Aguapé

   Aguapé (Eichhornia crassipes) é uma palavra de origem tupi, que significa redondo e chato, e serve de nome para diversas plantas aquáticas flutuantes, com folhas que têm esse formato, parecidas com pratos, destacando-se a que tem o nome científico de Eichhorniacrassipes, chamada também por vários nomes populares, entre eles mururé, pavoá, rainha-da-lagoa, jacinto d'água, orquídea-de-tolo e baronesa. Originário da América do Sul, o aguapé tem uma bela flor azul semelhante a uma orquídea. Em vários lugares, a planta vem sendo apresentada como a solução para os problemas de poluição, já que suas raízes absorvem elementos poluidores da água e parece que se reproduzem com maior velocidade em águas poluídas. Existem cidades brasileiras que usam o aguapé nas estações de tratamento de água destinada ao abastecimento de sua população. Há muito vem sendo utilizado também como alimento de animais (bovinos, suínos, patos etc.) e como adubo. A NASA já demonstrou interesse pela planta, julgando que ela poderá vir a ser a solução para os problemas de fornecimento de proteínas e alimentos para astronautas. Mas, a despeito de todas essas qualidades, o aguapé não é bem visto por alguns técnicos, que o consideram uma das pragas mais temíveis, por causa de sua extraordinária capacidade de reprodução e crescimento, que já provocou o impedimento da navegação no Rio Congo e seus afluentes, na Africa; dificultou a navegação no Mississipi, nos Estados Unidos; é considerado um flagelo na lndonésia, India e Ceilão; e é proibido por lei na Nova Zelândia.
Aguapé    No Estado de São Paulo, quem não gosta dele são os responsáveis pelas hidrelétricas, pelo menos desde 1978, quando o aguapé tomou conta de mais da metade da represa da Companhia Paulista de Força e Luz (CPPL) , em Americana, dificultando a geração de energia pela sua usina. O aguapé é usado na criação de peixes. Além de servir como alimento, suas raízes são um excelente local de desova paraas carpas, por exemplo. 

Reprodução 
   O aguapé se reproduz através de sementes, que continuam aptas à germinação por vários anos, e pelos estolões, que são espécies de cordões umbilicais, mais resistentes às situações adversas que as sementes. Assim, pode resistira falta de condições até que a planta flutuante seja levada para outro lugar pelas águas. As condições mais favoráveis para reprodução são altas temperaturas e poluição. Nesses casos, a planta retira nitrogênio, fósforo e potássio dos elementos poluidores e desenvolve-se em ritmo muito veloz, podendo dobrar de peso a cada doze dias. Colocando-se 10 plantas na água,em condições favoráveis, ao final da estação de crescimento, que dura oito meses, elas serão 650 000. A produção de aguapé chega a 150 t/ha ano ou mais. Na represa de Americana (SP), verificou-se que sua produção atinge 30 kg/m2. Ou seja, se se cobrir 1 ha inteiro de aguapé, pode-se obter de 300 a 500 t de massa verde. Aliás, o aguapé é a planta que tem, a maior capacidade de fotossíntese entre todas as conhecidas. Ou seja, sua capacidade de usar a energia solar para produzir matéria orgânica, através da fixação do gás carbônico do ar, não encontra rival. 

