Ameixa

    Existem muitas ameixeiras, parte delas denominadas européias (Prunus doméstica L.), mas que na realidade são provavelmente originárias do sul do Cáucaso (Asia Menor), e parte chamadas japonesas (Prunus salicina Lindl.), mas na verdade originárias da China. Pertencem à família das rosáceas. As européias precisam de temperaturas mais baixas, devendo ser plantadas só no Sul ou nas regiões mais altas do Brasil. As japonesas não suportam muito frio e toleram temperaturas elevadas no verão, mesmo assim desenvolvem-se bem em quase todo o Sul e sudeste do país.

Solo
Ameixa, Prunus domésticaAs ameixeiras europeias e japonesas só não se adaptam bem a solos muito úmidos; preferem os argilo-calcários, os sílico-argilosos e argilo-silicosos, profundos e férteis. E as japonesas se adaptam melhor a- solos que, além dessas qualidades, sejam permeáveis, enquanto as européias preferem solos um pouco mais compactos.

 Variedades
                A escolha de variedades fica na dependência do clima e das condições de mercado, sendo preferidas, por exemplo, as que apresentam melhor colo-ração e' que amadurecem na época das festas de fim de ano. Nas regiões mais frias são indicadas as cultivares santa rosa, santa Rita, ozark premier, golden japan, burbank, october purple e aple. A santa rosa é produtiva e vigorosa. dá frutos de tamanho médio. com película (casca) vermelha escura, que amadurecem em dezembro. Precisa ser intercalada com variedades polinizadoras, como a santa rita, satsuma e kelsey. A santa Rita, de tamanho pequeno, tem a película púrpuro-escura e polpa amarelada, é doce e sua maturação ocorre no fim de janeiro e início de fevereiro. Em regiões frias, como São Joaquim e Lages (SC), e Bom Jesus e Vacaria (RS), são recomendadas a d' argen, a magnifique e a stanley - todas européias -, que produzem frutas de tamanho médio, em forma de elipse, e coloração da epiderme variando de vermelho a azul-escuro. São frutos de sabor agradável, que servem tanto para o consumo ao natural como para desidratação.
    Para regiões mais quentes, são indicadas as variedades carmesim, roxa-de-itaquera e a kelsey paulista, entre outras. A carmesim, de película vermelho-escura e polpa vermelho-sangüínea, é de excelente qualidade e tem maturação precoce, de noventa a cem dias depois da floração,mesmo em regiões mais quentes. Em São Paulo, é colhida em novembro e dez em. A roxa-de-itaquera tem a película e a polpa vermelhas e sua maturação se dá do fim de novembro ao fim de dezembro. É a variedade mais plantada em Minas gerais. A kelsey paulista, com frutos de 4 a 6 cm de diâmetro, é das mais produtivas.Sua película é esverdeada e a polpa amarelo-clara. E autofértil (portanto não deveria precisar de outra planta polinizado-ra), mas intercalada com polinizadoras produz muito mais. É também recomendada para ser intercalada com outras variedades, para servir de polinizadora. E precoce, e sua maturação varia de janeiro a março, conforme a região.

Plantio
                A ameixeira é plantada durante o inverno, época em que a muda está sem folhas (geralmente em julho). No sistema tradicional, o espaçamento é de 6 m entre linhas e 5 m entre as plantas. Pelo sistema de líder central, que só deve ser usado por quem o conhece bem, o espaçamento recomendado é de 5 x 2 m. A multiplicação se faz por enxertia, Na compra de mudas, convém certificar-sede que elas não estejam contaminadas com a doença conhecida como escaldadura-das- folhas.

Tratos culturais
É preciso manter uma faixa de 2 m de cada lado do tronco com a vegetação bem baixa.  Ao redor do tronco pode-se usar cobertura morta, principalmente quando não se usa irrigação, que tem a vantagem de manter a umidade e incorporar matéria orgânica.

Podas
A ameixeira requer podas leves, de dois tipos: podas de formação, nos primeiros anos, para dar forma à árvore, e de frutificação, quando está em produção, para melhorar a qualidade da fruta.


