Soja Perene

   Capaz de fixar até 450 kg/ha/ano de nitrogênio, a Soja-perene (Glycine wightti Verde.) é uma leguminosa originária da África tropical e subtropical, que ocorre na Arábia e na Índia e se propaga com facilidade. Por isso, é utilizada com sucesso como forrageira ou na adubação verde de culturas de citros e de feijão. Experimentos realizados pela Seção de Leguminosas do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) de São Paulo, revelaram que a produção de feijão plantado depois da incorporação e ou cobertura morta da soja-perene foi superior 200% comparada à de feijão-solteiro. No Brasil, a soja-perene é cultivada de São Paulo até a região Norte, onde as condições de solo e clima são mais favoráveis ao seu desenvolvimento.

Clima e solo
Soja perene    A soja-perene sobrevive à temperatura de até 10 °C, em regiões onde não ocorram geadas. Mas se desenvolve melhor em regiões de climas tropical e subtropical (temperatura média de 16 ºC,à noite, e de 23 ºC durante o dia). Não vegeta bem em solos pobres, ácidos, rasos e encharcados. Depois da fase de formação da planta (que varia de seis meses a um ano, dependendo da época do plantio, fertilidade do solo, estiagens, etc), graças às suas raízes vigorosas e profundas, que chegam a mais de 3 m de comprimento, a soja-perene pode rebrotar mesmo em condições adversas, como a estiagem prolongada, fogo, geadas etc. Em solos com pH abaixo de 5,5 e teores de cálcio e magnésio muito baixos (ou se houver toxides de alumínio), recomenda-se fazer a calagem,com calcário dolomítico, de dois a três meses antes do plantio, de acordo com análise química do solo.

Escarificação e nodulação
    O índice de germinação de soja-perene é muito baixo, porque a cutícula da semente é impermeável: deve ser portanto escarificada antes do plantio. Para escarificar quantidades pequenas, pode-se usar lixa numero 100 ou socar, num pilão comum, um quilo de sementes misturado a um quilo de areia grossa e pedrinhas, durante vinte minutos. A diferença de tamanho das pedrinhas e das sementes facilita sua separação na peneira. Para maiores quantidades usa-se um misturador de cimento com pequenas pedras misturadas às sementes. Outro processo que pode ser usado consiste em colocar as sementes em água fervente durante um minuto. Há ainda o método químico, que consiste em mergulhar as sementes em ácido sulfúrico concentrado por sete minutos, lavar com água e depois deixá-las para secar. Um jeito simples de assegurar se a escarificação foi bem-sucedida é colocar cem sementes numa cápsula de vidro ou num prato com água, deixando-as imersas durante 24 horas. Após esse tempo, a água deve adquirir uma cor averrnelhada, significandos que as sementes estão escarificadas. Um ou dois dias depois, as sementes aumentam de volume (pela absorção da água) e se tomam claras. Após a escarificação as sementes mantêm o poder germinativo durante três anos, desde que amarzenadas em condições favoráveis.
    A soja-perene é capaz de abrigar em suas raízes as bactérias do gênero Rhizobium, que existem em vida livre no solo e que cedem à planta o nitrogênio que fixam do ar. Se, por algum motivo, a planta ressentir-se da falta dessas bactérias, as sementes devem ser inoculadas com culturas puras de Rhizobium. As sementes devem ser plantadas logo após a inoculação, de preferência em dias encobertos.

Plantio
   Plantada logo no início das chuvas (setembro-outubro), e em condições normais, já no primeiro ano a soja-perene pode produzir cerca de 40 t/ha/ano de massa verde e de 8 a 10 t/ha/ano de matéria seca, com teor de proteína bruta em tomo de 11 a 20%. Qualquer que sejaa finalidade do plantio (forragem ou adubação verde), distribuir cerca de 20 sementes por metro, em linhas distanciada sem tomo de 50 cm a uma profundidade de 3 cm. Em terras não aradas só é possível o plantio manual. Nesse caso, a terra é afofada com enxadão, e as sementes comprimidas levemente com os pés. Em solos preparados é mais vantajoso fazer o plantio mecânico, com uma semeadeira manual. A quantidade de sementes é de 15 a 20 kg/ha (pastagem) e cerca de 10kg/ha para adubação. Em geral a soja perene produz aproximadamente 500 kg/ha de sementes.

Tratos culturais
   Por ter um desenvolvimento inicial lento, a soja perene sofre a concorrência das plantas nativas. É recomendada a realização de capinas, até que as ramas da soja perene cubram o terreno. Em plantios bem-feitos, o cultivador mecânico resolve o problema com facilidade. A capina é essencial quando a soja-perene se destina à forragem, pois o material estranho deprecia sua qualidade. Nos plantios consorciados, as capinas podem ser reduzidas, pois a gramínea consorciada ocupa espaços vazios. Recomenda-se a análise do solo a cada quatro ou cinco anos, dependendo do estado da cultura, para avaliar a necessidade de adubação e calagem. A época indicada para essas operações é logo após o corte realizado na estação chuvosa.

Colheita 
    A soja-perene floresce em março-abril e produz grandes quantidades de sementes que completam a maturação no início de junho. Em invernos secos, as plantas perdem muita água, o que apressa a maturação da vagem. Por isso é aconselhável inspecionar a lavoura a partir de maio, efetuando a colheita quando dois terços das vagens estiverem escuros. Para pastagens, recomenda-se colocar os animais quando a soja-perene  estiver com 25 a 30 cm de altura e retirar quando ela atingir 10 centímetros.

Fotos
Soja A semente da soja perene é impermeável e precisa ser escarificada antes do plantio
A semente da soja perene é impermeável e precisa ser escarificada antes do plantio
Referências:
Embrapa Meio-Norte: MENEGARIO, A., A soja perene em pastagens.
MÉTODO DE PLANTIO PARA SOJA PERENE (Glycine wightii Verde.) ( 1 ). Luiz A. C. LOVADINI, disponível em: http://www.scielo.br/pdf/brag/v30n1/12.pdf, atualizado em 15/03/2015.

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