Maracujá

    O Maracujá (Passiflora edulis Sims), originário da América Tropical; é uma planta trepadeira de produção anual. Há várias outras espécies do gênero Passiflora também chamadas popularmente de maracujá. As folhas e as raízes de quase todas passifloráceas contêm uma substância semelhante à morfina, a passiflorina, muito empregada como calmante. As folhas são usadas, também, para combateras febres intermitentes, as inflamações cutâneas e a erisipela. A polpa do fruto e suas sementes são doces e acídulas, muito apreciadas para o fabrico de sucos e para o consumo ao natural. A flor do maracujá é perfeita, ou seja, apresenta tanto os órgãos femininos quanto os masculinos. Mas uma única planta de maracujá-azedo, isolada, floresce, mas não produz fruto. Para haver produção é preciso que a planta seja fecundada com pólen de outra. E essa polinização só é eficiente quando feita por mamangavas. Nas regiões em que as mamangavas não são muito freqüentes, duas providências podem ser adotadas. A primeira consiste na polinização artificial: toca-se com a ponta dos dedos numa. flor, procurando sujar os dedos com pólen, e passa-se esse pólen na flor de outra planta. Outra solução é a criação artificial de mamangavas. Como esses insetos fazem seus ninhos em madeira apodrecida, a primeira providência consiste em colocar mourões em fase de putrefação junto à cultura. Em seguida, transplantam-se para os mourões ninhos de mamangava, catados em matos próximos e transportados à noite. 

Solo e clima 
    Os solos mais indicados são os areno-argilosos ou mesmo argilosos, ricos em matéria orgânica, de pH entre 5 e 6. Solos sujeitos ao encharcamento, mesmo que por pequenos períodos, devem ser evitados, pois o excesso de umidade favorece o ataque de organismos que causam o apodrecimento das raízes. Ideal para a planta são regiões com temperatura média entre 26 e 27 °C e chuvas de 800 a 1.750 mm, distribuídas regularmente durante o ano. 

Variedades 
     Tanto para a indústria de sucos quanto para o consumo in natura, a variedade melhor aceita é a do chamado maracujá-azedo ou maracujá-amarelo. A Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) recomenda para a sua região o amarelo SP, Belém, Manaus 02 e Pará 03. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) recomenda para São Paulo, além do amarelo, o casca-roxa. 


Propagação 
    É feita só por meio de sementes. As mudas são obtidas pela semeadura em sacos de polietileno de 18 x 30 cm ou de 15 x 25 cm, devendo ser transplantadas quando atingirem de 20 a 30 cm de altura. 

Espaçamento e coveamento 
    Em plantios mecanizados, 3 m entre as filas e 5 m entre as plantas. Em plantios pequenos, não mecanizados, 2,50 x 3,00 m. As covas para o plantio medem 0,40 x 0,40 x0,40 m, localizadas nas filas, entre as estacas da espaldeira. 

Plantio 
    Pode ser feito em qualquer época do ano, desde que haja suficiente umidade para o pegamento das mudas. Logo após o plantio, deve-se efetuar o tutoramento das mudas, utilizando varas finas, bambu ou barbante amarrado da base da planta até o arame. Sistema de. condução - O mais recomendado é o de espaldeira ou cerca comum fio de arame. Na construção do espaldeiramento são utilizados mourões e estacas de 2,50 m de comprimento, enterrados 0,50 m ou mais. As estacas são espaçadas de 4 a 6 m, e a colocação do arame deve ser realizada após o plantio das mudas.

Poda 
    A de formação inicia-se cerca de quinze dias após o plantio, eliminando-se semanalmente as brotações laterais, deixando-se apenas uma haste, conduzida até alcançar o arame. A ramagem deve ser formada em cortina, cuidando para que os ramos não atinjam o solo. A poda de limpeza será realizada no período de entressafra, eliminando-se os ramos secos ou doentes. 

