Cupuaçu

    O Cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum, Schum), também chamado simplesmente de cupu no interior da região Norte, pertencente à mesma família do cacaueiro, é uma planta tipicamente amazônica, encontrada em estado silvestre na parte sul e sudeste da Amazônia oriental, nordeste do Maranhão, e atualmente disseminada por toda a bacia amazônica brasileira e internacional. Alguns exemplares já foram encontrados no Rio de Janeiro, na Bahia e ocasionalmente em outros países, como Venezuela, Colômbia, Equador e Costa Rica. Ele já é cultivado de forma expressiva no Pará e no Amazonas, até para exportação de seus derivados: sucos, doces, néctares, compotas, geleias, sorvetes, cremes, tortas, licores, biscoitos e bolos. Todos esses produtos derivam da polpa do cupuaçu, que também pode ser comida ao natural e é exportada em grandes quantidades para o Japão e a Suécia. Ela possui mais vitamina C que o abacaxi a manga e mais fósforo que o caju. E as sementes são consideradas ainda mais nutritivas que a polpa. Com 48 % de uma substância gordurosa comestível, semelhante à manteiga de cacau, as sementes são ótima matéria-prima para o preparo de um chocolate branco de fina qualidade. Da casca do fruto, enfim, que é utilizada como adubo orgânico, pode-se extrair também ração animal.

Descrição e variedades 
    Em estado silvestre, o cupuaçuzeiro ultrapassa 20 m de altura. Quando cultivado, varia de 6 a 8 m. A copa chega a atingir 7 m de diâmetro, as folhas têm de 25 a 35 cm de largura e o fruto varia de 12 a 25 cm de comprimento e de 10 a 12 cm de diâmetro, pesando em média 1.5 kg. A casca dura, lenhosa, mas quebrável e se desprende com facilidade. A polpa é amarelada ou esbranquiçada, de sabor ácido cheiro agradável. Cada fruto tem, em média, cinquenta sementes. Trabalhos de seleção e obtenção de espécies melhoradas ainda estão em fase inicial, mas já existem variedade sem semente, também chamada maumau ou cupuaçu-de-massa. Existem outras variedades: a mais comum é o cupuaçu-redondo, com frutos de extremos arredondados e casca de 6 a 7 mm de espessura e 1,5 kg de peso; o eu-pacu-casca-fina, semelhante ao anterior, mas com casca de 4 a 5 mm de espessura; o mamorana, com casca de 7 a 9 mm de espessura, sementes grandes e frutos de até 4 kg; e o cupuaçu-de-colares, com casca de 6 a 7 mm de espessura e peso médio levemente superior ao do grupo redondo.

Clima e solo 
    Nas áreas de ocorrência natural ou de cultivo do cupuaçu, a temperatura média anual varia entre 21,6 e 27,5°C, e a média anual da umidade relativa do ar de 77 a 88%. As chuvas anuais nessas áreas oscilam de 1900 a 100mm. De modo geral, recomenda-se seu cultivo em regiões que vão do clima subsumido ao super umido, com chuvas anuais de mais de 1800 mm, bem distribuídas durante o ano, e com temperatura média anual do ar superior a 22°C. À escolha da área para plantio pode variar com o sistema adotado. O ideal é que sejam planas e de fácil acesso, com aguadas abundantes  mas tolera-se a utilização de terrenos ondulados, quando os cupuaçuzeiros são plantados em cordões-de-contorno. Os solos devem ser profundos, de terra firme, com boa retenção de água e fertilidade elevada, mas a planta aceita solos de baixa fertilidade e boa constituição física, corno os existentes na maior parte da Amazônia. Em várzea alta, o cupuaçuzeiro tem produzido bem, embora não suporte cheias prolongadas.

Preparo do terriço 
    Retirar os primeiros 10 cm da superfície do solo, de preferência numa mata ou capoeirão. O material deve ser peneirado e misturado com esterço de curral ou cama de aviário, na proporção de três a quatro partes de terra para uma de adubo. Para a formação das mudas são indicados sacos de polietileno de 10 x 20 cm ou, de preferência, de 10 x30 cm.

Semeadura 
    As sementes selecionadas devem ser colocadas para pré-germinarem local úmido e sombreado. Assim que começarem a emitir um ponto branco, a radícula, devem ser enterradas a 1,5 cm de profundidade nos sacos de polietileno, à razão de uma por saco. Para melhor retenção da água, coloca-se a semente na superfície do terriço cobrindo-a com uma camada de 2 cm de serragem úmida. Nesse caso, enche-se o saco com terriço somente até 2 cm da boca.

Construção do viveiro 
    As mudas são produzidas em viveiros, armados com estacas de madeira e protegidos, em cima e dos lados, por folhas de palmeiras. O viveiro deve ficar perto do lugar do plantio definitivo, com fonte de água suficiente para as regas, em terreno de pouca declividade e protegido de ventos fortes e da invasão de animais domésticos ou silvestres. Em volta do viveiro, abrem-se valas para drenar o excesso de água. O local deve ter boa exposição ao sol e, no interior do viveiro, o sombreamento deve ser da ordem de 50%. Ali, os sacos de polietileno com as sementes são dispostos em canteiros, distanciados uns dos outros por 60 cm. Dessa forma, haverá quarenta mudas para cada metro quadrado de viveiro. Após o pegamento das mudas, retiram-se algumas folhas da cobertura, procedimento que também deve ser adotado em dias excessivamente nublados. Arrancamento de invasoras, revolvimento da terra e regas deve ser feito normalmente. No momento de transferir as mudas para o campo, eliminam-se as raquíticas, as pouco vigorosas, as mal conformadas e as doentes. Em geral, é preciso eliminar 40% das mudas.