Usos 
   Se é mal visto pelas empresas energéticas e pelos navegadores de rios e lagos, para agricultores o aguapé tem - ou pode ter - muito valor. Além de alimentar os animais domésticos já citados, e outros como o búfalo, coelho, ganso, carpa e peixe-boi, seco e misturado com esterco, que lhe fornece os microorganismos necessários para a fermentação, transforma-se em excelente adubo. Em experiência promovida pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em Americana (SP), obteve-se como resultado uma produção de hortaliças de 400 g/m2, sem  adubação, e de 2,5 kg/m2, incorporando-se o composto de aguapé e esterco. Outra opção é a produção de biogás. Colocando-se num biodigestor 80 kg de uma mistura de água e aguapé fresco triturado, 25 dias depois obtêm-se 32 m3 de gás, segundo experiência realizada pela CPFL. Como esse método exigiria digestores muito volumosos para usar uma grande quantidade de aguapé para produzir gás, tentou-se outro método - a extração de suco de aguapé, que corresponde a 70% do peso da planta (os restantes 30% são resíduos), o que é duplamente favorável, porque economiza espaço (o suco não precisa ser misturado com água) e não sobram resíduos no digestor. Com 1 t de aguapé fresco, dessa forma, produz-se 32 m3 ) de gás com 65% de metano.
    Segundo cálculos da Companhia Energética de São Paulo (CESP), se a empresa mantivesse 10% das áreas das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri com aguapé, poder-se-ia retirar 14 211 t diárias dessa planta, quantidade suficiente para produzir energia equivalente a 293 000 l de petróleo por dia, ou biogás para alimentar 300 000 residências ou, ainda, gás metano para abastecer 10 000 automóveis, com autonomia de 300km/dia cada. Mais: o aguapé seco tem o mesmo poder calorífico da lenha comum e poderia ser utilizado também como seu substituto.
    O uso de aguapé no tratamento da água é defendido pelos pesquisadores Nelson de Souza Rodrigues e Eneas Salati,  o tratamento convencional não retira da água certos elementos inorgânicos, como arsênico, bário, cádmio, cromo hexavalente, fósforo, mercúrio e urânio. E o próprio cloro, presente na água, se composto com certos elementos orgânicos ou fenois, pode tornar-se prejudicial à saúde. O aguapé seria um eficiente auxiliar nesse tratamento, por absorver os agentes poluidores, reduzir os coliformes em 77% e diminuir os maus odores da água poluída. Em 30 horas, a água poluída submetida à limpeza com aguapés já apresenta condições propícias para a criação de peixes e rãs. Segundo o pesquisador Nelson S, Rodrigues, em 1 ha de superfície de água com aguapé destinado à criação de peixes seria possível obter anualmente 2 000 a 2 500 kg de tilápia, 5 000 a 7 000 kg de tucunaré ou 8 000 a 10000 kg de carpa. Rodrigues dá também uma fórmula para saber se as águas em que há aguapé são poluídas ou não: parte aérea baixa e amarelada, e sistema radicular volumoso, com 70 a 80 cm de comprimento, são indicadores de baixa poluição; parte aérea alta (50 a 70 cm) e sistema radicular curto e pouco volumoso indicam alta poluição. O engenheiro Mário Silva Pinto afirma que é possível industrializar suas fibras. que podem servir para a indústria de tecidos ou para a produção de celulose, a um custo mais baixoq ue o de qualquer madeira. 


O aguapé como alimento humano 
   O aguapé foi tema de tese de mestrado da agrônoma Helena von Ghlen Strano, na Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz, da USP, em Piracicaba. Desde o início, ela descartou a possibilidade de se usar as folhas do aguapé, muito fibrosas, diretamente na alimentação humana. Mas, extraindo-se o suco da massa seca e eliminando sua umidade, ela obteve um pó moído, formando placas de concentra-do, com cerca de 50% de proteínas (o dobro da carne de vaca). Como esse pó não tem gosto nem cheiro. Helena julga ser possível seu uso em qualquer alimento, sem modificar o paladar ou aroma. Uma primeira sugestão é usá-la no enriquecimento da farinha de mandioca. Por se tratar de uma planta despoluidora, fez-seu ma análise para detectar a presença demetais prejudiciais à saúde em sua folhas. A conclusão é que esses metais, como o mercúrio, ficam retidos nas raízes, que funcionam como um filtro, e não passam para a parte aérea.

Composição por 100 g 
 Folhas verdes: 5,40 calorias. 0,95 g de proteínas, 63 mg de cálcio, 37 mg de fósforo, 18,47 mg de ferro, 223 mg de vitamina A, 0,03 mg de vitamina B1 0,08 mg de vitamina B2 e 16mg de vitamina C.

Fotos
Aguapé

Aguapé

Cultivo de aguapé

Referências:
MUKUNO, D. R. O. et al. Efeito de fatores ambientais na morfologia das plantas de Aguapé. Revista Brasileira de Botânica, v. 8, p. 231-239, 1985.
AVALIAÇÕES FISIOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS DE PLANTAS DE AGUAPÉ (Eichhornia crassipes ) CULTIVADAS COM NÍVEIS EXCESSIVOS DE NUTRIENTES1 Physiological and Biochemical Evaluations of Water Hyacinth (Eichhornia crassipes), Cultivated with Excessive Nutrient Levels ALVES, E.2 , CARDOSO, L.R.2 , SCAVRONI, J.3 , L.R., FERREIRA, L.C.3 , BOARO, C.S.F.4 e CATANEO, A.C.5 - ( UNESP - Universidade Estadual Paulista).

1 comentários :

  1. Cesar Toniciolli27/08/2017 17:13

    Boa Tarde! Vc teria como disponibilizar o primeiro artigo das referências que você citou (MUKUNO et al., 1985), pois já procurei até nos Periódicos Capes, mas não consigo encontrar.

    Agradeço desde já!

    Att. Cesar Toniciolli.
    cesartoniciolli@gmail.com

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