Algaroba

   A algarobeira (Prosopis juliflora D.C.)  é uma árvore da família das leguminosas, originária de regiões semi-áridas e áridas  das Américas, que poderá contribuir muito para o melhoramento da pecuária no  nordeste brasileiro, produzindo, sem grandes exigências de solo e chuva, massa verde e feno que constituem excelente  alimento para diferentes espécies animais.  Grande vantagem é que a algarobeira  frutifica na época da seca, fornecendo alimentos ricos em proteínas para animais e  garantindo as atividades das abelhas  quando as outras plantas não estão produzindo. Além disso, sua madeira é de boa  qualidade para fins industriais seu carvão  e lenha são de grande poder calorífico e  suas folhas que caem, protegem e enriquecem o solo.

Clima e solo
Arvore de Algaroba   Já existem algarobeiras  espalhadas pelas mais diferentes áreas do semi-árido nordestino, vegetando e produzindo em ambientes de baixa umidade e altas temperaturas, o que indica que as  condições existentes são propícias ao seu  desenvolvimento. A planta se dá bem em  áreas com 400 a 500 mm de chuvas por  ano, com temperatura na faixa de 22 a  38"C e umidade relativa do ar entre 45 e  70%. Quanto aos solos, deve-se tomar  cuidado apenas com os rasos e arenosos,  ou os de umidade excessiva, já que a  planta se adapta à solos com grau de salinização que poucas outras plantas suportam. A Emater-PE recomenda o uso de  solos de fertilidade média, não por exigências especiais da planta, mas para que  os mais férteis sejam destinados a outras  culturas mais exigentes, principalmente  culturas alimentares.  

Produção de mudas
    As mudas são  obtidas de sementes que devem ser provenientes de plantas sadias, vigorosas e de  produção elevada. A produção de mudas  por estacas e enxertia ainda está em fase  de estudos. Os frutos da algarobeira são  vagens com 15 a 30 em de comprimento  e cerca de 1,5 em de largura. Há várias  formas de retirar as sementes para plantio. Uma delas é colocar as vagens em  água por 12 horas e, usando uma faca, cortar em sentido longitudinal, descobrindo as sementes, que serão retiradas e colocadas em camadas finas, em local ventilado, para eliminar o excesso de água.  Se as vagens ficarem na água por 48 horas, outro método possível, as sementes livram-se da parte mucilaginosa e  devem ser plantadas imediatamente, pois  já terão iniciado o processo germinativo. Outros métodos são o fornecimento das  vagens ao gado (bovino, caprino e eqüino, de preferência gado confinado), recolhendo-se as fezes juntamente com as sementes, e o processo mecânico, que consiste em passar vagens já secas por máquina de quebrar grão de milho ou máquina forrageira - mas este tem o inconveniente de quebrar muitas sementes. Calcula-se que para obter 1 kg de sementes  são necessários 12 kg de vagens. Com 1  kg de sementes, prepara -se de 10 000 a  12 000 mudas. Antes de semeadas, as sementes devem passar por uma "quebra de  dormência", que pode ser feita em água,  à temperatura ambiente, onde elas devem  ficar por um período de doze horas, retirando-se as sementes que boiarem, ou em  água quente, colocando-se as sementes na  água, depois de sua fervura por quatro a  seis minutos, dentro de um saquinho. Logo depois de retiradas da água, plantam-  se as sementes em saquinhos de polietileno, com no mínimo 20 em de altura, contendo uma mistura de duas porções de  terra, uma de esterco bem curtido e uma  de areia, segundo recomendações da  Emater-PE, ou  apenas uma mistura de solo com esterco, na proporção 2: I, conforme recomendações da Emater-BA. A  Emater-PE recomenda ainda que se faça  uma escarificação das sementes antes de  plantá-las para facilitar a germinação. Essa escarificação consiste em passar as sementes numa superfície áspera, raspando as um pouco. Colocam-se duas a três sementes por muda, com 1 a 2 cm de profundidade, conservando-se depois a plantinha mais vigorosa. O desbaste deve ser  feito no transplante ou alguns dias depois,  para maior segurança contra possíveis  perdas.

