Açafrão

   O açafrão (Crocus sativus L.) é uma planta herbácea, perene da família das iridáceas, originária da Ásia. Possui um bulbo sólido, subterrâneo, de onde partem folhas finas, com até 45 cm de comprimento. Cada planta pode produzir de uma a cinco flores de cor violeta, rósea ou avermelhada. A parte que interessa comercialmente do açafrão é o estigma da flor, que é o lugar que recebe os grãos de pólen. O açafrão não deve ser confundido com o cártamo (ou açafroa), e nem com a cúrcuma. Existem no mercado, devido à confusão de nomes com outros condimentos, tentativas de falsificação do açafrão, que por tudo isso costuma ser chamado de açafrão-verdadeiro. E uma planta pouco cultivada no Brasil, devido às condições climáticas impróprias e ao alto custo de sua cultura. O manuseio das flores, desde a colheita até a retirada do estigmae secagem, feita em seguida, é um trabalho que encarece o produto final, porque demanda tempo. Para obter 1 kg do pó de açafrão (produto final) são necessárias 100.000 flores, aproximadamente.

Clima e solo
Açafrão - Crocus sativus  Prefere clima de verão quente e seco, com temperatura de 38 a 40 ºC e chuvas em torno de 400 mm. Pode vegetar também em locais de climas mais frios, mas sem que a temperatura caia a 5ºC. Mesmo assim há diminuição da intensidade do aroma e da cor. O melhor solo para açafrão é o aluvião, mas ele pode ser plantado também em terreno de consistência média, argila-arenoso, areno-calcário, ou calcario-argiloso e arenoso-permeável, com uma camada fértil de 40 ou 50 cm de solo. O terreno deve estar bem limpo de outras plantas que possam concorrer com o açafrão, na época do plantio,    

Plantio
   A multiplicação se faz por meio de bulbos, devendo ser escolhidos os de tamanho médio, com 2 a 2,5 cm de diâmetro e 3 a 4 cm de comprimento desprezando-se os mal conservados e os achatados. O plantio pode ser feito de janeiro a março, em outubro, novembro ou no início das chuvas. Utilizam-se sulcos com espaçamento entre eles de 45 cm, para grandes plantações. O espaçamento entre as plantas, na linha, deve ser de 5 a 6 cm. A cada seis ou dez fileiras, deixa-se um espaço maior, de no mínimo 50 cm, para permitir que se façam os tratos culturais. Os sulcos devem ter de 10 a 12 cm de largura e de 20 a 25 cm de profundidade, no fundo, colocam-se 4 a 5 cm de terra vegetal; sobre ela vão os bulbos, com a ponta para cima, cobertos de terra. Em 1 ha plantam-se cerca de 300 000 bulbos, que pesam de 2 000 a 2 500 kg,

Tratos culturais
   Capinas quinzenais (o açafrão é muito prejudicado por invasoras) e ceifa das folhas antes do inverno ou na época da estiagem, aproveitando-se a massa obtida para a alimentação de animais. Onde as chuvas forem inferiores a 400 mm anuais, é aconselhável adotar a irrigação 25 a 30 dias antes da floração, que aparece de abril a maio. 

Doenças  
   A principal doença é a podridão-violácea, que é contagiosa e transforma os bulbos em matéria terrosa. As folhas ficam amarelas e as flores esbranquiçadas. Deve-se arrancar e queimar os bulbos no mesmo lugar e abrir uma vala de 30 a 40 cm de profundidade em volta da mancha de plantas doentes, colocando-se a terra retirada da vala dentro do círculo formado, para impedir a propagação do fungo, Em caso de manifestação generalizada, é preciso transferir a plantação, cultivando outras plantas no local (que não sejam a baratinha nem a cenoura). Outra doença é a gangrena seca, que ataca os bulbos, deixando-os branco amarelados por dentro, depois eles se tornam pardos e finalmente pretos. Essa doença pode será tenuada amazenando-se os bulbos em lugar seco, bem ventilado e em camadas fixas, e remexendo-os com freqüência. 

Colheita 
Raízes do Açafrão   É feita geralmente dois meses depois do plantio, de preferência de manhã, logo depois da dissipação do orvalho, quando a carola começa a abrir-se e o sol ainda não tiver murchado a flora. Colhe-se também no fim da tarde. A colheita é feita manualmente, cortando com a unha a haste das flores, que são coloca das numa pequena bandeja, em camada fina, não superior a 2 cm. A limpeza das flores, ou seja, a retirada dos estigmas, deve ser feita no mesmo dia, à noite, para secagem. Um trabalhador pode preparar, num dia, 400 g de açafrão fresco, que vão dar 80 g de açafrão seco, A qualidade; do açafrão vai depender muito da secagem dos estigmas, feita 20 cm acima de um braseiro sem fumaça, ou então em forno de barro com fogo brando, em peneira de tela metálica ou bandeja, girada com freqüência para que o calor seja melhor distribuído e não queime os 400 ou 500 g de estigmas que contém.
    A secagem muito demorada provoca a perda da cor e afeta o valor do açafrão, ao fim da secagem, ele deverá ficar vermelho-escuro. O açafrão é acondicionado em caixas de madeira, com capacidade para 500 g a 1 kg, forradas com papel impermeável, hermeticamente fechadas e conservadas em lugar seco. A planta dura três anos, em média, produzindo 1 milhão de flores por hectare no primeiro ano, 3 milhões nos segundo e 2 milhões no terceiro, ou seja, 10 kg de açafrão seco no primeiro ano, 30 kg no segundo e 20 kg no terceiro. 

Rotação de culturas 
   O açafrão não deve ser plantado mais de uma vez no mesmo terreno. Os bulbos novos, que nascem sobre os velhos, devem ser retirados com enxada e plantados em outro local. O açafrão só deverá ser plantado novamente no mesmo terreno depois de no mínimo dez anos.

Usos 
 Dos estigmas dessecados do açafrão se extrai um pó, que é utilizado na culinária como aromatizante e corante. O óleo essencial e outros componentes do açafrão contêm propriedades medicinais,mas não devem ser usados sem orientação médica, pois um erro na dosagem pode torná-las tóxicos. 

Composição por 100 g 
 337 calorias,6,3 g de proteínas, 250 mg de cálcio, 116mg de fósforo, 5,6 mg de ferro, 0,74 mg de vitamina B1, 1,03 mg de vitamina B2 e 25 mg de vitamina C.

 Fotos
Açafrão


Referências:
CHAVES FCM; BERNI, RF; PINHEIRO JB; VAZ APA. 2011. Influência do peso de rizomas-semente na produção de açafrão. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 51. Anais... Viçosa: ABH.S4787-S4792
Embrapa: Comunicado técnico 142, Cultivo de Curcuma longa L. (Açafrão-da-índia ou Cúrcuma) por Rita de Cassia Alves Pereira1 e Márcia da Rocha Moreira, ISSN 1679-6535 Dezembro, 2009 Fortaleza, CE

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