Estilosantes

    O gênero estilosantes (Stylosanthes) engloba cerca de quarenta espécies de leguminosas, todas aproveitáveis como forrageira. Existem espécies nativas em todos os continentes, mas na Africa do Sul e Central teve origem a grande maioria delas. 
     No Brasil recebem diversas denominações: meladinho, verano, alfafa-do-nordeste, luzema-tropical, trifólio, vassourinha, saca-estrepe, manjericão-do-mato e mata-pasto. Este último nome demonstra que muitas vezes os estilosantes são desconhecidos como plantas forrageiras, sendo cortados como invasoras indesejáveis. Uma das características principais dos estilosantes é a capacidade de extrair e utilizar o fósforo, de solos pobres neste elemento. Dão boa resposta à adubação fosfatada, da mesma maneira que as demais leguminosas, mas apresentam resultados satisfatórios mesmo em condições de carência desse elemento. Por -outra característica, os estilosantes podem ser utilizados como cultura pioneira, melhorando substancialmente a produtividade das pastagens, tanto nativas como artificiais, Encontram-se estilosantes no meio dos capins gordura, jaraguá, pangola, e outros (nos cerrados), e em quase todos os tipos de pastagens, do noroeste do Paraná ao Norte e Nordeste do país, quase sem exceção. 

Espécies
Estilosante Senna uniflora    O Stylosanthes guianensis (Aubl.) Swartz é a principal espécie dogênero e também a que tem um maior nú-mero de variedades, É uma das legumino-sas tropicais mais estudadas, em especial na Austrália, onde foi submetida a vários trabalhos de seleção. As variedades mais conhecidas são: cook, endeavour, scho-field e IRI 1022. A cook é originária da Colômbia, de uma região bastante chuvosa (3 960 mm por ano) e altitude elevada (1 250 m), com onze meses de estação de crescimento. É uma planta robusta, perene, ereta ou semi-ereta e pode atingir de 1,20 a 1,50 m de altura. Tem demonstrado ser vigorosa e agressiva, desenvolvendo-se bem com capins estaloníferos e entouceirados. Compete bem com as invasoras e produz mais durante a época da seca, Além disso, a cook é menos suscetível à antracnose e tem f1orescimento precoce (março-abril). A cultivar scho-field, originária do Brasil, é encontrada desde São Paulo até o Norte do país, em diferentes tipos de solo, clima e vegetação, sendo utilizada (inclusive em outros países) como cobertura, adubação verde, feno e pastagens, E uma planta perene, herbácea e ereta, que pode tomar-se prostrada sob pastoreio.
    Adapta-se a lugares livres de geadas e regiões de clima tropical úmido com chuvas anuais de 800 a 4000 mm. Não é exigente em fertilidade do solo, mas não tolera drenagem deficiente, desenvolvendo-se relativamente bem em solos ácidos e nos cerrados. O gado não aceita com facilidade essa variedade quando verde. A schofield possui 18,76% de proteína bruta e 29,28% de fibra bruta em 100% de matéria seca. Seu desenvolvimento inicial é lento e o f1orescimento tardio (abril-agosto), podendo não produzir sementes em áreas sujeitas a geadas. A cultivar endeavour é originária da Guatemala, de uma região com altitude de 1860 m e chuvas anuais de 2 160mm. Tem porte semi-ereto e é densamente ramificada. Com folhas e hastes viscosas, a endeavour floresce de duas a quatro semanas antes da schofield. No trópico úmido produz mais que a cook. Tem crescimento inicial rápido e vigoroso no começo do verão, quando a cook é mais lenta, mas durante o inverno seu crescimento é menor. É mais sensível antracnose que a cook e menos que a schofield. Tolera geadas razoavelmente e compete bem com capins vigorosos e com invasoras. Outra variedade da espécie Stylo-santhes guianensis é a IRI 1022, selecionada pela Estação Experimental de Matão, em São Paulo, E uma planta herbácea, perene, que chega a atingir 0,80 a 1,00 m de altura, quando cresce livre, produzindo vários ramos, Seu crescimento é favorecido durante a estação seca, permite o suprimento de forragem e proteína ao gado, Cresce satisfatoriamente sob diversas condições de solo é clima. Para esta variedade recomenda-se a adubação com fósforo em solos deficientes. O Stylosanthes humilis H.B.K" conhecido popularmente como alfafa-do-nordeste, nativo do Nordeste brasileiro, é uma planta anual, quase perene, Desde 1910 tem sido usada para melhorar pastagens em áreas secas na Austrália, e é desconhecida da maioria dos pecuaristas brasileiros. Adapta-se bem a uma grande variedade de solos de baixa fertilidade, mesmo os argilosos e compactos superficialmente. Não tolera áreas alagadas, preferindo solos de textura leve e bem drenados. É pouco resistente ao frio e ao sombreamento. Chuvas em tomo de 600 a 1200 mm/ano, com estação seca bem definida, são ideais.  É recomendada como cultura pioneira em campos abertos em Goiás, Mato Grosso, sul do Maranhão e no polígono das secas, pois se adapta bem a solos arenosos e de baixa fertilidade, O seu feno contém cercá de 12% de proteínas, suas sementes, extremamente ricas em proteínas (45%), são fontes básicas para alimentação dos animais (durante a seca). Chega a produzir de 400 a 700kg/ha de sementes. Deve ser plantada logo no início das águas ou mesmo antes na "poeira". As sementes têm um gancho na ponta que parece um anzol, característica marcante da alfafa-do-nordeste. Esta espécie suporta o pisoteio pesado e se presta bem ao pastejo, mas não suporta chuvas fora da estação.
    Nos anos em que chove no meio da estação seca, o capim seco, sementes e a palhaça da alfafa-do-nordeste apodrecem. A lavoura fica prejudicada, e com isso gado perde peso, quando chover na estação seca, é recomendado o ressemeio, feito logo no início das águas seguintes. Outra espécie é o Stylosanthes hamata, popularmente chamada verano. E uma planta herbácea, ereta,  perene, som pêlos curtos e brancos, Nativa da Índia Ocidental, adapta-se bem na zona tropical, com chuvas anuais entre 500 a 2 270 mm. Cresce em diversos tipos de solos e climas e é tolerante à seca. Sobrevive à geada e compete bem quando consorciada com gramíneas como o capim pangola. A espécie verano, à primeira vista, é parecida com a alfafa-do-nordeste, mas seu porte é mais ereto, a planta é menos espalhada e suas sementes são alongadas. Por ser bienal e semi-perene, leva vantagem sobre a alfafa-do-nordeste, pois produz mais massa, principalmente logo no início das chuvas. Não tolera fogo nem geada, mas produz muitas sementes e se regenera com rapidez, desde que em condições adequadas de solo e clima. E tambem recomendada para o polígono das secas.

