Mamão

    O Mamoeiro (Carica papaya L.) é provavelmente originário da América Tropical. entre a América do Sul e o Sul do México. A planta que produz o ano todo e os frutos verdes dão um látex do quais se extrai a papaína, empregada na culinária como amaciante de carnes, na industrialização de cervejas e queijos, fabricação de remédios, curtumes, etc. Das folhas, frutos e sementes extrai-se um alcalóide chamado carpaína, usado como ativador cardíaco. O Brasil é o principal produtor de mamão, com 20% do total mundial, seguido do México. Indonésia, Índia e Zaire. 

Mamão (Carica papaya L.)Variedades 
    Há pelo menos 57 conhecidas, mas no Brasil as mais cultivadas são a sunrise solo, do tipo papaia. com peso médio de 500 g, de boa qualidade para o consumo, e a Tailândia, de frutos grandes (1,3 kg em média), menor altura, mais precoce, que dá melhor produção por hectare e é mais indicada para a indústria (néctar e purê). A formosa é outra variedade bem aceita no mercado. (Ver fotos no final do artigo)

Clima 
    Exige calor e não tolera o frio. A temperatura média anual mais adequada é de 25°C, dando-se muito bem na faixa de 22 a 26°C. Abaixo de 21 °C a planta cresce menos e diminui o volume da produção. A 0°C pode ocorrer a morte do mamoeiro. Chuvas de 1.800 a 2.000 mm bem distribuídas durante o ano são ideais. Períodos secos prejudicam a cultura e torna-se necessária a irrigação. A umidade relativa do ar entre 60 e 85% é a melhor para a cultura. A altitude mais indicada é até 200 m acima do nível do mar mas a planta produz bem acima disso. Os ventos fortes podem derrubar a planta. que tem uma constituição herbácea, mas ventos fracos favorecem a polinização. 

Solo 
     Dá-se bem nos solos de textura média, profundos, permeáveis e com bom teor de matéria orgânica. O pH deve estarentre 5,0 e 7.0, se estiver abaixo de 5,0 deve ser corrigido para ficar com pH 6,5 a 7,0. Como o mamoeiro é muito sensível ao excesso de água nas raízes, deve-se utilizar a drenagem sempre que necessária, podendo-se também plantar em camalhões com 20 cm de altura e 70 cm de largura. 

Polinização 
Principais tipos de flores do mamoeiro    Os mamoeiros podem ser do sexo masculino, feminino ou hermafroditas (que têm os dois sexos). Os do sexo masculino têm flores distribuídas por pedúnculos longos e grande quantidade das flores está bem distante do talo das folhas. São conhecidos como mamoeiros-machos, e em certas épocas do ano podem produzir algumas flores hermafroditas que dão frutos de formados (mamões-machos, mamões-de-corda ou mamões-de-cabo). As plantas femininas dão flores maiores que as masculinas, isoladas ou em número de duas ou três, formadas em pedúnculos curtos. Elas precisam das flores masculinas ou hermafroditas para 11 fecundação e produção de frutos. Numa plantação com plantas femininas, é necessário que 10 a 12% sejam masculinas, distribuídas uniformemente. A planta hermafrodita não depende de pólen de outras flores para frutificar, e suas flores, em pedúnculo curto, são menores que as femininas. Seus frutos podem ser de diversos tipos (conforme o tipo de flor), mas quando é uma flor bissexual perfeita o mamão que produz é alongado, não globoso, com cavidade interna menor, portanto com maior valor comercial. 

Sementes 
Sementes de mamão    São retiradas de frutos colhidos maduros, sadios, colocadas em água por dois dias para amolecer a mucilagem que as envolve, passadas numa peneira ou esfregadas nas mãos, misturadas com areia branca, para se livrarem daquela película. Depois, são secadas à sombra por três ou quatro dias. As sementes originadas de plantas hermafroditas costumam dar, em média, 66% de plantas hermafroditas e 33% femininas. As hermafroditas cruzadas com femininas dão 50% de cada tipo; as masculinas dão 33% de plantas femininas e 66% masculinas; as masculinas cruzadas com hermafroditas dão 33% de cada sexo (masculinas, femininas e hermafroditas): e as masculinas cruzadas com femininas dão 50% de femininas e 50% masculinas. 