Mudas enxertadas 
    O método mais indicado é a enxertia de borbulha tipo forket modificado. Pode-se também usar a garfagem lateral no álburno. As mudas a serem enxertadas devem ter cerca de 1111 cm de diâmetro. No caso da borbulha, a fita deve ser tirada 21 dias após a enxertia; para a garfagem, somente após trinta dias. Os garfos devem ser protegidos com sacos de plásticos que só podem ser retirados depois do lançamento de folhas novas do enxerto. Quando os enxertos pegam, faz-se a capação dos porta-enxertos. Eles podem ser do próprio cupuaçu ou de outras espécies do gênero Theobroma.

Plantio 
    Deve coincidir com o período chuvoso, quando as mudas estarão com cerca de 7 meses de idade e 80 cm de altura. O espaçamento é de 5 m entre as plantas. No decorrer do cultivo desbasta-se a área de acordo com os registros de 267 produção de cada planta e a concorrência da vegetação em redor. Por voltado sétimo ou oitavo ano, o espaço recomendado é de 50 m2 por planta.

Corvejamento 
    É muito importante o bom preparo da cova, que deve ter 40 cm de largura, de profundidade e de comprimento. O ideal é que cada cova receba 20l de esterco de gado ou cama-de-aviário, mas o mínimo de adubação aceitável é 10l de esterco de gado curtido com 100 g de fosfato de Araxá, misturados à terra recolocados no fundo da cova, até a altura de 15 cm. É melhor não recolocar a terra retirada do fundo da cova. O torrão de terra junto à muda deve ser disposto no centro cova, sobre a terra adubada. Só então a cova é enchida com o restante da terra, O coleto da muda entre a parte aérea e a raiz deve ficar 5 cm acima do nível do solo.

Adubação 
    Em plantios experimentais tem-se adotado um esquema de adubação montado com base na cultura de cacau, próprio para solos com baixo nível de fósforo e potássio. Ainda não existem indicações precisas, mas sabe-se que o cupuaçuzeiro deve ser adubado três vezes por ano, durante o período chuvoso; uma vez logo no início desse período, outra no meio e a última pouco antes do final das chuvas. Roçagens devem ser evitadas no meio do período seco. No início desse período deve haver palha proveniente de roçagem anterior ou palha de arroz, ou material semelhante para servir de cobertura morta. A roçagem é feita tanto nas linhas de plantio do cupuaçuzeiro como nas entre linhas, mas com periodicidade diferente: nas linhas de plantio ela precede o coroamento, feito a cada três meses para retirar as plantas invasoras; nas entrelinhas, recomenda-se a roçagem semestral.

Poda
    Há urna poda de formação do tronco, para retirada dos ramos muito baixos que dificultam os tratos culturais, e outra de limpeza.

Plantas invasoras 
    Para o manejo das invasoras é necessário o coroamento, que consiste na capina em torno da planta, num raio de 0,75 a 1 m. Deve ser feito com a enxada, mas com muito cuidado para não formar bacia em volta da muda, isto é, não remover a terra da coroa da planta.

Pragas 
    Na fase de viveiro, nos primeiros dias após a germinação, insetos cortadores como o gafanhoto ou a saúva costumam causar problemas. Também pode ocorrer o ataque de roedores. Na fase adulta, não há registro de pragas que causem danos expressivos, mas as mais comuns são os pulgões, as vaquinhas, a broca-de-tronco, as lagartas e a abelha-cachorro.

Doenças 
As mais comuns são a vassoura-de-bruxa, a antracnose e a queima-do-fio. No caso da vassoura-de-bruxa, o fungo provoca o super brotamento dos ramos. Recomenda-se a poda a 5 ou 10 cm da zona intumescida e a queima dos ramos atacados fora da roça, pelo menosduas vezes por ano. Também é recomendável a eliminação de galhos secos. Paraa antracnose, em plantas adultas, e no caso de queima-da-frio, pulverizar quinzenalmente calda bordalesa a 1 %, até a diminuição do ataque.

Ciclo da cultura 
    O cupuaçuzeiro temperío dos típicos de floração e frutificação, simultâneos somente entre novembro e março. As flores aparecem em junho e desaparecem em março, estando o pico da floração entre novembro e janeiro. O fruto amadurece em pouco mais de quatro meses, entre novembro e junho, atingido o pico de produção entre fevereiro e março. Em plantas jovens, a primeira floração pode ocorrer no terceiro ano após o plantio, com ligeiras variações: as enxertadas frutificam cerca de dois anos e meio após o plantio, enquanto as plantas de semente só o fazem a partir do quarto ano. Em plantios tecnicamente conduzidos, espera-se uma produção de 400 frutos por hectare no segundo ano de campo (o que resulta em pouco mais de 200 kg de polpa) e de 9000 frutos por hectare no décimo ano de campo, ou pouco mais de 5000 kg de polpa.

Colheita 
    Os frutos estão em ponto de colheita por volta de quatro meses após a floração. A colheita é feita manualmente, recolhendo-se os frutos que caem espontaneamente quando maduros.O despolpamento pode ser manual ou mecanizado, mas a aceitação do primeiro é maior no mercado, porque deixa pedaços de polpa, próprios para certos doces, enquanto o mecanizado toma a polpa fina e homogênea.

Composição nutricional por 100 g
    72 calorias,1,76 g de proteínas, 23 mg de cálcio,26 mg de fósforo, 2,6 mg de ferro, 30 mmg de vitamina A, 0,04mg de vitamina B1 0,04 mg de vitamina B2 e 33 mg de vitamina C.

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