Sorgo

    O Sorgo (Sorghum bicoar (L.) Moench) é uma gramínea da farnília da cana-de-açúcar, originária da África Tropical, provavelmente da Etiópia e do Sudão. Conhecido há muito tempo, é o quinto cereal mais plantado do mundo, depois do trigo, arroz, milho e cevada. No Brasil, sua utilização é recente. É uma planta mais resistente à seca que o milho e pode substituí-lo como ração animal. As variedades gramíferas servem não  como ração mas também para a fabricação de álcool (seu caldo é semelhante ao da cana). O sorgo forrageiro pode ser ensilado, fenado ou consumido no pasto. Há ainda, segundo o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), variedades de sorgo-vassoura.

Variedades 
Sorgo, Sorghum bicoar    Devem ser escolhidas de acordo com o fim a que se destina a produção, a região da lavoura e a época do plantio (das águas ou da seca), por isso é importante consultar os órgãos oficiais antes de plantar. As variedades sacarinas indicadas pela Embrapa para o Rio Grande do Sul são a BR 500, BR 501, BR502, BR 503, BR 504, willy, sart, ramada e CMS XS 616 (esta dá quase 80 t/ha de massa verde). As graníferas, indicadas pela Emater-RS, são os híbrios B 816, savana 5 e B 815, e as variedades BR 301,BR 300 e 8225 A. Para São Paulo, o IAC indica as variedades forrageiras ou mistas (também sacarina) sart, BR 501, CM XS916, contisilo e santa eliza. As graníferas indicadas pelo IAC para São Paulo são hibridos precoces, e o sorgo-vassoura é do cultivar Catanduva. No Paraná, o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), recomenda a BR 501, BR 502, BR 500,BR 503, BR 601 e sart. No Espírito Santo, as variedades que se mostram mais produtivas no plantio das águas são a B8l5 e a jade, enquanto no plantio das secas são a AG 101 1 e rancheiro. Em Minas, em testes da Empresa de Pesquisa Agropecuaria de Minas Gerais (Epamig), algumas das variedades forrageiras" que deram bons resultados foram a dekalb FS 25 A, beefuilder, sart, a BR 600 e CMS XS 702. Entre as sacarinas destacou-se a BR 501 e entre as graníferas houve grandes variações, conforme a região.

Clima e solo
   O sorgo é uma cultura que suporta bem altas temperaturas, prefere locais em que o mês mais quente tenha temperatura média entre 26 e 30 ºC. Na fase de florescimento, a temperatura média diária deve ficar acima de 18°C. Há variedades que resistem até em lugares em que as chuvas anuais não ultrapassam a 380 mm/ano, mas normalmente só é recomendável o plantio em lugares com menos de 450 mm de chuvas por ano, se houver possibilidade de irrigação. Os solos devem ser profundos, de textura média (de preferência em torno de 30 a. 35% de argila), planos ou suavemente ondulados e com pH 5,5 a 6,5 (ou corrigido para chegar a isso). Devem ser evitados os solos rasos, arenosos e de baixadas mal drenadas.

Pragas e doenças
   As principais pragas que podem atacar o sorgo são a lagarta-rosca, a lagarta elasmo, a formiga quenquém e saúva (pragas do solo); na parte aérea podem ocorrer lagartas do cartucho e outras que atacam gramíneas, pulgões, broca da cana-de-açúcar e mosca-do-sorgo. Uma medida preventiva contra as pragas é plantar cedo, assim que houver condições de temperatura e umidade. As principais doenças das folhas são a antracnose, mancha cinza ou cercosporiose, helmintosporiose, ferrugem, míldio do sorgo, mosaico da cana-de-açúcar e mancha zonada. Entre as doenças das raízes e dos colmos há a podridão de Sclerotium, podridão do colmo e podridão de macrophomina. Há ainda o carvão da panícula. As principais medidas de controle das doenças são a rotação de culturas (com amendoim, girassol, soja, feijão, algodão, etc), uso de sementes sadias, utilização de variedades resistentes, tratamento de sementes e plantio em época menos propícia ao ataque de doenças.

Plantio
   No Rio Grande do Sul, a época mais indicada é outubro novembro; em São Paulo, o IAC recomenda o plantio do sorgo-forrageiro de outubro a fevereiro, o granífero de dezembro a fevereiro e o vassoura em outubro/novembro; no Paraná, segundo o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), pode ser da segunda quinzena de agosto até janeiro/fevereiro; em Minas e no Espírito Santo, em outubro e início de novembro; no Nordeste, semeia-se em junho (geralmente em consórcio com a mamona ou algodão arbóreo, com exceção da região de Irecê, na Bahia, onde é plantado solteiro, na mesma época). O sorgo costuma ser plantado no Sul e Sudeste em sucessão a culturas precoces de verão: milho, feijão e soja. O ciclo do sorgo é curto; em tomo de quatro meses. O espaçamento mais utilizados é de 70 cm entre as linhas, colocando-se em média 18 sementes por metro linear, em sulcos de no máximo 4 cm de profundidade. O sorgo-vassoura é plantado com espaçamento de 1 m, com 20 sementes/m linear.


