Pimenta do reino

    A pimenteira-do-reino (Piper nigrum L.) é uma planta trepadeira da família das Piperáceas, originária da Índia. Possui folhas ovaladas e estreitas nas pontas. As flores reúnem-se em espigas alongadas. O fruto chamado de pimenta-do-reino, é pequeno, esférico e dá em cachos de 20 a 30 frutos cada. A planta chegou ao Brasil no século XVIII, mas só em 1933, com a vinda de imigrantes japoneses a Torné-Açu, no Pará,trazendo mudas da variedade cingapura, passou a ser produzida economicamente no país. Hoje o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores, respondendo por cerca de 28% da produção mundial. Os grandes importadores são os países desenvolvidos: Estados Unidos, União Soviética, Japão, França, Alemanha Ocidental e Inglaterra. Nenhum desses países tem clima propício para a produção de pimenta-ao-reino, o que representa uma garantia de mercado para o Brasil e outros produtores. A expansão da produção depende mais do aumento do consumo internacional do que das condições locais, pois aqui existem muitas áreas capazes de produzir para atender ao possível aumento da demanda. Nisso, o Brasil leva vantagem em relação aos outros produtores (Indonésia, Índia e Malásia), que não têm grandes possibilidades de expandir a área cultivada.
Pimenta do reino, Piper nigrum

Variedades 
     A mais cultivada no Brasil é a cingapura, de folhas estreitas, espigas curtas e frutos pequenos. São recomendadas também a panniyur-L (folhas grandes, espigas longas, frutos bem desenvolvidos, resistentes à podridão), a balankota, e kalluvaly e a karimunda. 

Clima e solo 
    O clima mais indicado é o quente e úmido, com temperaturas médias em tomo de 27°C, 2500 mm de chuvas bem distribuídas durante a maioria dos meses e umidade relativa do ar de 80%. Mas experiências do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) no plantio paulista, deram bons resultados com chuvas de pouco mais de 1100 mm ano. A cultura da pimenta-do-reino adapta-se a diversos tipos de solo, desde os de estrutura leve e porosa até os de pesada e argilosa. O mais importante é que tenha boa drenagem, pois os terrenos sujeitos a encharcamento prejudicam as raízes da planta. Mas se a retenção de umidade for muito baixa nos períodos mais secos do ano, pode haver ressecamento das raízes, impedindo a formação de novas brotações. Solos pedregosos também devem ser evitados. 

Plantio 
    A época mais apropriada para o plantio é a do início da estação chuvosa, de preferência em dias nublados. No Amapá, por exemplo, os técnicos de órgãos oficiais recomendam o plantio de janeiro a março e, em São Paulo, de outubro a dezembro .A planta deve receber muita chuva pelo menos por dois meses. No Pará costuma-se retirar material para propagação em novembro e dezembro. O plantio pode ser feito por meio de mudas ou de estacas enraízadas. De qualquer forma, a cova deve ser aberta com, no mínimo, dois meses de antecedência, feitas as correções do solo, se houver necessidade. Na época do plantio já deverão estar instalados os tutores (ou suportes). Eles devem ser de concreto ou madeira, com 2,8 a 3 m de comprimento e enterrados à profundidade de 50 cm. O de madeira deve ser resistente à umidade, fungos e insetos, pois a planta produz comercialmente cerca de vinte anos. As covas são abertas no lado leste dos tutores, isto é, no lado em que o sol bate de manhã, e devem ter no mínimo 40 cm de lado e de profundidade. As estacas para enraizamento devem ter de quatro a seis nós, 1 cm de diâmetro, coloração verde tendendo para o castanho e ser tiradas de plantas com dois a quatro anos. Elas são enterradas em canteiros,com inclinação de mais ou menos 30 graus em relação ao solo, com 1 ou 2 entre nós fora da terra. Depois de 20 ou 30 dias, as estacas estão enraizadas e surgem as primeiras folhas. Uma semana depois, arrancam-se essas mudas com cuidado e plantam-se nas covas aos pés dos tutores, com bastante matéria orgânica colocada na época de sua abertura. A muda deve ser levemente inclinada em direção ao tutor e coberta com palha por uns 15 ou 20 dias, quando ainda não está bem enraizada. As estacas podem ser também plantadas em sacos de polietileno cheios de terra de boa qualidade, regadas diariamente e, 3 a 4 meses depois, quando já estiverem bem formadas, plantadas definitivamente. Podem-se obter mudas também por meio de sementes, mas esse é um processo mais demorado e não se tem garantia de conseguir plantas com as mesmas qualidades da planta-mãe. O espaça-mento pode ser de 2 x 2 m até 3 x 3 m,mas o mais utilizado é o de 2,5 x 2,5 m, o que representa 1 600 plantas/ha.


Tratos culturais 
    Nos primeiros meses,é preciso amarrar a planta no tutor, para que os ramos não tombem. O amarrio pode ser feito com fio de algodão, fita de plástico, arame ou cipó. Outros tratos aconselhados são a cobertura morta do solo (com capim, palha de arroz, serragem ou bagaço de cana), para manter a umidade e evitar as invasoras; fazer a amontoa, isto é, amontoar o solo em volta do caule até a altura de 20 ou 30 cm, para evitar o acúmulo de água em volta da pimenteira, pois o excesso de umidade pode causar até a sua morte.Em caso de necessidade de capinas, elas devem ser superficiais, principalmente perto das plantas, para não cortar suas raízes. Nos dois primeiros anos, eliminam-se as florações. No primeiro ano, é feita a poda dos ramos de crescimento. Do terceiro ano em diante costuma-se fazer a poda nos ramos ladrões. 

