Macadâmia

    A Nogueira-macadâmia (Macadamia integrifolia Maid. e Bet), também é conhecida como nogueira-do-havaí, apesar de ser originária da Austrália. Existe no Estado de São Paulo desde 1931, quando foi introduzida na cidade de Limeira, mas só a partir de 1955, com a importação de sementes do Havaí, pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e depois pela Dierberger S.A., começaram a ser pesquisadas as variedades hoje existentes. Agora, a macadâmia desponta como cultura lucrativa, por causa do grande consumo de sua amêndoa nos Estados Unidos e no ainda virgem mercado europeu. A noz-macadâmia é consumida ao natural ou torrada e salgada, servindo ainda como ingrediente para bolos, confeitos doces ou salgados e sorvetes. E se algum dia o mercado se esgotar, o que é muito improvável, a amêndoa tem 70 a 75% de óleo com qualidade semelhante ao de oliva. 

Clima e solo
Nogueira-macadâmia (Macadamia integrifolia Maid. e Bet)    A Macadâmia se adapta melhor ao clima subtropical, em áreas livres de geadas. Tem desenvolvimento re-tardado abaixo de 15°C e não produz bem em regiões tropicais, sem grandes oscilações de temperatura entre as estações. O ideal em termos de chuvas, é de 1200 a 1500 mm ao ano. Uma certa acidez do solo - pH 5,0 a 6,5 é tolerada pela planta, mas a correção é sempre útil. O terreno preferido é com declividade suave, exposto ao sol e protegido dos ventos. Os locais que oferecem boas condições para cultivo da noz-macadâmia são Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, sul de Goiás e o planalto do Mato Grosso do Sul.

Variedades
    As variedades recomendadas são: IAC 4-12 maiado, IAC 4-20 keaumi, IAC 2-23 keaudo, IAC 4-21 keaufa, IAC 4-10 kakedo, JAC 4-18 keauré, IAC 5-10 kakeré, JAC 8-17 maiaré, DASA 10-14 alohá, DASA 4-20 havaí, DASA C-10, ikaíka e 246 HAES-keauhou.

Plantio
    Como a nogueira-macadâmia tem copa que pode atingir 10 m ou mais, aos 20 anos, o espaço entre as covas deve ser de 8 x 8 m, no mínimo, podendo ser também 10 x 10 m. As covas deverão ter 60 x 60 x 60 cm, e para seu preparo devem ser misturados esterco bem curtido, farinha de osso ou fosfato de rocha e cinzas de madeira. A Macadâmia deve ser transplantada com torrão de bom tamanho, para que as raízes mais grossas não sejam mutiladas. E, sendo sensível à deficiência de água, é aconselhável que o plantio seja feito em dias nublados ou chuvosos. As mudas, de preferência obtidas por enxertia, existem no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), na Universidade Federal de Viçosa (MG) e na firma Dierberger Agrícola S.A., de Limeira (SP).

Tratos culturais
    Como a Macadâmia, se ressente da falta de umidade, deve ser irrigada nas estiagens mais prolongadas. Fazem-se podas de limpeza, uma vez por ano, o que serve também para garantir uma distribuição alternada dos ramos básicos da copa. É recomendável, além disso, a poda de desbaste dentro da copa, para obter frutos sadios. As capinas podem ser substituídas por cobertura morta, desde que se deixe um espaço mínimo de 25 a 30 cm do tronco limpo. Aconselha-se ainda o plantio de quebra-ventos (bambu, eucalipto, pinus ou outras árvores de crescimento rápido).


Pragas e doenças
    No Brasil, tem-se verificado o ataque, pouco freqüente, de um fungo às flores e aos frutos da Macadâmia. Em caso de aumentar a incidência, ele poderá ser combatido com calda bordalesa. Certas pragas muito comuns na Australia, no Havaí e na Califórnia são conhecidas no Brasil apenas pela literatura especializada. Aqui, só a saúva e a abelha cachorro (Irapuá) atacam seus brotos.

Plantio intercalar
    Nos primeiros anos cultivam-se, nas ruas de macadâmia, milho, feijão, hortaliças de raízes superficiais e leguminosas para adubação verde ou visando a produção de sementes. Há referência a pomares com espaçamentos maiores entre as linhas. com 12 a 16 m. Neste caso intercalam-se frutas cítricas, maracujá, café ou outras culturas de pequeno a médio porte durante 10 a 15 anos, tempo necessário ao completo desenvolvimento da macadâmia.

Produção
    Começa a partir do terceiro ou quarto ano. O florescimento acontece em junho e vai até fim de agosto ou setembro, atraindo muitas abelhas, que, por sinal, aumentam muito a produção. Aos 9 anos, obtêm-se de 10 a 15 kg por árvore, mas no Brasil tem-se conseguido até 22 kg com irrigação. Dos 15 aos 30 anos, a produção atinge o máximo, que pode ser até 120 kg ou mais, embora no Havaí a média seja de apenas 20 kg por pé. A colheita média no Brasil é de 37 a 60 kg por árvore, que continua produzindo por muitos anos, no mínimo 50. Na Austrália conhecem-se nogueiras-macadâmias com 150 anos de idade e no Havaí e na Califórnia, onde a implantação foi mais recente, há árvores com mais de 70 anos.

Colheita
    Quando o fruto amadurece, sua casa (pericarpo) se abre, mas não se desprende da noz, caindo com ela no chão. A colheita resume-se em catar os frutos caídos no mínimo uma vez por semana, ou duas vezes se o solo estiver úmido. Não se aconselha sacudir o pé, porque caem frutos ainda verdes. A casca deve ser removida em seguida, e as castanhas, com 20 a 25 mm, colocadas em camadas finas, em local seco e ventilado, para secar, podendo em seguida ser armazenadas por muitos meses. Antes do consumo, é preciso quebrar a noz, para retirar a amêndoa arredondada, que é a parte comestível. O problema no consumo da macadâmia é sua noz, que é muito dura e não pode ser quebrada com quebra-nozes doméstico.

Composição nutricional
   Por 100 g - 694 calorias, 13 g de proteínas, 53 mg de cálcio,  240 mg de fósforo e 1,99 mg de ferro.

Fotos
Cultivo comercial de Macadâmia
Macadâmia
Referências

SOBIERAJSKI, G. R. ; FRANCISCO, Vera Lucia Ferraz dos Santos ; ROCHA, Priscilla ; GHIRLARDI, Arthur Antonio ; MAIA, Maria Lucia . Noz Macadâmia: produção, mercado e situação no Estado de São Paulo. Informacões Econômicas, São Paulo, v. 36, n. 5, p. 25-36, 2006.

OJIMA, M.; CAMPO DALL'ORTO, F.A.; BARBOSA, W.; RIGITANO, O.; MARTINS, F.P.; SANTOS, R.R.; CASTRO, J.L. & SABINO, J.C. Pêssego, nectarina, ameixa, caqui, nêspera, nogueira-macadâmia, figo e pecã. In: INSTRUÇÕES AGRICOLAS PARA AS PRINCIPAIS CULTURAS ECONÔMICAS. Campinas, Instituto Agronômico, 1998. (Boletim, 200)

CAMPO DALL'ORTO, F.A.; OJIMA, M.; BARBOSA, W.; SABINO, J.C. & RIGITANO, O. Enxertia precoce da nogueira-macadâmia. Bragantia, Campinas, 47(2):289-293, 1988.

1 comentários :

  1. bom dia queria saber porque os frutos estao caindo ainda pequenos verdes , oque devo fazer para normalizar

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