mais recomendado é o tropical (IAC 313). Para transformação em passas, são recomendadas as variedades sultanina, paulistinha (IAC457-.11), corinto-preto e maria (IAC514-6). Há variedades sem sementes, especiais para a produção de passas de boa qualidade. As cultivadas no Brasil, desse tipo, foram desenvolvidas no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a partir de apirenas (nome que se dá às variedades sem sementes) americanas, da variedade sultanina, e adaptadas ao clima tropical. As principais, entre estas, são as jácitadas IAC 457-11, também chamada iracema ou paulistinha, e JAC 514-6 (maria) e mais a IAC 775-26 (aurora) e a lAC871-13 (dona). A dona tem frutos de cor róseo-escuro, as outras são brancas. 
Clique aqui para ver as fotos de mais de 30 variedades diferentes

Clima e solo 
    A temperatura elevada no ciclo vegetativo antecipa a maturação da uva e influi no aumento do teor de açúcar da baga. Na fase de desenvolvimento da baga, a temperatura ideal varia em torno de 22°C e, na de maturação, em tomo de 27ºC. Acima de 30ºC a temperatura pode provocar escaldadura nas bagas, o crescimento do broto é deficiente nas temperaturas baixas, Para a fecundação, a melhor temperatura oscila, conforme a variedade, entre 20 e 25ºC. As chuvas não podem ser excessivas e devem ser bem distribuídas. A umidade excessiva do ar, com altas temperaturas, provoca doenças causadas por fungos. A baixa umidade favorece a proliferação de ácaros. Geadas tardias ou chuvas de granizo afetam a produção. A videira se adapta a diversos tipos de solos, com exceção dos muito úmidos e dos turfosos. Os melhores solos são os de textura mediana, com bastante matéria orgânica, mas não muito férteis, pois, embora proporcionem maior vigor à planta, os frutos perdem em qualidade. 

Plantio 
    O plantio de pé-franco só é aconselhável para variedades americanas e híbridas (isabel, concord, niágara, herbemont e seibel), mais resistentes à filoxera, um pulgão que ataca as raízes. As demais são multiplicadas por estaquia ou enxertia. O espaçamento varia de 2 a 3 m entre as linhas e de 1,50 a 3 m entre as plantas. As covas (0,50 a 0,60 m de comprimento, largura e profundidade) devem ser tratadas com sapé seco, palha de café e resíduos de culturas de milho e feijão e depois com esterco de curral, farinha de ossos e cinzas de madeira, de vinte a trinta dias antes do plantio. 

Adubação 
    Na região de Bento Gonçalves (RS), só se usa adubo para as variedades viníferas. Para as uvas comuns, recomenda-se cobertura de ervilhaca (leguminosa de inverno), que, na época das chuvas (quando as videiras estão sem folha), evita a erosão e o resfriamento excessivo do solo, atenuando os danos causados por geadas. No Nordeste, pratica-se a adubação orgânica, com esterco curtido, cobrindo-se o solo, em seguida, com folhas de bananeira ou bagaço de cana, colocam-se 20 l de esterco por planta, depois da colheita, 120 g de nitrogênio,120 g de potássio por planta em cada safra e 360 g de fósforo na fundação da planta. 

Irrigação  
    Na falta de chuvas, irrigam-se as videiras antes da poda, depois do início da brotação (antes da floração) e durante o desenvolvimento das bagas (a irrigação deve ser suspensa na fase de maturação). A Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) recomenda a irrigação por infiltração, em sulcos laterais às linhas de plantio, em turnos de 8 a 10 dias. Nesse caso faz-se a irrigação depois da poda de frutificação, e não antes, mantendo-se a umidade um pouco acimado ponto de murcha permanente, para que haja brotação e vegetação capazes de proporcionar uma boa produção. Só se procede a nova irrigação 1 ou 2 meses depois da colheita, fazendo-se a seguir outra poda de frutificação. 

Sistema de condução 
    Há vários sistemas de sustentação da videira, dependendo do clima e do solo. No Brasil são usados basicamente dois sistemas: o de latada e o de condução em espaldeira. O delatada, conhecido também por pérgola e caramanchão, é o mais difundido no Rio Grande do Sul, porque proporciona grandes produções e um bom crescimento das plantas. Compõe-se de cantoneiras, que são postes mais reforçados, colocadas nos quatros cantos do vinhedo; postes externos, fincados em tomo do vinhedo, inclinados para fora; postes internos, que têm a finalidade de sustentar o peso da videira; rebichos, que são estacas menores fincadas a uns 2 m dos postes externos e das cantoneiras, em sua parte externa, e atados a estes por arames, com o fim de manter o aramado esticado, e o próprio aramado formado por fios primários, secundários e simples, a cerca de 2 m de altura do solo. O sistema de condução em espaldeira expõe a ramagem e a produção da videira de forma vertical. Sua construção é semelhante a uma cerca com 4 fios de arame, sendo o primeiro a 1 m de altura e os demais a cada 35 cm. Os postes são colocados em fila. A distância entre eles é de 5 a 6 m. Os postes das extremidades devem ser presos a rabichos, para que os fios permaneçam bem estendidos. 