Pragas e doenças
     A pimenteira pode ser atacada por pulgões, saúvas, besouros,cochonilhas e ácaros. As principais doenças são a podridão-das-raízes, podridão-dos-frutos, podridão-do-pé, mal-de-mariquita, queima-do-fio-das-folhas, antracnose, rubelose, fumagina e queima-das-folhas. Grande parte dessas doenças é provocada por fungos do solo, especialmente o Fusarium solani e o F. piperi. O tratamento deve ser orientado por técnicos. 

Consorciação e rotação 
    A Ceplac, na Bahia, indica para a consorciação com a pimenta-do-reino o cravo-da-índia, o guaraná, a macadâmia, o dendê, o coco, a seringueira, a noz-moscada e outras culturas perenes.. No Pará, alguns agricultores cultivam arroz no meio das fileiras de pimenteira. É recomendada a rotação de piperi-cultura (cultura de pimenta) com o cultivo de urucum, cará e inhame. 

Colheita 
    A pimenteira dá duas colheitas por ano. Na Amazônia, a principal é em novembro-dezembro e outra menor ocorre em março. Na Bahia, as colheitas ocorrem em março-abril e outubro-novembro. Em São Paulo há uma colheita em fevereiro-março. A planta começa a produzir no terceiro ano após o plantio. A colheita é feita a mão, usando-se escadas tripé. Um trabalhador pode colher até 100 kg por dia. Para obter a pimenta-preta, os frutos são colhidos quando alguns deles começam a amadurecer. E para a obtenção da pimenta-branca a colheita se faz quando os frutos estão amarelados, ou vermelho-amarelados, sinal de que estão bem maduros. Os pequenos agricultores obtêm a pimenta-preta deixando os cachos para secar ao sol, logo depois da colheita, sobre plástico preto, sacos de aniagem ou área cimentada. Depois de secos, os frutos ficam pretos e levemente enrugados. Só os cachos são debulhados por pisoteio ou batedura. Em algumas regiões são mergulhados em água quente por dez minutos, para terem melhor qualidade.Para obter a pimenta-branca, os frutos colhidos maduros são acondicionados em sacos de algodão e colocados em água corrente limpa, onde ficam aproximadamente dez dias. Assim perdem a casca, ficando só as sementes, completamente brancas. A partir daí o processo de secagem é igual ao da pimenta-preta. A pimenta-branca vale mais no mercado, mas com elas consegue-se apenas 18 a 20% do peso das sementes maduras, enquanto que a pimenta-preta chega a 33%. Ou seja, se numa pimenteira-do-reino colhem-se 8 kg de pimenta madura, obtém-se, no máximo, 1,6 kg de pimenta-branca ou 2,64 kg de pimenta-preta. Depois de seca, a pimenta-do-reino pode durar indefinidamente. 

Usos 
    A pimenta-do-reino é utilizada em todo o mundo, na culinária, como tempero ..É usada também, pela indústria, nos processos de conserva. Em diminutas porções tem ação estimulante sobre os orgãos digestivos. No entanto, o uso prolongado prejudica àqueles que têm problemas no fígado, intestino e de hemorróidas. 

Produção e produtividade 
    No terceiro ano de cultivo, cada planta pode produzir de 2,5 a 3 kg de pimenta-preta. No quarto ano, já produz em tomo de 4 kg, mas é possível produzir até 6 kg. A produção por hectare varia de 2000 a 7000 kg de pimenta fresca. A produtividade no Brasil é alta, com média de 2 kg de pimenta seca por pimenteira, enquanto na Índia a produção é de 300 a 450 g por pé. Trata-se de uma cultura muito vantajosa para o produtor brasileiro, pois o comércio mundial de especiarias movimenta cerca de 120 milhões de dólares por ano. A metade desse valor se refere à pimenta-do-reino, cravo-da-índia e à noz-moscada. 

Composição por 100 g 
    347 calorias, 12g de proteínas, 130 mg de cálcio, 60 mg de fósforo, 10 mg de ferro, 0,04 mg de vitamina B1, e 0,02 mg de vitamina B2

Fotos
Pimenta do reino variedades


Pimenta do reino
Plantio da cultura de pimenta do reino

4 comentários:

  1. gostaria de plantar pimenta do reino mais não tenho conhecimento das semente qual seria ideal para plantar no norte do pará na ilha do marajó?

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  2. Jesiel a variedade mais recomendada para sua região seria a Panniyur L, entretando a variedade Cingapura desde que não seja um plantio comercial támbem se daria bem.
    Esperamos ter ajudado!
    Duvidas só postar comentarios.
    Att: EQUIPE LIDER AGRONOMIA

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  3. Gostaria de planta pimenta do reino, porém, em Patrocínio Paulista, São Paulo. Qual a pimenta mais indicada?

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  4. oi eu quero plantar pimenta .qual a variedade mais indicada para e minha região eu moro em MG NA CIDADE DE LUISBURGO DIVISA COM ES e onde encontrar mudas ?

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