Alho

Alho a cultura e o cultivo - O Alho (Allium sativum L.) é uma das culturas mais lucrativas do país, mas ao mesmo tempo uma das de maior risco devido à desorganização da produção.

Clima 
    As regiões mais propícias ao cultivo do alho são as do Centro-Sul do pais, que correspondem aos maiores estados produtores Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo. A temperatura média mensal indicada é de 13 a 24°C, conforme a variedade. É importante que no inverno ela chegue em alguns momentos a menos de 15°C, porque isso estimula a formação do bulbo (cabeça). De 20°C a 30°C, a formação do bulbo é prejudicada, e acima de 30ºC não se produz alho de bom aspecto. De maneira geral, o alho exige pouco frio na fase inicial de seu ciclo e muito na fase média. No final do ciclo o alho precisa de dias longos e de calor. O foto período (nome que os técnicos dão ao comprimento do dia, do nascer ao pôr-do-sol), é outro fator que influencia o desenvolvimento do alho.
    Cada variedade exige maior ou menor foto período. Na maioria das regiões produtoras o alho é plantado na época da seca, fazendo-se necessária a irrigação, que só deve ser interrompida com a chegada das chuvas ou caso não cheguem, cerca de 20 dias antes da colheita. Apesar de problemática, desde que se use a variedade adequada, a cultura do alho é viável em quase todo o país, com exceção da Amazônia, onde só se conhecem experiências favoráveis em alguns pontos do Acre e de Roraima. 

Solo 
    Os solos mais apropriados são os leves, ricos em matéria orgânica, e também os areno-argilosos. Os solos muito argilosos devem ser evitados porque dificultam a colheita e deformam os bulbos. Os solos arenosos também não são bons para o alho, porque quase não retêm umidade e são pobres em nutrientes. Bom solo para o alho é o turfoso, fértil, poroso e de boa drenagem. O plantio é feito normalmente em solos de baixada, com boa drenagem e facilidade para irrigação, mas só na época certa porque o plantio antecipado (janeiro- fevereiro) coincide com as chuvas, que dificultam o trabalho nesse tipo de solo. O plantio tardio também não é recomendável nas baixadas uma vez que a colheita coincide com o início das chuvas, o que afeta o bom aspecto do, alho. Se for necessário, corrigir a acidez (o pH deve ser de 6,0 a 6,5) o ideal é fazê-lo com seis meses de antecedência, cultivando-se outra espécie antes. É muito usada a adubação orgânica, com 30 a 40 t de adubo de curral ou 10 a 15 t de esterco de galinha por hectare. 

Variedades 
    Existem no Brasil variedades tardias, com ciclo de seis meses ou mais, geralmente mais exigentes em frio como é o caso da chonan que para serem plantadas em regiões mais quentes, durante 39 dias, a temperaturas de 5 a 15ºC, o que pode ser feito numa geladeira doméstica, Há também variedades de ciclo médio (cinco a seis meses incompletos) a precoces (quatro a cinco meses incompletos).

Época de plantio 
    Varia de acordo com as condições climáticas regionais e as variedades escolhidas. No Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná), as variedades tardias, mais exigentes em frio, são plantadas no fim de junho e início de julho; as de ciclo médio e precoce podem ser plantadas em março e início de abril. No Centro-Oeste e Sudeste, incluindo o norte do Paraná, o plantio é feito de 15 de março a 15 de abril. Costuma-se dizer nessas regiões que a Semana Santa é a melhor época para plantar alho, no Nordeste e Norte, o plantio deve ser feito no final de abril e no mês de maio, essas são as melhores épocas, mas no Sul, há quem plante variedade alho-precoce no mês de junho, para colhê-lo em fins de setembro ou outubro, quando o produto alcança melhores preços no mercado. Se o plantio for feito antes da época indicada, a colheita é prejudicada. 

