Seringueira

    A seringueira (Hevea brasiliensis Muell. Arg.), originária da região amazônica, é uma árvore da família das eu forbiáceas. (a mesma da mandioca) que pode atingir até 50 m de altura. Seu fruto é uma baga grande que tem, geralmente, três sementes. A parte comercial da planta é o latex, ou borracha natural.
    O Brasil foi o grande produtor mundial de borracha extraída de seringueiras amazônicas, até ser superado pela produção do sudeste asiático (a partir de 1912), para onde foram contrabandeadas 70.000 sementes de seringueira em 1876. A partir daí, a economia da região amazônica, que viveu uma época de riqueza no século XIX e início do século XX, começou a decair, sem condições de competir com a oferta asiática. O cultivo da borracha tentado na Amazônia foi frustrante, devido principalmente ao aparecimento de doenças. Se espalhadas entre outras árvores as seringueiras estariam a salvo. Mas, em monocultura, a infestação é rápida e mortal.Em 1908 iniciou-se o plantio na Bahia, e hoje ela é cultivada também em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e nordeste do Maranhão. Sua cultura é hoje bastante lucrativa e vantajosa nos locais para onde ela é indicada possibilita a extração do látex durante dez meses do ano, gerando renda maior do que outras culturas no oeste do Estado de São Paulo, por exemplo. Além do látex líquido, que era vendido  obtém-se o cernambi, látex coagulado, que fica na cascada árvore depois de cada sangria e no fundo das canecas coletoras.
    O mercado está longe de saturar: o Brasil, que passou de maior exportador no começo do século passado a importador, com o advento da indústria automobilística no país, produz hoje apenas cerca de 40% de suas necessidades de borracha natural.

Clima
    A seringueira nativa pode ser encontrada entre as latitudes 3°N e 15°S, no continente americano, envolvendo uma área superior a 4 milhões de km2. As regiões em que ela é cultivada, contudo, estende-se de 22°N, na China, a 25°S, no Estado de São Paulo. O gênero Heveatem, portanto, excepcionais condições de rusticidade e capacidade de adaptação a grande número de padrões climáticos. O clima ideal é o tropical, com temperatura média anual superior a 21°C e precipitação mínima de 1300 mm, mas no Estado de São Paulo chega-se a produzir até 1,5t/ha ano de borracha seca em áreas com chuvas anuais de apenas 1200 mm. O clima extremamente úmido das regiões tradicionais de extração do latex, como o Vale Amazônico, sem uma estação seca definida, favorece a incidência do chamado mal-das-folhas, a principal doença dos seringais. Daí o motivo porque seu plantio na região e a preferência para o cultivo nos Estados do Centro-Oeste e Sudeste do país, onde a ausência de umidade nos meses de agosto e setembro impede o ataque do fungo Microcyclus ulei, causador da doença. Nessas regiões chega-se a atingir o dobro da produção das regiões úmidas. A seringueira, porém, é suscetível às temperaturas baixas e ao veranico em sua fase jovem, durante os três primeiros anos, resistindo bem à seca depois dessa fase.

Solos
    O melhor tipo de solo é o arenoso; no argiloso, a seringueira demora mais a se desenvolver. Ela não é exigente em fertilidade, mas em profundidade do solo, para permitir a penetração do sistema radicular no subsolo, facilitando o fornecimento de água durante o período seco. A área escolhida deve ser fresca, não sujeita a encharcamentos nem exposta aos ventos do sul. Por isso, é importante programar a implantação de quebra ventos.

