Goiaba

    A goiabeira (Psidium guajava L.), originária da América Tropical, é muito apreciada não só pela excelência de seu fruto saboroso e rico em vitamina C, mas também pela facilidade com que cresce em quase todo o território nacional. Quando verdolengos, seus frutos são de grande poder adstringente, e o chá preparado com suas folhas é usado para combater disenterias. As goiabas, de polpa branca ou vermelha, podem ser consumidas ao natural, em calda ou como goiabada.

Variedades 
Goiaba (Psidium guajava L.)
    Para a indústria, as mais cultivadas são, no Centro-Sul, a lACA(vermelha) e Guanabara. Em Minas Ge-rais, planta-se também a pirassununga (de polpa vermelha ou branca). Em São Paulo, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) recomenda também a vermelha de valinhos. Em Pernarnbuco, a portillo-Ol,portillo-02 e bebedouro-14. A Empresa de Pesquisa Agropecuária da Bahia (Epaba), no Estado, recomenda a ruby supreme, EEFf e webber suprerne. Para o consumo ao natural, as mais cultivadas são akumagai e as diversas ogawas, especialmente no Estado do Rio. Em São Paulo,cultiva-se muito a sassaoka. Em Pemambuco, a bebedouro-38, pêra vermelha white selection e penecoste. Na Bahia, &.thai large e FAO-I. 

Solo e Clima 
    A goiabeira é uma planta rústica, que se adapta aos solos areno-argilosos, profundos e bem drenados. Quanto ao clima, as melhores condições são encontradas nas regiões quentes e com chuvas anuais entre 800 a 1000mm. Resistente, a goiabeira suporta até geadas leves. 

Propagação 
    Pode ser feita de pé-franco ou por mudas enxertadas. Em qualquer dos casos, as sementes devem ser retiradas de frutos obtidos por auto fecundação,em plantas selecionadas. Um grama contém. em média, sessenta sementes, que podem ser guardadas em condições ambientais por até um ano. 

Plantio 
    As sementes são colocadas em canteiros, em sulcos rasos, espaçados de 10 a 15 cm, para posterior transplante em sacos de plástico, quando apresentar em três ou quatro folhas ou 8 a 10 cm de altura. Pode-se também fazer o plantio diretamente em sacos de plástico, colocando-se três ou quatro sementes por saco. Nesse sistema, quando as plantas apresentarem dois ou três pares de folhas, devem ser desbastadas, deixando-se apenas uma muda por saco. Quando as mudas decanteiro têm cerca de 25 cm de altura, são levadas para o viveiro, com 30 a 50 cm de espaço entre as mudas por 80 a 100 cm entre as linhas. Do viveiro, as mudas serão conduzidas à enxertia, e diretamente para o campo, no caso de culturas de pé-franco. As mudas devem ser levadas para o campo no período das chuvas. 

Enxertia 
    É difícil, trabalhosa e com grau de pegamento muito baixo. Ainda assim, o método mais empregado é o da borbulha de placa em janela aberta, realizado durante o período quente e chuvoso do ano, em cavalos com cerca de um ano de idade, com 10 mm de diâmetro e feita de 10 a 15 cm de altura. As mudas enxertadas são levadas para o campo quando têm de 30 a 40 cm de altura. 

Espaçamento e coveamento 
    Recomenda-se um espaçamento médio de 7x7 m. As covas devem medir 0,50 x 0,50x 0,50 m. 

Tratos culturais 
    As capinas podem ser manuais ou mecânicas, cuidando-se para não ferir o tronco e nem as raízes das plantas. A goiabeira deve ser conduzida em uma haste até a altura de 50 a 60 cm, deixando-se, a partir dos últimos 20 cm, três a quatro bifurcações bem distribuídas, para tornar a futura copa mais aberta e arejada. Recomenda-se efetuar, anualmente, a poda de limpeza (eliminação dos ramos secos, doentes e entrelaçados) e de frutificação (poda dos ramos terminais). 

Adubação
    A calagem e a adubação devem ser efetuadas de acordo com a análise do solo, que precisa ser repetida pelo menos a cada quatro anos. 

Pragas e doenças 
    As principais pragas que atacam a goiabeira são as moscas-das-frutas, o gorgulho-da-gotabeira, o besouro amarelo, os percevejos, algumas cochonilhas e diversas lagartas. Podem ainda ocorrer algumas brocas, como a broca das mirtáceas e a coleobroca. Em culturas de mesa, a mosca-das-frutas é controlada pelo ensacamenro dos frutos, o que também controla o gorgulho. As moléstias mais comuns que atacam as goiabeiras são a ferrugem, a verrugose, a antracnose, a mancha-das-folhas, a podridão-das-raízes, o cancro-do-tronco e dos ramos e um tipo especialmente nefasto debacteriose (devida à Erwinia peidii). A ferrugem, a verrugose, a antracnose e a mancha-das-folhas são controladas por meio de tratamento sistemático com calda bordalesa e com uma boa nutrição da planta. Os danos da bactéria são reduzidos por um conjunto de medidas de ordem cultural e fitos sanitária, envolvendo desde uma poda total seguida por uma pulverização com calda sulfocálcica a 32°Baumé (grau de densidade da solução), na diluição de  1:8, até aplicações protetoras com fungicida cúprico. No caso de cancro-dos-ramos e do tronco, recomenda-se a eliminação das porções atacadas, quando possível, e a remoção, com escova de aço, das escamas de tecido morto que permanecerem na planta. Segue-se uma pulverizaçao com calda sulfocálcica.. A podridâo-das-raízes é evitada pela cuidadosa escolha do terreno, não se plantando em solos pesados, úmidos, mal drenados ou recém-desbravados.

Colheita e utilização 
    Quando enxertada, a goiabeira produz já no primeiro ano; de pé-franco, alguns frutos podem ser esperados no segundo ano. Essa produção cresce à medida que a planta se toma mais velha até se estabilizar. A colheitados frutos destinados ao mercado deve ser realizada duas ou três vezes por semana, pela manhã, estando as goiabas ainda cobertas pelo orvalho ou pela chuva. Já o sfrutos destinados à indústria podem ser colhidos durante o dia todo. Um goiabal em plena produção rende de 70 a 80 kg/ano de frutas por pé. 

Composição nutricional por 100 g 
    69 calorias, 0,9 g de proteínas, 22 mg de cálcio, 26mg de fósforo, 0,7 mg de ferro, 0,04 mg de vitamina B1 0,04 mg de vitamina B2 e218 mg de vitamina C.

Fotos
Goiaba branca

Goiaba vermelha

Goiabeira
Referências
CASTRO, J. V.; SIGRIST, J. M. M. II. Matéria-prima. In: Goiaba: cultura, matéria-prima, processamento e aspectos econômicos. Campinas: Instituto de Tecnologia de Alimentos, 1988, p. 121-139.

AMARO, A.A. et alli. A cultura da goiabeira. São Paulo, IEA s.d.p 47p

PEREIRA, F. M. Propagação da goiabeira através de estacas herbáceas. :Informativo SBF, Jaboticabal, 5:16:17, 1986.

 PRATES, H. S. JUNQUEIRA, W. R. & FALAGUASTA V. P. Goiaba: uma fruta tropical. In Casa da Agriultura, Campinas 2(6): 26-31, novembro-dezembro, 1980.

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