Pupunha

    A Pupunheira (Guilielma speciosa, Mart.) é uma palmeira nativa da região Amazônica, comum nos estados do Amazonas, Pará, Maranhão e Acre, e nos territórios de Roraima e Amapá. Importantíssima na Amazônia, pode também aclimatar-se em regiões subtropicais: já existe bibliografia sobre experiências realizadas, com sucesso, no litoral baiano e no interior paulista. Seu fruto, a pupunha, é amarelo-avermelhado, quando maduro, e muito rico em vitamina A, além de possuir bons índices de proteínas, óleos e carboidratos. No Brasil, essa planta ainda está sendo estudada, mas na Costa Rica já se tomou economicamente importante. A pupunha pode ser cozida em água e sal para alimentação, e dela se extraem farinha, ração para aves e suínos, óleo comestível, geléias e compotas. O tronco fornece palmito de boa qualidade. 

Variedades 
    Existem diversas variedades de pupunha e poucas ainda são encontradas em estado nativo: pupunha-ma-rajá (var. flava) , de frutos verde-amarelados pequenos; pupunha-piranga (var. conconeá); pupunha-tapiré (var. achracea), de frutos amarelo-ocres; pupunha mato-grossense (var. mattogrossensis), com frutos pequenos e avermelhados; e pupunha-de-jacu ou pupunha-brava (var. microcarpa), de frutos vermelhos-vivos. A variedade mais comum é a pupunha-marajá, cujos frutos não são tão oleosos quanto os de outras variedades. Mas é a pupunha-tapiré que tem sido cultivada sistematicamente. Ela se caracteriza pelo tronco sem espinhos e os frutos sem endocarpo. No estado nativo, a palmeira tem um tronco espinhoso de 12 a 18 m de altura, com 10 a 20 cm de diâmetro, folhas de 2,00 a 2,50 m de comprimento, e frutos ovais ou arrendodados, de 2.4 a 4,5 cm de diâmetro, com polpa amarela, amilácea (de amido), ligeiramente gordurosa." 

Usos 
    A semente, com 1.5 cm de diâmetro, recobre uma amêndoa oleosa com cerca de 1 cm de diâmetro.O óleo límpido, amarelo-avermelhado, cheiro suave e sabor leve e agradável, lembrando o de amêndoas doces, é extraído da polpa. Embora seja comestível, não tem interesse econômico particular. Quanto à polpado fruto, embora rica em gorduras, é suficientemente amilácea para permitir o preparo de uma farinha amarelada, com cheiro e sabor agradáveis. A farinha não tem, contudo, propriedades de aglutinação que permitam seu emprego na fabricação de mingaus, nem glúten suficiente para ser utilizada em panificação. Pode, no entanto, servir quando incorporada a outras farinhas, para enriquecê-las em lipídios e pró-vitamina A. A pupunheira é também a solução mais viável, sob os pontos de vista de precocidade, rendimento, vida útil, tecnologia agrícola e adaptabilidade,  para a indústria palmiteira, que tem dizimado as reservas naturais de juçara (Euterpe oleracea) e açaí (Euterpe edulis). Quando nativa, a pupunheira demora cinco anos para dar os primeiros cachos, cada um com cerca de cem frutos, mas quando cultivada, já produz com dois anos e meio, com a vantagem de ser menor, o que facilita a colheita, além de criar mais rapidamente os perfilhos ao redor. Depois de adulta, a palmeira tem de dez a quinze perfilhos, mas só quatro deles dão frutos; os demais podem ser aproveitados para a industrialização do palmito. 

Formação de mudas 
    As sementes, de frutos maduros, despolpados, apresentam germinação superior a 70%. Faz-se o transplante após dez meses de viveiro, quando as mudas têm cinco folhas e altura de 20 a 25 cm. Devem ser observados cuidados gerais, como desienfecção da terra dos sacos de plástico, regas diárias e emprego de material argiloso para impedir que o torrão seja destruído durante o plantio. Ao encher os sacos, devem-se acrescentar 10 g de super  fosfato triplo e, quatro meses depois da semeadura, aplicar 20 g de NPK 20-20-10 por saco. Já nas experiências feitas no interior paulista, em meados dos anos 70, sementes importadas da Costa Rica foram postas a germinar em areia grossa lavada, em caixas de madeira, a 10 cm de profundidade. Colocadas as caixas numa estufa, houve 79% de germinação. À medida que as sementes germinavam, em média após 160 dias, eram transferidas para saco de plástico de 13 x 20 cm, enchidos com duas partes de esterco de curral muito bem curtido e uma parte de terra, esterilizados com vapor de água. Na experiência, incorporam-se 50 g de superfosfato e 10 g de cloreto de potássio por 20 I da mistura. Durante a vegetação em estufa, fez-se adubação com sulfato de amónio, à base de 5 g por 20 I de água, em diversas aplicações. 