Sementes
    Um dos principais obstáculos para a expansão da cultura é escassez de sementes. Sua aquisição depende da época de queda, que varia de região para região: ela ocorre de janeiro a março nas regiões tradicionais e de fevereiro a abril no Sudeste. As melhores sementes vêm dos seringais cultivados, já que nos nativos a colheita não é adequada, e as mais indicadas para a formação de mudas devem ser provenientes da Hevea brasiliensis e ou híbridas de H. brasiliensis e H. belflamiana. Cada árvore fornece de 2 a 2,5 kg de sementes, cada quilo com cerca de 250 sementes, que produzirão cinquenta mudas se bem aproveitadas. Recomenda-se usar de 20 a 25 kg de sementes para cada hectare de seringueiras a ser plantado. Colhidas e semeadas na mesma semana, o índice de germinação alcança 80%. Depois de quarenta dias, esse índice cai para 25% ou 30%. Existe, porém, um método para manter o poder germinativo em 80% por até sessenta dias após a queda:  as sementes devem ser imersas em solução de benlate a 0,1% ou captan a 0,2%, durante dez minutos, logo após a queda; em seguida, devem secar em local sombreado para posterior embalagem em sacos plásticos, enchidos até a metade, furados ligeiramente para garantir as trocas gasosas e armazenadas em local ventilado, um ao lado do outro, tomando-se o cuidado de não tocá-los até a utilização da semente.

Sementeira
    Como a propagação da seringueira é feita através de mudas enxertadas, a sementeira destinada a produzi-las deve estar pronta na época da queda das sementes, que ocorre apenas uma vez por ano. Ela deve ser instalada perto do viveiro, em local alto, com solo livre de excesso de umidade e próximo de água para irrigação. Pode ser construída sob árvores, em canteiros, ou então a céu aberto, coberta com palha a 50 cm do chão. O leito da sementeira deverá ter 5 cm de espessura, com serragem bem curtida ou terra preta de mata. A largura dos canteiros não deve ultrapassar 1,2 m para não dificultar a coleta das sementes germinadas. Para protegê-las do impacto dos raios solares e do frio noturno, constroem-se tendais de 1,00 a 1,50 de altura. As sementes devem ser espalhadas sobre a serragem, ordenadamente, uma ao lado da outra, guardando-se pequeno intervalo entre elas, com a ponta voltada para o solo. Deve-se apertá-las contra a serragem, para permanecerem firmes, mas não enterrá-las, de forma que a rega diária acabe por desnudar-lhes a parte superior. Sendo de boa qualidade, germinarão entre oito e doze dias. Devem ser eliminadas as que germinarem após o vigésimo dia. Quando a raiz começar a virar para baixo, transfere-se a semente para o viveiro em caixas contendo serragem e sem exposição das sementes ao sol. Pode-se, também, semear diretamente em sacolas plásticas. O plantio das sementes deve ser feito de fevereiro a abril, nas regiões em que a cultura é indicada.

Viveiro
    A área para instalação de viveiros deverá ser de fácil acesso, bem drenada e nas proximidades do local de plantio definitivo. O terreno deve ser plano ou levemente inclinado, próximo a vertentes. O solo deve ser profundo, bem estruturado, friável. No caso de viveiro em sacolas plásticas que são cheias com solo, este deverá ter boa capacidade de retenção de água e formar torrões. O viveiro em sacola plástica exige suprimento de água para irrigação. Já no viveiro a pleno sol, as operações de preparo da área são o preparo do solo, demarcação epiqueteamento do terreno. Normalmente, utilizam-se linhas duplas para áreas planas e faixas em curva de nível para terrenos inclinados. Estudos recentes concluíram que os melhores espaçamentos para viveiros, na produção de porta enxertos, são os de maior densidade, que proporcionam uma rápida cobertura do solo, reduzindo a necessidade de capinas. No caso de o plantio ser feito com mudas além do estágio normal, já desenvolvidas e com expansão foliar, cuidados devem ser tomados a fim de evitar o aparecimento de defeitos na parte aérea e na raiz. O desbaste deve eliminar plantas com menor vigor. O tamanho ideal dos canteiros é de 1 m de largura por 20 m de comprimento, espaçados 50 cm entre si. Cada canteiro comporta cerca de 150 mudas distribuídas em duas linhas distanciadas em 50 cm uma da outra. Nas linhas, abrem-se covas com um máximo de 2,5cm de profundidade, à distância de 30 cm uma da outra. Para a adubação, preparar mistura de 2 kg de esterco, 40 g de fosfato de rocha e 500g de cinzas para cada metro de canteiro. Se não ocorrer um bom desenvolvimento das mudas um ano após o plantio, repetir a adubação, distribuindo a mesma quantidade por metro linear, paralelamente às mudas e a distância de 10 cm, Enquanto o sistema radicular das mudas não alcançar tamanho suficiente para retirar água do subsolo, é indispensável irrigar. E na fase jovem que um seringal define seu potencial de produção.

