Marmelo

    O marmeleiro (Cydonia oblongo Mill.), originário da região dos mares Cáspio e Negro, na Ásia, começou a ser cultivado provavelmente na antiga Pérsia (atual Irã), de onde se espalhou pelo Mediterrâneo. Os primeiros marmeleiros plantados no Brasil, acredita-se, foram trazidos por Martim Afonso de Souza, em 1532, e aclimataram-se muito bem, principalmente na Serra da Mantiqueira, onde tomou-se uma cultura subespontânea.Chegou a ser uma cultura de grande importância aqui, principalmente na décadade 1930, quando a marmelada era o doce industrializado mais consumido no país. Hoje em dia, os pomares estão dizimados, as plantas que restam produzem marmelos de baixa qualidade e a produtividade é muito pequena.     Dos Estados produtores Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Bahia, São Paulo e Espírito Santo, só Minas tem plantações comercialmente importantes, nos municípios de Delfim Moreira e Marme-lópolis e mesmo estes estão em decadência. Apesar da procura por indústrias de doces, que importam a maior parte do marmelo que precisam da Argentina e do Uruguai, a cultura do rnarmeleiro não tem apresentado atrativos, pois demoram para produzir e dão um rendimento menor que o de outras frutas de clima temperado, exigindo muitos cuidados e estando sujeita a pragas e doenças. Com a perda de interesse pelo seu plantio, sem pesquisas desenvolvidas para renovação, os pomares hoje existentes, velhas planta-ções de antigas variedades, vão diminuindo. A produção de polpa de marmelo, matéria-prima para as fábricas de marmelada.

Clima e solo
    O marmeleiro bem em regiões de inverno razoavelmente frio e uma estação de crescimento quente,com dias claros. Mas o frio não precisa ser muito intenso, porque a planta se adapta satisfatoriamente às mesmas condições  necessárias para o cultivo da laranja e do abacate, por exemplo. O excesso chuvas e umidade na estação quente favorece o desenvolvimento de doenças. Geadas tardias e rajadas de ventos frios prejudicam o desenvolvimento dos ramos novos, o florescimento e a fecundação, devendo portanto ser evitadas para o seu as encostas voltadas para o sul. uma crença de que somente as baixadas são boas para o plantio do marmeleiro, mas ele se desenvolve otimamente também em encostas não erodidas, de solo medianarnente argilosos. O que ele é de solos profundos, com muito e boa capacidade de retenção da umidade, mas não vai bem em várzeas facilmente encharcáveis, em terras pobres, muito secas e arenosas.

Variedades
    A principal variedade produzida no Brasil é a Portugal, que produz razoavelmente, dando frutos grandes, de polpa macia e aromática, e que podem ser consumidos ao natural. Quando maduro, o marmelo Portugal é amarelado. Outra variedade mais precoce, produtiva e de frutos mais agradáveis ao paladar, é a esmima. Outras variedades recomendadas são a maçã e a constantinopla (esta é a de menor incidência de entomosporiose). O Instituto Agronômico de Campinas, IAC, recomenda ainda a mendoza-INTA 37 e a provence, Os marmeleiros exigem polinização cruzada.

Plantio
    As mudas devem ter dois no máximo três, e a poda de forma iniciada na época do planta se acha no fim do estado de dormência, por volta de julho ou agosto. Isso no caso de transplante de raiz nua. Mudas de torrão podem ser plantadas fora desse período, O espaçarnento indicado é de 4 x 4 m, o que dá em média 625 marmeleiros/ha. Em caso de se pretender plantar variedades mais produtivas, em solos mais férteis, o espaçamento pode ser ampliado para 5 x 4 m, 5 x 5 m ou 6x 4 m, o que também irá facilitar o uso de máquinas agrícolas. Em terras fracas ou em pequenas áreas, o espaçamento pode ser reduzido para 4 x 3 m ou 3 x 3 m. O plantio costuma ser feito, hoje em dia, em camalhões das curvas de nível e, por isso, dispensa-se o coveamento. Só é feito um buraco do tamanho suficiente para caber a muda. O plantio deve ser feito em dia encoberto ou chuvoso, e as mudas precisam ser levadas até o local envolvidas por sacos de estopa úmidos. Se não estiver chovendo, rega-se a covado plantio com bastante água. A multiplicação do marmeleiro é feita por estacas ou filhotes enraizados. Faz-se a enxertia por garfagem ou dupla fenda, para adiantar o início da produção. O marmeleiro é usado também como porta-enxerto para a e a nespereira. As mudas forma em viveiros precisam ser regadas duas a três vezes por semana, quando não há chuvas, e necessitam de aplicações de calda bordalesa periodicamente e podas até a época do transplante, no fim do inverno. As mudas devem ser retiradas com cuidado do viveiro. Suas raízes machucadas precisam ser aparadas, e as três pernadas, até uns 25 cm da base, amputadas. Imediatamente depois devem ser envolvidas por sacos de estopa úmidos ou protegidas com areia, também úmida, e conservadas em local fresco e sombrio até a plantação.