Semeadura  
    Pode ser direta, em canteiro ou em recipientes. A semeadura direta é feita em covas na distância

desejada, colocando-se 15 a 20 sementes por cova, à profundidade de 2 a 3 cm, coberta com terra fina. Em seguida, irriga-se com regador de crivo fino e cobre-se a cova com uma cobertura morta de capim seco (sem semente), palha de arroz ou outro material que permita a emergência da planta. O capim seco deve ser retirado no início da germinação (10 a 20 dias depois da semeadura). Passados 15 dias da germinação, faz-se o primeiro desbaste, deixando-se 4 a 5 plantas mais vigorosas e espaçadas por cova até o crescimento, quando se faz a seleção final, deixando-se apenas uma planta por cova, de preferência hermafrodita. A semeadura em canteiro, para trans plantio posterior, não é muito recomendada porque provoca um pequeno "stress" na planta e tem um custo maior. Para a semeadura em recipientes utilizam-se vários materiais, mas é mais freqüente o uso de sacos plásticos pretos, com 12 cm de diâmetro e 25 cm de altura, cheios de terra fértil, com 20% de esterco. Colocam-se 3 sementes por saco, cobertas com 1 cm de terra fina e dispõem-se os sacos em canteiros com 1,20 m de largura. Quando as plantas tiverem dois pares de folhas ou 2 ou 3 cm de altura, faz-se o desbaste deixando-se uma muda por saquinho. Quando a planta tiver 10 a 15 cm de altura (40 a 70 dias depois da semeadura), deve ser levada ao campo. No caso de plantio por semeadura direta, as covas devem ter 30 x 30 x 30 cm, abertas com antecedência e cheias de terra com adubo orgânico e mineral. Nó plantio por mudas, colocam-se três a quatro plantas por cova, para desbaste posterior, deixando-se o torrão com 5 cm acima do nível do solo, para evitar a podridão do colo. O plantio é feito no início das chuvas, de preferência em dias nublados. 

Espaçamento
    O melhor é 3 x 2 m, principalmente para pequenas plantações. Para lavouras mecanizadas usa-se 4 x 2 m (na Bahia) e 4 x 2,5 m. O plantio em fileiras duplas, também indicado, é feito com espaçamento de 4 x 2,5 x 2 m. ou seja, 4 m entre as linhas, 2,5 m entre as plantas e 2 m entre as sublinhas. 

Consorciação 
    Consorcia-se o mamão com goiaba, citros e outras culturas. Depois de três anos de produção, o mamoeiro, que já está muito alto, deve ser arrancado e é exatamente nessa época que essas fruteiras começam a produzir. Pode-se também plantar guaraná, utilizando-se o mamoeiro para sombreamento provisório. 

Adubação 
    Depende da análise do solo, mas não se pode esquecer que o excesso de nitrogênio faz o mamoeiro crescer demais e facilita o aparecimento de doenças no tronco e nas raízes. O potássio evita o amolecimento da polpa por excesso de chuvas ou de nitrogênio. O bome o zinco, se faltarem, podem ser fornecidos por meio do solo ou de pulverizações. A primeira adubação é feita vinte dias antes do plantio, a segunda 1 mês depois do plantio da muda ou no primeiro desbaste e outra dois meses depois. 

