Maça

A Macieira (Malus spp), da família das rosáceas, originárias da Europa e da Asia, é uma frutífera que exige frio para se desenvolver. Ela foi introduzida no Brasil há cerca de cinco décadas por colonos europeus, na região de Friburgo, Estado de Santa Catarina. Como outras frutas de clima temperado, precisa de um período mínimo de frio durante o ano, para a "que-bra de dormência", isto é, para iniciar novo ciclo vegetativo na primavera. E o frio que faz as gemas da maçã saírem do estado de dormência. As variedades menos exigentes originalmente precisavam de um mínimo de 700 horas de frio ( 7,2"C para algumas variedades, 9,7°C para outras) por ano. Essas condições de temperatura só são atingidas, no Brasil, em São Joaquim (SC), o que toma necessário o uso de determinados produtos para a quebra de dormência nas demais regiões produtoras de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Mas, graças a um trabalho de melhoramento genético, já existem algumas variedades com exigências inferiores a 300 horas de frio por ano. A produção vem então aumentando no Brasil e, apesar de ainda estarmos distantes da auto-suficiência, a maçã brasileira já é uma das frutas mais comercializadas no país. Segundo estudos da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o pico da oferta de maçã nacional no mercado paulista ocorre em fevereiro, sendo essa, portanto, uma época de preços baixos.
Maça, Malus spp    Os preços atingem o mínimo em dezembro e permanecem baixos até junho. As cotações mais elevadas para o produto são alcançadas, em São Paulo, em outubro, sendo altas também em setembro e em novembro. Com a maçã estrangeira ocorre o contrário: o pico dos preços é atingi-do em fevereiro, e os valores mais baixos são conseguidos de julho a setembro.

Solo
Desenvolve-se bem com pH 6. A correção deve ser feita com base em análise, sendo que as amostras devem ser coletadas à profundidade de 40 cm. Como complemento à análise do solo; está sendo desenvolvida a análise de folhas. As vezes, a análise do solo pode acusar níveis baixos de fósforo, potássio ou outros elementos sem que a análise das folhas mostre sintomas de deficiência. Então, é sinal de que a planta não se ressente da falta desses elementos, sendo desnecessária uma adubação específica. A análise foliar, porém, é considerada insuficiente hoje em dia, e o Centro Nacional de Pesquisa de Fruteiras de Clima Temperado (CNPFT) está começando a fazer a análise dos frutos. Por ela, o CNPFT pode detectar a deficiência de cálcio que, no período de conservação, provoca o distúrbio chamado "bitter pit" (cavidade amarga). A análise é feita pouco antes da colheita. Constatada a falta de cálcio, faz-se um tratamento de pré-colheita e outro de pós-colheita. Recomenda-se o plantio em campos ou em terrenos que já tenham sido cultivados. Em caso de terrenos de mato, aconselha-se, depois da destoca, o plantio de gramíneas anuais durante dois anos, antes que se plantem as mudas. A inclinação não deve passar de 20%, de preferência com a declividade voltada para o norte ou para o leste, de forma que se obtenha uma maior exposição ao sol. O local deve ser protegido contra os ventos dominantes. Caso não haja proteção natural, plantam-se quebra-ventos.

Plantio
A época de plantio vai de junho a meados de setembro. As mudas podem ter quatro tipos de porta-enxertos: anões, semi-anões, semi vigorosos e vigorosos. O esquema de condução mais usado é o de líder central, que favorece a insolação. Conforme o esquema adotado, deve-se escolher o tipo de porta-enxerto adequado. Se for adotado um espaçamento muito denso, com 2 000 plantas ou mais por hectare, o porta-enxerto deverá ser do semi-anão ou anão, para que as plantas não se entrelacem. O porta-enxerto mais difundido é o MM-106. Outros também recomendados são o  EM-VII, o MI-793 e o EM-XXVII, este de porte anão, para espaçamentos mais densos. O que mais favorece a mecanização é o de 6 m entre as linhas e 3 m entre as plantas, mas o espaçamento 5 x 2,5 m é também usado. Uma tendência atual, em alguns locais, é adotar o ultra denso, de 4 x 1,25m, que não deixa nenhum espaço entre as plantas  forma um muro de produção em cada linha. É indispensável lembrar que a macieira precisa de variedades polinizadoras. Existem duas maneiras de distribuir as polinizadoras pelo pomar: a primeira consiste em plantar duas linhas de uma variedade e duas de outra; e a segunda em intercalar as polinizadoras dentro da linha. A cada oito plantas coloca-se uma polinizadora.
    Quando houver deficiência de polinizadoras, no caso de pomares já implantados, recomenda-se a sobre enxertia de um ramo por planta, sempre do mesmo lado da planta, por fila. Depois da floração do ramo polinizador,devem-se eliminar os frutos desse ramo. A ação dos insetos, especialmente das abelhas, é imprescindível para uma boa polinização. Recomenda-se ter, no mínimo, duas colméias por hectare, dentro do pomar ou perto dele. E possível, também, fazer a polinização manual, embora esse método seja demorado e caro. A coleta do pólen é feita com as flores em estágio de balão ou logo depois da abertura, separando-se as anteras do restante da flor por meio de peneiras. Em seguida, as anteras devem ser secadas à temperatura ambiente (de 20 a 25°C), à sombra, para a liberação dos grãos de pólen. Esses grãos  devem ser colocados em vidro e utilizados num prazo máximo de 48 horas, ou conservados em refrigerador, a temperaturas inferiores a 0°C.
    A aplicação do pólen deverá ser feita com algodão, cotonete, pincel ou dedo, tocando-se no estigma da flor a ser polinizada poucas horas depois que ela se abrir ou, no máximo, um dia depois. A macieira frutifica a partir do terceiro ano. As flores aparecem em setembro e os frutos em outubro, podendo ser colhidos a partir de fevereiro.