Pragas e doenças
A principal praga é a mosca-das-frutas, que deixa "bichos" nos frutos e pode ser controlada com armadilhas e iscas atrativas. Outras pragas que podem aparecer são os pulgões, cochonilhas e grafolitas. A principal doença, causada por uma bactéria, é a escaldadura-das-folhas.  O melhor meio de evitar essa doença é plantar mudas de fontes seguras, sem contaminação ou variedades resistentes a ela. Em caso de contaminação, que pode acontecer em fevereiro ou março, o melhor é eliminar as plantas doentes, evitando-se que a escaldadura se espalhe pelo pomar. Outras doenças podem ser provocadas pela bactéria chamada Xanthomonas campestris e pelo fungo Monitia, que podem ser combatidos com fungicidas cúpricos ou calda bordalesa, aplicados durante o inverno, quando a árvore perde as folhas.

Consorciação
Entre as linhas pode-se plantar feijão, soja, milho, hortaliças e outras culturas, de preferência leguminosas.

Colheita
De outubro a janeiro. O ponto de colheita é variável, de acordo com a variedade e o destino que se deseja dar ao fruto. Quando deixada na árvore por muito tempo ou colhida e deixada em ambiente quente, a ameixa tem sua polpa escurecida, perdendo valor para a comerciaIização  como fruta fresca. A colheita,nesse caso, deve ser feita quando o fruto ainda não completou a maturação. Para ser aproveitados pela indústria, os frutos podem ficar na árvore até a maturação completa. Pode-se também deixar os frutos caírem de maduros, desde que não fiquem muito tempo no chão, sujeitos ao ataque de fungos ou à secura parcial. Em câmaras frias, a ameixa pode ser conservada relativamente bem pelo período médio de um mês. A frutificação inicia-se logo no segundo ano. A partir do quinto, a produção é estável - cerca de 100 a 200 kg por pé.

Rotação de culturas
Quando o pomar é eliminado, o solo deve ser cultivado por um período de no mínimo três anos com outra cultura, intercalando-se uma leguminosa, antes de se plantar ameixa nova-mente.     

Comercialização
                A ameixa pode ser vendida para o consumo ao natural ou para indústrias que a aproveitam. Da indústria saem o suco de ameixa, o néctar, a ameixa seca, a ameixa em calda, a ameixa natural em calda e a passa. Pode também servir para a produção de iogurte.

Composição por 100 g
47 calorias, 0,6 g de proteínas, 8 mg de cálcio, 15 mg de fósforo, 0,4 mg de ferro, 13 mmg de vitamina A,  0,03 mg de vitamina B1 0,04 mg de vitamina B2 e 6 mg de vitamina-C.

Fotos
Ameixa Pé de Ameixa
Ameixa

Referências
CASTRO, L.A.S. de., NAKASU, B.H.; FORTES,J.F.; CANTILLANO, R.F.F.; FREIRE, C.J. da S.; MEDEIROS, A.R.M. de; RASEIRA, A.; FINARDI, N.L.; CAMELATTO, D. A Cultura da Ameixeira. Brasília: EMBRAPA-SPI, 1994. 67p.

HELBIG, V.E.; ROMBALDI, C.V.; CASTRO, L.A.S. de. Ponto de colheita e tempo de armazenamento refrigerado na conservação de ameixas (Prunus salicina, Lindl) cvs. Pluma 7 e Wade. Revista da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, Rio de Janeiro, v.2, p.1367-1370, 1998

NAKASU, B.H; RASEIRA, M. do C.B.; CASTRO, L.A.S. de. Frutas de caroço: pêssego, nectarina e ameixa no Brasil. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.18, n.189, p.8-13, 1997

CAMPO DALL'ORTO, F.A.; OJIMA, M.; BARBOSA, W.; RIGITANO, O.; SANTOS, R.R. & BETTI, J.A. Recuperação de ameixeiras improdutivas. Campinas, Instituto Agronômico, 1984. 8p. (Boletim Técnico, 91)


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