Jardim Clonal
    Paralelamente, deve-se preparar o local onde serão plantadas as mudas de seringueiras mais produtivas, resistentes e adaptadas à região, chamadas clones, deles são retiradas as hastes com gemas para enxertia do viveiro com o jardim clonal próximo a ele. Essa área deve ser preparada para o plantio com uma antecedência que permita o fornecimento de material de enxertia em época adequada. Um jardim clonal deve ser explorado por cinco anos, podendo chegar até seis anos desde que bem conduzido. Para 1/ ha de vi-veiro são necessários 3 000 m de jardim clonal, com espaçamento de 1 m entre as mudas, o que corresponde a 3 000 mudas .Os primeiros clones são conhecidos por estas siglas: IAN-2880, IAN-3087, IAN-3044, IAN-3193,  IAN-3156, IAN-717, IAN-873 e FX-3899. Para a Bahia, recomendam-se também os IAN-2261 , 3128 e 3997; os FX-2804, 3810, 3864, 3925, 4098 e 516 (este só como copa); o PB-86 (com copa de FX-516); o RRIM (com copa de FX-SI6 ou de FX-3535); e o GV-55 (com copa de FX-516). Outros clones recomendados são o FX-3703 para a Amazônia; FX-2261 , 4163 e 985 e MDF-180 para a Bahia; RRIM-600 e 526 e outros para São Paulo. A escolha dos clones devem ser plantados vários tipos deve ser feita com a orientação de um extensionista. Muita atenção é necessária para a disposição do material clonal, em blocos ou canteiros rigorosamente separados, perfeitamente identificados com marcos de concreto, madeira de lei ou placa de leito, onde esteja marcado de forma inequívoca o nome do clone. Cada cova deve ser aberta mediante o afofamento superficial com um enxadeco até a profundidade de 20 cm, fazendo-se em seguida um aprofundamento maior até atingir as dimensões ideais; 30 cm de circunferência por 50 cm de profundidade. No plantio, a terra superficial é  colocada no fundo da cova e o enchimento é completado com terra do fundo da cova misturado com 80 g de fosfato de rocha por cova. A raiz da muda é disposta no buraco e a terra é bem comprimida em torno dela até metade, preenchendo o restante com palha seca ou casca de arroz. O ponto de enxerto deve ser voltado para o nascente e sombreado com palha ou ramos. Depois do plantio, os tratos culturais mais empregados são capina, desbrota (eliminação dos brotos nascidos fora do ponto de enxerto) e adubação. A adubação do jardim clonal deve ser feita no segundo, terceiro, quarto, sexto, sétimo e nono meses após a brotação do enxerto. Deve-se aplicar, de cada vez e por cada hectare de jardim, 2 t de esterco curtido, 120 kg de fosfato de rocha e 80 kg de cinza. Decorridos dez a doze meses após o plantio do jardim clonal, faz-se a primeira coleta de hastes. Em média, cada haste tem 1 m de comprimento e contém de quinze a vinte borbulhas ou gemas por metro, que serão utilizadas na enxertia convencional ou marrom. A coleta é feita pela poda de planta da altura aproximada de 20 cm acima do ponto de união do enxerto. A haste coletada tem a casca verde-escuro ou castanha, e as borbulhas ou gemas ficam na axila de cada folha. Nos pontos em que as folhas já caíram, há uma cicatriz em forma de coração, acima da qual está a gema em estado de dormência. Feita a coleta, os tocos que ficam no jardim clonal rebrotarão no ano seguinte. É preciso pintá-los para diferencia-los clones e protegê-los contra a penetração de fungos. Se, no entanto, a opção é pela enxertia verde, deve-se eliminar o broto da extremidade da planta e deixar desenvolver três ou quatro brotações laterais durante sessenta dias, na roseta superior. Só então é feita a coleta das hastes resultantes dessas brotações. Duas semanas antes da coleta, deve ser feita uma limpeza nas hastes, para facilitar a soltura da casca na época da enxertia. Depois da coleta, poda-se a haste principal da planta logo abaixo da roseta de onde foram retiradas as hastes. Dessa forma, poderá ser feita nova coleta apenas dois meses depois, pois novas hastes brotam de gemas existentes abaixo da roseta. A operação pode ser repetida sucessivamente, de dois em dois meses, de acordo com as necessidades. Em qualquer caso, o transporte das hastes deve ser feito em caixas de madeira contendo serragem curtida e umedecida, e cada extremidade da haste deve ser parafinada.