Colheita
    A coheita de grãos pode ser manual ou mecânica. Esta pode ser feita por colheítadeiras automotrizes ou tracionadas e são realizadas de uma só vez as operações de corte, trilhagem, separação da palha, abanação e até o ensacamento. A colheita manual pode ser de duas formas: o mais usual é colher só a panícula (cacho), usando-se um facão. As partículas são então levadas a um terreiro para acabar de secar e em seguida batidas como arroz. Ou então colhe-se a planta inteira e espera-se a fenação para se fazer abatedura. A colheita para uso dos grãos deve ser feita quando eles estiverem com 20 a 25% de umidade, podendo-se aguardar que caia a 19%, havendo secagem de terreiro, ou 16% quando não há.
    O momento da colheita é quando o grão está maduro, com a cor característica da variedade. Então, colhem-se amostras da parte inferior da panícula, que é a que demora mais para secar, esfregam-se as amostras nas mãos e, se a desgrana for fácil, o sorgo já pode ser colhido. Os grãos não de-vem ficar muito tempo expostos no campo, para evitar o ataque de carunchos ou a germinação dos grãos na panícula, e também os ataques de pássaros. Uma produtividade normal é de cerca de 2500kg/ha, No caso do sorgo vassoura, cortam-se as panículas quando os grãos estão em estado leitoso, deixando um cabo de 15 cm, e deixa-se secar à sombra. É com a panícula que se fazem vassouras. A rentabilidade, no caso, é de 1 000 kg/ha de palha. Para a produção de álcool, o sorgo sacarino começa a acumular açúcares no florescimento e atinge o ponto mais alto na maturação, quando se faz o corte. A colheita para forragem é feita quando o grão estiver pastoso, momento em que apresenta um teor mais alto de nutrientes. Em 90 a 100 dias, consegue-se de 40 a 60 t/ha de massa verde, e, com mais dois cortes, pode-se chegar até 100 t/ha. Em massa seca isso representa mais de 15t/ha no primeiro corte e cerca de 30 t/ha no total dos três cortes.

Alimentação animal
   O valor alimentício do sogro é comparável ao do milho. Nas rações para bovinos, pode substituir integralmente qualquer grão, mas precisa ser moído antes. Nas rações para suínos, o sorgo com baixo teor de tanino pode substituir integralmente o milho (com alto teor, até 50%). Em rações para aves, especialmente para poedeiras e reprodutoras e para frangos de corte em sua fase final, deve-se também limitar a 50% a substituição do milho pelo sorgo. Para frango de corte, antes da fase final, pode substituir até 100% do milho. A qualidade do sorgo silado é levemente inferior à do milho, mas o sorgo fornece muito mais matéria seca, que compensa essa desvantagem.

Alimentação humana 
    Na alimentação humana, a utilização de até 20% de farinha de sorgo misturada à de trigo não altera o gosto ou a textura dos produtos em que á utilizada. Há ainda bolos, broas, pães especiais, pudins e outros produtos em que se usa de 50 a 100% de farinha de sorgo, em vez do trigo. O sorgo é consumido como pipoca, feita da mesma forma que a de milho .

Farinha de sorgo
    Um método caseiro de fazer farinha de sorgo integral é o seguinte: limpar os grãos depois da colheita (retirar grãos estragados, restos de palhas,insetos); colocar os grãos de molho por três dias, na proporção de uma parte de grãos para quatro de água, trocando de água todos os dias; escorrer a água no fim do terceiro dia; moer os grãos em máquina de moer carne, desintegrador, liquidificador ou pilão; peneirar a farinha e por no sol para secar; peneirar novamente depois da farinha seca. Guardar em vasilha tampada, em lugar seco.

 Fotos
O Sorgo, da família da cana-de-açúcar, é utilizado como ração animal. As variedades graníferas servem para a fabricação de excelente farinha
O Sorgo, da família da cana-de-açúcar, é utilizado como ração animal. As variedades graníferas servem para a fabricação de excelente farinha

Referências:
Embrapa milho e sorgo,  disponível em  https://www.embrapa.br/milho-e-sorgo atualizado em 15/03/2015.
MEIRA, J.L.; MARINATO, C.; CAVARIANI, R. Ensaio de espaçamento e densidade para sorgo granífero. Projeto Milho-Sorgo, Relatório 1975/77, 1978. Belo Horizonte: EPAMIG, 1978. p.47-50.
PITTA, G.V.E.; VASCONCELLOS, C.A.; ALVES, V.M.C. Fertilidade do solo e nutrição mineral do sorgo forrageiro. In: CRUZ, J.C.; PEREIRA FILHO, I.A.; RODRIGUES, J.A.S.; FERREIRA, J.J. (eds.). Produção e utilização de silagem de milho e sorgo. Sete Lagoas: EMBRAPA Milho e Sorgo, 2001. cap.9. p.243-262

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