Preparo do solo 
    Nos terrenos de mata e relevo movimentado da região de Ituberá-Camamu, na Bahia, o preparo do solo consiste no desmatamento. marcação de curvas de nível de 3 em 3 m, marcação das covas nas curvas de nível de 2 em 2 m, abertura das covas nas dimensões de 40 x 40 x 40 cm e preparo dos patamares. Nas experiências feitas na região de Pindorama, interior de São Paulo, verificou-se a inadequação do sombreamento, que concorre com a pupunheíra, principalmente durante o inverno seco. 

Plantio 
    O período indicado é o das chuvas. em espaço aberto e a pleno sol. E recomendável o cultivo da pupunheira em consórcio com o maracujá e o guaraná, cujas raizes, juntas, fortalecem a saúde da plantação contra o ataque das pragas,com resultados muito bons. As covas devem ser reenchidas até a profundidade de 20 cm, socando-se bem a terra de superfície misturada com 300 g de fosfato de Araxá por cova. Não há necessidade decalagem, porque a planta suporta pH de 4 a 7, exceto quando for preciso neutralizar o alumínio trocável. Depois de centraliza-da a muda na cova parcialmente reenchida, retira-se o plástico e completa-se o preenchimento, comprimindo bem. Deve-se aplicar cobertura morta sobre todo o patamar, logo após o plantio, o que garante a manutenção da umidade do solo em tomo da planta e ajuda a obter pegamento de 100%. 

Limpeza 
    Nos pupunhais baianos, a área das entre linhas é mantida a facão, deixando-se bem rasteira a cobertura vegetal espontânea, para controle da erosão. Também são capinadas as faixas de plantio, em nível, para evitar as invasoras. 

Adubação 
    De acordo com a análise do solo e com a recomendação dos técnicos. 

Desbaste 
    Acredita-se que dois manejos distintos devem ser adotados, de acordo com o objetivo da plantação. No caso da produção de frutos, o desbaste não permitirá o crescimento de perfilhos, concentrando assim todas as reservas da pupunheira nos frutos da planta-mãe. Quando esta atingir uma altura que dificulte acolheita, talvez seja aconselhável o desenvolvimento de um perfilho. Já para aprodução de palmito, acredita-se que o desbaste deva assemelhar-se ao da bananeira, com vários perfilhos por cova (provavelmente quatro), tendo diferenças de um ano de idade, de modo que a produção do palmito seja contínua e regular por vários anos. 

Colheita 
    Na Bahia, a partir do quarto ano, a colheita dos frutos vai de novembro a março. Quando os frutos estão maduros, cortam-se os cachos inteiros. As qualidades de resistência e conservação da pupunha permitem o seu transporte quer na forma natural, quer cozida, em conserva, em mel, xarope ou mel de cana. Já para a produção de palmito, também a partir do quarto ano, a colheita exige o corte da árvore pela base, com machado ou moto-serra. Em seguida, comum facão, extrai-se cuidadosamente o palmito, deixando algumas folhas em torno dele para protegê-lo durante o transporte até a fábrica. A industrialização do palmito de pupunha, enfim, é semelhante à do palmito de juçara, eliminando-se apenas a neutralização do tanino, o que reduz os custos de produção. Como o palmito da pupunheira é bem mais grosso que o da juçara, é embalado em vidros ou latas de 1 kg. Segundo testes realizados por quatro provadores em ltuberá (BA), em 1973, palmitos de pupunheira, juçara e açaizeiro, industrializados em fábrica da região, mostraram diferenças insignificantes de sabor. 

Composição nutricional por 100 g de polpa
    164 calorias, 2,5 g de proteínas, 28 mg de cálcio, 31 mg de fósforo, 3,3 mg de ferro, 1.500 mmg de vitamina A, 0,06 mg de vitamina B1 e 34 mg de vitamina C.

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