Enxertia marron. Clique na foto para ampliar
Fonte imagem: Instituto Agronomico de Campinas ( IAC)
http://www.iac.sp.gov.br
Enxertia
    Após dezoito meses de plantio no viveiro, as mudas já estão prontas para serem enxertadas, tendo alcançado um diâmetro de 2,5 cm e uma altura de quatro dedos acima do solo. O objetivo da enxertia é trocar a parte aérea de uma planta de características desconhecidas por outra de características conhecidas e estudadas (clones). Para realizá-la, fazem-se dois cortes paralelos e longitudinais sobre a casca do porta enxerto, com 1,5 cm de distância um do outro. Os cortes são iniciados a 7 cm do solo e devem ter 5 cm de comprimento. Na parte superior, ligam-se as extremidades dos cortes longitudinais com um corte transversal. Essa janela é aberta com o canivete e nela introduzido o escudo contendo a gema, que foi retirada da haste colhida no jardim clonal. Em seguida, o enxerto é amarrado com fita plástica, de cima para baixo, durante vinte dias, quando ocorre a primeira verificação do pegamento. Aguardam-se outros dez dias para examinar o enxerto pela segunda vez. Se não tiver pegado, pode-se usar o outro lado do porta-enxerto para novas enxertias. Se houver pegamento, retira-se a fita plástica, poda-se a planta e o enxerto brota. O toco enxertado permanece mais dez dias no viveiro, sendo então transferido para o campo. Pode-se também proceder à enxertia em porta-enxertos de pouco mais de 5 meses de idade, que apresentam diâmetro pouco maior que 1,2 cm. Trata-se da chamada enxertia verde, que possibilita um melhor aproveitamento das gemas do jardim clonal, índice de pegamento mais elevado e possibilidade de reduzir o período de imaturidade da seringueira, já que a muda estará apta a ir para o campo ainda no mesmo período chuvoso. A enxertia verde é feita em U normal com remoção de dois terços da lingüeta, o que deixa o escudo descoberto. O amarro é feito com fita plástica transparente, e não leitosa, como no caso anterior. Em Minas Gerais, os viveiros que produzem mudas realizam este tipo de enxertia, com ótimos índices de pegamento. Há, ainda, a chamada enxertia de copa, que envolve uma dupla enxertia para formar um tri composto. O produto final é uma planta constituída pelo sistema radicular de uma plântula como porta-enxerto, no qual é enxertado, próximo ao chão, um clone oriental alto produtor. que fornece o painel de corte. A copa do clone oriental pode ser altamente suscetível e, por isso, pode ser substituída mais tarde por outra de um clone mais resistente. O procedimento é idêntico ao adotado para a enxertia verde, da qual esta é uma variante. Em todos os casos, porém, deve-se pro-ceder às incisões nos porta-enxertos com alguma antecedência para permitir o corrimento do látex que flui dos cortes. A enxertia deve ser feita no período de mais intenso desenvolvimento vegetativo da planta, que é (nas condições de São Paulo e Estados vizinhos) a partir de setembro-outubro, podendo prolongar-se até março-abril.