Podas
    A poda de formação é para deixar a planta com a forma de vaso aberto. Na primavera, quando os brotos têm cerca de 10 cm de comprimento, devem ser raleados, deixando-se apenas dois ou três brotos em cada pernada, dirigidos para o lado de fora da copa. Durante todo o período de vegetação continua-se o desbaste dos novos brotos indesejáveis. Na primavera seguinte, faz-se nova desbrota semelhante nos ramos secundários, de modo que se formam de 12 a 15 varas terciárias. No terceiro ano, já serão de 24 a 30 novas varas, no serão de 48 a 60, e assim por. A poda de frutificação é diferente mais árvores frutíferas de clima temperado, pois o marmeleiro frutifica quase sempre na extremidade de pequenos brotos de 2 a 15 cm de comprimento. A poda deve ser de limpeza, com o corte dos ramos secos, fracos e praguejados, encurtando os ramos vigorosos (varas) em um quarto ou um oitavo e desbastando os ramos de tamanho médio. Esta poda deve ser feita em julho-agosto.

Cobertura do solo
    Depois da poda de inverno, é aconselhável cobrir o solo com uma camada espessa de capim-catingueiro (gordura) ou outro capim cortado, trazido de fora, para combater a erosão, manter o solo fresco e abafar as invasoras.

Adubação
   Terminada a colheita, é preciso repor os elementos que o solo perdeu, colocando em torno de cada marmeleiro um balaio de esterco bem curtido, misturado com 800 g de farinha de osso e 300 g de cinza. 

Consorcíação 
    As culturas mais recomendáveis são milho, arroz, feijão, batata, ervilha, soja e tomate, mas só na fase de formação do marmelal. É recomendável também a adubação verde, com feijão-de-porco, soja ou crotalárias diversas, semeadas em dezembro e cortadas três ou quatro meses depois. 

Pragas e doenças 
    A principal doença é a entomosporiose, também conhecida como requeima ou crestamento-das-folhas, causada por um fungo. Outras doenças são a podridão-amarga, a podridão-preta, a mancha-da-folha e o cancro-do-tronco e dos ramos. O tratamento recomendado é uma pulverização geral com calda sulfocálcica a 32° Baumé (grau de densidade da solução), com 12,5 l de calda para cada 100 l de água, depois dada de inverno. É recomendável, fazer a caiação antisséptica do tronco e dos principais galhos. A caiação antisséptica é feita com 2 kg de enxofre, 3 kg de cal virgem, 500 g de sal de cozinha e 10 l de água. Apaga-se a cal e juntam-se aos poucos o enxofre e o sal, adiciona-se mais água, mexendo constantemente, até formar uma pasta bem misturada. Dilui-se como tinta de paredes e aplica-se com brocha. As pragas são a mosca-das-frutas e a mariposa-oriental, que provocam o bichamento dos frutos. O marmeleiro pode ser atacado ainda por cochonilhas e parasitas que sugam a seiva dos ramos, dos brotos e das folhas, por brocas que perfuram o tronco e os galhos e por besouros que comem as folhas. 

Colheita 
    A partir do terceiro ou quarto ano o marmeleíro começa a produzir. A é em janeiro ou fevereiro, podendo ir até março nos locais mais frios. No Rio Grande do Sul ela acontece em março. Quando ficam com a coloração amarelo-esverdeado-clara e com a casca lisa pela perda da pelugem, acentuando seu perfume, está na hora de colher. A colheita é feita a mão, cuidadosamente, para se evitar rachaduras. porque os frutos machucados estragam-se rapidamente. Colocados em caixas ou jacás , devem ser levados imediatamente para as fábricas,que têm 48 horas para iniciar sua lação, porque depois disso tende ao escurecimento enzimático. Para o consumo ao natural, é preciso separar os marmelos com defeitos, limpar a pelugem que resta, polir, embalar em papel e colocar em caixas como as maçãs. Refrigerado ele pode ser conservado por bom tempo.

Produção
    Segundo o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a produtividade em pomares adultos e bem conduzidos é de 10 a 15 t/ha. Mas a média está longe disso.

Composição nutricional por 100 g 
   63 calorias, 0,6 g de proteínas, 6 mg de cálcio, 15 mg de fósforo, 0,6 mg de ferro, 3 mmg de vitamina A, 0,03 mg de vitamina B1, 0,03 mg de vitamina B2 e 17 mg de vitamina C.

Fotos



1 comentários :

  1. Excelente explicação.
    Noto que foi dada por um bom profissional. Parabéns

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