Plantio
    Quando as mudas tiverem de  15 a 25 cm, estão prontas para o plantio,  que deve ser no início da estação chuvosa. Se a chuva escasseia, as plantas devem ser regadas uma a duas vezes por semana, com 4 a 6 L de água por cova. As  covas devem ter no mínimo 40 em de  profundidade e 30 em de largura e comprimento. A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Empam) aconselha 60 em de profundidade e  50 em de diâmetro. O distanciamento  mais recomendado é de 10 x 10 m. Para o  consórcio com algodão arbóreo, o espaçamente deve ser de 15 x 15 m, e com frutíferas ou pastagens de 15 x 15 m, 20 x  15 m ou 20 x 20 m. Quando o plantio é  voltado para a produção de estacas ou  madeiras, usa-se o espaçamento de 3 x 3  m ou 2 x 3 m. Outros espaçamentos densos, que reduzem o crescimento da planta, são utilizados quando o objetivo é o  melhoramento do solo ou a formação de  cerca viva. O enchimento da cova deve  ser feito com cuidado, evitando-se soterrar o colo da planta  que deve ficar 5  em abaixo do nível do terreno, porém  sem ser coberto. Recomenda-se tutorar as  plantas, amarrando-as em varas, usando-  se o próprio saco da muda para protegê-  Ias contra os ventos. 

Tratos culturais
    Durante os três primeiros anos é interessante fazer o coroamento ao redor da cova com no mínimo 1 m de raio, para manter a planta livre de  concorrência de invasoras.  Podas Inicia-se a poda com a retirada  dos ramos secos e os verdes de segunda e  terceira ordem, conservando os oblíquos  e horizontais e eliminando-se os de tendência vertical, fazendo:se um corte a 1,80  m de altura, para que fique de copa baixa, quando o interesse for a formação de  pastagens arbóreas para a alimentação do  gado. Normalmente a algarobeira atinge  de 6 a 8 m de altura e sua copa dá uma  sombra de 8 a 12 m de diâmetro.

Pragas e doenças
   Há poucos relatos  de ataque de pragas a algarobeiras. A  principal delas é o serra-pau, um inseto  que tem como larva uma broca. Para seu  controle, queimam-se os ramos secos ou  caídos, onde estão depositados os ovos da  praga. Pode ser combatido também com  isca feita com 5 kg de farelo, 500 g de  açúcar, inseticida e água. Outras pragas  são as formigas, a lagarta; e o gafanhoto.  Uma praga que apareceu na Paraíba é o  mané-magro, um inseto que ataca a folhagem das plantas. A ocorrência de doenças  é menos freqüente e quase sempre provo-  cada pelo ataque de pragas.


Colheita
   Depois de três anos (em alguns casos, dois anos), sessenta dias depois da f1oração, surgem os primeiros frutos maduros, em épocas que variam conforme as chuvas. No Nordeste, concentra-se nos meses de outubro a janeiro. O  pico de produção coincide com o período  seco e, se este se alonga, a produção também perdura, dando de 20 a 50 kg de vagens por planta, ou seja, de 2 a 8 t/ha (em  média, 5 t/ha). A produção de frutos torna-se econômica no quinto ano e prolonga-se até o vigésimo com boa produção.  Há plantas que registram uma produção  econômica até depois dos 30 anos. Em     geral, recomenda-se o aproveitamento da  madeira para a indústria de móveis depois  de 20 anos. A produção de lenha é de 100  a 120 m3/ha/ano depois do quinto ano; a  produção de estacas é de 500 a 700 unidades por halano, após o sexto ano; e os  mourões de 200 a 250 unidades por  há/ano. depois do nono ou décimo ano. O  tronco da algarobeira chega a ter 40 a 80  em de diâmetro. Fora isso, recomenda-se  a colocação de duas colméias por hectare  na época da floração, o que dá de 100 a  200 kg/ano de mel, a partir do quarto  ano. A colheita das vagens se resume à  cata das que caem naturalmente quando  ficam maduras. O armazenamento poderá  ser feito em galpões, com piso forrado  por estrado de madeira, onde as vagens  são depositadas a granel ou ensacadas,  evitando-se de qualquer forma o contato  com as paredes. Para armazenamento, a  vagem deve ser seca ao solou em fomo  de casa de farinha.