Processo de plantio
    O alho é plantado por dentes (bulbilhos). Deve-se ter o cuidado de não adquirir alhos contaminados com doenças ou pragas. O preparo para o plantio começa com a debulha, que é a operação de desmanchar as cabeças (bulbos), separando-se os dentes um do outro. Uma tonelada de alho é debulhada em quatrocentas horas de trabalho a mão ou apenas duas horas e meia em debulhador elétrico. Em seguida, faz-se a classificação por tamanho dos dentes. Os de tamanhos diferentes tendem à maturação em épocas diferentes, devendo portanto ser plantados os de tamanhos iguais para uma colheita de boa qualidade final. A classificação se faz passando os dentes por quatro peneiras: a n.1, com malha de 15 x 25 mm; a n.2, com 10 x 20 mm; a n.3, com 8 x 17 mm n.4, com 5 x 17 mm. Os dentes que passam pela peneira n. 4 são chamados palitos. Deve-se então fazer uma seleção, eliminando os dentes chochos, com coloração diferente, atacados por pragas ou doenças e os descascados ou com algum dano, depois, faz-se um tratamento para diminuir a contaminação com doenças do solo, principalmente a podridão-branca, o tratamento consiste em espalhar os dentes sobre um plástico, pulverizá-los com água e um pouco de adesivo e colocá-los ainda um pouco umedecidos num tambor com eixo excêntrico em que se coloca também a quantidade de fungicida indicada. A seguir, gira-se o tambor para que haja aderência do fungicida aos dentes. 
    O plantio é feito em canteiros de 0,70 a 1 ,00 m de largura, a distância entre as fileiras deve ser de 25 a 30 cm e entre as plantas dentro da fileira de 8 a 10 cm (no Estado de São Paulo, o IAC recomenda o espaçamento de 25 x 10 cm). A profundidade será de 3 a 5 cm. Utilizando-se o espaçamento de 30 x 10 cm, haverá 300.000 plantas por hectare, e os gastos com alho-semente serão de 1.200 kg, se utilizados os dentes que ficam na peneira n.1 (com 4 g cada); 900 kg de dentes da peneira n.2 (com 3 g cada); 600 kg de dentes da peneira n.3 (2 g), ou 300 kg de dentes da peneira n. 4 (1 g).
    Das variedades de dente pequeno, como o branco-mineiro, cateto-roxo, centenário e dourados, utilizam-se em média 350 a 400 kg/ha de alho-semente. As de dente grande, como chonan, peruano, roxo-pérola-de-caçador, quitéria, coxiense, chinês e amarante, de 700 a 800 kg/ha, em média. Já existe uma plantadeira mecânica, desenvolvida com a participação do Centro Nacional de Pesquisas de Hortaliças (CNPH), da Embrapa, em Brasília, e uma outra que pode ser adaptada à tração animal ou mecânica, desenvolvida pelo Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados, da Embrapa. Um hábito de alguns plantadores no tratamento do alho-semente é o corte da pontado dente. Segundo informações do CNPH, isso não traz vantagem alguma e só aumenta a mão-de-obra. 

Tratos culturais 
    A cobertura morta depois do plantio e antes da brotação do alho, com 7 a 10 cm de espessura, favorece a redução da temperatura do solo e a retenção da umidade e impede o aparecimento de muitas invasoras, com exceção da tiririca e o trevo, usam-se normalmente a palha de arroz, capim sem semente ou cana picada e, mais raramente, a serragem, O combate a invasoras é necessário até a décima terceira semana depois do plantio do alho. Em caso de estiagem, a irrigação por aspersão é feita a cada dois dias nos primeiros trinta dias, a cada quatro ou cinco dias nos sessenta dias seguintes e a cada semana até dez ou vinte dias antes da colheita. A irrigação pode ser feita também por sulcos, exigindo para isso uma boa orientação técnica. 

Pragas e doenças 
    As principais pragas são a tripés, um pequeno inseto que raspa a folha e suga a seiva da planta, provocando seu amarelecimento e seca; o ácaro dos bulbos, que vive nas dobras das folhas e sobre os dentes, podendo provocar diminuição da produção e chochamento dos bulbilhos ou dentes; as traças, pequenas mariposas que põem ovos nas cabeças armazenadas, e delas nascem larvas que penetram nos dentes; e outras pragas de menor importância como a lagarta-rosca, a lagarta-militar e, já em condições de armazenarnento, o caruncho-das-tulhas, As principais doenças são a ferrugem, que se desenvolve em condições de chuva pesada, orvalho abundante e temperatura em torno de 20ºC; a mancha-púrpura ou queima-das-folhas, que ocorre com umidade elevada e constante (excesso de chuvas), orvalho persistente ou irrigação excessiva; a podridão-branca, favorecida por temperaturas amenas, e o nematóide-da-haste e do bulbo-do-alho. 

Colheita 
    Quando as folhas começam a secar, o alho atingiu o ponto de colheita, a colheita deve ser feita de preferência em dia de sol, de manhã, para que a cura ou secagem comece no próprio local da colheita. As plantas são arrancadas inteiras e deixadas sobre os canteiros, de modo que os bulbos sejam cobertos pela palha da fila anterior ficando assim de uma três dias, dependendo das condições climáticas, A cura prossegue então em galpões à sombra, por vinte a sessenta dias,com os bulbos colocados em estrados, telas ou esteiras sobre cavaletes. 

