Abóboras

    As abóboras, plantas anuais, rasteiras, da família das cucurbitáceas, são de origem contraditória: há informações sobre o seu cultivo no Sul da Asia há cerca de 2 mil anos e sabe-se também que já eram utilizadas como alimento na América, antes da chegada dos europeus. Ao grupo das abóboras pertencem a abóbora rasteira (Cucurbita moschata, Duchesne), a moranga (C. maxima, Duchesne), a moranga híbrida, obtida pelo cruzamento da abóbora com moranga, e a abobrinha (C.pepo, Duchesne), também chamada abobrinha italiana, que não deve ser confundida com a abobrinha verde, que é uma variedade da abóbora rasteira. As abóboras são consumidas sob a forma de doces ou em diversos pratos salgados e são muito importantes nas dietas, pelo seu alto teor de caroteno. As morangas híbridas estão se popularizando rapidamente, sendo muito bem aceitas e já se transformaram numa das hortaliças de maior importância econômica no interior de Minas Gerais. 

Clima e solo 
    As abóboras são plantas de clima quente, preferindo temperaturas de 20 a 27°C, e não resistem a temperaturas abaixo de l0°C. Adaptam-se a vários tipos de solos, mas preferem os argilo-arenosos, bem drenados, leves e de boa fertilidade. Segundo a Emater-MG, o pH ideal para o cultivo da moranga híbrida é de 5,5 a 6,6. 

Variedades 
    Abóbora rasteira: menina-gigante, gigante, amarela, caravela, canhão e baianinha. O IAC recomenda também a mini paulista. 
    Abobrinha-verde: menina-brasileira. Moranga: coroa e exposição.
    Híbridas: tetsukabuto (a maisplantada), lavras I, lavras II e ebissu. (Ver foto das variedades no final deste artigo).

Época de plantio 
    São plantadas durante o ano todo em regiões quentes, e de agosto a março em regiões de inverno ameno. Em locais sujeitos a geadas, deagosto a fevereiro. 

Covas 
    50 cm de lado e 30 cm de profundidade. Cada cova deve ser adubada com 5 a 10 l de esterco de curral bem curtido ou 2 a 3 l de esterco de galinha. 

Plantio 
    Duas a três sementes por cova (alguns técnicos recomendam 3 a 5 se-mentes), cobertas com 2 a 3 cm de terra. A Emater-MG recomenda também o plantio por mudas feitas em saquinhos plásticos pequenos ou copinhos de papel jornal com 10 em de altura e 5 cm de diâmetro. Enche-se o copinho de terra até faltar 2 em para cornpletá-lo; planta-se uma semente por copinho, cobrindo a seguir com 1 cm de terra. A muda é levada para o campo quando tem duas ou três folhas definitivas. 

Espaçamento 
    Abóbora: 5 x 4 m; moranga: 4 x 3 m; híbrida: 3 x 2 m; abobrinha-verde: 4 x 3 m. 

Polinização das híbridas 
    As morangas híbridas têm poucas flores masculinas e não produzem pólen, por isso plantam-se em 10% das covas variedades polinízadoras de abóbora ou moranga, como a coroa-IAC, abóbora-de-porco e menina-brasileira, 10 a 15 dias antes da híbrida. A abóbora italiana também é usada como polinizadora, mas, por ser mais precoce, é plantada 15 dias depois da híbrida. A Emater-MG recomenda que se plante uma cova de polinizadora para cada cinco ou seis de híbrida, ou uma fila para cinco ou seis. As morangas lavras I e lavras II não precisam ser intercaladas com abóboras polinizadoras. 

Irrigação 
    Diariamente, até trinta dias depois do plantio, e de quatro em quatro dias até o início da maturação dos frutos. 

Capinas 
    As culturas de abóbora e moranga devem ser mantidas no limpo. 

Adubação de cobertura 
    Feita 30 dias depois do plantio. Aplicam-se 2 l de esterco líquido por planta. 