Plantio definitivo
    Por se tratar de cultura de espaçamento muito aberto entre linhas de plantas, deve-se manter a vegetação natural nas entre linhas. Essas faixas vão servir de proteção contra a erosão em regiões acidentadas. Apesar disso, deve-se proceder à roçagem do mato mais ralo e à derrubada das árvores de maior porte,quando se tratar de terreno em mata virgem. Em seguida, proceder-se ao balizamento, plantando em curva de nível ou em terraços. Os espaçamentos mais indicados são de 8 J ( 3 m; 8 x 2,5 m; 7 x 3 m; e 7,5 x 2,5 M, o que resulta numa média de 416 a 533 mudas por hectare. A época de plantio é definida pelo tamanho da muda, estado de preparo da área e disponibilidade de água do solo. No Estado de São Paulo, a época preferencial é de dezembro a fevereiro. Corrigir o solo, se necessário, com fosfatagem e calagem, deixando o terreno apto para plantio de leguminosas ou culturas intercalares. Em áreas declivosas, deve-se alterar o solo o mínimo possível. As locações de estrada e de carreadores, quando necessárias, devem objetivar também a redução dos processos erosivos, e a limpeza das faixas de plantio deve ser manual. Nas áreas planas as linhas devem ser marcadas no sentido leste-oeste. As dimensões das covas podem variar de 40 a 60 cm, tanto na largura como na profundidade, e devem ser abertas e adubadas num período de trinta a sessenta dias antes do plantio. A camada superficial de solo deve retomar ao fundo da cova misturada com a adubação. Quando o plantio é realizado em épocas mais secas, recomenda-se a abertura das covas na hora do plantio para evitar o ressecamento do solo. No caso de muda com raiz nua, deve-se efetuar o plantio apenas em períodos chuvosos. Perfura-se comum piquete o centro da cova até a profundidade correspondente ao comprimento da raiz, introduzindo-se a muda de modo que o coleto fique ao nível do solo. Coma ajuda do piquete, firma-se bem a pontada raiz de modo a não formar bolsões de ar. Ao completar a cova, deve-se ter o cuidado de comprimir a terra em volta da muda: é necessária uma perfeita fixação à terra para que- se obtenha êxito no transplantio. Quando o plantio é realizado em sacola plástica, leva-se a muda ensacola-da até ao lado da cova, corta-se o plástico e introduz-se a muda com cuidado, para não destorrá-la. Comprime-se a terra em volta do torrão. Após o plantio, deve ser feita uma cobertura morta, de modo a reduzir a perda de água do solo. Esta prática deve ser adotada tanto para mudas em sacolas plásticas como para mudas em raiz nua. Por ocasião do plantio, deve-se deixar algumas plantas de reserva para replantio. Ainda no primeiro ano, na época chuvosa, promove-se a substituição das mudas mortas ou atrofiadas. Os tratos culturais são as roçadas, mantendo o terreno livre do mato durante a estação seca. Também é necessário realizar a desbrota o mais cedo possível, conduzindo a planta com uma só haste até 1,80 m de altura.

Consorciação
    Nos primeiros três anos e meio, a cobertura verde é feita com consorciação de culturas de ciclo curto,de preferência leguminosas, que melhoram a fertilidade do solo e aumentam a proteção contra a erosão. Devem ser utilizadas as leguminosas que apresentam maior adaptação à região, permitindo uma boa cobertura do solo e apresentando tolerância ao sombreamento. Pode-se também consorciar as seringueiras com milho, feijão, arroz, soja, abacaxi ou abóbora, ou mesmo culturas como café, mamão, maracujá e outras. O Centro Nacional de Pesquisa em Seringueira e Dendê constatou bons resultados na consorciação com feijão, milho, capim-elefante e algumas culturas perenes, como café, pimenta-do-reino, cacau e guaraná. Pesquisas feitas no Espírito Santo e em Minas Gerais têm demonstrado que a CaI/a-valia paraguayense, o calopogônio mucunóide e a soja perene também dão boa cobertura ao solo. Não se deve consorciar com a mandioca, que é hospedeira da lagarta-mandarová, a principal praga da seringueira.