Variedades
Variedades de maça Fuji e Gala
Existem mais de mil variedades de maça espalhadas pelo mundo, as principais são: gala, golden delicious e fuji. As melhores polinizadoras são: blackjon, granny smith e willie sharp.


Quebra de dormência
Com a expansão da cultura da macieira para regiões em que o frio não é suficiente, passaram a ser usados produtos químicos para provocar a quebra da dormência. O mais comum é uma mistura de água com óleo mineral e mais dinitro-ortho-cresol (DNOC) ou dinitro-ortho-butil-fenol (DNBP) a fórmula mais usada, no início do inchamento das gemas, compõe-se de 4%, e óleo mineral e 0,12% de DNOC ou DNBP. Mas há casos em que se fazem duas aplicações, em épocas variadas, conforme as condições locais. A aplicação é feita por meio de pulverização, com o cuidado de se molhar toda a planta até o início do gotejamento.

Consorciação
Durante os primeiros 3 anos, pode-se fazer consorciação com culturas que não abafem a macieira, como a baratinha, o feijão, o alho e a cebola e as leguminosas em geral.

Tratos culturais
O pomar deve ser mantido com relva baixa, livre de invasoras, durante o período de colheita. Em locais de solos profundos, o controle de invasoras é feito com a utilização de cobertura morta. Se os olo for raso, a cobertura morta torna-se desaconselhável, porque as raízes da macieira se desenvolvem superficialmente e podem ser atraídas para a camada úmida formada na superfície por essa cobertura, prejudicando a sustentação da planta. Está se testando o emprego de leguminosas alelopáticas (que inibem o  crescimento de outras plantas, no caso, das plantas invasoras), que têm como vantagem sobre a cobertura morta o fato de, além de conservar o solo e evitar a erosão, fixar o nitrogênio no solo. O problema é que as alelopáticas não podem ter um ciclo de vida que coincida com a fruteira, para não haver competição entre elas.
    Uma leguminosa que vem sendo testada é a ervilhaca, ou vica, que tem um ciclo de maturação menor que o da maçã, sem competir com ela.

Pragas e doenças
Podridão amarga causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides
Podridão amarga causada pelo fungo
             Colletotrichum gloeosporioides
A principal doença da parte aérea da planta é a sarna, conhdcida também como sarna de verão, ocorre na primavera e no verão, em locais de baixa temperatura e alta umidade relativa. Temperaturas médias mais elevadas favorecem o aparecimento da podridão-amarga. O tratamento para a quebra de dormência é inibidor dessas doenças, mas é possível evitá-Ias também aplicando calda sulfocálcica depois das chuvas. As pragas principais são a mosca-da-fruta, o, ácaro e a mariposa-oriental. Para combater a mosca-da-fruta, instalam-se frascos caça-moscas a 1,80 m de altura, em ziguezague, usando-se como atrativo o suco de uva a 25%, que deve ser trocado duas vezes por Semana. Em pomar com até 2 ha, usar quatro frascos; de 2 a 5 ha, dois frascos por hectare; de 5 a 20 ha, dez frascos e mais um para cada 2 ha; acima de 20 ha, quatro frascos em cada ponto estratégico, como amostra.
Fruto atacado pela sarna de verão
Fruto atacado pela sarna de verão
Se houver  cinco ou mais moscas no frasco na hora de fazer a troca do suco, é sinal de necessidade de controle. Para a mariposa-oriental, o método é o mesmo, substituindo-se o suco de uva por vinagre de vinho tinto a 25%. Uma mariposa por frasco é sinal de infestação. O ácaro, que deixa as folhas bronzeadas ou espalhadas, com pequenas manchas na parte inferior, é combatido com óleo mineral a 3%. O óleo não faz mal para abelhas e ácaros predadores. Os ácaros que são inimigos naturais de outros ácaros vivem na matéria orgânica em decomposição no solo. Por isso é importante a cobertura morta, o esterco e o composto orgânico, que fazem aumentar o número de ácaros predadores. Existem acaricidas que, se mal usados, criam resistência nos ácaros.