Pragas e doenças 
    As pragas que atacam as cucurbitáceas são os pulgões, vaquinhas e brocas, que podem ser controladas com cobertura morta de palha de arroz entre as covas. Usa-se também um repelente à base de pimenta ou inseticida à base de fumo. O repelente é feito com 500 g de pimenta-verde ou vermelha, 4 l de água e 50 colheres de sabão em pó. Batem-se as pimentas no liquidificador, com 2 l de água, coam-se e misturam-se o sabão e o restante da água. O repelente é pulverizado sobre as plantas atacadas.O inseticida é feito com 100 g de fumo de corda picado, três colheres de sabão de coco e 4 l de água. O fumo é fervido em 2 l de água, durante cinco minutos. Depois de esfriar ecoar, misturam-se o sabão de coco e o resto da água. Essa mistura deve ser pulverizada sobre as folhas atacadas. Se os pulgões não desaparecerem, aumenta-se a dosagem de fumo na composição. As principais doenças são a antracnose, o oídio, o míldio, o crestamento gomoso do caule, a podridão-dos-frutos e o mosaico. A antracnose, que forma placas verdes na superfície dos frutos, é favorecida pela alta umidade do ar e temperatura de 21 a 27°C, e é controlada com rotação de culturas (repolho, couve, tomate, alface, berinjela) durante dois ou três anos, com a utilização de sementes sadias e eliminação de cucurbitãceas selvagens e restos de cultura. O oídio, que ataca as folhas dos frutos expondo-os à queimadura do sol, é causado por um fungo que se desenvolve em temperaturas baixas, orvalho e nevoeiro pesado. O mildio, também causado por fungos, deixa lesões e manchas verde-oliva e púrpuranas folhas e é controlado evitando-se o plantio em períodos sujeitos à neblina e a temperaturas entre 16 e 22°C. Devem-se também evitar baixadas mal ventiladas ecom acúmulo de ar frio. 
    O crestamento gomoso do caule, provocado por fungo que se desenvolve em temperaturas acima de 25°C, pode atacar qualquer órgão da planta, deixando lesões circulares de corpar da e preta nos frutos, e é controlado com a rotação de culturas, usando-se só sementes sadias. A podridão-dos-frutos é provocada por bactérias, e as medidas preventivas são a rotação de culturas, tratos culturais para proteger os frutos do contato direto com o solo e a escolha de período seco e solos leves, drenados e não sujeitos ao encharcamento. O vírus do mosaico pode ser transmitido pela semente, durante os tratos culturais, ou por pulgões. Esta doença reduz o tamanho das folhas e interfere no desenvolvimento das flores, que acabam não frutificando. Seu controle consiste em usar sementes sadias, evitar utilizar áreas onde foram plantadas outras cucurbitáceas e eliminaras plantas suspeitas. 

Raleação 
    Quando as plantas estiverem com 3 a 4 folhas, eliminam-se as menos desenvolvidas, deixando duas plantas porcova. 

Colheita 
    Deve ser feita quando o talo amarelecer, usando-se tesoura de poda ou serrote. Deixa-se uma haste de cerca de 2 cm. A abóbora demora de 120 a 150 dias para chegar ao ponto de colheita: a híbrida, de 100 a 120 dias; a moranga coroa IAC de 90 a 110 dias; a moranga exposição de 150 dias, e a abobrinha-verde, cerca de 75 dias (é comercializada como"abobrinha").

Produtividade 
   Abóbora: de 12 a 16t/ha; híbrida: de 8 a 10 t/ha; moranga: de10 a 12 t/ha.

Composição nutricional por 100 g 
Abóbora: 40 calorias. 1,2 g de proteína, 12 mg de, cálcio, 27 mg de fósforo, 0,7 mg de ferro, 350 mmg de vitamina A, 0,05 mg de vitamina B1, 0,04mg de vitamina B2 e 42 mg de vitamina C.
Moranga: 35 calorias, 1,7 g de proteína, 32 mg de cálcio, 24 mg de fósforo, 2,3 mg de ferro, 380 mmg de vitamina A, 0,07 mg de vitamina B1, 0,05 mg de vitamina B2 e 11 mg de vitamina C.
Folha de abóbora: 27 calorias,4,0 g de proteínas, 477 mg de cálcio, 136 mg de fósforo, 0,8 mg de ferro, 600 mmg de vitamina A, 0,09 mg de vitamina B1, 0,06 mg de vitamina B2 e 80 mg de vitamina C.
Broto de abóbora - 26 calorias, 4,2 g de proteínas, 127 mg de cálcio, 96 mg de fósforo, 5,8 mg de ferro, 270 mmg de vitamina A. 0,14 mg de vitamina B1 0,17mg de vitamina B2 e 58 mg de vitamina C.
Fotos
Fonte da imagem: Hobby Verde http://www.hobbyverde.com.br/ (clique para ampliar)

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