Tratos culturais 
    Devem ser feitos com muito cuidado para não causar danosas raízes, principalmente durante as capinas. No segundo e terceiro anos, recomenda-se a utilização de roçadeira entre filas e capinas nas linhas de plantio. 

Adubação 
    A calagem e a adubação dependem da análise do solo, que deve ser repetida 1 ano após o plantio. De modo geral, recomenda-se a seguinte adubação: na cova, 120 l de esterco de curral, 1.300 g de fosfato de Araxá e 200 g de cinzas, 60 dias antes do plantio. No primeiro ano, 65 g de ureia, 1.200 g de fosfato de Araxá e 100 g de cinzas por planta e por vez, em três aplicações. No segundo ano, 65 g de ureia, 1.300 g de fosfato de Araxá e 100 g de cinzas por planta e por vez, em três aplicações. 

Pragas e doenças 
    As pragas mais frequentes são o ácaro, a lagarta, o percevejo, a mosca-das-frutas, os nematoides, o besouro-das-folhas, o besouro-das-flores e a broca. As doenças mais comuns são a verrugose, a bacteriose, a murcha e a podridão-do-pé. Recentemente, pesquisadores vêm relatando a ocorrência de viroses nas culturas de maracujá da Bahia, de Sergipe e do Paraná. No controle dás pragas, a aplicação de inseticidas deve ser feita com cuidado para não atingir os insetos polinizadores e também para não contaminar a produção, já que muitos inseticidas podem ser cancerígenos. Assim, recomenda-se que: a) a seleção dos inseticidas e fungicidas seja feita escolhendo-se os de pequeno efeito residual; b) seja rigorosamente observado o intervalo específico para o produto utilizado entre a última aplicação e a colheita dos frutos; c) as aplicações em culturas em fase de produção sejam feitas apenas no período do dia em que as flores estão fechadas. O controle de doenças é feito principalmente com a pulverização de calda bordalesa. Em aplicações alternadas, adiciona-se óleo mineral a 1%. As lagartas são controladas com o emprego de um produto à base de Bacillus thuringiensis, no final da tarde, em pulverização de cobertura total. Esse produto é inócuo para o homem.

Colheita 
    Um vez maduros, os frutos se desprendem e caem no chão. Assim a colheita consiste no recolhimento dos frutos caídos. Essa operação deve ser feita pelo menos duas vezes por semana, porque os frutos, depois da queda, perdem água e murcham, além de se tornarem facilmente atacáveis por podridões. No Estado de São Paulo, a colheita se inicia em novembro, prolongando-se até agosto seguinte. No Paraná, vai de dezembro a junho; no Nordeste, estende-se por um período de dez meses, a partir de novembro. Como estimativa média, admite-se que uma cultura bem conduzida produza, no primeiro ano, cerca de 8 t/ha, 20 t/h/ano segundo, caindo para 10 t/ha no terceiro ano. Não são raras, porém, colheitas de 50 a 60 t/ha nos três anos de cultura. 

O suco 
    O suco de maracujá, muito consumido por causa do seu ótimo sabores cheiro, é tranquilizante e relaxante. Aconselha-se, ao preparar o suco, não quebrar as sementes, que são lidas como levemente venenosas e - quando trituradas - servem como vermífugo. A polpa com a semente e a água são colocadas no liquidificador, que deve ser ligado e desligado rapidamente, várias vezes, de forma que as pás não adquiram velocidade capaz de quebrar as sementes. Colocado em vidro fechado, no congelador, o suco pode ser armazenado por longos períodos. 

Composição nutricional por 100 g  
    90 calorias,2,2 g de proteínas, 13 mg de cálcio, 17mg de fósforo, 1,6 mg de ferro, 70 mmg de vitamina A, 0,03 mg de vitamina B1, 0,13 mg de vitamina B2 e 30 mg de vitamina C.

Fotos
Flor de maracujá doce
Maracujá doce
Maracujá roxo e Maracujá amarelo
Fonte da imagem: http://www.flickr.com/photos/agriculturasp/4346566698/

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