Adubação
    O interesse pela adubação da seringueira no Brasil era pequeno até há algum tempo em razão de sua exploração limitar-se aos seringais nativos ou ao cultivo em áreas recém-desmatadas, que dispõem de um elevado nível de nutrientes minerais no solo. Com a prática da heveicultura em outras regiões, a adubação tomou-se indispensável para assegurar o estabelecimento do seringal, a antecipação da primeira sangria e o aumento da produtividade. Na fase inicial, antes da implantação, a análise do solo é o único método que pode ser adotado para determinar a adubação adequada. Uma vez executado o plantio no viveiro ou no campo, podem ser utilizados como critérios de avaliação a análise foliar e os sintomas visuais de deficiência mineral. Recomenda-se a aplicação no início e no final da estação chuvosa. Há poucos estudos no Brasil sobre a adubação de seringais, mas para algumas regiões já há normas mínimas definidas, como é o caso do Maranhão e do sul da Bahia. Em Minas Gerais, como as terras destinadas ao plantio da seringueira são de baixa fertilidade, como é o caso da região do cerrado, ou já têm sido longamente utilizadas para a agricultura ou a pecuária, pode-se esperar resposta acentuada da seringueira à adubação. O fósforo é importante no estímulo ao desenvolvimento do sistema radicular, enquanto o nitrogênio suporta a formação da copa. Aparentemente, a seringueira é pouco sensível a teores relativamente elevados de alumínio trocável. Assim, mesmo em solos de cerrado, a calagem como corretivo da acidez do solo seria desnecessária. 81a poderia ser recomendada para solos com teores de cálcio e magnésio muito baixos, com o objetivo de suprir as necessidades nutricionais da planta a estes elementos. Contudo, outros materiais podem ser utilizados, como fosfato de rocha ou tem o fósforo magnesiano. Se o seringal for adequadamente adubado na fase de formação, é pouco provável que haja necessidade de adubação na fase de sangria, pois a quantidade de elementos extraída no látex é relativamente pequena.

Controle de pragas
Broca da seringueira  Imagem http://mtagronews.blogspot.com.br 