Calda sulfocálcica
A calda sulfocálcica é uma mistura de enxofre em pó, cal virgem, água e espalhante adesivo, usada em diversas culturas para controle de doenças e pragas. É mais barata e menos tóxica que os outros fungicidas, sendo utilizada normalmente em período de repouso. Se aplicada no inverno, apresenta um controle razoável da sarna e da podridão-parda em macieiras e pessegueiros. A aplicação da calda sulfocálcica a 4 ° Baumé (grau de densidade da solução), na macieira, deve ser feita no período de dormência, bem antes do inchamento das gemas, de junho a meados de agosto. A calda é alcalina e altamente corrosiva, atacando a pele, a roupa e recipientes de metal. Depois de sua pulverização, é preciso lavar bem as mãos e os recipientes com uma solução de suco de limão ou de uma parte de vinagre para dez de água. Os pulverizadores também devem ser lavados com essa solução, e o trator, bem lavado com água e lubrificado. A calda já diluída perde seu princípio ativo e não deve ser guardada nem por um dia. Deve ser jogada fora, mas não em córregos ou açudes.
    A calda não deve ser aplicada quando há previsão de geada ou quando a temperatura estiver acima de 32°C. Não deve também ser misturada com óleo mineral.


Colheita
    Cada região tem sua tabela deépoca de colheita. De maneira geral, a gaIa é colhida em fevereiro, a golden em março (mais ou menos até o dia 25) e a fuji desde a última semana de março até meados de abril. Nos grandes pomares, identifica-se o ponto de colheita pela firmeza da polpa (testada com penetrômetro), pelo teor de açúcar (com o refratômetro) e por meio dos testes de iodo-amido. Depois de colhidas, as frutas são a condicionadas em bolsas e colocadas em grandes caixotes denominados "bins" (com capacidade de 350 a 400 kg). Em seguida passam por um tratamento com água e são selecionadas, classificadas e colocadas nas caixas para comercialização.

Conservação
Como a comercialização da maçã é feita o ano todo, ela tem de ser armazenada em condições especiais. Em câmaras frias, com 0 a 2°C e umidade de 85 a 92%, a gala pode ser mantida até julho, sem perder suas qualidades; a golden até setembro; e a fuji até dezembro. Antes do armazenamento, faz-se o tratamento com calda sulfocálcica para controlar fungos. Em Vacaria (RS) já se utiliza para conservação da maçã o Sistema de Atmosfera Controlada, que consiste em modificar o ar dentro da câmara fria, diminuindo o oxigênio de 21 % para 2 ou 3% e aumentando o gás carbônico de 0,03% para 2 ou 3%. Isso baixa a taxa de respiração da fruta, que fica em estado letárgico, conservando-se em perfeitas condições de cor e sabor por  1 ano ou mais.

Composição nutricional por 100 g
58 calorias, 0,3 g de proteínas, 6 mg de cálcio, 10 mg de fósforo, 0,4 mg de ferro, 3 mmg de vitamina A (retinol), 0,03 mg de vitamina B1,  0,05 mg de vitamina B2 e 6 mg de vitamina C.

Fotos
A Plantio de Maça - Urubici - Santa Catarina - Brasil
A Plantio de Maça - Urubici - Santa Catarina - Brasil / Foto: Kathia Erzinger Prox em Panoramio.com
Produção de Maça em Vacaria/RS a cidade é uma das maiores produtoras de Maça
Produção de Maça em Vacaria/RS a cidade é uma das maiores produtoras do pais (Foto: Secretaria da Agricultura/Divulgação)
Referências:
PETRI, J. L.; LEITE, G. B.; BASSO, C.; SUZUKI, A. Manejo da planta e do solo nos sistemas convencional e integrado de macieira. In: Seminário Brasileiro de Produção Integrada de Frutas, 2., 2000, Bento Gonçalves. Anais. Bento Gonçalves: Embrapa Uva e Vinho, 2000. p. 95-96 ( Embrapa Uva e Vinho. Documentos, 28).
Embrapa sistemas de produção Maça disponível em http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Maca/ProducaoIntegradaMaca/ acesso em 16/03/2015
 Imagens de pragas da macieira disponível em http://www.agronomicabr.com.br/agriporticus/detalhe.aspx?id=420 acesso em 16/03/2015

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