Podas 
    A videira requer vários tipos de poda. As podas de formação, em julho ou agosto, ou o mais tarde possível em áreas sujeitas a geadas, são feitas para dar forma à planta. Em sistema de latada, a poda de formação deve ser de tal modo que os dois sarmentos (ramos da videira) que permanecerem fiquem com, no máximo,oito gemas (pequenos nós do caule, onde nascem folhas e galhos). No ano seguinte a brotação mais desenvolvida deve ser despontada à altura dos arames, para que force o desenvolvimento de ramos laterais, que servirão de base para a poda do ano seguinte. No terceiro ano, normalmente, a formação está concluída. A poda de produção, ou poda seca, é feita no inverno, com a finalidade de preparar a planta para a produção da safra seguinte. A poda verde ou herbácea é o nome quese dá a todas as operações de poda durante o período vegetativo da planta, até a colheita, com o objetivo de retirar os brotos mal situados ou inúteis, a fim de se obter melhor aeração e insolação do vinhedo. As operações que recebem o nome da poda verde são a desponta, a desbrota, a desfolha, o raleio e o desbaste. Dessas, o raleio do cacho é utilizado para uvas de mesa, eliminando-se o excesso de bagas (de 40 a 50%), quando elas estão do tamanho de um grão de ervilha; o desbaste é feito em videiras para vinho, eliminando-se os cachos pequenos, quando a frutificação for abundante; as outras operações são comuns a todas as videiras. 

Pragas e doenças 
    As videiras podem ser atacadas por doenças fúngicas, como antracnose, míldio, oídio, podridão-cinzenta e fusariose; viroses como enrolamente da-folha, entre nó curto e inchaço dos ramos, e pragas como filoxera, pérola-da-terra, cochonilhas, moscas-das-frutas, broca-dos-ramos e formigas. No Encontro do Setor Uva, em Bento Gonçalves (RS), em 1984, estabeleceram-se recomendações para o controle de pragas e doenças, a fim de resguardar a saúde dos produtores e dos consumidores de uvas. Na plantação do vinhedo deve-se evitar baixadas úmidas e terrenos expostos a ventos frios. É preciso escolher lugares que dêem boa insolação, de preferência voltados para o norte e para o leste, e terrenos de meia-encosta (pouco inclina-dos). No período de formação e produção, recomenda-se escolher variedades resistentes às doenças; utilizar material de boa procedência, livre de viroses; observar a densidade adequada para cada variedade; usar sistemas de condução altos; manter boas condições de fertilidade do solo; realizar a poda verde todos os anos (desbrota, desfolha e desponta); fazer a poda seca de maneira racional, retirando e queimando os galhos podados; desinfetar mourões e retirar gavinhas dos arames; observar periodicamente o estado sanitário do vinhedo e limpar os cachos de uvas para vinho; limpar e desbastar os cachos para uvas de mesa. O controle de pragas, quando necessário, deve ser feito com calda sulfocálcica e ou óleo mineral no inverno. As moscas-da-fruta devem ser combatidas com armadilhas caça-moscas, à razão de 4 ou 5 por hectare. No Vale do São Francisco, a mosca-da-fruta, praticamente a única praga da uva na região, vem sendo evitada com a cobertura morta de folhas de bananeira e bagaço de cana entre as fileiras. A cobertura, que é usada para adubação e manutenção da umidade,atrai mais as moscas, e as uvas ficam livres delas. Durante a maturação, a uva é muito procurada por passarinhos e morcegos. 

Colheita 
   Deve ser feita antes da completa maturação das uvas. Quando é para consumo ao natural, eliminam-se as bagas com detalhes insatisfatórios. A embalagem mais usada é a caixa de madeira com 45 x 39 x 9,5 cm, na qual cabem 8 kg de uva. Existem também caixas de madeira e papelão para 2 a 6 kg. A embalagem deve ser identificada com dados sobre a espécie, variedade, categoria,local de produção e nome ou número do produtor.

Composição nutricional por 100 g 
   68 calorias,0,6 g de proteínas, 12 mg de cálcio, 15mg de fósforo, 0,9 mg de ferro, 0,05 mg de vitamina B1,  0,04 mg de vitamina B2 e 3 mg de vitamina C.

Fotos
Clique aqui para ver as fotos de mais de 30 variedades diferentes


0 comentários :

Postar um comentário

 
Lider Agronomia - Todos os direitos reservados. | Política de Privacidade | Template Clean, criado por Tutoriais Blog .