Percevejo-de-renda. Imagem http://nrseringueira.com.br
    Há, em todo o mundo, 275 animais associados à seringueira e plantas de cobertura, sendo que 218 deles são insetos. No Brasil, esse número atinge 45 espécies de animais, a maioria deles constituída por insetos. A literatura registra que as perdas causadas anualmente pelas pragas à cultura de seringueira são da ordem de 151.000 t de borracha. As principais ocorrências são na região norte e na Bahia, onde essa cultura é mais explorada, mas Estados como São Paulo e Minas Gerais, onde a heveicultura está sendo incrementada, deverão ter problemas idênticos. As principais pragas da seringueira são a lagarta mandarová e as formigas cortadeiras (saúvas e quenquéns). Extremamente voraz, o mandarová surge em surtos associados ao pro-cesso de mudança periódica de folhas da seringueira, que ocorre de junho a setembro no Norte e de setembro a janeiro na Bahia. O desfolhamento ocorre de cima para baixo começando pelas folhas mais novas e, quando a infestação é grande, até os galhos mais finos são devorados. Para evitá-la, o método mais eficiente é a inspeção semanal ou quinzenal das árvores plantadas ou do viveiro de mudas, examinando-se especialmente os flíolos de coloração arroxeada, nos quais ficamos ovos e lagartas novas. A presença de aves insetívoras. como anus, caracarás e tesoureiros serve de alerta para a ocorrência de infestação de mandarovás. Nos viveiros ou em pequenos plantios novos, acatação ou corte com tesoura é a técnica mais simples. Nas plantações extensas, uma interferência amena para o ambiente pode ser obtida com inseticidas biológicos  à base de bactérias patogênicas às lagartas. As formigas cortadeiras atacam desde viveiros até seringais mais velhos. As saúvas devem ser combatidas a partir da abertura do segundo olheiro, e as quenquéns não necessitam controle em seringais já formados, que não danificam de forma expressiva. O ideal é seguir um esquema eficiente e rigoroso de combate inicial (antes de preparar o local de plantio), repasse (imediatamente antes do plantio) e de ronda (após o plantio), até o final do ciclo do seringal. No início utiliza-se a termo nebulização para colônias grandes, iscas granuladas para sauveiros pequenos ou gás liquefeito, em época chuvosa. Na operação de ronda, as iscas são preferíveis, quando houve combate inicial e repasse, recomendando-se o uso de porta-iscas para proteger a fauna.Existem também pragas de viveiro, como a mosca-branca ou as cochonilhas, que se abrigam nas hastes, folhas ou troncos, sugando a seiva da planta e/ou segregando substâncias brancas que promovem a fumagina, reduzindo a área fotossintética da seringueira e, em alguns casos, atraindo formigas. Há também a lagarta-rosca e alagarta-militar e os grilos e paquinhas, to-dos predadores das folhas e, no caso das paquinhas, também das raízes. Diversos inimigos naturais que precisam ser preservados, predam esses insetos, mas o viveiro deve ser mantido sempre limpo, sem detritos e/ou entulho, como controle preventivo. Há enfim outras duas pragas de campo: a praga-da-muda em raiz nua, causada por cupins ou térmitas, que penetram em partes vitais e íntegras das plantas, chegando a ter uma incidência em tocos de seringueira da ordem de 90% em plantios definitivos, como já se observou em Rondônia e no Acre; e as pragas-do-tronco, causadas pelos besouros-de-ambrosia, broqueadores de lenho, ou pelos cerambicídeos que também são brocadores de madeira em seu estágio Larval, Os cupins iniciam o ataque pela extremidade superior morta do porta-enxerto, que deve ser protegido por pasta adequada, aplicada na extremidade da muda. Os besouros-de-ambrosia só aparecem em árvores enfraquecidas por alguma outra causa, mas,quando a infestação é intensa, árvores sadias passam a ser atacadas e mortas. Recomenda-se, por isso, cortar e queimar imediatamente as árvores infestadas. Não se conhece, porém, uma técnica de controle para a coleobroca do tronco. Nos casos de ocorrências esparsas, é conveniente destruir as larvas no interior das galerias e depois tapá-las. Uma caiação adequada previne a postura de adultos, mas não mata os insetos que já estão dentro do tronco. Também nesse caso as ávores muito infestadas devem ser cortadas e queimadas. A broca da seringueira (Tapuruia felisbertoi)., o inseto possui de 10,5 a 18 mm  de comprimento e a sua unica hospedeira é a seringueira, apareceu a primeira vez em Belterra no estado do Pará. Os clones mais resistentes a broca da seringueira segundo pesquisas do Centro de Pesquisa da Empaer (Extensão da Embrapa), em Sinop  são : FX 3864, FX 3988, IAN 6721, IAN 2903, DT1 PB 235 e RRIM 600 (o mais plantado no Estado).  Já o clone RRIM 725 foi o que teve maior infestação do inseto, seguindo dos clones IAN 2878, IAN 6721, IAN 2903 e outros. Outra praga é o percevejo-de-renda (Leptopharsa hevea) ou mosca-de-renda que bota seus ovos  nas folhas o que vem causando prejuizo pois as ninfas sugam a seiva das plantas, fazendo com que as folhas sequem e caiam posteriormente. A praga que vem atacando os seringais do Espirito Santo nos ultimos dois anos, e pode ser controlada através da pulverização aeréa (mais eficiente), tanque e turbina ( nas áreas planas) ou TERMONEBULIZADOR (fumacê) que é menos eficiente porém pode-se ultilizar em qualquer tipo de terreno, lembrando ainda que a praga pode ser controlada por um agente biológico através da aplicação do fungo Sporothix.