Plantio e propagação
   As variedades da espécie guianensis multiplicam-se através de sementes, que se desprendem da planta quando maduras. Podem chegara 90% de germinação quando bem escarificadas (em água a 60°C por cinco minutos). A produção de sementes é variável, de acordo com as condições de solo e clima. Usa-se de 2 a 3 kg/ha de sementes para pastagens mistas. Para formação de pastagens consorciadas, a espécie verano necessita 2 a 4 kg/ha de sementes, e da alfata-do-nordeste são plantados de 2 a2,5 kg/ha de sementes (a produção comercial de sementes é de 450 kg/ha, mas em condições ideais pode chegar a 600kglha). Antes do plantio, além da escarifícação, as sementes devem ser inoculadas com bactérias específicas de grupo Stylosanthes. O plantio de todas as espécies e variedades é feito na primavera.

Fotos
Estilosante conhecido popularmente como Mata-pasto ( Nome científico: Senna uniflora)
Estilosante conhecido popularmente como Mata-pasto ( Nome científico: Senna uniflora)
Fontes:
Embrapa: Cultivo e uso do Estilosantes Campo-grande, Comunicado Técnico 105 ISSN 1516-9308 Campo Grande, MS Abril, 2007.
Embrapa Estilosantes Campo Grande, disponível em http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD38.html, acesso atualizado em 06/03/2015.

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