Armazenamento 
     Até a época de comercialização ou de plantio, o alho deve ser armazenado em galpão com telha de barro, alto (pé-direto de no mínimo 3 m de altura) e com saída de ar na parte mais alta da perede. O piso de cimento é o mais indicado, não podendo haver, deforma alguma, infiltração de água, o alho deve ser colocado em cavaletes, em caixas ou sacos empilhados, em estrados ou em camadas finas sobre tablado ou piso seco. Em câmara fria, a 0°C e umidade relativa de 70 a 75%, o alho pode ser conservado até oito meses, Normalmente o alho é armazenado sem a rama, mas há produtores que aconselham dei-xá-la, assim como as raízes; eles armazenam o alho em réstias, para que resista mais tempo sem brotar. Antes da comercialização, eliminam-se as cabeças com defeitos, corta-se a rama a 1 cm da cabeça e a raiz rente a ela, com cuidado para não prejudicá-la, e retira-se a primeira capa externa do bulbo. Considera-se de-feito o chochamento parcial ou total, o brotamento, a abertura do bulbo (dentes à mostra), a mumificação (parte interna seca ou muito úmida) e outros, como ataque por fungos e danos mecânicos. 

Classificação 
    De acordo com portaria do Ministério da Agricultura, são considerados alhos nobres os que têm até vinte dentes e comuns os com mais de vinte. De acordo com a coloração da túnica (casca da cabeça) e da película (casca dos dentes), os alhos são classificados em subgrupos, Do subgrupo I são os de túnica e película brancas (como o centenário); do subgrupo 2, os de túnica roxa e película branca (o chonan, por exemplo); e, do 3, os de túnica e película roxa (como o gigante-de-lavínia). A classificação leva em consideração também o tamanho da cabeça, medindo-se o seu diâmetro horizontal. Enfim, levam-se em conta também os defeitos. O alho tipo extra não poderá ter defeitos que somem mais de 6%, o tipo especial pode ter até 12% e, o comercial, até 18%, As embalagens padronizadas pelo Ministério da Agricultura são caixas de madeira com 10 kg e sacos plásticos de telado retangular para 10 ou 20 kg. 

Usos 
    O uso mais comum do alho é como condimento. Para esse fim, pode ser consumido ao natural ou industrializado, sob a forma de pastas ou cremes em pó, e na composição de temperos,molhos, etc. Mas há muitas outras formas de utilização desta hortaliça originá-ria da Ásia Central. São bem conhecidas suas qualidades medicinais. Na homeopatia chinesa, por exemplo, é considerado ótimo revigorante do organismo e na medicina natural é empregado como estimulante da secreção de enzimas digestivas, que melhoram o funcionamento do estômago e dos intestinos, bactericida, analgésico de dores nevralgícas e reumáticas (ação da vitamina B1) vermífugo, e até mesmo como anticancerígeno e preservador da disposição física e capacidade sexual. Plantado junto a hortaliças, o alho protege-as contra algumas pragas. A própria formiga, se não é repelida pelo alho, pelo. menos sempre prefere recorrer a outras plantas antes de ter que cortar suas folhas. Atualmente, o alho está sendo muito utilizado em hipódromos, pois garante-se que o morcego transmissor da raiva não ataca o cavalo que tenha alho misturado em sua ração. Outro uso para animais é sua mistura na comida de cães e gatos, para melhorar a palatabilidade, tendo ainda a vantagem de, neste caso,funcionar como vermífugo. Segundo a crença popular, o alho é ainda capaz de espantar cobras (há pescadores que maceram alho e amarram nas pernas, com este fim), e  mau-olhado. Afrodisíaco? Pelo menos há registros de que monges antigos, quando apresentavam bafo de alho, eram expulsos sob a alegação de que estariam propensos a perder o celibato. 

Auto-suficiência e produtividade
    O alho nacional desaparece do mercado de março a agosto, tomando indispensável a importação. O plantio deve ser feito no Sul porque aí é possível colher em dezembro e conservara colheita até agosto, perdendo apenas 1% de peso ao mês. Já o alho do Centro-Oeste e do Sudeste tem de abastecer o mercado de setembro a janeiro e o Norte e Nordeste teriam que se auto-abastecer. Entre as barreiras para a auto-suficiência estão os interesses dos importadores, pois corre solto no mercado que "é melhor ter uma quota de importação de alho do que ter um poço de petróleo". Descontado o exagero, a observação procede, afinal, o alho importado é mais caro do que o nacional. Outro obstáculo à auto-suficiência, talvez o principal, é que o alho produzido no Sul teria que ser colocado no mercado aos poucos, a partir de fevereiro, para não provocar um desequilíbrio econômico, em razão do excesso de oferta. E o produtor necessitaria de orientação técnica e de mais crédito, uma vez que o dinheiro da venda de sua produção iria também entrar aos poucos em seu bolso, de fevereiro até agosto. A auto suficiência depende ainda do aumento da produtividade. Alguns pesquisadores conseguiram até 10 t/ha, mas a média nacional não tem ido além de 4 t/ha. 

Composição nutricional por 100 g 
    134 calorias, 5,3 g de proteínas, 38 mg de cálcio, 134 mg de fósforo, 1,4 mg de ferro, 2 mmg de vitamina A, 0,21 mg de vitamina B1, 0,08 de vitamina B2 e 9 mg de vitamina C.

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