Pequi

    Árvore típica do cerrado, o pequizeiro (Caryocar brasiliense, Cambess.) é, dentre as espécies da região; a de maior valor econômico. Entretanto, apesar de sua importância, ainda não recebeu a atenção que merece, tanto que os pecuaristas do Centro-Oeste, em sua maioria, o consideram mais uma praga ou pelo menos uma planta prejudicial para as suas atividades,e cortam todos os pequizeiros de suas propriedades. A família do pequizeiro tem apenas dois gêneros: Caryocar e Anthodiscu. O gênero Caryocar abrange doze espécies, destacando-se o Caryocar brasiliense, o C. villosum, ou pequiá; o C. blobrum ou pequirana, que floresce do Amazonas à Bahia e no Brasil Central; o C. nuciferum das Guianas; e o C.amygdaliferum, da Colômbia e Peru. O Caryocar brasiliense ao contrário do C. Villosum, árvore frondosa da Amazônia, com 20 m de altura e diâmetro de 1  a5 m - tem porte mediano, embora seja uma das maiores árvores do cerrado: pode chegar a 10m de altura e produz frutos redondos, do tamanho de uma maçã, com casca esverdeada e um caroço espinhoso e tenro, cuja amêndoa se come crua ou assada; a polpa é branca e mole e também pode ser comida crua ou assada. Porém é preciso ter prática para comer o pequi, pois quem não sabe pode ficar com a boca cheia dos espinhos.
    O pequi, como é chamado o fruto, palavra indígena que significa "casca espinhenta", tem fundamental importância na alimentação das populações do interior dos Estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e do Distrito Federal. A massa que recobre as sementes é amarela, pastosa, farinácea, oleaginosa e rica em vitaminas e proteínas. Além de fornecer óleo comestível, ele é usado como condimento no preparo do arroz e da carne. A polpa também é empregada na fabricação de licor de sabor agradável e de sabão caseiro. As amêndoas da semente fornecem óleo, usado para os mais variados fins, e a madeira é usada para a fabricação de móveis, caibros, dormentes, mourões e postes. Dela sai um pó muito urticante que provoca um prurido intolerável. Sua entre casca macerada produz tanino e uma tintura castanho-escura de ótima qualidade, utilizada no tingimento artesanal. 

Frutificação 
    O pequizeiro floresce de novembro a dezembro e frutifica de janeiro a abril. Em cerrados normalmente roçados para facilitar a pastagem do gado, observam-se exemplares pequenos -com 1 m altura - carregados de flores em épocas fora do período normal de floração. Sua produção varia muito. Em anos de muita chuva, produz pouco; nos de seca, a produção é maior. No sertão existe um ditado muito conhecido: "Ano de pequi, ano de crise". O que ocorre,dizem os nativos, é que as chuvas fortes derrubam as flores antes da fecundação.Os frutos geralmente têm uma semente, mas podem ter até quatro. Quando estão maduros, caem. E não adianta colhelos das árvores, pois, quando verdes, não têm sabor. Um pequizeiro produz em média 6.000 frutos.

Cultivo 
    São poucas as informações sobre o cultivo racional do pequizeiro. Sabe-se que sua produção é muito váriavel e que raramente se encontram plantas novas vegetando. Numa tentativa de esclarecer as dificuldades de perpetuação do pequi, o agrônomo sílvicutor da Universidade Rural do Rio de Janeiro, Ezechias Paulo Heringer, fez uma experiência com sementes. Apanhou um lote de quatrocentas sementes estratificadas (armazenadas em areia), colhidas no ano anterior, e outro de trezentas sementes, recém-colhidas, protegidas por seus invólucros, e os semeou no solo de cerrado durante o mês de janeiro. Suas conclusões foram as seguintes: as sementes estratificadas brotaram mais rapidamente; apesar de germinarem muito bem, as plantas começaram a morrer logo que acabaram as chuvas,exigindo irrigação artificial; as sementes estratificadas que não germinaram até o final das chuvas, só foram germinar na estação chuvosa seguinte; sob proteção florestal, as plantas que venceram o primeiro e o segundo ano tiveram crescimento excelente, em comparação complantas de cerrado quado semeadas. Para Heringer, o pequizeiro é árvore que pode ser cultivada com facilidade, desde que não falte água no início de sua existência. E recomenda alguns cuidados com relação à  colheita: as sementes devem ser despojadas de seus invólucros e guardadas em caixas de areia seca e em lugar seco, porque, deixadas no campo, podem ser atacadas por cupim, formigas ou outros insetos. 

Utilização 
   Do pequizeiro praticamente se aproveita tudo. As sementes são cozidas com arroz. A polpa amarela comestível pode ser separada:la semente por meio de fervura e aproveitada para diversos fins. Costuma-se diluí-la no óleo para frituras como condimento, ou no leite aquecido com cravo, canela e açúcar. É utilizada também na fermentação para obtenção de licores e sabão pela mistura com soda cáustica ou decoada. Decoada é um filtrado que se obtém com cinza de tingui (Magonia pubescens), de "mulher-pobre" (Dillodendron binatum) ou angico(Piptadenia falcata). A cinza é misturada com água e socada dentro de um balaio em forma de funil. O balaio fica dependurado com uma vasilha em baixo. O produto recolhido na vasilha é a decoada,que se junta à massa amarela e é fervida até o ponto de sabão. As flores são apreciadas pelos veados campeiro e mateiro e pelas pacas, e os caçadores costumam usar o pequizeiro como ponto de espera (ceva); o chá das folhas serve de bom medicamento para regularizar o fluxo menstrual; e , pólen das flores é um grande produtor de energia.
    A madeira é usada para esteios de curral e mourões, por ser uma da: poucas espécies brasileiras que resistem à poluição produzida pelos detritos dos currais. O óleo extraído do pequi, misturado com algum composto de cálcio, como o glicerofosfato ou latofosfato,pode ser aplicado como excelente recalcificante par: os casos de raquitismo e pré-tuberculose pulmonar. Era usado nos anos 40 no preparo de produtos medicinais, como a Emulsão de Pequi e o Pequiodeo, utilizados no tratamento de todas as doenças do aparelho respiratório e definhamento orgânico. É usado ainda como restaurador das energias e tônico,mesmo puro, ingerido na dose de uma colher de café, duas ou três vezes ao dia, nas principais refeições. Serve também como bálsamo para os asmáticos. Os animais também gostam de se alimentar com pequi. Os bovinos quebram. os frutos como casco e comem a parte interna do fruto,protegendo-se contra os espinhos (mas registram-se casos de morte de animais, por comerem as sementes espinhosas). Eles são os responsáveis pela disseminação da semente, e conseqüentemente, pela propagação da espécie. O leite do gado leitero que come pequi tem cheiro característico do fruto e coloração amarela, fazendo supor que, no preparo da manteiga, foi usado corante artificial. 

Propriedades do Pequi
O Pequi (100 g) possui cerca de 200.000 U.I. (unidade internacional) de vitamina A, equivalente a120.000 mmg. É o fruto mais rico nessa vitamina até hoje analisado. Em seguida vem o dendê, com 101 656 U.I., e a pupunha, com 14800 U.I  

Composição nutricional por 100 g 
Além da vitamina A, o fruto maduro contém: 89 calorias, 14 mg de cálcio, 10 mg de fósforo, 1,39 mg de ferro, 0,241 mg de cobre, 0,3mg de vitamina B1,   0,46 mg de vitamina B2 e 12,09 mg de vitamina C.

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