Utilização da algaroba
    A Emater-BA  recomenda a algaroba como ração suplementar para atender 25% das necessidades do gado bovino e 30% das necessidades de caprinos e ovinos. Para bovinos  com cerca de 400 kg, dá-se 3 kg/dia de  vagens, e para ovinos e caprinos que pesam cerca de 40 kg, 600 g. Já a Emater-PE recomenda até 7 kg de vagem tritura-  da ou farelo por bovino de 450 kg por  dia: 1,5 kg por ovino ou caprino. Em ambos os casos (bovino ou ovino/caprino),  essa alimentação deve ser dada pelo me-  nos duas vezes por dia. Para suínos fornecem-se até 3 kg/dia, misturada à ração  balanceada. Para aves "caipiras", até 50  g/dia por ave, complementando com milho, sorgo e outros alimentos disponíveis.  A folhagem (rama) pode ser consumida  por animais em forma de feno, triturada  em pequena proporção com outras forrageiras. Na alimentação humana, a algaroba entra na produção de bolos, biscoitos,  geléia, pão, licor, melaço e papa. E utilizada na indústria (tanto a vagem quanto a  madeira) para a produção de álcool,  aguardente, farinha, goma, tanino, dormentes, estacas, tacos, móveis, lenha e  carvão. 

Composição por 100 g 
    Vagem: 176,9  calorias, 4,5 g de proteínas, 140 mg de  cálcio, 57 mg de fósforo, 0,10 mg de ferro, 0,08 mg de vitamina B, e 3.,6 mg de  vitamina C.
    Farinha: 199,2 calorias, 6 g  de proteínas, 76 mg de cálcio, 48 mg de  fósforo, 0,09 mg de ferro, 0,078 mg de  vitamina B, e 2,8 mg de vitamina C.

A algaroba pode ser uma alternativa para o semi-arido


Fontes:
Embrapa: Algaroba (Prosopis juliflora): Árvore de Uso Múltiplo para a Região Semiárida Brasileira, comunicado técnico 240 ISSN 1517-5030 Colombo, PR Técnico Outubro, 2009
AZEVEDO, C.F. de. Algarobeira na alimentação animal e humana. In: Simpósio Brasileiro Sobre Algaroba, 1982, 1. Anais. Natal: EMPARN, pp. 283-299
Estudo das Condições de Cultivo da Algaroba e Jurema Preta e Determinação do Poder Calorífico disponível em http://www.unimep.br/phpg/editora/revistaspdf/rct14art10.pdf, acesso atualizado em 06/03/2015

4 comentários :

  1. Diante de tantas vantagens da Algaroba, Vejo aqui uma grande oportunidade para os pequenos produtores do sertão baiano.
    Precisa apenas um pequeno incentivo das prefeituras para viabilização do plantio e manejo corretos.

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  2. Parece uma planta multifuncional e ainda adaptável a regiões onde há pouca precipitação anual. Para o Sudeste do TO região que convive com secas me parece boa alternativa, tanto para alimentação dos animais quanto para reforço na alimentação humana. Além de incentivar o plantio, tem que haver uma sensibilização para aceitação "cultural".

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  3. Boa tarde,
    Há três anos atrás, plantei 10 mudas de algaroba, e duas delas começaram a dar vagens recentemente.
    Tudo bem, é normal.
    No entanto, o que me impressionou foi a cor das vagens de uma delas.
    As vagens são ROXAS.
    Portanto, como comumente só vemos nos sites vagens na cor amarela, eu gostaria de saber se tal variedade é também comum em outros lugares.
    Atenciosamente,
    Dean Carvalho

    Carnaúba dos Dantas /RN

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  4. Bom dia gostaria de tirar uma duvida ja ouvir muito falar que a plantação de agaroba seca o terreno isso e verdade

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