Controle de doenças
    A seringueira é suscetível a várias doenças. A mais grave delas é o mal-das-folhas, causada pelo fungo Microcyclus ulei, que as queima eleva as plantas à morte. Só ocorre no continente americano, não havendo registro de sua ocorrência no Oriente. O M. ulei só causa prejuízos a espécies do gênero Hevea, sendo as mais resistentes a H. nitida, a H. pauciflora, a H. benthamiana, a H.guianensis e a H. spruceana, que devem ser preferencialmente utilizadas como controle preventivo. Um eficiente método de controle do mal-das-folhas é o chamado escape. Uma área de escape é caracterizada por possuir condições ambientais adversas ao patógeno, mas apropriadas à cultura. Para o caso do M. ulei, o tempo mínimo que o folíolo deve permanecer molhado para causar infecção é de oito horas; uma região em que esse período for inferior a oito horas permitirá o convívio endêmico da planta com a doença sem danos à cultura. Mesmo cultivando-se a seringueira em área de escape, porém, é aconselhável selecionar clones resistentes. Outras doenças de consequências menos graves e controle mais simples são a mancha concêntrica, a podridão do caule na região da enxertia e a antracnose.

Colheita
    A colheita do latex , ou sangria deve ser iniciada por volta dos 7 anos de idade. Imediatamente antes da primeira incisão deve-se colocar cerca de 20 gotas de solução amoniacal a 2% na tigela de coleta. Essa estabilização do látex no campo é necessária, especialmente quando se destina a elaboração posterior de uma forma de latex concentrado. Após a coleta, deve-se adicionar, outros 30 ml de solução arnoniacal por litro, no balde de transporte. O corte deve ser iniciado da esquerda para a direita e de cima para baixo, com inclinação de 30 a 35° nas plantas de enxerto e de 25° nas originárias de sementes. A seringueira substitui em 48 horas o látex retirado, que escorre rapidamente no início e, depois, passa de duas a três horas escorrendo. A abertura do painel ou preparação da árvore para entrar em sangria é feita com bandeira, traçador, riscador, faca de sangria e um pedaço de barbante. O primeiro painel deve ser aberto pelo lado norte e deve ficar a 1,20 m ou 1,30 m acima da união enxerto-parta-enxerto. O consumo diário de casca, que deve ser cortada na profundidade máxima possível, não deve ultrapassar 2 mm e, por isso, é aconselhável utilizar um medidor de. casca. As primeiras horas do dia são ideais para a sangria, desde que haja luz suficiente para executar a tarefa. Para a sangria em meio espiral, a mais difundida no país, o intervalo deve ser de dois dias e, para a sangria em espiral completa, deve ser de quatro dias. Recomenda-se a suspensão da sangria nos dois meses anuais em que ocorre a troca das folhas da seringueira, quando a produção de látex é reduzida.

Armazenamento
    Após a coleta, o látex é acondicionado em tonéis de 200l, que devem ficar à sombra, resistindo a trinta dias ou mais, sem coagulação, desde que se utilizem os anticoagulantes indicados. A qualidade da borracha resultante do látex, contudo, é inversamente proporcional ao tempo de armazenarnento: quanto mais tempo, menos qualidade.

Fotos

2 comentários :

  1. gostaria de plantar a seringueira na milha terra mais não tenho experiência no manejo da seringueira quem pode prestar auxilio no meu município moro na cidade de aurora do para ao nordeste do estado

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  2. Como plantar seringueira pelo sistema de estáquia...pois, pretendo fazer cerca viva de seringueira em uma área de 1000m x 1000m.
    Desde já agradeço o retorno positivo.

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