Pragas e doenças 
    O controle químico de pragas e doenças do mamoeiro é problemático, por que ele produz continuamente e é preciso muito cuidado para que os frutos não absorvam o produto aplicado. Além disso, o próprio mamoeiro é muito sensível a certas fórmulas. As principais pragas são o ácaro-branco, o ácaro-dos-ponteiros ou ácaro-do-chapéu, que eliminam as folhas do ponteiro, quando paralisa o crescimento da planta; o ácaro-da-rasgadura-da-folha, ou rajado, que produz teias para se proteger; a lagarta, que em muitos casos provoca o desfolhamento total da planta; o percevejo-verde ou maria-fedida que suga as folhas e os frutos, e as cochonilhas. Os ácaros são controláveis com enxofre molhável. A doença principal é o mosaico. causado por vírus, que provoca o amarelecimento generalizado da planta os pecíolos ficam com manchas oleaginosas e os frutos com manchas em forma de anéis (por isso, chama-se também mancha-anelar). O único método de controle é a eliminação sistemática das plantas atacadas. As eucurbitáceas (abóboras, pepino, melão, maxixe etc) são fontes de vírus e não devem ser plantadas intercaladas com mamoeiros. Ao mosaico foi atribuída a decadência das plantações paulistas. Outras doenças são a podridão-do-pé, controlável com cuidados no plantio e nos tratos culturais, a antracnose, a varíola e os nematoides.  

Colheita 
    Quatro a seis meses após a semeadura, começa o florescimento que, em condições favoráveis, pode continuar o ano todo. Os frutos amadurecem cinco a seis meses depois do florescimento, dependendo do clima e da intensidade de produção da planta. O ponto de colheita varia conforme a distância do mercado consumidor, mas nunca pode ser quando o mamão está completamente verde, pois se ele for apanhado nessas condições, não amadurece. Em geral, deve ser colhido quando começa a mudar de cor, do verde para o amarelo. O colhedor deve usar luvas e mangas compridas para não ter contato com o látex da planta. 

Embalagens 
    O mamão comum deve ser protegido por folhas de jornal ao ser embalado em caixas de madeira com 37,5x 30 x 15 cm. Na Companhia de Entre-postos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), ele é comercializado em caixas de 48 x 44,5 x 3S cm. O mamão papaia ou havaí é comercializado, na Ceagesp, em caixas de 38 x 30 x 15 cm e, para exportação, em caixas de papelão de   39 x 31 x 15,5 cm, em que cabem de oito a vinte frutos, com um peso líquido total de 7 kg. A classificação do mamão no mercado é feita conforme o número de frutos que cabem numa caixa (Ex.: mamão tipo 9 nove frutos por caixa). 

Comercialização 
    A época de preços mais elevados, na Ceagesp, quando a oferta é menor, vai de janeiro a março; os menores preços ocorrem de março a junho e de outubro a dezembro. Em Belo Horizonte, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), os melhores preços são alcançados de dezembro a março, especialmente em fevereiro (melhor mês também em São Paulo), e os menores de abril a julho. 

Composição nutricional por 100 g 
    32 calorias, 0,5 g de proteínas, 20 mg de cálcio, 13mg de fósforo, 0,4 mg de ferro, 37 mmg de vitamina A, 0,03 mg de vitamina B10.04 mg de vitamina B2 e 46 mg de vitamina C.

Fotos
Cultivo comercial de mamão
Variedades de mamão comercializadas na CEAGESP em 2007

Referências
FOLTRAN, D. E. Mamoeiro. In: Propagação de frutíferas tropicais. Guaíba: Editora Agropecuária, 2000, p. 165-175.

CASTRO, J. V. Tratamento fitossanitário pós-colheita de mamão. In: Simpósio Brasileiro sobre a cultura do mamoeiro., 1980, Jaboticabal. Anais do Simpósio Brasileiro sobre a cultura do mamoeiro. Piracicaba: Editora Livroceres, 1980. p.261-271.

1 comentários :

  1. NÂO DEIXAM NEM UM MAMÂO MADURO P/ OS SANHAÇO,SEM AÇO.KKKKKKKK MAMAZAL BONITO.

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